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Relacionamentos: como é hoje

Entre os casais jovens, são cada vez mais comuns aqueles que moram juntos sem oficializar um casamento (civil ou religioso). O número de uniões consensuais cresceu muito e também cresceu o número de pessoas com quem um jovem se relaciona, mas não se envolve.

O estudante Yuri Ribeiro, 22 anos, não vê diferença entre um casal que mora junto e um que se casa. Para ele, o importante é estabelecer uma relação de confiança, seja qual for o status oficial do relacionamento: “passar pro papel ou não já não faz diferença.”

Mas a dificuldade hoje em dia parece estar justamente em encontrar alguém em quem seja possível ter confiança. O professor de psicologia Sandro Caramaschi, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), diz que hoje “as pessoas se envolvem em um número maior de relacionamentos, mas com comprometimento menor.” Antes, com as dificuldades para se evitar uma gravidez indesejada, buscava-se por uma companhia estável: “há 50 anos, apenas se conversava com possíveis pretendentes; hoje saem, ficam, transam.”, diz Caramaschi.

O professor acredita que as pessoas hoje se propõem a procurar e experimentar parceiros diferentes, “mas o príncipe encantado continua sendo o objetivo de vida final da maioria da população”. Com essa busca, Caramaschi acredita que ficou mais fácil encontrar pessoas com as quais há um interesse em relacionar-se. E a fragilidade dos casamentos modernos entra neste ponto também: “as pessoas têm mais sensibilidade de casar e descasar, talvez sejam pouco persistentes, mas evitam relacionamentos que lhes fazem mal.”

Na prática, Yuri não acha que é tão simples assim! “Encontrar alguém é fácil. O problema é encontrar alguém que esteja na mesma fase que você. As vezes você quer algo sério e a outra pessoa não, e vice-versa. Não é tão simples achar alguém com as mesmas afinidades que você e com o mesmo interesse no momento certo.”

Já a psicóloga Lidia Weber, professora de relacionamentos amorosos da Universidade Federal do Paraná, aponta a “falta geral de altruísmo (querer o bem do outro) e empatia (colocar-se no lugar do outro)” como a grande causa de fracasso nos relacionamentos modernos. Ficou mais fácil separar-se e muitas pessoas não assumem uma vida em casal: “cada um só quer saber de si mesmo, do seu prazer, do seu ganho.”, diz Lidia.

Outro fator que antes não era nada comum são os “relacionamentos abertos”, onde casos extraconjugais são aceitos sem problemas. “Mas mesmo nesses casos, os casais estabelecem regras que, quando quebradas, são vistas como traição”, lembra o professor Caramaschi, que acredita que a maior parte das pessoas é muito possessiva para entrar em uma relação onde não há exclusividade.

Além disso, Caramaschi acredita que os relacionamentos abertos são característica de casas que “não tem um vínculo forte entre si.” O psicanalista Francisco Daudt, autor do livro ‘O Amor Companheiro’, concorda com o professor da Unesp e diz que o comportamento é típico de casais que “não querem formar família ou ter responsabilidades além da ‘amizade colorida’.” Caramaschi finaliza: “exclusividade exige mais comprometimento e isso assusta algumas pessoas”.

Esta matéria começa AQUIRelacionamentos: evolução histórica.

Texto escrito entre fevereiro e maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.

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Relacionamentos: evolução histórica

É fácil perceber que hoje os relacionamentos estão mais voláteis: o número de divórcios aumentou, cada vez mais casais se juntam ao invés de oficializar um casamento, e o número de pessoas com quem uma mulher jovem se relaciona (mesmo que brevemente) é, sem dúvida, muito maior que nos tempos de sua avó.

Ivone Toledo Cruz é casada há 48 anos e acha que falta aos jovens um pouco de perseverança. “Casamento é uma questão de diálogo e respeito, de procurar resolver os problemas a dois. Os jovens já casam pensando que não vai dar certo e não se esforçam, não fazem todo o possível. Já casam com o espírito de que se não der certo é só eles se separarem.” O professor de psicologia Sandro Caramaschi, da Universidade Estadual de São Paulo, concorda: “as pessoas hoje talvez não sejam tão persistentes”.

