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3 estreias nos cinemas paulistanos

“Reencontrando a Felicidade”

Logo de cara, vale dizer que este título brasileiro não faz o menor sentido. O filme é deprimente (no sentido de ser uma trama triste, não um mal filme) e está muito mais para “toca do coelho” mesmo (o título original é “Rabbit Hole”).

A história é muito boa e Nicole Kidman está sensacional no papel da mãe que precisa aprender a lidar com a perda de seu filho. Por aí você já vê que vai ser difícil ela e o marido ‘reencontrarem a felicidade’. O filme é um soco no estômago (dos mais bem feitos). Mas felicidade passa longe do roteiro.

“Como Arrasar um Coração”

É uma típica comédia romântica francesa: bobo e previsível, mas fofo. As comédias românticas francesas tem um tom narrativo diferente das norte-americanas (os fazedores de comédias românticas por excelência). Elas geralmente tem tramas mais leves – não menos impossíveis que as produzidas nos EUA, mas o tom é diferente. E seus protagonistas não são exatamente um ideal de beleza. Do ponto de vista da mocinha rica, sejamos honestas, porque ela trocaria um sujeito bonito, rico e boa pinta por um magrelinho e com emprego duvidosos?


“Não se Pode Viver sem Amor”

Não gostei do filme e deixo apenas uma dica: passem longe. O elenco teria tudo para fazer o filme dar certo: Simone Spoladore, Fabíula Nascimento, Ângelo Antônio e Cauã Reymond são todos bons atores (e dos quais gosto muito). Mas em algum ponto, a trama não convence. Para mim, foi no personagem de Victor Navega Motta, menino novato que, talvez por isso, não convence no papel de um garoto “sensitivo” (ou talvez por isso). O final derradeiro também não é coerente com a realidade do que vivem “um ano antes”.

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Até logo, amigo!

Nesta quinta-feira (17), a nata da filmografia se reuniu em São Paulo. Fellini, Eric Rohmer, Marlon Brando, Marcelo Mastroiani, Luchino Visconti, Rodolfo Valentino e os Irmãos Marx se encontraram no Cine Belas Artes e – tristes – marcaram presença nas sessões em que o cinema se despediu da esquina da Consolação com a Paulista.

Cinéfilos e repórteres alvoroçados acompanharam em peso a homenagem. Um “até logo” esperançoso. O medo de que o “adeus” seja inevitável.

Texto escrito e publicado dia 18 no Vereda Estreita.

“A força da grana que ergue e destrói coisas belas”

Há uma semana, escrevi um texto com um título otimista sobre dois ótimos filmes (Para começar o ano bem). No entanto, este ano não começa bem para os cinéfilos da capital paulista. Previsto há algum tempo, mas não esperado, o final do Cine Belas Artes foi anunciado no último dia 6 em reportagem de capa do caderno Ilustrada, da Folha.

No final do ano passado, depois de já ter escrito reportagens sobre a situação do cinema, em uma cabine de imprensa realizada no Belas Artes, a assessora de imprensa do local disse aos jornalistas presentes que já havia um patrocínio quase certo. Era a salvação e, apesar do filme ser triste (“A Árvore”, que estreou essa semana e sobre o qual pretendia escrever antes de ter a ideia para este texto), fiquei aliviada.

Infelizmente, São Paulo é uma cidade que não respeita seu patrimônio cultural e artístico – e o proprietário do imóvel prefere ter uma loja no lugar do cinema. O Belas Artes não é o último cinema de rua da cidade, mas talvez seja o mais antigo. Evito usar “era” e “fosse” porque, em seu último suspiro (que vai até dia 27 de janeiro), André Sturm, dono do cinema, e sua equipe prepararam uma retrospectiva especial para “prestigiar seus fiéis e entusiastas frequentadores”, como anuncia o release da programação.

De 14 a 27 de janeiro, filmes que fizeram sucesso no Belas Artes serão exibidos às 18h30, e filmes clássicos do cinema às 21h. Os ingressos destas sessões custarão R$10,00 (R$5 a meia).

