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Países definem ‘governo digital’ como meta

Em evento no Brasil, representantes de 26 nações defendem sistema eletrônico aberto para facilitar elo entre poder público e a sociedade

Investir em sistemas de comunicação abertos para garantir uma maior interação on-line entre as esferas governamentais e a sociedade civil, facilitando serviços e informações oficiais à população por meio da internet. Esse foi um dos desafios assumidos por representantes de 26 países na declaração final do Encontro Global de Interoperabilidade entre Governos 2010, no Rio de Janeiro.

O evento, realizado em maio, destacou a importância da interoperabilidade (integração entre sistemas operacionais) na ajuda a governos para que atinjam suas metas de desenvolvimento nacional, a cinco anos do cumprimento previsto dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) fixados pela ONU e em cenário de pós-crise econômica.

No Brasil, a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, órgão do Ministério do Planejamento que atua em parceria com o Grupo de Governança Democrática do PNUD, aposta na garantia de uma maior interação entre as esferas governamentais e a sociedade civil. Entre os recursos on-line oferecidos à população está o portal Governo Eletrônico.

Segundo a diretora do Departamento de Integração de Sistemas de Informação do Ministério do Planejamento, Nazaré Lopes Bretas, governo eletrônico pode ser traduzido como “o funcionamento do poder público em meios eletrônicos”.

“O governo eletrônico é uma política contínua, existe uma discussão permanente para melhorar os serviços, a integração entre bancos de dados e a troca de dados públicos entre instituições”, acrescenta Nazaré, responsável por um dos departamentos integrados na implantação e melhoria dos serviços de governo eletrônico.

Como parte dos trabalhos, foi lançado o site brasil.gov.br, que ajuda o cidadão a localizar os diversos serviços oficiais on-line. “Antes, era difícil saber onde cada serviço poderia ser acessado. O principal objetivo do portal é identificar onde está cada coisa”, completa a diretora do Departamento de Integração de Sistemas de Informação do governo federal.

Nazaré explica, por exemplo, que quando alguém se inscreve no ProUni (Programa Universidade para Todos) pela internet ou faz uma solicitaçãoon-line para o Bolsa Família, está fazendo uma transação “de governo eletrônico”.

As ações para implementação dos serviços de governo eletrônico existem no país desde 2000, quando foi criado um grupo de trabalho interministerial para desenvolver estratégias, propor políticas e diretrizes relacionadas às formas digitais de interação entre governo e cidadãos.

RG digital
Os projetos do Grupo de Trabalho de Governo Eletrônico vão desde a catalogação e ampliação dos serviços oferecidos no meio digital até a ambiciosa proposta de oferecer a cada brasileiro um Registro de Identificação Civil (RIC), um RG eletrônico, com aparência semelhante à de um cartão de crédito e que contenha dados como número do RG, CPF, título de eleitor, além de um chip onde ficariam registradas informações sobre tipo sanguíneo, peso, altura, e ainda dados trabalhistas, previdenciários e criminais.

Nazaré lembra que esse é um projeto de longo alcance, em parceria com o Instituto Nacional de Identificação. “Iniciativas como essa levam muito tempo. O México tem um projeto parecido que demorou cerca de 6 anos, enquanto outros tiveram duração superior a 9 anos. O projeto brasileiro está desenhado para durar 5 anos.”

O decreto que regulamenta a implantação do RIC foi assinado no começo de maio e é considerado o marco zero do projeto. Seus custos ainda estão sendo calculados. A diretora do Departamento de Integração de Sistemas de Informação acredita que a iniciativa representará “um novo tempo na utilização de serviços de governo eletrônico”.

Com informações pessoais digitalizadas, o cidadão poderá fazer transações com maior confiabilidade. “O RIC também pode ampliar a qualidade de vida das pessoas, por elas não precisarem ir às instituições públicas a todo momento. O aposentado poderá evitar a fila do INSS, por exemplo.”

Nazaré acredita ainda que, com a possibilidade de realizar diversas operações pela internet, o processo se tornará mais ágil e deve melhorar a relação entre governo e sociedade civil. “O cidadão terá tempo de fazer outras coisas, e os órgãos públicos conseguirão evitar processos burocráticos”, acrescenta.

Inclusão digital
No entanto, ela diz que a digitalização de dados enfrenta “o fantasma do controle social”, além da dificuldade de incluir todos os brasileiros no ambiente eletrônico. Para solucionar o primeiro caso, foi criado um Comitê Constitucional que vai monitorar os trabalhos e avaliar as condições de gestão do ambiente.

Já o segundo problema é mais complicado, pois envolve um grande esforço para a inclusão digital da população: “fazer com que o governo eletrônico chegue a todos os cidadãos é uma parte importante da discussão, por isso existe a vertente de continuar investindo para que mais brasileiros tenham acesso à internet”.

Os centros públicos de acesso e o Plano Nacional de Banda Larga, também lançado no começo deste mês, fazem parte dos esforços do Grupo de Trabalho de Governo Eletrônico, que, no Encontro Global de Interoperabilidade entre Governos, apresentou o caso da cidade fluminense de Piraí, a primeira “digital” brasileira. Os 520 quilômetros quadrados do município, que tem cerca de 25 mil habitantes, então inteiramente cobertos por uma rede de internet banda larga.

Nazaré conta que o Ministério do Planejamento convidou a cidade a realizar o trabalho de cobertura digital. “A experiência foi desenvolvida de forma impressionante, e hoje Piraí é uma cidade digital madura.”

