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FLIP: Organizadores comemoram acertos da 8ª edição

Na coletiva de encerramento da FLIP 2010, os organizadores destacaram que o evento superou suas expectativas. O curador do evento, Flávio Moura, se mostrou surpreendido com o sucesso da arriscada homenagem à Gilberto Freyre.

Sobre os convidados, Moura comemorou a integração entre autores. “Ninguém sabia se a conversa entre Azar Nafisi e o A. B. Yehoshua daria certo e foi ótimo!” O curador lembrou ainda mesas que debateram entre si, como as de Rushdie e Terry Eagleton.

Sobre a participação de Robert Crumb no evento, Moura acredita que sua participação ficou muito além do esperado. “Conseguimos trazer uma lenda vida para Paraty e ele de fato falou com o público. É algo sensacional que a FLIP pode oferecer, essa integração entre autores e leitores.”

Geralmente realizada em julho, o evento mudou para agosto neste ano devido à Copa do Mundo. O público estimado de 2010 foi de 15 a 20 mil pessoas, incluindo os paratienses que participaram da Festa. Menores que os números do ano passado (estimados entre 20 e 25 mil pessoas), o organizador do evento, Mauro Munhoz, disse que a diminuição é até uma vantagem: “É muita gente para uma cidade tão pequena. Pensamos até em mudar a festa para o final de junho se acharmos que ano que vem viram muitas pessoas.”

A FLIP 2010 teve uma mesa que discutiu o papel da cidade de Paraty na formação autores e no incentivo à cultura. Munhoz ressalta que a cidade tem uma história muito grande de turismo cultural. “Aqui tem muitos artistas, pintores, atêlies. O próprio cinema novo passou por Paraty.” Uma ideia macro da FLIP e de seus parceiros, destaca Munhoz, é transformar Paraty em um pólo do turismo cultural.

Matéria escrita e publicada domingo (08) no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

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FLIP: Isabel Allende revela que golpe no Chile ainda está presente em sua obra

Na tarde desta quinta-feira (05), a escritora chilena Isabel Allende conversa com o jornalista Humberto Werneck e com os espectadores da FLIP sobre seu novo livro, ‘A Ilha sob o Mar’.
Pela manhã, já se preparando para a mesa das 17h, Allende conversou com os jornalistas e antecipou alguns temas que devem ser tratados na palestra, como suas fontes de inspiração e o ofício da escrita.

Isabel diz que não de onde vem a inspiração para seus livros: “Não sei de onde vem as ideias, vem de vários lugares, das pessoas que observo, de minha vida, de pesquisas históricas.” Autora de vários romances históricos, ela conta que neste gênero as histórias “aparecem”: “Quando você pesquisa sobre o tema você logo encontra uma boa história.”

Foi assim com ‘A Ilha sob o Mar’. Allende queria falar sobre Nova Orleans e, conforme foi lendo a respeito, descobriu histórias de negros que emigraram do Haiti para lá, após a revolução que libertou os escravos no país caribenho. A personagem principal do livro, Zarifé, é justamente uma ex-escrava haitiana.

Apesar de ter nascido no Peru, Isabel Allende é uma chilena (naturalizada) de coração. Distante do país desde 1973, quando um golpe militar tirou seu tio Salvador Allende do poder local, Isabel agora reside nos Estados Unidos, mas visita o Chile com frequência.

Ela revela que o episódio marcou para sempre sua obra: “Eu não seria a escritora que sou hoje se não fosse pelo golpe, que me obrigou a deixar meu país, a vê-lo de fora. Os temas do poder e da justiça estão sempre presentes nos meus livros, de maneiras diferentes, mas estão sempre lá.”

Allende contou ainda que adora escrever: “Me encanta escrever”, disse, abrindo um grande sorriso com a resposta. Mas, completou, “o que me cansa é o que vem depois, viajar, conversar com vocês”, brincou, referindo-se às tantas perguntas feitas na sala cheia de jornalistas.

Quanto à relação com o público, por outro lado, ela só tem elogio, em especial para o povo chileno, que sempre a recebe bem apesar de Allende residir na Califórnia. “Os chilenos são muito carinhosos comigo, me parabenizam, me abraçam.”

Matéria escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

Os Queridinhos da América

Posted on 2/julho/2008 by Cinéfilos3 comentários

Considerados os dois atores brasileiros de maior sucesso no exterior, Rodrigo Santoro e Alice Braga fazem seu primeiro filme juntos. Cinturão Vermelho, escrito e dirigido por David Mamet, estréia por aqui com um grande marketing em torno da imagem dos dois atores.

coletiva cinturão vermelho

Na entrevista coletiva concedida para divulgação do filmes, os dois atores conversaram com a imprensa sobre as principais motivações que os levaram ao set de filmagem de Mamet, como foi a experiência de trabalharem juntos e quais seus projetos e perspectivas para o futuro. O encontro nas telas entre os dois atores brasileiros, ironicamente, só foi acontecer em um filme norte-americano, dirigido por um faixa roxa (uma das mais altas) que pratica jiu-jitsu na academia do mestre brasileiro Renato Magno, em Los Angeles.

Mamet percebeu que a rigidez de princípios morais pregada pelo instrutor serviria bem a um herói cinematográfico e criou o enredo de Cinturão Vermelho, que apresenta confrontos mais morais do que físicos. Para tanto, reuniu uma equipe numerosa, com vários brasileiros que deram ao set de filmagem um clima descontraído. Mamet ofereceu o apoio necessário aos atores, dirigindo-os para que criassem o personagem que ele havia imaginado, uma de suas características como diretor.

Ambos os atores afirmaram que a experiência de trabalho com o diretor norte-americano foi muito positiva, “ele é muito calmo e tranqüilo”, afirma Alice e orienta os profissionais para que, na interpretação, o ator se coloque como veículo do diretor, fique a sua disposição.

A carreira dos dois atores vai muito bem. No Festival de Cannes, Rodrigo estava com dois filmes em competição,Che, de Steven Soderbergh, e o argentino Leonora, de Pablo Trapero. Alice foi para a exibição oficial de Blindness, filme do diretor brasileiro Fernando Meirelles sobre olivro “Ensaio sobre a Cegueira”, do escritor português José Saramago. O clima em Cannes era muito animado, com uma grande presença de brasileiros em competição e um sentimento positivo em relação ao cinema nacional.

Os dois talentos brasileiros mais promissores estão com vários projetos internacionais. Santoro veio a São Paulo para a divulgação de Cinturão e logo voltou à Los Angeles, para concluir uma cena de I Love You Philip Morris, com Jim Carrey e Ewan McGregor. Alice terminou recentemente as filmagens de alguns longas, ainda inéditos aqui no Brasil, nos quais conheceu e atuou com seus ídolos do cinema: em Repossession Mambo atuou com Jude Law e Forest Whitaker, e em Crossing Over, com Harrison Ford e Sean Penn.

Os atores concluíram a entrevista de modo otimista e sempre afirmando que não escolhem seus papéis pela nacionalidade ou por atuar em Hollywood, mas sim pela satisfação artística que estes lhes trarão. Nas palavras de Rodrigo, os Estados Unidos “são uma vitrine para o mundo” e, se esta vitrine oferece boas possibilidades, por que não aproveitá-las?