Confira a programação:

14/01
18:30h. “As Bicicletas de Belleville” (França, 2003; de Sylvain Chomet)
21:00h. “Amores Expressos” (China, 1994; de Wong Kar-wai)

15/01
18:30h. “Morte em Veneza” (Itália, 1971; de Luchino Visconti)
21:00h. “O Encouraçado Potemkin” (Rússia, 1925; de Serguei Eisenstein)

16/01
18:30h. “Paixão Selvagem” (França, 1976; de Serge Gainsbourg)
21:00h. “A Regra do Jogo” (França, 1939; de Jean Renoir)

17/01
18:30h. “Meu Tio” (França, 1958; de Jacques Tati)
21:00h. “Segunda-Feira ao Sol” (Espanha, 2002; de Fernando León de Aranoa)

18/01
18:30h. “O Ilusionista” (EUA/República Tcheca, 1976; de Neil Burger)
21:00h. “Música e Fantasia” (Itália, 1976; de Bruno Bozzetto)

19/01
18:30h. “Noites de Cabíria” (Itália, 1957; Federico Fellini)
21:00h. “Lúcia e o Sexo” (Espanha, 2001; de Julio Medem)

20/01
18:30h. “ Cría Cuervos” (Espanha, 1976; de Carlos Saura)
21:00h. “O Balão Vermelho” (França, 1956; de Albert Lamorisse)

21/01
18:30h. “As Bicicletas de Belleville” (França, 2003; de Sylvain Chomet)
21:00h. “A Lei do Desejo” (Espanha, 1987; de Pedro Almodóvar)

22/01
18:30h. “Pai Patrão” (Itália, 1977; de Paolo e Vittorio Taviani)
21:00h. “Apocalypse Now” (EUA, 1979; de Francis Ford Coppola)

23/01
18:30h. “Gritos e Sussurros” (Suécia, 1972; de Ingmar Bergman)
21:00h. “O Passageiro – Profissão: Repórter” (Itália, 1975; de Michelangelo Antonioni)

24/01
18:30h. “Z” (França, 1969; de Costa-Gravas)
21:00h. “Quanto Mais Quente Melhor” (EUA, 1959; de Billy Wilder)

25/01
16:00h. “A Guerra dos Botões” (França, 1962; de Yves Robert)
18:30h. “ Crônica do Amor Louco” (Itália, 1981; de Marco Ferreri)
21:00h. “A Guerra dos Botões” (França, 1962; de Yves Robert)

26/01
18:30h. “Johnny Vai á Guerra” (EUA, 1971; de Dalton Trumbo)
21:00h. “Vestida Para Matar” (EUA, 1980; de Brian de Palma)

27/01
18:30h. “Possessão” (Alemanha/França, 1981; de Andrzej Zulawski)
21:00h. “A Malvada” (EUA, 1950; de Joseph L. Mankiewicz)

Cine Belas Artes: Rua Consolação, 2423 – Consolação. São Paulo-SP. Informações: (11) 3258-4092

Aproveite enquanto há tempo, a esquina da Paulista com a Consolação ficará mais triste.

Texto escrito e publicado dia 8 no Vereda Estreita.

Para começar o ano bem

Neste 1º de janeiro, chegam aos cinemas dois ótimos filmes: “Fora da Lei” e “O primeiro que disse”.

“Fora da Lei”

Um drama com aparência de filme de gângster, retrata a trajetória de três irmãos argelinos e de sua mãe, é um filme tenso, pesado e triste. E sua tristeza aumenta ainda mais por se passar na época das lutas de independência da Argélia.

Os conflitos entre França e Argélia marcaram a vida de Saïd (Jamel Debbouze), Messaoud (Roschdy Zem) e Abdelkader (Sami Bouajila) e de sua mãe, uma personagem forte e sem nome, que poderia representar todas as mães com filhos envolvidos nas situações por que passam os três irmãos.

Messaoud luta pela França na Indochina, Abdelkader é preso por participar de uma passeata pela libertação de seu país e Saïd, o irmão mais novo e que tenta se manter distante em seus negócios ilíciitos com cabarés e lutas de boxe, vê seus irmãos e até mesmo os negócios afetados. Depois que a família se muda para a França, os dois irmãos mais velhos se envolvem na luta armada pela independência da Argélia e o filme, de drama familiar, passa a retratar a violência e os excessos de ambos os lados da disputa colonialista. A presença feminina, em especial os olhares tristes da mãe, agravam ainda mais a tristeza do que se vê na tela.

