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Artista busca levar alegria para seu público

A exposição ‘Galeno, Curumim Arteiro’, do artista popular Francisco Galeno, começou nesta quarta-feira (27) em São Paulo. Com cerca de 22 trabalhos, entre pinturas, objetos e esculturas, em sua maior parte em madeira, Galeno conta que busca transmitir alegria aos que veem suas obras.

Nascido em uma família de artesãos, Galeno diz que seu trabalho atual tem uma ligação muito forte com sua infância, vivida entre o Piauí, onde nasceu, e Brasília, para onde se mudou com 8 anos de idade e onde vive até hoje. Seu objetivo, revela, é fazer com que as pessoas se alegrem ao ver suas obras: “gostaria que percebessem que é o trabalho de alguém que é feliz, que teve uma infância feliz.”

Ele complementa dizendo que “gostaria que apreciassem uma mensagem alegre. São obras felizes, sem problemas. Acredito que contemplar uma obra de arte pode afastar os problemas. Queria que o público visse minhas obras e não precisasse ir ao analista”, contou Galeno, ao falar que seu sonho é “fazer com que as pessoas se sintam bem ao se depararem com suas obras, através das cores, dos objetos.”

A família, que é toda da região do delta do Rio Paraíba, no interior do Piauí, teve uma forte influência no trabalho de Galeno. “Tive a sorte de nascer em uma família que é toda de artesãos, desde o meu bisavô”, comenta. Galeno acredita que os lugares onde viveu convivem em suas obras: “Existe um diálogo entre a cultura mais popular [do Piauí] e o lado mais moderno de Brasília. Eu transito entre esses dois lados.”

Galeno diz que a arte não foi sua primeira opção, apesar do interesse ter vindo desde pequeno: “Eu não pensava em ser artista, eu pensei em ser jogador de futebol, estudei música, fiz teatro. Acabei indo para este lado da arte porque me permitia executar o que eu penso. Foi onde eu senti um clima mais ligado ao meio em que vivo”.

Sobre esta exposição em São Paulo, Galeno diz não ter expectativas: “Nunca tive expectativa de ser um artista famoso. Para mim o interessante é fazer, criar, mostrar meu trabalho para as outras pessoas.” Em sua opinião, a madeira, técnica que prefere para sua comunicação com o público, facilita a criação de objetos, esculturas e brinquedos, como as pipas e carretéis, alguns dos temas favoritos do artista.

Serviço:
Galeno, Curumim Arteiro
Onde: Galeria PONTES. Rua Minas Gerais, 80 – Higienópolis. Informações: (11) 3129-4218
Quando: de 27/10 a 27/11, segunda a sexta-feira das 10h às 19h e sábado das 10h às 17h.
Quanto: grátis

Matéria escrita e publicada no último dia 27 no Portal da RedeTV.

Artista francesa questiona relação do homem com o tempo

A artista francesa Nathalie Decoster, com uma exposição individual em cartaz no MuBE, busca com suas obras – repletas de homens pernudos – fazer seus espectadores refletirem sobre sua relação com o tempo e o espaço em que vivem.

A artista conversou com o RedeTVi, em um passeio pela exposição, e explicou que as fíguras antropomórficas que cria (pequenos homens com longas pernas) são um reflexo do próprio ser humano. “Meu trabalho fala do homem que está muito fechado, duro. Os homens dentro da roda representam o tempo de vida da pessoa, enquanto ela anda por aí”, explica, em referência ao símbolo de seu trabalho (foto).

Nathalie conta que, apesar de preferir o círculo, também usa outras formas geométricas, ainda que com a mesma função. “A estrutura quadrada, por exemplo, é uma proteção: ela mostra que o homem é frágil. A vida tem momentos difíceis. A vida é frágil e cada um está só: a proteção é utópica.”

Ao explicar o funcionamento de sua obra ‘A Árvore’, que retrata pequenos homens pendurados em uma grande, porém fina árvore de metal, ela explica que, como na natureza, o trabalho é frágil e se move com o vento. “É uma parte do meu trabalho em que eu faço uma comparação entre a vida da natureza e a vida do homem. Os homens da obra são como folhas  que se movem com o vento e vão deixando suas marcas por onde passam”, diz, ao mesmo tempo, complementa, a obra busca conscientizar para a importância de respeitar a vida dos dois lados.

Em sua maior parte, as obras de Nathalie, que se explica em um português espanholado e misturado com palavras francesas, querem que o espectador pare e reflita sobre a maneira como encara o mundo em que vive. “Falo de coisas que o homem realizou, mas também da emoção, das pessoas que são importantes nas nossas vidas. Esse homem [pernudo] anda por aí para entregar essa mensagem ao público.”