O exemplo do Acre, que se esforçou para criar uma rede de banda larga em mais de mil localidades e remodelou seus portais para melhor atender os cidadãos também foi citado no evento.

Saiba mais:
Acesse o relatório final do encontro, em inglês.

Texto escrito no final de maio e publicado hoje no site do PNUD/ONU, pela PrimaPagina. [Link atualizado em ago/2016]

Obs.: O site do PNUD mudou e os links antigos se perderam. Mas as matérias que fiz para lá ainda podem ser encontradas pela busca, AQUI.

Dia do Meio Ambiente: pequenos esforços

Apesar dos grandes esforços internacionais, é mais fácil conseguir resultados com pequenas atitudes do que esperar pela diplomacia oficial. Dia 5 de julho é o Dia Mundial do Meio Ambiente, mas não adianta lembrar na saúde do planeta apenas por um dia e destruí-los nos outros 364. Atitudes simples como separar o lixo seco do orgânico, utilizar ecobags ao invés de sacos plásticos ou passar cinco minutos a menos embaixo do chuveiro fazem bem ao planeta e ao seu bolso. Reeducar a forma como agimos e consumimos pode ser a grande solução para os problemas ambientais.

A consultora de marketing sustentável e blogueira Karina Marinheiro dá a dica: “questione qual a procedência do produto [que você consome], reflita se realmente precisa dele e se não há uma alternativa mais sustentável.” Karina destaca que não existe nenhuma atitude com impacto zero, mas sempre é possível buscar o menor impacto. “Se cada pessoa refletisse sobre os impactos que suas ações geram, para ela e para o mundo, com certeza teríamos atitudes mais equilibradas, mais sustentáveis. A sustentabilidade está no equilíbrio entre os três pilares: econômico, social e ambiental.”

Um banho de ducha de 15 minutos gasta, em média, 171 litros de água, são 11,4 litros por minuto. De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de cerca de 110 litros de água por dia para atender necessidades de consumo e higiene. No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia, afinal, aqui muita gente gasta isso só no banho. No chuveiro, outra dica é desligar a torneira enquanto você se ensaboa. O mesmo vale para a escovação dentária e o barbear.

Na hora de descartar seus resíduos, lembre-se de que, no Brasil, cada pessoa gera, em média, um quilo de lixo por dia. São 55 trilhões de quilos por ano e 91% desse lixo vai parar em lixões e aterros sem sempre sanitários. A separação do lixo reciclável gera dinheiro e ajuda o meio-ambiente. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil lucraria cerca de R$ 8 bilhões por ano com a reciclagem consciente (a coleta seletiva atualmente movimenta R$3 bilhões por ano).

Apesar de parecer pouco, o Brasil apresenta índices elevados de reciclagem, mesmo quando comparado com países desenvolvidos. O Reino Unido, por exemplo, também recicla apenas 8% de seu lixo. Nosso país é o segundo que mais recicla alumínio: 89% do alumínio consumido aqui é reciclado, perdendo apenas para a Alemanha, que recicla 97% – segundo dados de 2008 do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre).

Dados do IBGE apontam que a reciclagem vem crescendo no Brasil. Apesar de apenas 14% da população ter acesso a serviços de coleta seletiva, a reciclagem de papel subiu de 38,8% em 1993 para 43,9% em 2002 e a de alumínio passou de 50% para 89%. A reciclagem de garrafas PET cresceu 18,6% de 1994 a 2007.

Nas escolas, as crianças já recebem aulas sobre reciclagem, consumo consciente e educação ambiental, mas é importante que você incentive seus filhos a separar o lixo, economizar água e luz. Um mundo melhor passa por uma mudança de pensamento de toda a população, e investir nas crianças é garantia de bons resultados.

Esta matéria começa AQUIDia do Meio Ambiente: esforços internacionais.

Texto escrito no final de maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever, e publicado na primeira semana de junho. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.

Dia do Meio Ambiente: esforços internacionais

No próximo dia 5 de junho será comemorado pela 38ª vez o Dia Mundial do Meio Ambiente . A data foi estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1972, marcando a abertura da 1ª Conferência Mundial de Meio Ambiente, em Estocolmo, na Suécia. Foi a primeira reunião global para discutir a responsabilidade e o papel de cada país na contenção ao descontrole ambiental, que começava a se tornar preocupante.

A ecologia entrou para a pauta de discussões internacionais depois que um acidente no navio petroleiro Torrey Canion derramou 123 mil toneladas de óleo na costa da Inglaterra, em 1967. O mundo então passou a pensar alternativas que permitissem atingir o desenvolvimento econômico sem destruir os recursos naturais do planeta. A criação do Dia Mundial do Meio Ambiente se deu para chamar atenção dos povos e dos políticos à necessidade de aumentar a conscientização e a preservação ambiental, a fim de evitar mais desastres.

No âmbito das relações internacionais, foram realizadas diversas Conferências e encontros globais para discutir assuntos relacionados à preservação ambiental, como os Protocolos de Montreal e Kyoto, e também as Conferências Climáticas (a última realizada em Copenhagen, em dezembro do ano passado). A primeira Conferência, em Estocolmo, reuniu 113 países, além de 250 organizações não governamentais, e a principal pauta foi a degradação que o homem vinha causado ao meio ambiente e os riscos para sua sobrevivência.