“Fora da Lei” é uma produção franco-argelina, retrata a violência e os excessos de ambos os lados da disputa do meio dos anos 1930 até a independência da Argélia em 1962. O longa causou grande polêmica na França e sua exibição no Festival de Cannes teve até a segurança reforçada, por medo de sabotagens.

“O primeiro que disse”

Depois de um filme tenso, a outra estreia deste começo de ano pode ajudar a descontrair. Gostaria de escrever sobre o filme “O primeiro que disse” (Mine Vaganti) sem estragar a surpresa que me causou. Infelizmente, é impossível comentá-lo sem revelar alguns detalhes (ver um bom filme sem saber do que se trata é uma experiência artística que desejo a todos!). Esta comédia italiana retrata dois irmãos gays envolvidos em um dilema: seguir com suas vidas ou assumir os negócios da família conservadora e ficar vivendo na pequena cidade em que seus pais vivem.

Antonio, o primeiro que fala, como revela o título, é o que se dá melhor. Encurralado, seu irmão Tomasso (Riccardo Scamarcio), que tinha intenção de contar antes, se vê distante de seu namorado e da vida que deixou em Roma. Ele vai ficando na bela e pequena Lecce, faz amizade com a filha do sócio de seu pai e até se diverte um pouco, mas está infeliz.

Está é a primeira metade do filme: a família, a tristeza e a amizade com a bela Alba (Nicole Grimaudo). Então, os amigos de Tomasso (e seu namorado) decidem visitá-lo em Lecce. E aqui o filme se assume, como se ele próprio saísse do armário: os três amigos tentam esconder uma divertida afetação e Mateo, o namorado deixado em Roma, é discreto e charmoso.

Marcante na trilha sonora, a música “50 mile”, de Nina Zille, que o protagonista dança em frente ao espelho logo no começo do filme, já anuncia o que o espectador verá na cena em que os cinco amigos e Alba, perfeitamente integrada, dançam “Sorry, I’m a Lady”, de Baccara, na praia. Genial!

Outro destaque do filme é a matriarca da família, a nona de Tomasso: a atriz Ilaria Occhini interpreta uma senhora diabética, viciada em doces, e com um passado que a persegue, um detalhe sempre presente no filme. Compreensiva, ela é a única que sempre soube que seus dois netos eram gays, embora ninguém mais suspeitasse. Ela sabe que não se pode fugir do passado, das escolhas e mentiras que deixamos para trás. Talvez seja a “nona” (curiosamente sem nome) o grande eixo motor do longa: ela é o porto seguro dos netos, faz a alegria e tristeza da família e serve como elemento conciliador.

“O primeiro que disse” é leve e divertido, sem deixar de fora a reflexão sobre o preconceito, os tabus familiares, os desafios encontrados pela população homossexual em comunidades fechadas e conservadoras, e as escolhas sem volta que tomamos na vida.

Detalhes:

“Fora da Lei”
Título: Hors-la-loi (sítio oficial)
País: França, Argélia, Bélgica e Tunísia.
Diretor: Rachid Bouchareb
Fotografia: Christophe Beaucarne
Trilha Sonora:  Armand Amar
Ano: 2010

O primeiro que disse
Título original: Mine Vaganti (sítio oficial)
País: Itália.
Diretor: Ferzan Ozpetek
Fotografia: Maurizio Calvesi
Trilha Sonora:  Pasquale Catalano
Ano: 2010

Texto escrito e publicado dia 1º no Vereda Estreita.

O primeiro que disse

Gostaria de escrever sobre o filme “O primeiro que disse” (Mine Vaganti) sem estragar a surpresa que me causou. Sem revelar os detalhes da trama que foram tão divertidos vistos às cegas. O que mais me agrada em cabines de imprensa ou mostras de cinema é o ineditismo.

Evito ler sinopses, não gosto delas desde que vi “A ilha”, cuja sinopse entrega o ouro dizendo que os protagonistas são clones. Eu não tinha lido nada sobre o filme, fui vê-lo apenas porque tinha Ewan McGregor no elenco. E aí eu caí, como os personagens, na história da ilha. Fui descobrindo junto com eles que era tudo uma grande farsa criada para que os verdadeiros humanos vivessem mais. Foi incrível! Uma experiência artística que desejo a todos. (Sugiro apenas, é claro, algumas precauções para não acabar caindo em algum besteirol.)