Serviço:
Onde:
Museu Brasileiro da Escultura (MuBE). Av. Europa, 218 – São Paulo-SP
Quando: a mostra interna acaba neste final de semana. As obras expostas na parte externa ficam até 09 de janeiro de 2011
Quanto: grátis

Texto escrito e publicado hoje no Portal da RedeTV.

Exposição ‘Resiliência: Antenas’

A exposição ‘Resiliência: Antenas’, da artista plástica Cristina Schleder, questiona a relação homem-natureza e incentiva a preservação ambiental por meio de colagens. Cristina cria fíguras de árvores coloridas com diferentes tipos de papel e, exposto em São Paulo, tal trabalho busca despertar o olhar para o ambiente cinza que cerca o espectador, destacando a importância da preservação ambiental.

“Artista plástica desde sempre”, como se define, Cristina conta que seu trabalho é baseado no que ela pensa sobre a natureza. “Eu só pinto o que a natureza me inspira. Nunca pintei uma casinha, um barquinho ou algo que o homem tenha feito. Acho que é uma conexão de alma entre a natureza e eu”, revela, afirmando que uma obra de arte reflete a alma de seu criador.

Esta exposição apresenta 19 trabalhos com colagens. A técnica, segundo Cristina, surgiu em sua vida de repende, “e eu estou na colagem há 10 anos. É um momento, uma forma de expressão que continua me dando satisfação.” A artista, que mantem uma coleção de revistas em sua casa, seleciona os papeis que utilizará de acordo com a cor que deseja trabalhar, ficando sempre atenta aos efeitos de movimento, luz e sombra.

Neste processo, cada composição demora cerca de quatro meses para ficar pronta, “mas já levei um ano para fazer alguns quadros”, conta Cristina. “Depende do trabalho, mas [a colagem] toma muito tempo. Além da seleção de materiais (papeis), tem também o trabalho de fazer uma colagem harmoniosa. São desafios que motivam meu trabalho.”

O título da exposição, Resiliência, foi dado em referência à “capacidade de recuperação [que a natureza tem] de sua forma original após sofrer choque ou transformação”, segundo explica o catálogo da exposição. As ‘antenas’ são os elementos que captam as energias cósmicas, “são as próprias árvores, dentro e fora dos quadros”. As colagens de Cristina unem os elementos de resistência da natureza com o poder reflexivo da arte.

Cristina conta que procura, com suas obras, incentivar um olhar diferente do habitual das grandes cidades: “Eu gostaria que ao olhar as pessoas consigam enxergar a natureza como algo necessário na vida do ser humano. A mensagem [que quero passar] é [que o espectador consiga] trazer para dentro de si algo tão vital para o ser humano quanto a natureza. As pessoas veem árvores na calçada, mas se esquecem da importância de preservar a natureza.”

Matéria escrita e publicada quarta-feira (29) no Portal da RedeTV.

Sem proposta ecológica, exposição desperta sentimento de preservação

Começa nesta sexta-feira (17) em São Paulo a exposição ‘Gênesis das Cores’, do artista e diplomata Marcos Duprat. A exposição traz, em sua maioria, desenhos de cenas da natureza, “tratada de maneiramuito cromática”, como define o próprio Duprat.

O artista conta que as paisagens são o tema central de seu trabalho. “Todas as obras falam de uma natureza não contaminada. Há também uma ideia da importância de se preservar o meio ambiente, sem que isso seja uma proposta ecológica ou política, mas há essa ideia. Eu gostaria que meu trabalho despertasse no visitante esse sentimento”, explica Duprat.

A inspiração para os desenhos, ele conta, vem das cenas que observa em seu dia-a-dia de viagens pelo mundo. “Meu trabalho é basicamente de observação e transformação da realidade que observo em desenhos”, diz, contando que, como viaja muito, vai somando à seus trabalhos técnicas e cores de vários países.

O principal em suas composições é a descrição, os caminhos percorridos pela luz nas telas que desenha: “O interesse pela descrição da luz vai acompanhando todo o meu trabalho. O ar descreve a luz, que é composta pelas cores do arco-íris, então é inevitável usar cores”, em sua maioria, suaves, contribuindo para o tom poético de suas obras.

Serviço:
Marcos Duprat – ‘Gênesis das Cores’
Onde: Mônica Filgueiras Galeria de Arte. Rua Bela Cintra, 1.533. Informações: (11) 3082.5292
Quando: de 17 de Setembro a 16 de Outubro, 2ª a 6ª das 10h30 às 19h30 e sábado das 10h30 às 15h.
Quanto: grátis

Matéria escrita e publicada sexta-feira (17) no Portal da RedeTV.