Muitas das decisões ali tomadas não saíram do papel, mas a data foi importante para abrir as discussões sobre meio ambiente, sustentabilidade e preservação. No Brasil, o trabalho de preservação ambiental começou em 1974, quando foi criada a Secretaria Especial do Meio Ambiente (hoje Ministério do Meio Ambiente).

Já o Protocolo de Montreal, assinado em 1987 no Canadá, foi o mais bem sucedido acordo ambiental e é visto como um exemplo a ser seguido. O acordo já foi assinado por mais de 190 países, que se comprometeram a reduzir a emissão de gases nocivos à camada de ozônio. De lá pra cá, as emissões mundiais desses gases já caíram 97%.

Para controlar as emissões de gases estufa, o Protocolo de Kyoto, assinado em 1992 e retificado em 1997, estabeleceu metas para controle e redução desses gases e tem cerca de 180 países signatários. No entanto, os atuais maiores poluentes mundiais, EUA e China, não assinaram o acordo.

A professora Sâmia Maria Tauk-Tornisielo, coordenadora do curso de pós-graduação em sustentabilidade ambiental da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ressalta que é fundamental para o futuro conter o avanço do efeito estufa. “Para minimizar tudo isso é preciso conter rapidamente a expansão demográfica, controlar a emissão dos gases estufa e aumentar as áreas verdes. Uma mudança de comportamento da população é fundamental. Na Alemanha, por exemplo, eles tem incentiva o uso de bicicletas, que não poluem o ar.”

A professora destaca que os acordos internacionais muitas vezes não surtem muito efeito e chegam a ser desrespeitados até pelos países signatários. Sâmia acredita que nosso planeta precisa rever a forma como consome: “precisamos repensar o modo como vivemos, compramos e nos comportamos no dia-a-dia. A velocidade de degradação tem sido muito rápida. O governo poderia ressarcir financeiramente as pessoas que colaboram com o meio-ambiente, quando você meche com o bolso as coisas funcionam.”

Esta matéria continua AQUIDia do Meio Ambiente: pequenos esforços.

Texto escrito no final de maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever, e publicado na primeira semana de junho. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.

Ankle boots: Na hora de combinar

As ankle boots, aquelas botinhas de tornozelo com o salto alto, são ideais para garantir um visual sofisticado. A única contra-indicação é para mulheres com a perna grossa, que devem tomar cuidado na hora de combinar, pois as botinhas engrossam a silhueta.

Segundo a personal stylist Simone Freire, “as ankle boots ficam bem para todo mundo, sempre tem um modelo para agradar a cada gosto e tipo de corpo.” Para as mulheres que tem a perna grossa, e que muitas vezes sofrem para combinar botas com o vestuário, a dica de Simone é usar a botinha com uma meia escura e opaca, da mesma cor da bota, “pois isso dá um tom uniforme ao conjunto e ameniza a perna ou o tornozelo grosso”. A personal sylist Lilian Riskalla, membro da Associação Internacional de Consultores de Imagem, concorda: “Os tons monocromáticos amenizam o visual.”

As ankle boots ficam muito boas quando combinadas com shorts, saias ou calças curtas, calças jeans justas ou leggings. A bota, neste caso, entra como um acessório, “são botas feitas para serem vistas”, comenta Simone.

Confira alguns looks recomendados pela personal stylist Lilian Riskalla, membro da Associação Internacional de Consultores de Imagem:

Look muito bom para mulheres com canelas mais grossas, pois a combinação da calça escura e ankle boots não as engrossam. Para as mais cheinhas, evite a quebra da silhueta com blusas de cores contrastantes, prefira o look monocromático, calças boot cut (mais larguinhas na boca ao invés de Skinnys: quanto mais justa a modelagem, mais grossa parece a perna), procure usar um blazer mais longo e evite babados.

Look monocromático, bem democrático e ideal para o inverno. O casaco é mais soltinho, o que disfarça as gordurinhas extras, se existirem. As meias coordenadas com as ankle boots são perfeitas para disfarçar canelas mais grossas e ainda deixa você bem quentinha!

Look bom para as magrinhas e altas, o comprimento do vestido corta a silhueta e ameniza, no caso de mulheres muito magras. Para as cheinhas, acrescente ao visual meias pretas, grossas, e evite vestidos em cores chamativas, pois aumentam o volume. Abuse das cores em acessórios, como echarps, pashminas, esmaltes.

Vestidinho, casaco leve e ankle boot básica. Mulheres mais cheinhas podem usar a combinação com um casaco mais longo e meias grossa na cor da bota.

Esta matéria começa AQUIAnkle boots: modelos e tendências.

Texto escrito entre fevereiro e maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.

Ankle boots: modelos e tendências

As ankle boots apareceram timidamente em 2007 e aos poucos foram conquistando espaço nas passarelas e nas lojas. Neste outono-inverno, elas surgem como grande tendência e devem ganhar cada vez mais espaço no pé das brasileiras.

A coordenadora de treinamento e produto da loja Arezzo, Silvia Barros, acredita que as ankle boots são “uma descoberta fashion que tem tudo a ver com a realidade do Brasil. É uma bota que combina com um país quente como o nosso.” Feitas para serem mostradas, essas ‘botas de tornozelo’ devem agradar a todos os gostos e corpos, pois a diversidade de modelos disponíveis e as possibilidades de combinações com roupas é imensa.