Mas a questão também não se resume a persistência, lembra Caramaschi: “Todo mundo quer se apaixonar e viver muitos anos ao lado de alguém que goste, mas nem sempre é possível. Pessoas que antes não se suportavam e ficavam juntas, hoje tem mais liberdade pra sair de relacionamentos insatisfatórios.”

Para Dona Ivone, a união matrimonial religiosa sempre foi muito importante, pois demonstra o amor do casal para si mesmos e diante de Deus. Quando Dona Ivone se casou, o casamento religioso era praticamente a única opção. Os jovens hoje tendem a não ver diferença entre uma união consensual (quando o casal apenas mora junto), um casamento apenas no civil e um religioso. “Acho que dá na mesma, desde que o casal tenha um compromisso sério”, acredita o estudante de filosofia Yuri Ribeiro, de 22 anos.

Com o desenvolvimento do capitalismo, aponta a psicóloga Lidia Weber, professora de relacionamentos amorosos da Universidade Federal do Paraná, nosso mundo foi ficando cada vez mais “descartável e efêmero”, o que também prejudicou as relações amorosas. “Dessa maneira, as novas gerações aprendem que quase tudo é descartável e substituível e não investem muito nas relações interpessoais.”

As mudanças sociais e religiosas pelas quais passou nossa sociedade desde o começo do século, em especial com o Movimento Feminista e o surgimento da pílula anti-concepcional nos anos 60, também tiveram importante papel na transformação dos relacionamentos. A pílula trouxe uma maior liberdade sexual para os casais terem relações mais íntimas sem se envolverem de modo permanente, diz Caramaschi: “como era difícil usar anti-concepcionais, as pessoas tinham relacionamentos mais confiáveis e duradouros.”

Lidia lembra que a entrada da mulher no mercado de trabalho também foi um fator importante para essa mudança, pois gerou uma menor dependência financeira. “A mulher já não precisava mais “aturar” um relacionamento conflituoso ou insatisfatório porque não mais dependia do marido.”

Esta matéria continua AQUI: Relacionamentos: como é hoje.

Texto escrito entre fevereiro e maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.

A dominação da web pelas redes sociais

Desde que Tim Berners-Lee criou o primeiro servidor web, em 1990, muita coisa mudou no que hoje conhecemos como Internet, transformando também o modo como nos comunicamos e relacionamos. Se os primeiros sites fundados foram de universidades norte-americanas, o grande destaque da rede atualmente são as redes sociais. Orkut, MSN, Twitter e Facebook estão hoje entre os 20 sites mais acessados no Brasil (segundo o ranking do Alexa.com).

Tudo começou com o ICQ, o primeiro programa de bate-papo online, lançado em novembro de 1996, que fez muito sucesso nos anos 90, mas que foi desbancado pelo MSN, aberto em julho de 99 e que atualmente tem mais de 300 milhões de usuários. Já a onda das redes sociais é mais recente: o orkut começou em janeiro de 2004, o facebook é de fevereiro do mesmo ano e o twitter, a mais nova das grandes redes socias, foi fundado em agosto de 2006. Hoje os sites têm, aproximada e respectivamente, 50 milhões, 350 milhões e 50 milhões de usuários cada.

No Brasil, o orkut é a rede social de maior sucesso. Dos 50 milhões de usuários, cerca de 54% são brasileiros. O sucesso por aqui foi tanto que o Google (dono do orkut) transferiu a sede do site para o Brasil. Os usos do orkut são variados: manter contato com colegas e velhos amigos, trocar mensagens e fotos são os mais comuns, mas também é possível participar de comunidades, debater ideias, fazer contatos profissionais, novos amigos e alguns até se casam com pessoas que conheceram na rede!

Parte 1 da pauta “Uma mãozinha da internet”, que termina AQUI.

Texto escrito entre fevereiro e maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.

Uma mãozinha da internet

“Relacionar-se pela internet é natural”, afirma a psicóloga do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP Andrea Jotta: “O ser humano é um ser social, ele vai tentar se relacionar da maneira que conseguir. Nas grandes cidades, é cada vez mais difícil encontrar tempo para ver os amigos e conversar, a internet surge como facilitadora. Mas quem fica apenas com amigos virtuais e exclui os amigos do mundo offline não faz um bom uso da tecnologia”, afirma.