Exposição revela espontaneidade da pintura popular

Descoberto pelo galerista e estudioso da cultura popular brasileira Roberto Rugiero, o artista primitivista Alex dos Santos ganha em São Paulo sua primeira exposição individual, sub curadoria do próprio Rugiero. Com um estilo simples, as obras do jovem pintor (de 30 anos) são repletas de fíguras humanas, sempre muto coloridas, que buscam contar uma história completa na tela.

Falando do estilo do artista, Rugiero destaca que a arte popular é espontânea: “A pintura popular muitas vezes não vem de nenhuma tradição, ela surge por si só.” No caso de Alex dos Santos, Rugiero acredita que ele já é um artista maduro, apesar de novo: “A pintura dele é uma coisa [que vem] da alma, não é pré-fabricada”, diz, comentando que muitos artistas só produzem obras primitivistas por oportunismo, observando os livros e copiando estilos.

Segundo Rugiero, Alex é um artista popular como há tempos nosso país não via: “Na minha opinião, a importância dele é que há cerca de 35 anos não aparecia no Brasil um pintor popular.” Para o especialista em cultura popular, este gênero artístico requer espontaneidade e estilo: “É difícil alguém que tenha não só um estilo, mas também um eixo narrativo [em seus quadros].”

Natural de Jaboticabal, interior de São Paulo, Alex dos Santos nasceu em uma família pobre e passou a vida longe das escolas de arte. Padrinho artístico de Alex, Rugiero conta que o jovem foi desenvolvendo seu estilo a partir de materiais como caixas de papelão ou paredes, em cima das quais ele desenvolvia seus grafites, técnica com a qual criou suas primeiras obras.

“Conheci o trabalho do Alex há seis anos, quando ele ainda trabalhava com grafiti, mas como não era minha especialidade nem me interessei muito. Há três anos comecei a ver trabalhos dele em pintura. Quando vi um trabalho já bem formado dele achei que era hora de trazê-lo para São Paulo”, afirma Rugiero, que acredita que, saindo das condições de trabalho em que vive, Alex tem “uma iluminação [artística]”.

Serviço:
Exposição Alex dos Santos
Onde: Galeria Pontes. Rua Minas Gerais, 80 – Higienópolis, São Paulo-SP. Informações: (11) 3129-4218
Quando: até 9 de outubro, segunda a sexta das 10 às 19h e sábado das 10 às 17h
Quanto: grátis

Matéria escrita e publicada terça-feira (14) no Portal da RedeTV.

Inspirada no 11/09, exposição busca criar ‘Guernica’ moderna

A exposição ‘Beauty for Ashes Project (Das Cinzas à beleza)’, inaugurada neste sábado (11) no Sesc Pinheiros, em São Paulo, toma como base o atentado terrorista às “Torres Gêmeas” para criar um painel artístico do terrorismo em diversas partes do mundo. A ideia, revela Duda Penteado, idealizador do projeto, é criar uma “Guernica moderna”.

A referência ao mural ‘Guernica’, que o espanhol Pablo Picasso criou em 1937 para criticar a Guerra Civil Espanhola, não é gratuita. O painel se tornou emblemático no gênero e, assim como Picasso, Penteado quer criar uma grande junção de obras de arte que retratem, reflitam e provoquem um pensamento crítico sobre a cultura da violência em que vivemos hoje.

A ideia de criar o projeto surgiu logo após a queda das torres, revela o paulistano Penteado, que mora nos Estados Unidos há 15 anos. “Meu ateliê ficava de frente para o World Trade Center, minha esposa me ligou avisando que um avião tinha atingido a primeira torre, eu subi pra ver a fumaça e achei que fosse um acidente. Mas aí veio o segundo avião e eu percebi que não era. Achei que fosse o começo da terceira guerra mundial.”

Logo após o incidente, Penteado conversou com um dos sobreviventes da tragédia e gravou seu depoimento. O relato do jovem deu origem a um curta que, segundo Penteado, “é uma video-instalação contando a história real de alguém que sobreviveu”. Assim nasceu o projeto Beauty for Ashes.

Hoje, junto com grupos de alunos associados à universidades norte-americanas, ele incentva a criação de obras relacionadas ao terrorismo pelo mundo. A exposição esteve nos Estados Unidos, onde foram produzidas obras sobre o WTC, vem à São Paulo, onde espera-se que sejam produzidas obras sobre o terrorismo no Brasil, e depois segue para países como China, Índia, diversos países do Oriente Médio e Espanha, berço do quadro que inspirou o projeto.