A personal stylist Simone Freire diz que a tendência surgiu muito restrita às passarelas, “mas agora as pessoas se acostumaram com ela e virou uma moda urbana.” Os materiais mais comuns são o couro e a camurça, mas também há modelos em acrílico, tela, verniz, dentre outros. Simone comenta que a variedade tem crescido: “as lojas estão fazendo com saltos criativos, babados, lacinhos, tacha, modelos peep toe [aquele com o dedo de fora].”

Há modelos desde a ‘pretinha básica’ até ankle boots arrojadas, com saltos e detalhes diferentes que vão agradar às mulheres com um estilo mais moderno. Simone destaca essa variedade como uma grande vantagem das botinhas, que acabam se tornando bastante democráticas.

Na hora de combinar, também é fácil! As ankle boots ficam muito bem com shorts curtos, calças skinny, vestidinhos leves, vestidos de noite, minissaia. As opções são várias. Simone comenta que as ankle boots ficam muito boas com roupas mais modernas e, para fugir do frio, uma meia calça opaca da mesma cor da bota pode ajudar se você quiser combinar sua ankle boot com um vestido, por exemplo.

Sempre acompanhadas de altos saltos, as ankle boot são ideais para conferir um ar chique a um visual casual. As botinhas devem ser o grande sucesso desta estação. Outra presença já comum nos dias frios são as botas maiores, estilo montadora, que, segundo Simone, “são um clássico que nunca sai de moda.” A personal sylist Lilian Riskalla acredita que as botas acima do joelho, feitas para acompanhar vestidos e shorts curtos, também devem fazer sucesso neste outono-inverno. Escolha seu modelo e aproveite!

Na continuação desta matéria, saiba como montar looks usando ankle boots.

Texto escrito entre fevereiro e maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.

O mundo na palma da mão

Enquanto espera o trânsito passar, você pode assistir seu programa favorito, checar seus e-mails ou navegar um pouco pela web. Tudo isso usando apenas o seu celular! Importante meio de comunicação na atualidade, fazer e receber ligações virou complemento: os celulares hoje são entretenimento e praticidade. Além de tirar fotos, os novos aparelhos também permitem ao usuário assistir televisão, ouvir músicas, organizar sua agenda, utilizar sistemas de GPS, acessar diversos conteúdos na internet.

Todos esses serviços (e muitos outros) podem ser utilizados através de um smartphone, os celulares inteligentes, como o iPhone (da Apple), o BlackBerry (da Nextel), o Nokia E71 e o Android (do Google). No Brasil atualmente existem cerca de 175 milhões aparelhos celular, segundo balanço feito pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) em janeiro e o IBGE indica que em torno de 1,5 milhão de pessoas já usam a internet também nos aparelhos móveis, devido à comodidade e mobilidade.

Para quem busca entretenimento, o iPhone é atualmente a melhor opção entre os smartphones, destaca Marcelo Castelo, sócio e diretor de negócios para a área de mobile da agência de comunicação F-Biz, pois a loja virtual da Apple tem 150 mil aplicativos diferentes para download, muitos deles gratuitos. São várias ferramentas que permitem assistir vídeos, ouvir músicas, se informar sobre cinema, esportes, ler notícias, acessar redes sociais (como twitter, facebook ou orkut), encontrar mapas, etc.

Aplicativos
Os smartphones funcionam como um pequeno computador: eles tem um sistema de memória semelhante ao disco rígido dos computadores e, na internet, só não abrem sites produzidos em flash. Muitos sites já disponibilizam versões móveis, perfeitamente adequadas às telas menores. Castelo acredita que no futuro estes aparelhos devem ter ainda mais recursos e uma velocidade de navegação mais alta, além do preço mais acessível, tanto dos aparelhos quanto dos planos de internet 3G (móvel).

Várias empresas aproveitam a interação que estes aparelhos inteligentes oferecem para disponibilizar serviços exclusivos para este público que vem crescendo. A Nokia, por exemplo, lançou recentemente o modelo Nokia 5530 que já vem com o aplicativo do Guia de Receitas Knorr, com mais 500 receitas para facilitar a vida dos usuários. Na loja da Apple, você encontra de simples aplicativos de notícias para iPhone até ferramentas que permitem monitorar o crescimento de seu filho ou ter uma esteticista analisando sua pele (a jornalista Daniela Bertocchi traz algumas dicas legais para as mulheres em http://iphonedemulher.blog.uol.com.br/).

O gerente de projetos esportivos Francisco Tattine, 30 anos, está escolhendo um smartphone para comprar. Em dúvida entre o iPhone e o BlackBerry, ele diz que está procurando o modelo que ofereça mais aplicativos e velocidade. Atualmente com um celular simples, Tattine utiliza os recursos de lembretes, despertador e a calculadora, mas ele comenta que um aparelho inteligente traz a vantagem da conectividade. “Eu viajo muito, com um smartphone poderia ter informações de transito, previsão do tempo, tudo a mão, sem depender de ninguém. Eu poderia sincronizar a agenda do computador com a do celular e poder trabalhar fora do escritório, na rua, sem levar trabalho pra casa. É bom para quem está na correria!”

