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3 estreias nos cinemas paulistanos

“Reencontrando a Felicidade”

Logo de cara, vale dizer que este título brasileiro não faz o menor sentido. O filme é deprimente (no sentido de ser uma trama triste, não um mal filme) e está muito mais para “toca do coelho” mesmo (o título original é “Rabbit Hole”).

A história é muito boa e Nicole Kidman está sensacional no papel da mãe que precisa aprender a lidar com a perda de seu filho. Por aí você já vê que vai ser difícil ela e o marido ‘reencontrarem a felicidade’. O filme é um soco no estômago (dos mais bem feitos). Mas felicidade passa longe do roteiro.

“Como Arrasar um Coração”

É uma típica comédia romântica francesa: bobo e previsível, mas fofo. As comédias românticas francesas tem um tom narrativo diferente das norte-americanas (os fazedores de comédias românticas por excelência). Elas geralmente tem tramas mais leves – não menos impossíveis que as produzidas nos EUA, mas o tom é diferente. E seus protagonistas não são exatamente um ideal de beleza. Do ponto de vista da mocinha rica, sejamos honestas, porque ela trocaria um sujeito bonito, rico e boa pinta por um magrelinho e com emprego duvidosos?


“Não se Pode Viver sem Amor”

Não gostei do filme e deixo apenas uma dica: passem longe. O elenco teria tudo para fazer o filme dar certo: Simone Spoladore, Fabíula Nascimento, Ângelo Antônio e Cauã Reymond são todos bons atores (e dos quais gosto muito). Mas em algum ponto, a trama não convence. Para mim, foi no personagem de Victor Navega Motta, menino novato que, talvez por isso, não convence no papel de um garoto “sensitivo” (ou talvez por isso). O final derradeiro também não é coerente com a realidade do que vivem “um ano antes”.

Fim dos tempos: “Presságio”

Posted on 10/abril/2009 by Cinéfilos [Link atualizado]

Presságio é mais um daqueles inúmeros filmes de fim do mundo. Uma mistura e colagem de vários filmes do gênero. Não se pode dizer que o filme foi mal feito ou que não tem bons efeitos especiais, o filme que custou US$50 milhões e a produção foi cuidadosa.

O problema de Presságio é que seu começo lembra A Profecia, com uma menina perturbada, tal qual o menino demônio do clássico suspense de 1976, e um toque de 23, como números malignos. E seu meio e final misturam de Guerra dos Mundos e Impacto Profundo a Ensaio sobre a Cegueira, tudo isso com um toque meio bíblico, que pode ser um pouco absurdo ou inacreditável.

A aparência não saudável da menina do começo nos faz crer que os números que escreve freneticamente em um papel onde deveria estar fazendo um desenho são ‘do mal’ e ela também. A idéia era fazer desenhos que seriam enterrados em uma cápsula do tempo, a ser aberta 50 anos mais tarde pelos alunos da escola onde Lucíola escreve seus números em 1959.

Passados os 50 anos, os números caminham até as mãos de Caleb, filho de John Koestler, professor de astrofísica do MIT, o herói Nicolas Cage. Como não poderia deixar de ser, John se debruça sobre tais números, encontrando padrões e seqüências que o levam aos principais desastres dos últimos 50 anos, previstos pela menina que dizia ouvir vozes e que haviam se conservado enterrados.

O desenrolar da trama acompanha John tentando prevenir os desastres, até chegar ao último da lista, o derradeiro e inevitável. No final, a catástrofe, que fora prevista pelo professor tempos antes, é anunciada pelo governo, causando pânico na população, a la Ensaio sobre a Cegueira, com corridas por comida e multidões pelas ruas. Não é um filme de todo ruim, mas é inevitável não pensar que faltam ideias aos estúdios ou que os roteiristas quiseram salvar a terra com a religião e elementos externos a nós.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Obs.: Link atualizado em ago/2016. Os links para meus textos escritos por lá por ser encontrados pela busca ou AQUI.