Voltando ao filme que assisti ontem, “O primeiro que disse”, e que estreia dia 1º nos cinemas paulistanos: a sinopse do filme, aquela que veio no release, revela até detalhes que acontecem já quase no final do longa! Mas eu só a li depois de voltar do cinema e, infelizmente, não há como falar do filme sem revelar alguns detalhes. Uma pena.

O longa retrata dois irmãos gays envolvidos em um dilema: seguir com suas vidas ou assumir os negócios da família conservadora, que vive em uma pequena cidade na Itália e tem uma fábrica de macarrão (mais caricatural impossível!). Antonio, o primeiro que fala, como revela o título, é o que se dá melhor – embora provoque um enfarto no pai, que não aceita o filho homossexual, o expulsa de casa e passa a acreditar que todos na rua riem dele.

Seu irmão Tomasso (Riccardo Scamarcio, dono de lindos olhos azuis), que tinha intenção de contar antes e acaba encurralado pela família, se vê distante de seu namorado e da vida que deixou em Roma. Ele vai ficando na bela e pequena Lecce, faz amizade com a filha do sócio de seu pai e até se diverte um pouco, mas está infeliz.

Está é a primeira metade do filme: a família, a tristeza e a amizade com a bela Alba (Nicole Grimaudo). Então, os amigos de Tomasso (e seu namorado) decidem visitá-lo em Lecce. E aqui o filme se assume, como se ele próprio saísse do armário: os três amigos tentam esconder uma divertida afetação e Mateo, o namorado deixado em Roma, é discreto e charmoso.

Marcante na trilha sonora, a música “50 mile”, de Nina Zille, que o protagonista dança em frente ao espelho logo no começo do filme, já anuncia o que o espectador verá na cena em que os cinco amigos e Alba, perfeitamente integrada, dançam “Sorry, I’m a Lady”, de Baccara, na praia. Genial!

“O Primeiro que disse” me lembrou um pouco o espanhol “À moda da Casa” (Fuera de Carta), outra comédia gay que assisti na Mostra 2008 e que chegou a passar em alguns cinemas de SP em 2010, se não me engano. Mas o italiano tem a vantagem de ser mais sútil, sem o exagero dos filmes espanhóis, mas com o bom humor característico de filmes que abordam a temática gay de maneira natural, como tem de ser.

Outro destaque do filme é a matriarca da família, a nona de Tomasso: a atriz Ilaria Occhini interpreta uma senhora diabética, viciada em doces, e com um passado que a persegue, um detalhe sempre presente no filme. Compreensiva, ela é a única que sempre soube que seus dois netos eram gays, embora ninguém mais suspeitasse. Ela sabe que não se pode fugir do passado, das escolhas e mentiras que deixamos para trás. Talvez seja a “nona” (curiosamente sem nome) o grande eixo motor do longa: ela é o porto seguro dos netos, faz a alegria e tristeza da família e serve como elemento conciliador.

“O primeiro que disse” é leve e divertido, sem deixar de fora a reflexão sobre o preconceito, os tabus familiares, os desafios encontrados pela população homossexual em comunidades fechadas e conservadoras, e as escolhas sem volta que tomamos na vida.

O Brasil está com tudo

Em menos de 15 dias, Ricardo Darín e Francis Ford Coppola passaram pelo Brasil. Os dois estiveram em São Paulo: Darín foi homenageado pela 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul e participou da pré-estreia de seu novo filme como protagonista, ‘Abutres‘, que estreou nesta sexta (03) no circuito comercial. Coppola também apresentou seu trabalho mais recente por aqui, o diretor veio exclusivamente para divulgar ‘Tetro‘.

Na última quarta-feira (01), Coppola conversou com a imprensa à tarde e participou da pré-estreia de ‘Tetro’ de noite, para a alegria dos paparazzi, que não deixaram o diretor em paz, afastando até os fãs que desejavam tietar. Era igualmente incomodado pelos flashes quando iniciou a coletiva de imprensa. Felizmente, os jornalistas presentes pareciam agradar com seus questionamentos. Em sua maioria, com um ar de idolatria, muitos de nós pensando que não sabiam sequer por onde começar suas perguntas ao diretor. E, na dúvida, optavam pelo silêncio.