Mas também é preciso ficar atendo ao vício. Uma pesquisa do Universidade de Stanford (EUA), realizada com 200 jovens norte-americanos, convidou-os a marcar seu nível de dependência em relação aos seus iPhones. Em uma escala de um a cinco, na qual cinco significa muito viciado e um descreve alguém sem a menor dependência, 10% marcaram o número cinco, 34% apontaram o quatro (que representa alta dependência), 32% disseram que “não eram completamente viciados” e apenas 6% afirmaram que não eram nem um pouco dependentes. Aproveite, mas com cuidado!

Texto escrito entre fevereiro e maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.

Rio de Janeiro inspira controle de armas em Moçambique

ONG brasileira usará modelo de registro digital da Polícia do Rio de Janeiro para deter circulação de 1,4 milhão de armas de fogo ilegais

A organização não governamental Viva Rio e o PNUD vão implantar um registro digital de armas de fogo em Moçambique — país africano que, após 33 anos de guerras (1959 a 1992), tem cerca de 1,4 milhão de armamentos ilegais em circulação. O modelo a ser adotado é semelhante ao que a ONG desenvolveu para a Polícia Civil do Rio de Janeiro, que envolveu a digitalização de milhares de documentos.

O projeto é um passo fundamental no processo de controle do arsenal moçambicano. Pouco após o fim da guerra civil, o governo lançou uma campanha permanente de desarmamento. No entanto, foram recolhidas apenas 260.500 armas de ex-combatentes, segundo o escritório do PNUD em Moçambique. Em 2007, o país aprovou a Lei de Armas e Munições, que engloba todas as regulamentações para controle de armas e reflete as obrigações do governo para com convenções das Nações Unidas e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional.

A estratégia, agora, é fortalecer a capacidade de controle das forças policiais, que têm dificuldade de acesso a informações sobre armas de fogo, uma vez que os arquivos sobre o assunto estão desorganizados, incompletos e em papel. Essa precariedade dificulta a resolução dos crimes envolvendo armas de fogo, pois é difícil localizar e responsabilizar os proprietários de armas no país. “Todas as informações são precárias, não há nada digitalizado, eles não tem estatísticas confiáveis”, diz o coordenador do programa de controle de armas da Viva Rio, Antônio Rangel Bandeira.

Com o banco de dados, cada vez que uma arma for apreendida em Moçambique será possível inserir seus dados na base e localizar sua origem, descobrir quem era seu dono original e, a partir daí, saber se ela foi roubada, vendida etc. Rangel acredita que o projeto deve ter impacto na redução da criminalidade já a partir do começo do ano que vem. “Há uma expectativa na África para que a iniciativa dê certo, pois, além de aumentar a segurança pública, esse projeto pode se tornar modelo para países vizinhos, com taxas de criminalidade violenta muito maior que em Moçambique.”

Representantes da ONG já estiveram três vezes em Moçambique. Na primeira, em 2007, foi feito um estudo geral da situação das armas no país, que incluiu o mapeamento de entradas de armas, muitas delas provenientes da África do Sul. Já o objetivo da segunda viagem, em dezembro de 2009, foi constatar as deficiências existentes na documentação local armas apreendidas.

O trabalho para implementação do banco de dados começou na terceira viagem, em março deste ano, com uma esquematização do sistema. Agora inicia a quarta fase, que será de treinamento dos policiais. “Os policiais precisam estar treinados para que as armas possam ser catalogadas da maneira certa. Uma informação registrada errada no banco de dados impede que a arma apreendida seja rastreada”, salienta Rangel.

Todas as fases do projeto são financiadas pelo PNUD Moçambique ou por recursos que o programa da ONU conseguiu captar. Isso inclui desde trabalhos da Viva Rio envolvendo treinamento de policiais e implantação do banco de dados, até a doação de computadores para que as delegacias moçambicanas possam operar o sistema. Entre 2009 e 2010, o PNUD forneceu US$ 200 mil para a iniciativa.

Apesar de o país não ter estatísticas confiáveis sobre o número de mortes ligada a armas de fogo, Rangel aponta que, comparado com os demais países da África e América Latina, Moçambique não tem um índice de criminalidade preocupante. “O que o governo de lá esta fazendo é ótimo. Eles estão se antecipando ao problema. Prevenir a doença é mais barato e mais rápido. Eles estão sendo prudentes, investindo para impedir a criminalidade violenta antes que ela se torne um problema sério.”

Texto publicado hoje no site do PNUD/ONU, pela PrimaPagina.

Como organizar sua biblioteca pessoal

Tão importante quanto o posicionamento ideal da estante em relação à casa, é a forma como você organiza sua estante. De que adianta ter livros limpos, se você nunca acha aquele que busca? A dica, para quando você tiver um [bom] tempo livre, é catalogar seus livros por assunto, assim você não precisa necessariamente saber qual o nome ou o autor daquele livro que você procura, basta saber do que ele trata.

Júlio Penteado, vice-presidente da Federação Brasileira de Veículos Antigos, tem um biblioteca relativamente pequena, mas bastante especializada e muito bem cuidada. Apaixonado por carros, a paixão não fica de fora quando Penteado vai às livrarias. Ele tem de 100 a 120 livros sobre automóveis novos, antigos, inovações e todo tipo de informações relacionadas, fora uma acervo de revistas encadernadas: em sua estante, pode-se encontrar todas as edições de várias revistas especializadas. E tudo isso muito bem organizado. “As revistas estão por data de publicação e os livros mais ou menos por assunto”, conta.