Também fazem parte do projeto performances artísticas, como o Manifesto do Pijama, em que os interessados saíram caminhando com pijamas pela cidade de São Paulo. A ideia da intervenção é despertar o olhar das pessoas para a apatia em que vive a sociedade contempôranea.

“A criação coletiva é o principal nessa exposição”, enfatiza Penteado, que convida o público para participar da criação de um painel coletivo sobre os terrorismos pelo mundo.

Serviço:
Beauty for Ashes Project (Das Cinzas à beleza)
Onde: Sesc Pinheiros. Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo – SP
Quando: de 11/09 a 02/10, terça a sexta, das 13h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30.
Quanto: grátis

Matéria escrita e publicada sábado (11) no Portal da RedeTV.

Exposição ‘United in Art’

A exposição ‘United in Art’ reúne obras de vários países sub curadoria da também artista Leda Maria, da Ward-Nasse Gallery de Nova York, em parceria com o espaço Lobo Pop Art. Sem um tema único, o objetivo é apresentar ao público artistas de diferentes regiões do globo, como Estados Unidos, Rússia, Lituânia e Turquia, além de obras brasileiras.

Leda acredita que “a arte aproxima as pessoas e a cultura dos países”, por isso, tal exposição dispensa um tema único. “São obras com diferentes técnicas e materias para que o espectador possa conhecer a diversidade artística presente nas artes plásticas pelo mundo”, diz.

“Cada obra tem o seu estilo e o público tem mostrado interesse por essa variedade”, conta Leda, que vê a exposição como uma chance para conhecer novas formas de se fazer arte.

Além de enviarem seus quadros para exposição, muitos realizadores também estiveram em São Paulo para conferir o resultado dessa mistura internacional. “Como trabalho há 3 anos em Nova York, achei que seria legal trazer os artistas aqui no Brasil e apresentar-lhes não só a nossa produção, mas também nosso país”, afirma Leda.

O expectador que for conferir entrará em uma galeria com cerca de 80 obras, com cavaletes e quadros espalhados pelas paredes, no que Leda considera um convite a mergulhar na diversidade cultural, de formas e de materiais utilizados pelas obras em exposição.

Serviço:
Exposição United in Art
Onde: Edifício Villa Lobos Cultural – Av. das Nações Unidas, 4.777 – Estacionamento Shopping Villa-Lobos – São Paulo (SP)
Quando: até 4 de setembro
Quanto: grátis

Matéria escrita e publicada sexta-feira (27) no Portal da RedeTV.

‘Fernando Pessoa, plural como o universo’

A mostra ‘Fernando Pessoa, plural como o universo’ abre nesta terça-feira (24) para visitação do público. Com curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith, o espaço do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, foi dividido em três espaços onde o espectador pode ter contato com trechos das obras de Pessoa e interagir com suas várias personas, além de ler sobre sua vida e obra.

Fernando Pessoa é o primeiro poeta português a receber uma exposição no Museu da Língua Portuguesa. Conhecido por seus vários heterônimos – expressões de sua múltipla personalidade, com nomes e estilos literários distintos – Pessoa nasceu e morreu em Lisboa, respectivamente, em 13 de Junho de 1888 e 30 de Novembro de 1935.

O projeto cenegráfico da exposição, assinado por Hélio Eichbauer, tem o Mar como identidade visual. O diferentes tons de azul remetem à época dos descobrimentos e das grandes conquistas de Portugal, inspirado em ‘Mensagem’, célebre livro de poemas que Pessoa publicou em 1934.

Richard Zenith, um dos curadores da exposição, acredita que este é um bom momento para divulgar as obras de Fernando Pessoa, especialmente para o público jovem. “Pessoa deixou mais de mil escritos inéditos quando morreu, nosso conhecimento sobre ele aumento muito nos últimos 25 anos [com a descoberta e publicação de grande parte desses papéis].”

O curador diz que a cenografia é um elemento fundamental nesta exposição. “Nós fomos conversando com o [cenógrafo] Eichbauer sobre o que queríamos mostrar e como adequar isso ao espaço que tínhamos, para harmonizar todo o conteúdo da exposição nos ambientes do Museu.”

Um dos desafios, lembra Zenith, foi a escolha do título. “Fernando Pessoa tem vários heterônimos com diferentes estilos, além de uma produção diversificada [com poemas, textos em prosa, ensaios acadêmicos]. ‘Plural como o universo’ veio de uma frase que ele escreveu certa vez: achamos que isso se encaixa tanto para o poeta em sua multiplicidade quanto para o espectador, que se sente confrontado consigo mesmo”, afirma.

