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Você já ouviu falar em Quinoa?

O grão é pouco conhecido aqui no Brasil, mas seu consumo tem crescido muito entre aqueles que apreciam uma alimentação mais natural. A quinoa é um pseudo-cereal de origem andina, muito consumido no Peru e no Chile. Por ser uma rica fonte de proteínas e aminoácidos, a quinoa é capaz de substituir o tradicional arroz-feijão brasileiro em seus valores nutritivos.

A nutricionista Virgínia Nascimento, vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrição, destaca que o grão contém mais proteínas que outros cereais, além de ter os aminoácidos geralmente encontrados no arroz (lisina e metionina) e os carboidratos com baixo teor de açúcar (geralmente encontrados no feijão), que estimulam a produção da insulina necessária ao aproveitamento dos carboidratos e gorduras, além de conter vitaminas complexo B, C, E e ácidos graxos ômega 3 e 6.

A quinoa pode ser consumida crua, em saladas, farofas ou cozida e, segundo Virgínia, “ a aceitação dos grãos cozidos quentes ou frios tem sido grande.” Por ser um cereal, a nutricionista diz que o grão “combina bem com legumes, verduras e alimentos animais como carnes ou ovos que podem ser consumidos em menor quantidade já que [a quinoa] também tem uma grande quantidade de proteínas, os principais nutrientes dos alimentos animais.”

Além da união entre quantidade e qualidade das proteínas, o pseudo-cereal ainda é bom para diabéticos e para quem faz dieta de emagrecimento. Virgínia explica que “a quinoa é fonte de carboidratos, mas já vem com uma cota de proteína agregada. Quando come batata você não tem quase nada de proteína, então o aumento de glicose [no sangue] é imediato, com a quinoa esse aumento é mais lento. E isso faz com que ela seja menos engordativa.” Pode ser um pouco difícil encontrar o grão aqui no Brasil, mas vale a pena buscar!

Texto originalmente escrito para o blog do Portal Vital, da Unilever. A versão editada, publicada hoje, está disponível em http://www.portalvital.com/blog/alimentacao-saudavel/voce-ja-ouviu-falar-em-quinoa.

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Coma bem no happy hour

Depois de um longo dia de trabalho, nada melhor que sair com os amigos, conversar e esquecer das preocupações. Mas muita gente abusa dos petisco e bebidas alcoólicas no happy hour, esquecendo também da saúde. “O maior perigo é a quantidade de frituras consumidas”, alerta a nutricionista Cristiane Mara Cedra, que recomenda mesclar porções de batata, mandioca ou pão (carboidratos) com outras de carnes (proteínas).

Cristiane afirma que as frituras devem ser consumidas em pequenas quantidades, “ela não deve ser a principal fonte de saciedade”. O ideal é saber equilibrar as escolha, consumindo pequenas quantidades de frituras e outras de iscas de carnes ou peixes. A nutricionista lembra que outra opção é procurar bares que sirvam petiscos mais saudáveis, como porções de cenoura ou pepino, acompanhadas por saborosos molhos.

Se a ideia for jantar no bar, a nutricionista recomenda que os petiscos não sejam a refeição principal, pois são muito pobres em nutrientes. “A maioria dos bares servem lanches naturais com salada, que são uma boa opção, além de pratos como escondidinho [carne seca coberta com purê de mandioca] ou brusqueta [pão assado com tomate, azeite e queijo], que apresentam uma variedade de nutrientes”, afirma. Para quem não for jantar no happy hour, Cristiane recomenda comer salada e legumes antes de sair: “são alimentos que você não vai encontrar no bar e que complementam os carboidratos e proteínas que você irá ingerir.”

A combinação entre frituras muito salgadas e bebidas alcoólicas também é um grande inimigo da saúde nos bares. Cristiane enfatiza que o álcool desidrata, então é importante não ficar só nisso: “é bom intercalar uma bebida alcoólica com um suco diluído em água (maracujá e limão são boas opções), um chá light ou água.” Para se divertir no happy hour, basta um pouco de moderação!

Texto originalmente escrito para o blog do Portal Vital, da Unilever. A versão editada, publicada hoje, está disponível em http://www.portalvital.com/blog/saude/coma-bem-no-happy-hour.

Acne não é só coisa de adolescente

Pouca gente sabe, mas acne não é só coisa de adolescente. Ela também pode se manifestar na população adulta, como resultado de alterações hormonais, alimentação desequilibrada, stress ou vestígios de maquiagem e poluição na pele, sendo mais comum nas mulheres.