Mas, no intuito de manter seus livros por mais tempo, arrumação e estante ideal podem ser inúteis se você molhar as pontas dos dedos para virar as páginas, por exemplo. O coordenador de preservação da Biblioteca Nacional, Jayme Spinelli, é categórico: se um livro por ventura for atingido por água, “não o exponha ao sol, isso acarreta a descoloração do mesmo e o ressecamento do papel. Se um livro molhar, procure secá-lo com o auxílio de um ventilador, que, com movimentos circulares na frente do mesmo semi aberto, acarretará sua secagem.”

Para uma melhor organização e preservação dos livros na estante, Spinelli diz que é importante não compactar os livros nas prateleiras: “uma certa folga entre eles é recomendável.” Se a sua estante não for fechada nas laterais, utilize bibliocantos para que os livros não fiquem despencando da estante.

Penteado observa essa dica categoricamente. “É importante não forçar as prateleiras, pois, com o tempo, os livros acabam grudando.” Na limpeza, ele usa um pano seco e procura limpar os livros pelo menos três vezes ao ano, “o ar de São Paulo é muito poluída”, desabafa.

Para limpeza, Spinelli recomenda o uso do aspirador de pó nos livros e nas prateleiras. Também é importante evitar comer próximo aos livros, pois isso atrai insetos e impurezas. E para evitar danos com o simples fato dos livros saírem da estante, retire-os segurando pela lombada e não puxando-os pela cabeça. Seguindo as dicas usadas na Biblioteca Nacional, você ainda poderá se deleitar com seus preciosos por muito tempo!

Esta matéria começa AQUIComo cuidar bem de sua biblioteca pessoal.

Texto escrito entre fevereiro e maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.

Como cuidar bem de sua biblioteca pessoal

Na era dos livros digitais em leitores super modernos, os livros ‘comuns’ ainda exercem um grande fascínio entre os admiradores de uma boa leitura. Nada se compara à sensação de ter um livro na estante, de pegá-lo na mão, folhear, ler alguns trechos, colocar seu nome no começo ou sorrir novamente relendo uma dedicatória escrita por alguém querido.

Mas cuidar bem de seus livros vai muito além de simplesmente mantê-los organizados na estante. É preciso cuidado para não estragar sua coleção. Descuidos como deixar os livros em uma estante de madeira junto à parede externa são comuns e podem causar um grande estrago. O coordenador de preservação da Biblioteca Nacional, Jayme Spinelli, recomenda que os livros sejam mantidos em uma estante limpa, ventilada e distante do sol. O ideal é que ela seja afastada de paredes que tenham contato direto com chuvas.

Em seus 65 anos de estudos acadêmicos, Aziz Ab Saber, professor honorário do Instituto de Estudos Avançados da USP, acumulou cerca de 20 mil livros. Hoje com 85 anos, Ab Saber é o maior geógrafo brasileiro vivo, mas, mesmo assim, se arrepende de não ter conseguido montar uma biblioteca apropriada para seus livros de geografia, história, economia e tantos outros. O professor mora em um grande terreno na Granja Viana, com uma casa que ele diz ter sido construída aos poucos, ao longo de 30 anos. Aos livros, infelizmente, restou um espaço perto da mata, “é muito úmido, mas não há outro espaço para eles”, lamenta.

Ab Saber sabe que a condição em que se encontram suas preciosidades não é ideal e lamenta a inexistência de uma biblioteca com porte para receber seus livros. “Os livros estão em estantes feitas com caixas d’água, empilhadas uma em cima da outra, por cerca de 15 ou 20 metros”, conta. Ele diz ainda que seus volumes não estão catalogados, o que vai dificultar o trabalho de qualquer bibliotecário que, no futuro, venha a receber o acervo do professor como doação. “Mas eu sei exatamente onde está cada livro”, diz, orgulhoso.

O coordenador de preservação da Biblioteca Nacional aconselha que, para aumentar a vida útil dos livros, eles sejam manuseados com cuidado e com as mãos limpas. “Também deve-se evitar apoiar-se ou escrever sobre os livros, abertos ou fechados, e não faça nenhum tipo de anotação a tinta nas folhas dos livros.” Para evitar manchas ou marcas desnecessárias, a dica de Spinelli é não usar clips ou outro material metálico que danifique o livro como marcador, além de evitar dobrar as páginas: “o melhor é usar o marcador de livros.” Fitas adesivas também devem ser evitadas.

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Texto escrito entre fevereiro e maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.

Agora é que são elas

Por mais livre que a sociedade se julgue, é impossível negar que ainda existe desigualdade de gênero no Brasil. Os movimentos feministas colocaram a questão em pauta e já conseguiram importantes avanços na área, como a aprovação da Lei Maria da Penha (que criminaliza a violência doméstica). No entanto, as mulheres continuam ganhando menos que os homens e ocupam menos cargos de liderança nas empresas e no governo, apesar de estudarem mais.

Dados da Pesquisa Nacional do IBGE por Amostra de Domicílios de 2008 apontam que, nas cidades, as mulheres empregadas estudaram em média 9,2 anos e os homens, 8,3; no campo, os números são de 5,2 anos de estudo para mulheres e 4,4 para homens. No Brasil como um todo, as mulheres representam 56,7% das pessoas com 12 ou mais anos de estudo, mas, apesar disso, a proporção de homens em cargos de liderança é 25% maior e os salários femininos são, em média, 30% menores.