As perguntas foram poucas, mas Coppola falou como um verdadeiro mestre, ensinando lições de cinema, ainda que breve, aos jovens ali presente. Em sua fala, sempre humilde, o cineasta falou de sua paixão pela literatura latino-americana, que o levou a escolher Buenos Aires como cenário. Revelou também que quis fazer um filme “como se fosse um estudante” e disse que agora só quer fazer filmes “para aprender, não pelo dinheiro ou pelo sucesso.” Ele já não precisa.

E não somos só nós que sabemos disso, ele mesmo fala que já não se importa mais com a crítica ou com o sucesso de seus filmes. Está velho demais para isso, parece dizer, com sua barba branca e os cabelos levemente desgrenhados, enquanto nós ficamos pensando “o senhor já está famoso demais para isso”. Senhor, sim, porque é até difícil imaginar tratar o poderoso chefão em pessoa de outra forma.

Apesar disso, e apesar também de não disfarçar o mal-estar que os fotógrafos lhe causam, Coppola é simpático com os repórteres. Na coletiva, não exitou em desautorizar a assessora de imprensa, que queria encerrar a festa dos jornalistas. “Mas já? Eu mal comecei!”, brincou Coppola, perguntando quem ainda tinha perguntas a lhe fazer. Eram quatro e ele se propos a responder todas elas. Na pré-estreia, desta vez assediado por repórteres de televisão, também foi simpático em seus comentários, elogiando o cineasta Walter Salles e o cinema brasileiro. Coppola será o produtor de ‘On the Road‘, road movie que o Salles está filmando com Kristen Stewart.

Já Ricardo Darín, possivelmente o maior ator argentino da atualidade, foi tão protegido por sua assessoria de imprensa que os fotógrafos mal tiveram tempo de assediá-lo. (Mas quando nos deixaram fotografá-lo, ele foi simpático e receptivo, um gentleman). No último dia 19, mesmo dia da abertura da 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul em São Paulo, o ator participou de uma coletiva de imprensa na Cinemateca Brasileira. Modesto, ele disse que não se julga merecedor de homenagens e discordou do repórter que lhe perguntou se ele era o ator mais famoso de seu país.

Depois do sucesso de ‘O Segredo dos Seus Olhos‘, que levou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2009, Darín volta às telas com ‘Abutres’, de Pablo Trapero (‘Leonera‘), em que interpreta um advogado que perdeu sua licença e foi trabalhar em uma Fundação que explora os acidentados em vias públicas, ajudando-os a obterem dinheiro de suas seguradoras de vida, mas retendo boa parte da indenização. São os apelidados “abutres”.

Em um ambiente hostil, como o próprio ator define (o filme se passa na região periférica de Buenos Aires), seu personagem Sosa conhece Luján (Martina Gusmán), uma paramédica que atende os acidentados. O amor dos dois motiva o protagonista a querer sair de seu emprego, mas, em um negócio escuso, nada é tão simples.

O filme é triste, com uma violência seca. Retratando uma situação difícil sem meias palavras e mostrando até que ponto as pessoas chegam por dinheiro. ‘Abutres’ guarda alguma semelhança com ‘Tetro’ em seus retratos das relações humanas. Ambos os filmes são memoráveis, bem como a passagem de seus realizadores pelo Brasil.

Texto escrito e publicado hoje no Vereda Estreita.

Roberta Sá faz homenagem à Bahia em show em São Paulo

Roberta Sá cantou nesta quinta-feira (11) em São Paulo, apresentando seu novo disco ‘Quando o canto é reza’, que traz músicas do compositor baiano Roque Ferreira. O show foi curto, com pouco mais de uma hora, e a jovem cantou acompanhada pelo Trio Madeira Brasil, formado por Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e Ronaldo do Bandolim, e pelos percussionistas Zero e Paulino Dias.

Uma das promessas da MPB, Roberta já fez parcerias com Chico Buarque e Ney Matogrosso. Neste novo disco, seu quinto de estúdio, todas as faixas tem motivos ligados à Bahia, falam de orixás, sambas, morenas e amores, em uma mistura de samba com MPB.