Até os 25 anos, a acne pode persistir como resquício da adolescência; mas, dos 25 aos 40 anos, sua causa mais comum são alterações hormonais provocadas, principalmente, pela Síndrome do Ovário Policístico, que é genética, e pelo stress.

“Mas isso varia de mulher para mulher”, alerta a professora Marilene Chaves Silvestre, do Serviço de Dermatologia da Universidade Federal de Goiás, que diz que é preciso estar atenta para que, quando você identificar o surgimento de erupções, procure um médico que possa diagnosticá-las e tratá-las. “O ideal é que a paciente faça uma avaliação hormonal para saber se realmente há alteração em algum hormônio ou se o problema é apenas circunstancial.”, destaca Marilene.

Acnes circunstanciais podem ser causadas pela ingestão de algum alimento ao qual o corpo não reage bem. Algumas mulheres têm espinhas quando consomem grandes quantidades de chocolates, amendoim ou castanhas, por exemplo, “mas essas reações são diferentes em cada paciente”, lembra Marilene, por isso é preciso estar atenta para aprender a identificar a quais alimentos sua pele não reage bem.

A poluição ou resquícios de maquiagem também podem ocasionar o surgimento de cravos ou pequenas acnes, pois obstruem os poros do rosto. Nestes casos, basta controlar o que você come e usar um sabonete facial com ácido salicílico, enxofre ou peróxido de benzoíla (substâncias que não ressecam a pele) duas vezes ao dia, de preferência, pela manhã e de noite.

Já a Síndrome do Ovário Policístico altera os hormônios andrógenos (masculinos), e o stress afeta o cortisol, que libera mais açúcar no sangue em situações de cansaço. Segundo Marilene, a desregulação de ambos os hormônios provoca uma atividade exagerada das glândulas sebáceas (responsáveis pela produção de gordura na pele), resultando no aparecimento de cravos e espinhas.

Nestes casos, afirma a professora, “a mulher adulta tem acne inflamatória persistente. Além do tratamento convencional contra acne, é preciso controlar os hormônios, por que senão ela terá acne a vida inteira.” As características da chamada ‘acne adulta’ (está provocada pela alteração hormonal) são iguais às da acne adolescente, mas sua incidência é maior na região mandibular (queixo, mandíbulas e pescoço).

A analista de sistemas Maria Cecília de Oliveira, 31 anos, começou a ter acnes após o nascimento de seu primeiro filho. Preocupada com as marcas que as espinhas poderiam deixar em seu rosto, logo procurou seu dermatologista, que lhe indicou uma série de exames, pois a gravidez causa mudanças hormonais que poderiam ser a causa de seu problema. Seguindo as orientações de seu médico, Cecília cuidou da acne com remédios manipulados especialmente para ela e também com ácidos e cremes anti-acne, tomando cuidado para que o tratamento não afetasse a amamentação. “O acompanhamento médico é muito importante para que tudo dê certo, não dá pra gente achar que pode cuidar disso sozinha!”, afirma Cecília, que hoje se alegra ao ver o rosto e o filho saudáveis.

Mas seja qual for o tipo de acne que se manifeste, finaliza a professora Marilene, não se esqueça que o uso do protetor solar é fundamental para evitar que as espinhas deixem manchas escuras na pele!

Texto escrito entre fevereiro e maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.

Entenda um pouco mais sobre a TO

A Terapia Ocupacional (TO) é a profissão mais nova e abrangente da área da saúde. Seu cotidiano envolve lidar com pessoas que enfrentam dificuldades no dia-a-dia: os pacientes podem ser desde pessoas com pequenas limitações motoras até casos graves de doenças e transtornos mentais ou envolvimento com álcool e drogas.

Atualmente existem 44 cursos de Terapia Ocupacional no Brasil, número ainda pequeno em relação às demais áreas da saúde. Em média, eles têm duração de quatro anos. Entre as disciplinas do currículo encontram-se anatomia, fisiologia, genética, farmacologia, psicologia, terapia ocupacional aplicada à saúde mental, à educação e às condições sociais, etc. O aluno também deve cumprir no mínimo um terço da carga horária do curso em atividades práticas. Depois de formado, o graduado precisa se registrar no Crefito (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional) para exercer a profissão.