Busca por igualdade
A professora Margareth Rago, do Departamento de História da Unicamp e especialista em feminismo, destaca que os movimentos feministas vem contribuindo para a diminuição dessas desigualdades: “o fato da sociedade estar enfrentando essa questão e pensando soluções para ela já é uma conquista, há algumas décadas nem se falava em desigualdade de gênero.” Ela acredita que, apesar de ainda existirem muito problemas, os movimentos sociais de mulheres vêm transformando o imaginário social, político e cultural em nosso país.

“Antigamente não se lutava contra os machismos, isso não era denunciado”, diz Margareth. Ela conta que o movimento feminista nasceu no século XIX, junto com teorias médicas que, para tentar manter as mulheres em posição subalterna, diziam que o cérebro feminino era menor e por isso impróprio ao exercício de certas atividades: “foram usados argumentos biológicos para impedir o acesso da mulher à vida cultural, política e educacional.” Mas o feminismo se afirmou na luta contra essas teorias de gênero, que impunham uma forma de controle mais violenta que as anteriores.

A professora conta que, no Brasil, dois momentos foram especialmente importantes na luta feminina por igualdade: os anos de 1920 e 1970. “Nos anos 1920 o Brasil viveu sua primeira onda de feminismo, foi um momento de grande criatividade cultural e artística e também de muita luta política. Tanto que em 1932, como resultado disso, as mulheres ganharam o direito de voto em nosso país”, conta Margareth. Depois houve um período de refluxo nas décadas seguintes e em 1970 o feminismo voltou com toda a força, “e tem crescido muito de lá pra cá, com importantes conquistas”, comemora a professora.

Apesar do aumento crescente no número de mulheres com reconhecimento, Margareth acredita que o grande desafio pela frente ainda é a questão da violência doméstica e da desigualdade. “A discriminação também passa por classe social: as mulheres pobres e/ou negras sofrem mais que aquelas com um nível econômico melhor.”, diz a professora.

Participação política
A professora Teresa Sacchet, do departamento de Ciência Política da USP e especialista na relação das mulheres com a política, concorda com Margareth: “quando se fala em ‘mulheres’, é importante ver que também existem diferenças dentro deste grupo, pois a desigualdade certamente é maior entre mulheres em maior condição de vulnerabilidade.”

Iniciativas como a dos programas de transferência de renda (como o bolsa família, por exemplo), de entregar o dinheiro para a mulher, ajudam as mulheres pobres a enfrentar as desigualdades  de gênero. Márcia Lima Bandeira, coordenadora de monitoramento e avaliação de projetos da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, diz que essa é uma técnica usada para conter abusos por parte dos maridos, “para evitar que eles gastem todo o dinheiro com álcool, por exemplo. Preferimos entregar o benefício para as mulheres, pois elas sabem valorizá-lo. A mulher têm dupla jornada de trabalho e quer ver o filho alimentado, ela sabe o quanto é difícil.”

A professora Teresa acredita uma maior participação feminina na política é um importante passo para a igualdade de gêneros: “o parlamentar luta por aquilo que ele conhece. As mulheres tendem a propor mais políticas voltadas para a área social, pois são assuntos com os quais elas lidam em seu dia-a-dia. Uma parlamentar tende a propor políticas públicas voltadas para igualdade de gênero, mas também para crianças, saúde, educação, para a família. Um país ganha muito quando tem mais mulheres nos cargos legislativos.”

A professora comenta que no Brasil há uma forte presença feminina nos movimentos sociais, mas quando se analisa a esfera política, nosso país tem um dos piores índices mundiais, com apenas 8,9% de participação feminina (na Argentina, por exemplo, são 38%). Para resolver, o recurso de ‘cotas de gênero’ na política pode ser uma boa: “O Brasil tem, desde 1996, uma cota que exige que no mínimo 30% dos candidatos de um partido sejam de um sexo e máximo 70% de outro, é uma cota de gênero, mas ela não era cumprida, e não havia punições. Deveria ser chamada de recomendação. A média de candidatas tem sido de apenas 13%.”

Mas Teresa acredita que a situação deve melhorar com a aprovação de uma medida que exige o cumprimento dessa cota política já nesta eleição: “agora os partidos serão obrigados a preencher 30% de suas listas de candidatos com mulheres.” A presença de cotas políticas motiva uma discussão que a professora acredita ser importante para mudar os rumos do país, que não tem a cultura de eleger mulheres. “A cota deve ser vista como uma medida provisória para impulsionar a entrada das mulheres na política. Ela deve gerar uma discussão sobre o porque de sua existência e sobre a desigualdade de gênero.”

Políticas públicas
Amelinha Teles, coordenadora da União de Mulheres de São Paulo, concorda com as professoras sobre a importância de se reconhecer que existem diferenças para que elas possam ser combatidas. “A mulher ainda é alvo de violência só porque é mulher. Não adianta esconder discriminação ou falar em igualdade se você não fala em desigualdade. As mulheres vivem em condições de vida injustas, é preciso reconhecer essa realidade e criar ações no sentido de mudar a cultura patriarcal e machista que existe de banalizar a discriminação contra a mulher.”

Apesar de muitas mulheres jovens ainda morrerem por conta da violência doméstica e por falta de auxílio, Amelinha se alegra com os avanços já conseguidos pelo movimento feminista: “conseguimos que o Plano Nacional de Direitos Humanos recomendasse a descriminalização do aborto.” A militante comenta que os direitos femininos são um importante passo para a modernização de um país, “as mulheres são mais da metade da humanidade, se investe nelas, melhora toda a sociedade. É um processo de evolução.”