O grande sucesso do disco é ‘Água da Minha Sede’, que já foi gravada por Zeca Pagodinho, e que fez grande sucesso no show desta quinta. A música ‘Orixá de Frente’ também fez grande sucesso com o verso: “Bem que Iaiá queria / Ao menos por um dia / Ser preta também”.

Ao final da canção, que fala da beleza de uma negra sambando e dançando, a cantora, magrinha e bem branca, confessou que se identifica muito com a letra: “de certa forma é um lamento pela minha falta de melanina. Eu moro no Rio e nem asism consigo ser mais morena”, disse, brincando que deveria se mudar para São Paulo para ao menos justificar sua cor. O público paulista aplaudiu com gosto.

Com um belo vestido branco, repleto de adornos dourados, e acompanhada por outros cinco músicos também de branco, Roberta não cantou nenhum sucesso de seus disco anteriores, apesar dos pedidos do público. Ela encerrou o show com Zambiapungo e voltou para um rápido bis de duas canções. Os fãs da plateia não resistiram e se levantaram para sambar com a moça na frente, mesmo lamentando a ausência de títulos como ‘Interessa’ e ‘Eu sambo mesmo’.

texto escrito e publicado dia 12 no Portal da RedeTV.

Belle & Sebastian usa carisma para encantar fãs em São Paulo

Sempre carismático, o vocalista principal do Belle & Sebastian, Stuart Murdoch, empolgou o público no show que o grupo escocês realizou nesta quarta-feira (10) em São Paulo. Não que fosse necessário: a plateia estava cheia de fãs, que dançaram com um misto de clássicos e músicas do disco ‘Write About Love’, lançado em outubro deste ano.

Cerca de 5 mil pessoas, em sua maioria jovens e indies, prestigiaram a apresentação da capital paulista. Não foi o suficiente para lotar a casa, mas foi o número ideal para garantir volume aos olhos de quem estava no palco e também a possibilidade de encontrar um lugar com uma boa vista e a salvo do empurra-empurra comum em pistas de shows. Todos saíram felizes – e os presentes pareceram nem se importar com o som, que estava um pouco baixo e foi desfavorável aos instrumentos musicais utilizados.

Com sete integrantes e cinco músicos, o Belle & Sebastian abriu o show pontualmente, às 22h, com ‘I Didn’t See It Coming’, do disco ‘Write About Love’, cantada pela vocalista e violinista Sarah Martin. Depois vieram ‘I’m a Cuckoo’ e ‘Step Into My Office’, antes que Stuart Murdoch cumprimentasse a plateia com seu português aparentemente decorado: “Boa noite, São Paulo. Finalmente chegamos de volta ao Brasil”, emendando ‘Another Sunny Day’ na sequência.

Com o público já animado, não foi dificil para o também vocalista e guitarrista Stevie Jackson, mais tímido que Murdoch, ensaiar um assobio coletivo enquanto cantava ‘I’m Not Living in the Real World’. Em meio a um belo jogo de luzes, os fãs se emocionaram ao som de ‘Fox In The Snow’ e alguns acenderam esqueiros, lembrando baladas românticas cantadas em shows ao ar livre. Os hits ‘If You’re Feeling Sinister’ e ‘The Boy With The Arab Strap’ também agradaram, recebendo um grande número de palmas.

Stuart Murdoch arremessou pequenas bolas de futebol americano autografadas para os espectadores. Mostrando que, apesar de magro, tem um braço forte, a maioria dos “presentes” foi parar no fundo da pista comum (ao menos um regalo para quem ficou mais longe). No camarote, no entanto, não conseguiu acertar – para alegria de quem estava embaixo.

Nas últimas músicas do show, o vocalista chamou alguns fãs da pista vip para dançarem no palco. Uma moça desistiu da dança e saiu do palco; tímida, perdeu a oportunidade de abraçar seu ídolo e receber uma medalha. Os cinco restantes dançaram empolgados até que alguém os tirou de lá – não antes de “roubar” um abraço do simpático Murdoch – que após ser abraçado pela quarta fã que recebia a medalha e também pelo único homem chamado ao palco, extendeu a “gentileza” também às outras três moças mais contidas.