Zenith espera que o público descubra Fernando Pessoa através da exposição. “Esperamos que o espectador sinta Fernando Pessoa, reflita sobre ele e sobre si próprio. Queremos que a exposição mexa com os visitantes, envolva-os. Não queremos que vocês fiquem distantes a comtemplar, queremos uma reação de fato.”

Fernando Pessoa, plural como o universo
Onde:
Museu da Língua Portuguesa. Praça da Luz, s/n, Centro, São Paulo-SP. Informações: (11) 3326-0775
Quando:
de 24/08/2010 a 30/01/2011, terça a domingos das 10h às 17h
Quanto:
R$ 6 e R$3 (meia), grátis aos sábados

Matéria escrita e publicada ontem no Portal da RedeTV.

Exposição destaca faces pouco conhecidas da cultura boliviana

Começa neste sábado (17)  a exposição ‘Máscaras – faces da alma boliviana’, que vai até 29 de agosto na Caixa Cultural São Paulo (Sé), com entrada franca. A mostra, itinerante e inédita, traz peças de significativo valor estético e de tradição milenar, pertencentes ao acervo do Museo Nacional de Etnografía y Folklore de La Paz (MUSEF), e que saem pela primeira vez do território boliviano.

A produtora executiva da exposição aqui no Brasil, Denise Carvalho, da AORI Produções Culturais, responsável por trazer a mostra para São Paulo, conta que teve contato com as máscaras quando esteve na Bolívia apresentando obras brasileiras: “nós visitamos o MUSEF e achamos lindo, eles tem máscaras com mais de 3.000 anos! Resolvemos trazê-las para o Brasil.”

No total, a AORI conseguiu trazer 47 peças para o Brasil. “São máscaras bem representativas da cultura indígena andina, algumas delas são utilizadas até hoje nas danças e rituais”, diz Denise, que comenta que, por lá, o processo de aculturamento dos índios foi bem menos intenso que aqui. A valorização da cultura nativa também é muito forte: a autorização para que os artefatos folclóricos saíssem da Bolívia, diz Denise, foi assinada pelo presidente Evo Morales em pessoa.

Denise conta que uma das máscaras, a ‘Dançante’, era usada por um casal de dançarinos até o momento de suas mortes: “eles se voluntariavam para serem sacrifícios humanos à deusa Pachamama, a terra mãe, eles dançavam por 3 ou 4 dias seguidos, sem parar, sem comer, até que morriam de cansaço.” Esse tipo de sacrifício foi proíbido na década de 50, mas a tradição da dança continou – de forma mais leve e sem perdas humanas, mas mantendo o uso do artefato típico.

Na exposição, as máscaras estão dispostas de acordo com a região de seu país à qual pertencem e há uma explicação sobre o significado de cada uma delas. Denise conta que a mostra tem “um forte audiovisual”: as peças, com um colorido marcante, estão em uma sala escura, com back lights e holofotes em baixo e em cima de cada máscara, “é muito cinematográfico, ficou bem diferente, é quase assustador”. Além das máscaras, há também vídeos das danças típicas em que elas são usadas dispostos pela sala.

A montagem brasileira foi inspirada na forma como os artefatos estão dispostos no MUSEF. O objetivo da exposição é chamar a atenção do brasileiro para a cultura boliviana, cada vez mais presente em nosso cotidiano. “O Brasil hoje tem 500 mil imigrantes bolivianos, muitos trabalham quase como escravos em confecções aqui em São Paulo. É uma cultura muito presente na cultura paulistana e brasileira, e nós não podemos ignorar um povo pobre que veio ao nosso país em busca de melhores condições de vida”, afirma Denise.

‘Máscaras – faces da  alma boliviana’ busca tirar a cultura daquele país da marginalidade em que geralmente é colocada. Denise destaca que a exposição quer chamar a atenção do paulistano para as belezas da cultura milenar que a Bolívia possui: “é importante mostrar o lado positivo dessa cultura, para não ficar só nos lados marginal e ilegal”.

Clique AQUI e confira a galeria de fotos da exposição.

Serviço:
Exposição ‘Máscaras – faces da alma boliviana’
Quando: de 17 de julho a 29 de agosto de 2010, de terça a domingo, das 9h às 21h.
Quanto: grátis
Onde: Caixa Cultural São Paulo (Sé) – Galeria Neuter Michelon – Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo/SP. (11) 3321-4400

Matéria escrita e publicada sexta-feira (16) no Portal da RedeTV.