Surpresas, só no título

Posted on 23/janeiro/2009 by Cinéfilos1 comentário

Combine filmes de Natal em família, comédias românticas açucaradas, Vince Vaughn e Reese Whiterspoon: eis Surpresas do Amor (Four Christmases), o sucesso do natal norte americano que por lá já faturou mais de US$115 milhões e passou duas semanas na liderança do ranking de bilheteria. Se olharmos para a atual situação dos EUA, fica fácil entender o porquê do sucesso de Surpresas. Em meio à crise, é normal que os norte-americanos queiram ir aos cinemas para ver algo mais leve e se afastar um pouco do quadro cotidiano.

surpresas-do-amorO filme pode ser pensado como uma mistura de Doce Lar (com Reese Whiterspoon) com Separados pelo Casamento (com Vince Vaughn). Juntamos a protagonista que quer fugir de sua família em Doce Lar com os conflitos amorosos de Separados pelo Casamento, e, claro, unimos a mocinha de um com o mocinho do outro. Até aqui, nada de novo.

Neste filme que se formou, Brad (Vince Vaughn) e Kate (Reese Whiterspoon) são um casal de namorados que procurar fugir de suas complicadas e estranhas famílias nas festas de fim de ano. Sempre viajando e inventando desculpas para não visitar os parentes.

Uma neblina que cobre a cidade de São Francisco no Natal será a grande culpada pelas desgraças do casal, que se vê forçado a enfrentar quatro natais (afinal, ambos tem pais divorciados) em um mesmo dia, não sem custos à relação ou às convicções de ambos. A narrativa nos mostra que o casal não se conhece muito bem e muita coisa faltou nas conversas dos namorados, dos pequenos segredos às vergonhas escondidas em antigos álbuns de fotografias.

surpresas-do-amor2Entender por que Brad e Kate fogem de suas famílias é fácil, poucas são as pessoas que nunca se irritaram com interferências e fofocas familiares. No entanto, a grande mensagem que esta comédia romântica passa (por que você já deve ter percebido que comédias românticas sempre passam uma mensagem bonitinha no final) é de que viver e conviver em família pode ser melhor e mais recompensador, apesar de tudo. E neste jogo amoroso, a sinceridade é a melhor tática, sempre lembrando que planos podem ser revistos.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Traição oportuna

Posted on 15/novembro/2008 by Cinéfilos

o_traidor2Você provavelmente já foi enganado pelo começo de muitos filmes. O Traidor (Traitor) é mais um para ser colocado nesta lista. No filme, agentes do FBI investigam uma conspiração terrorista islâmica que tem colocado homens-bomba em diversas partes do mundo. Pelas análises da polícia (em especial do agente Roy Clayton, interpretado por Guy Pearce), um ex-militar especializado, Samir Horn (Don Cheadle) é apontado como membro da organização. A sinopse, vista assim, não engana o espectador prevenido: este filme é, sim, mais uma defesa dos ideais norte-americanos em busca de sua suposta soberania e segurança perdidas.

O traidor do título é um homem dividido entre seus lados norte-americano e islâmico: filho de uma moça de Chicago com um senhor do Congo, Samir nasceu nos EUA e viveu a maior parte de sua vida no oriente, onde tomou contato com a religião islâmica que segue com tanto fervor. Devotado à Deus acima de tudo,em muitas cenas não conseguimos entender as ações de Samir, as vezes um pouco confusas. Esta teia narrativa conduz a história por alguns caminhos sem sentido e outros que talvez você preferisse evitar.

o_traidorCom 114 minutos, O Traidor é um pouco arrastado e, talvez, maior do que o desejável. Ainda bem que as músicas foram bem escolhidas! A trilha sonora colabora para criar tensão nas cenas de ação e envolve muito mais os espectadores do que o confuso roteiro. Ainda me pergunto de onde surgiu o agente (da CIA, acho) com quem Samir conversa em algumas cenas. Ele aparece antes? Quando deixa a cena, entendemos quem era?

Deste filme, salvem-se as atuações. Bons atores e algumas reflexões interessantes que podemos pensar a partir dos personagens de Don Cheadle eGuy Pearce. Aos olhos dos agentes comuns do FBI, Samir é o negro, islâmico, religioso fanático, o terrorista. Clayton é um policial branco, loiro, intelectual, filho de um típico pastor norte-americano, estudou árabe na faculdade e terminou no FBI, tem sensibilidade para compreender as ações passionais do grupo radical islâmico. Tem a suavidade de manter-se vivo em meio ao caos.

Lançado aqui no Brasil pouco tempo depois da eleição de Barack Obama, não deixa de ser curioso ver o “mocinho” negro que salvará a pátria mãe. Nos EUA, o filme estreiou no final de agosto e, se pensarmos bem, deve mesmo haver alguma mensagem por trás do roteiro. Ou assim espero, para o bem deste longa.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.