As medalhas foram entregues ainda enquanto o escocês cantava ‘Sleep the Clock Around’, que fechou a primeira entrada do grupo no palco com uma vasta salva de aplusos: um misto de admiração pelo show e agradecimento pelos fãs que subiram ao palco, um extase que talvez explique o que veio com o BIS: Stuart Murdoch, magrinho e com uma camiseta branca básica, andando pela plateia, da pista vip à normal, pulando a grade que as separava e sendo segurado no alto pelos fãs enquanto cantava ‘Jonathan David’ (com um segurança preocupado em volta).

Em seguida o Belle & Sebastian tocou três hits do cultuado álbum ‘If You’re Feeling Sinister’: ‘Get Me Away From Here, I’m Dying’, ‘Judy and the Dream of Horses’, fechou o show com ‘Me and the Major’. Quem prestigiou saiu satisfeito com o repertório e a simpátia dos integrantes da banda, lamentando apenas a ausência de músicas do disco ‘Tigermilk’, o primeiro e um dos mais elogiados.

Amanhã (12), os escoceses tocam no Rio de Janeiro. Os fãs cariocas podem esperar um repertório diferente, mas com as primeiras e últimas músicas possivelmente mantidas: o grupo costuma mudar bastante seu repertório. Os ingressos já estão esgotados.

Confira o setlist do show:
I Didn’t See It Coming
I’m a Cuckoo
Step Into My Office
Another Sunny Day
I’m Not Living in the Real World
Piazza, New York Catcher
I Want The World To Stop
Lord Anthony
Sukie In The Graveyard
Fox In The Snow
Travellin Light
If You’re Feeling Sinister
Write About Love
There’s Too Much Love
The Boy With The Arab Strap
Caught In Love
Simple Things
Sleep the Clock Around

Bis
Get Me Away From Here, I’m Dying
Judy and the Dream of Horses
Me and the Major

Texto escrito e publicado ontem no Portal da RedeTV.

Oswaldo Montenegro diverte plateia com discurso revoltado

Oswaldo Montenegro e a flautista Madalena Salles tocaram em São Paulo nesta sexta-feira (29) divulgando o disco ‘Canções de Amor’. Em tom intimista, ele com uma bata branca e uma calça jeans com um rasgo na altura do bolso direito e ela toda de branco, Montenegro aproveitou a oportunidade para desabafar com a plateia, discursando em defesa dos músicos, e contar histórias ao som de suas músicas consagradas.
O show começou com ‘A Lista’, canção que o artista declarou, em entrevista cedida ao RedeTVi em agosto, ser sua música mais crua. Montenegro ainda cantou mais quatro músicas sozinho – ‘Por descuido ou displicência’, ‘Se puder sem medo’, ‘Metade’ e ‘Sem Mandamentos’ – antes de chamar a inseparável companheira artística Madalena Salles ao palco.

Enquanto introduzia a amiga, o cantor se disse cansado dos discursos dos políticos e disse: “essa é a hora do show em que eu discurso”, se justificando depois: “Fiquei com inveja dos candidatos, que estão discursando há meses. Me dá preguiça quando os vejo se esforçando para obedecerem os seus marketeiros”, disse, logo em seguida soltando um “mas não era isso o que eu queria dizer” e emendando uma defesa aos músicos instrumentistas, geralmente pouco reconhecidos. Em seguida, o cantor e a flautista tocaram cerca de 20 músicas juntos.

O show começou pontualmente às 22h – até um pouco antes, considerando que Montenegro apareceu no palco “adiantado”, para “conversar um pouco com a plateia”. O tom de descontração começou aí: com o cantor divulgando seus projetos em andamento e o público rindo de suas brincadeiras.

E quem prestigiou o artista nesta sexta pode ainda conferir um “show-teaser” da Companhia Mulungo, grupo de músicos dirigidos por Montenegro, que cantou três músicas, com um estilo irreverente e teatral, enquanto Montenegro assistia sentado na plateia. O cantor anunciou que o grupo, composto por 11 músicos (dos quais 5 prestigiaram o show na capital paulista) deve se apresentar em janeiro.

Dos grandes sucessos, faltou apenas ‘A Palo Seco’, os outros estiveram todos por lá: ‘Estrada Nova’ foi a primeira a levar a plateia ao êxtase, pouco depois da entrada de Madalena, foi a primeira canção do show em que foi possível ouvir a plateia cantando. Pouco depois vieram ‘Bandolins’ e o lindo começo em flauta de ‘Estrelas’. Emendando uma música em outra, mal dando tempo para distinguir as canções, a dupla ainda recebeu muitos aplausos por ‘Quando a gente ama’ e ‘Léo e Bia’.