“A TO é uma profissão que lida com disfunções ou modificações do cotidiano das pessoas”, explica a professora Liliane Moraes Amaral, coordenadora do curso de Terapia Ocupacional da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). O tratamento é sempre voltado para a recuperação das funções vitais e pode se realizar em várias esferas (física, emocional, psíquica) e em pacientes de qualquer idade, oferecendo por isso um amplo campo de trabalho. A professora diz também que, em geral, os profissionais da área gostam de trabalhar com público e têm o sonho de intervir proporcionando a seus pacientes uma vida melhor e autônoma.

Os pacientes de um TO são pessoas que por alguma razão são ou estão impossibilitadas de realizar atividades básicas para o cuidado de si mesmas. A personagem Luciana (Alinne Moraes), da novela da Globo Viver a Viva, por exemplo, sofreu um acidente de ônibus e ficou tetraplégica. Além dos danos físicos, Luciana também foi emocionalmente afetada. Na trama, a personagem foi encaminhada para tratamento com uma terapeuta ocupacional, que poderia ajudá-la com os lados físico e emocional e também com a recuperação dos movimentos e do auto-cuidado.

A professora da UFMG enfatiza que, seja qual for o caso, “a terapia ocupacional entra para tentar resgatar ao indivíduo a possibilidade de ser autônomo no desempenho das tarefas cotidianas. Se escovar os dentes é uma necessidade, arrumaremos uma maneira com que isso seja possível”, afirma. O trabalho se dá tanto na recuperação quanto na aceitação e adaptação do paciente às suas novas condições. Liliane finaliza dizendo que “a TO tem proximidade com várias áreas da saúde (psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia), mas seu campo de estudo não é só a mente, o corpo ou a voz, mas o conjunto, a ocupação humana como um todo.”

Matéria principal:
Como funciona o trabalho dos terapeutas ocupacionais.

Texto escrito entre fevereiro e maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever, e publicado como retranca da matéria acima citada. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.

Como funciona o trabalho dos terapeutas ocupacionais

A Terapia Ocupacional (TO) é uma profissão da área da saúde, de nível superior e com formação e regulamentação próprias, mas muita gente ainda não sabe como funciona o trabalho dos TOs. Apesar de utilizar práticas estabelecidas desde os tempos mais remotos, o termo terapia ocupacional só surgiu em 1915, quando William Dunton publicou o livro “Occupational Therapy: manual for nurses” (Terapia Ocupacional: manual para enfermeiras) e criou a primeira escola na área, em Chicago (EUA), impulsionado pela necessidade de tratar os soldados que voltaram da Primeira Guerra Mundial. No Brasil, o primeiro curso surgiu na USP (Universidade de São Paulo), no final da década de 50. A profissão, no entanto, só foi regulamentada em 1969.

Os terapeutas ocupacionais se preocupam em melhorar o dia-a-dia de seus pacientes, permitindo que eles realizem as atividades elementares para suas vidas de maneira autônoma. Seus pacientes são pessoas que ou sofreram alterações em suas vidas e passaram a lidar com dificuldades ou já nasceram com limitações. O tratamento se dá através de intervenções para o autoconhecimento, aceitação e adaptação à realidade vivida.

A professora Liliane Moraes Amaral, coordenadora do curso de Terapia Ocupacional da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), afirma que a principal referência da TO é a ciência da ocupação humana, “a capacidade que o ser humano tem de se apropriar do conhecimento produzido sobre o que é a ocupação humana”, onde importam todas as atividades que o paciente vai desenvolver em todas as idades e esferas de sua vida.

Minha Casa Minha Rua
A TO Renata Queiroz trabalha há 4 anos na Associação Minha Casa Minha Rua, ONG da área social que mantém um centro de convivência para a população adulta de rua em baixo do viaduto do Glicério, em São Paulo. O local, chamado de casa pelos participantes, funciona somente durante o dia e oferece, devido a um convênio com a prefeitura, alimentação e banho para 200 pessoas por dia. Mas Renata explica que o objetivo da ONG não é oferecer serviços básicos, mas sim “reconhecer as pessoas em situação de rua como sujeitos de direito, construir trabalhos sócioeducativos, estimular motivação para que elas reconheçam que são capazes de produzir mudanças em suas vidas.”

A Associação tem vários grupos, dos quais quem se associa pode participar. Os grupos têm profissionais, mas Renata explica que são os próprios moradores de rua que fazem o trabalho acontecer, eles são estimulados a participar do atendimento que é oferecido na casa, onde tudo é feito em esquema de multirão, uma forma de quem participa se sentir útil e produtivo.