Uma coisa boa que a internet trouxe, segundo Andrea, foi a possibilidade do indivíduo ter tanto relacionamentos presenciais quanto os virtuais. A estudante de engenharia Juliana Soares, por exemplo, mantem contato com seus amigos de colégio e faculdade pelo orkut, mas também já fez várias novas amizades pelo site. Para ela, as formas de relacionamento virtual não são tão diferentes do que acontece no mundo offline, “quando você conhece alguém, a amizade segue alguns passos de aproximação e isso é igual no mundo ‘real’ e no virtual”, afirma.

“Fiz alguns amigos em comunidades com discussões interessantes e membros ativos. As conversas evoluem, tornam-se praticamente diárias, e vez por outra duas pessoas que concordam começam uma conversar pelos recados pessoais, depois se adicionam no MSN e isso pode dar em uma amizade.”, conta Juliana.

Ou pode dar em casamento, como no caso da desenhista Ila Roberta de Oliveira, 28 anos, que conheceu seu marido Ricardo (34) na comunidade “Saudosistas da Era MSX”, “uma comunidade bem nerd”, segunda a própria Ila. “O MSX foi um dos primeiros computadores que surgiram, e muitos nerds mais velhos gostam dele. Eu era uma das poucas mulheres que comentava sempre na comunidade. O Ricardo também escrevia sempre e um dia ele me mandou uma mensagem pessoal. Achei que fosse só mais um admiradorzinho e nem dei muita bola”, conta.

“Ficamos amigos, mas a distância era um problema, eu morava em Londrina (PR) e ele em Belo Horizonte (MG). Eu já tinha namorado a distância antes e não tinha dado certo, na internet há o risco de você se apaixonar muito rápido e depois se decepcionar, então com o Ricardo eu fui sem expectativas. Achava que era só um rolinho sem futuro, mas ele sempre cumpriu todas as promessas que me fez, me ligava quase todos os dias, mandava presentinhos por sedex.”

Eles começamos a conversar em setembro de 2008, se conheceram pessoalmente em novembro quando ele foi visitá-la em Londrina e, no Reveillon, ele a pediu em casamento. Ila conta que demorou um tempo para digerir o pedido, “achava que não era pra tanto, mas senti falta quando ele passou um tempo na Índia, a trabalho, e era difícil nos falarmos até pela internet. Foi quando percebi que eu gostava mesmo dele, resolvi aceitar!” Eles casaram em maio do ano passado e hoje vivem juntos em Belo Horizonte.

Nos relacionamentos virtuais é preciso tomar cuidado com as expectativas. O que Ila aprendeu na prática, com um namoro virtual frustrado, a psicóloga Andrea aponta como um fator de precaução. “Os vínculos na internet tem uma exposição maior, principalmente quando não há intenção de trazer a relação pro presencial. Quando há essa intenção, os relacionamentos são parecidos com os presenciais. É importante saber que os dois têm a mesma intenção; caso contrário, a pessoa que deseja uma relação presencial deve sair frustrada, por ter criado expectativas afetivas que o outro não atendeu.”

A psicóloga complementa afirmando que as relações presenciais e virtuais não diferem muito. A divergência de interesses ocorre nos dois casos e aquele que se envolve afetivamente sempre acaba decepcionado. “A diferença é que no face a face você vê a pessoa e vai desconstruindo as suas expectativas e adaptando ao que o outro tem a oferecer. Algumas relações sobrevivem a isso, outra não. No virtual, é mais difícil para um destruir as expectativas do outro e muitas vezes a decepção é maior quando você traz isso para o presencial.”, alerta Andrea.

A melhor forma de proteção, segundo a psicóloga, é ter claro em mente o que você espera de cada situação e estabelecer algumas regras que você não deve romper por nada. Ila também dá uma dica preciosa: sempre que possível, use uma webcan, assim é possível ver as expressões faciais do outro lado e fica mais fácil perceber se a pessoa está mentindo ou não. Andreia finaliza dizendo que “a internet é como a praça de antigamente: todo mundo se exibe e se conhece; mas, se você não vai à praça com uma melancia na cabeça, não há porque fazê-lo no orkut!”

Parte 2 da pauta “Uma mãozinha da internet”, que começa AQUI.

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