Sem se despedir ou quebrar o clima de intimidade criado, Oswaldo Montenegro cantou ‘Lua e flor’, enquanto Madalena Salles circulou pelas primeiras fileiras da plateia com sua bela flauta. Foi a última música. E o público, estranhamente, não pediu biz – talvez já habituado com o retorno de seus ídolos. Mas Montenegro não voltou, as luzes se acenderam e a equipe técnica começou a desmontar os equipamentos de som.

Muitos ainda esperaram, achando que pudesse ser apenas questão de tempo. Mas a despedida ficou na memória: muito aplaudida e alegre, com um sorriso sincero no rosto de cantor e a alegria entre ele e a flautista. Para os fãs, o jeito foi se dirigir à uma enorme fila, que ainda rendeu um bom tempo de espera aos ansiosos por um autógrafo.

Texto escrito e publicado hoje no Portal da RedeTV.

Vocalista rouba a cena em show dos Cranberries em SP

A vocalista do The Cranberries, Dolores O’Riordan, roubou a cena e cativou a plateia no show da banda nesta quinta-feira (14), em São Paulo. Com dois estilosos vestidos vermelhos, a cantora ganhou grito próprio do público que, já empolgado no meio do show, gastou a voz para gritar seu nome. Não o dos Cranberries, mas o de Dolores, a estrela da noite.

Cantando hits dos cinco discos de inéditas da banda, Dolores mostrou que, apesar de baixinha, tem o perfeito domínio de sua voz, ainda melhor ao vivo que nos discos.

Pendendo para o lado esquerdo da plateia, onde estavam localizados os cadeirantes, a vocalista pareceu bancar a politicamente correta, esquecendo os fãs esmagados do lado direito da pista premium. O público, em sua maioria jovem, lotou a casa, apesar do tempo frio e chuvoso e do trânsito enfrentado para chegar ao Credicard Hall.

A apresentação começou com meia hora de atraso, em respeito aos pagantes que ainda não haviam conseguido passar os carros na Avenidas das Nações Unidas, segundo informou a assessoria de imprensa da casa. E, por uma hora e meia, os fãs e saudosistas vibraram, pularam e cantaram os sucessos que já sabem de cor – uma das vantagens de ser fã de um grupo que não lança um álbum inédito há 9 anos.

O setlist de São Paulo foi igual ao apresentado no show do Rio na última terça (13) e semelhante ao do show que os Cranberries fizeram em janeiro deste ano na capital paulista. O show começou com ‘Analyse’, do último disco de inéditas, ‘Wake Up and Smell the Coffee’, de 2001. O término ficou por conta do sucesso ‘Zombie’, de ‘No Need to Argue’ (1994), o segundo disco. No bis, que mais pareceu uma pausa para trocar o modelito, Dolores voltou para mais quatro músicas, encerrando o êxtase dos fãs com o hit ‘Dreams’, do álbum de estreia ‘Everybody Else Is Doing It, So Why Can’t We?’ (1993).

Formada ainda por Noel Hogan (guitarra), Mike Hogan (baixo) e Fergal Lawler (bateria), a banda irlandesa está desde 2001 sem lançar um disco de inéditas. A turnê no Brasil – que segue para Florianópolis (16), Brasília (19), Recife (22) e Fortaleza (23) – encerra os shows de retorno da banda após uma pausa entre 2003 e 2009. Os Cranberries já tem 40 milhões de discos vendidos e agora planejam voltar ao estúdio para gravar o 6º álbum.

Setlist
– Analyse
– How
– Animal
– Dreaming My Dreams
– Linger
– Ode to My Family
– Wanted
– Just My Imagination
– Desparate Andy
– When Ure Gone
– Daffodil
– Can´t Be With You
– Waltzing
– Electric Blue
– Free
– Salvation
– Ridiculos Thoughts
– Zombie

BIS (ou, a pausa para trocar de roupa)
– Shattered
– Astral
– Promises
– Dreams

Texto escrito e publicado ontem no Portal da RedeTV.