Renata coordena o grupo de artesanato consciente da Associação, que trabalha com materiais recicláveis na confecção de decorações para a casa e presentes para os aniversariantes do mês, além de produzir objetos de uso doméstico e produtos que são encomendados por clientes que têm parceria com a ONG, oferecendo a possibilidade de geração de renda para quem participa do grupo.

A terapeuta ocupacional conta que muitas pessoas que passam pela casa conseguem recuperar a autoestima, o cuidar de si mesmo e passam a ajudar nas atividades da casa. Algumas conseguem empregos, saem das ruas e retomam suas vidas, mantendo ainda os laços com a instituição, que se tornou referência para a população de rua.

Lúcia, por exemplo, freqüentou o grupo de artesanato por cerca de dois anos, quando ele ainda trabalhava apenas com confecção de bijuterias. Ela tem um comprometimento cognitivo que dificulta seu raciocínio e morou na rua durante muitos anos. Ali, ela aprendeu a fazer bijiterias e começou a vendê-las. Depois de um tempo, voltou para a casa da mãe, em São Vicente, no litoral paulista. Hoje vende colares em uma barraca na praia e ainda faz visitar regulares aos amigos que fez na casa.

Igor também freqüentou os grupos da Associação durante muito tempo e conseguiu se recuperar. Como a maioria dos moradores de rua, era alcoólico. Hoje ele trabalha na casa como técnico de manutenção, saiu das ruas e conseguiu controlar o antigo vício. A TO Renata conta que, como Igor, vários ex-moradores de rua conseguem resolver seus problemas e continuam se dedicando à causa.

AACD
Na área física, a TO Renata Cristina Verri trabalha na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) com adultos com deficiência física por conta de sequelas de AVC (acidente vascular cerebral, o popular derrame), traumatismo craniano, doenças neuro-musculares e lesão medular. O foco do trabalho é a melhora da funcionalidade, “sempre pensar no que está comprometido, trabalhar com isso, para a melhora do dia-a-dia do indivíduo”, afirma.

A TO explica que “é importante ver como é o ambiente em que a pessoa vive, para realizar treinos, propor adaptações e facilitações, para que a pessoa participe mais de sua vida e possa voltar a ser independente. Por que a realidade da Instituição é muito diferente do que o paciente vai enfrentar no seu cotidiano.” Renata afirma que é preciso ver o indivíduo como um todo, levando os lados físico, emocional e sensorial em conta: “realizamos o tratamento com um enfoque maior nos sistemas lesionados, mas sempre tendo o conjunto em vista.” A dica vale para qualquer campo de atuação da TO, que sempre procura resgatar ao indivíduo a autoestima e o cuidar de si mesmo.

Nasce uma campeã
Quando tinha 12 anos, Joyce Fernanda de Oliveira (hoje com 19) foi atingida por fragmentos que despencaram do teto do ponto de ônibus quando ela estava indo para a escola, na cidade de Jundiaí, no interior paulista. O acidente cortou sua medula e a deixou paraplégica. Joyce conta que, quando soube que não andaria mais, a primeira coisa em que pensou foi no futebol, que não poderia mais jogar.

Incentivada pelo professor de educação física, Joyce começou a jogar tênis de mesa, uma forma de pratica algum esporte e se animar. Hoje Joyce treina tênis de mesa três vezes por semana e já participou dos Jogos Parapan-Americanos Juvenis duas vezes, em 2007 (Venezuela) e 2009 (Colombia), tendo conquistado o ouro na categoria tênis de mesa individual em 2009.

“Depois do acidente eu fiquei um ano sem sair de casa, me escondia, tinha vergonha. Mas depois que comecei a praticar um esporte não paro mais em casa”, conta a atleta. Há cerca de 7 anos, Joyce começou a fazer tratamento na AACD, onde conseguiu retomar sua vida e aprendeu a se virar sozinha novamente. “Antes eu não saia sozinha na rua, não fazia nada sozinha. Na AACD me ensinaram a tomar banho sozinha, sair do carro, me virar. Hoje sempre que viajo pra jogar vou sozinha”, comemora.

Atualmente, Joyce se prepara para os Jogos Paraolimpicos de Londres, em 2012, e também para a Paraolimpiada no Rio, em 2016. No futuro, a atleta gostaria de fazer faculdade de Educação Física, “para dar aulas de tênis de mesa para quem estiver começando no esporte.”

Retranca:
Entenda um pouco mais sobre a TO.

Texto escrito entre fevereiro e maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.