Amelinha acredita que a sociedade brasileira tem avançado aos poucos e destaca a importância de órgãos públicos para a proteção da mulher, como a Delegacia da Mulher, os Conselhos de Defesa e a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (órgão federal criado para pensar políticas públicas em conjunto com a sociedade civil). “É importante reconhecer os direitos das mulheres como direitos humanos, a expressão legal disso é a Lei Maria da Penha.”

Júlia Oliveira, também militante da União de Mulheres, concorda com Amelinha sobre a Lei Maria da Penha. “A violência doméstica foi reconhecida como um problema de ordem social e cultural, marcada por uma perspectiva machista e patriarcal e não apenas como ‘briga de marido e mulher’.

A União de Mulheres de São Paulo é uma organização autônoma, localizada no Bixiga, que defende os direitos das mulheres através de mobilização política, organização e formação educacional femininas, promovendo cursos como o Promotoras Legais Populares, que fornece noções jurídicas para mulheres da periferia paulistana. Júlia acredita que, para combater a desigualdade, nosso país precisa de “iniciativas educacionais que desconstruam as identidades sexuais e os papéis sociais, criando novos referenciais de gênero.” Professoras e militantes concordam: infelizmente, ainda falta muito para a igualdade entre homens e mulheres.

BOX:
A organização da sociedade civil é importante na luta por igualdade de gênero. Apoiados pelo Instituto Robert Bosch, dois projetos ajudam mulheres em duas pontas de suas vidas: na periferia de Campinas, o Grupo Primavera forma meninas de 8 a 18 anos; em Curitiba, 13 mulheres de 45 a 72 anos se reuniram na Cooperativa das Costureiras da Vila Verde para enfrentar seus problemas de saúde.

Mulheres Primavera
Fundado em 1981 por três voluntárias que atendiam seis meninas, o Grupo Primavera hoje conta com cerca de 100 voluntárias e 50 funcionários que atendem 324 meninas em sua sede, no Jardim São Marcos. As meninas são divididas em grupos de acordo com a faixa etária e participam, durante meio período, de atividades como dança, música, teatro, inglês, espanhol, informática, comunicação e expressão, raciocínio lógico, trabalhos manuais, entre outras.

A diretora pedagógica do projeto, Ruth Maria de Oliveira, explica que as meninas frequentam as atividades, fazem refeições e, antes ou depois, vão para a escola. O critério de seleção é sócio-econômico: “são avaliadas a renda e a vulnerabilidade da menina, se ela ficaria sozinha em casa, por exemplo, tem prioridade”, diz Ruth. Além das oficinas, que seguem o lema do Grupo, “formando as mulheres de amanhã”, a entidade também o PACTO, curso preparatório para o processo seletivo dos colégios técnicos, que é aberto à comunidade e onde a seleção é por desempenho em processo seletivo.

Ruth conta que o projeto se tornou referência na comunidade: “muitas meninas frequentam o Grupo ao longo dos anos, saem, terminam a faculdade e depois voltam como voluntárias. Elas passam muito tempo aqui, cria-se um vínculo forte”. Essa relação também é estimulada por trabalhos que buscam aproximar famílias e entidade, criando um laço de confiança.

O Grupo Primavera tem o apoio financeiro e estratégico do Instituto Robert Bosch desde 1991, “é uma grande parceria”, conta Ruth. Além de doações, o grupo também se mantém com a venda de bonecas de pano, fabricadas por funcionárias, em uma loja aberta há 2 anos em espaço cedido pelo Shopping Galeria. Se você quiser ajudar, também pode doar suas notas fiscais sem CPF para o Grupo utilizá-las no programa Nota Fiscal Paulista Solidária, que converte os benefícios da Nota Fiscal Paulista para a instituição que recebe a doação.

Costureiras pela saúde
A Cooperativa das Costureiras da Vila Verde nasceu em 2001 por iniciativa do médico da comunidade, que via que muitas mulheres mais velhas tinham problemas de saúde porque não saiam de casa. A presidente da cooperativa, Julieta Maria Cerris, de 63 anos, conta que o médico procurou apoio da Bosch, que doou as primeiras máquinas, para montar a cooperativa e também chamou um voluntário que deu um curso de cooperativismo para as 13 participantes da iniciativa.

Dona Julieta conta que nenhuma das cooperadas tinha saúde, “era uma cooperativa de mulheres doentes”, brinca. Com a união em torno de um trabalho que lhes motivasse, a saúde das mulheres membro melhorou: “quando não trabalhávamos aqui, ficávamos em casa sem fazer nada, e isso nos deixava doentes. Aqui nos sentimos úteis.”

Os trabalhos geralmente são realizados das 7h às 18h, mas dependendo da exigência de trabalho elas ficam das 6h às 22h. Os lucros (quando há lucros) são divididos entre as cooperadas de acordo com as horas trabalhadas por cada uma, garantindo um salário que varia de mês a mês, mas que fica na casa dos R$350. Dona Julieta destaca que parceiras como a Bosch são muito importantes para manter as atividades do grupo.

Texto originalmente escrito para a edição número 21 (maio, junho, julho de 2010) da Revista Vida Bosch. A versão editada está disponível em http://www.vidabosch.com.br/home.aspx.