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A Morte de Ivan Ilitch

Ao final da leitura, sobra uma estranha sensação de fragilidade. O perigo é bater em algum elemento banal e acabar morrendo disso, sendo também banal sua vida, como a de Ivan Ilitch, o personagem com o qual Tolstói perturba sua vida em 90 pequenas páginas nesta novela.

A morte é dada no título e logo no primeiro capítulo. Mas é em cada fonema agoniado que cresce o desconforto. Do personagem e do leitor. É da vida miserável de Ivan Ilitch que queremos fugir. Não por ter sido penosa, mas por sua banalidade.

O professor de Estudos Literários recomendou a leitura para uma sala composta em sua maioria por jovens de 17/18 anos. Talvez em alguns anos esquecem do que leram e venham a ser como o personagem, vivendo no limite do socialmente aceitável e – em último caso – morrendo disso.

Não sou muito mais velha que meus colegas de sala, mas fechei o livro pensando em tanta gente que conheço, com uma tristeza que me fez querer escrever este post e recomendar a leitura da novela. São poucas páginas nas quais Ivan é cada um que se deixa morrer aos poucos. E dá medo de ser como ele.

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a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe

Eu gostei tanto de “a máquina de fazer espanhóis”, do escritor português (nascido em Angola) valter hugo mãe, que ele praticamente atropelou o livro que li depois. Fato é que já terminei o tal livro, comecei um terceiro e ainda tive vontade de escrever alguma coisa sobre o romance português.

A trama de “a máquina de fazer espanhóis” me pegou logo de cara. Li o primeiro capítulo online (AQUI) e quis comprar o livro. A princípio, é um pouco estranho ler sem maiúsculas (que o autor não usou em seus 4 últimos romances), mas nos acostumamos e os personagens são tão bem elaborados e suas ideias tão boas que eu não quis me despedir do livro.

Meu pai tem uma teoria [com a qual concordo] de que o bom livro é aquele que você não quer terminar. Comigo e “a máquina de fazer espanhóis” foi assim. Passei cerca de um mês lendo o romance não porque ele fosse difícil ou chato, mas porque me dei ao direito de saborear a trama [depois de meses de livros lidos a toque de caixa]. E, ao final, chorei. Chorei como poucos livros ou filmes me fizeram chorar.

A narrativa se passa em torno do senhor antónio silva, o narrador-protagonista, que conhecemos já idoso e prestes a se tornar viúvo. Ele mescla episódios de sua vida com histórias do asilo para o qual se mudou após perder a esposa, fazendo com que vários outros senhores ganhem voz na trama – são a família que silva encontrou depois de velho. Assim, ao final, senti como se tivesse perdido vários avós queridos em umas poucas páginas, tamanha a intimidade que os personagens me criaram.

O escritor causou grande comoção na FLIP deste ano com esta [linda!] carta (o vídeo com a leitura está linkado neste post) e entrevistas com ele daquela época não faltam.

Alguns links interessantes:

– Resenha do Joca Reiners Terron sobre “a máquina de fazer espanhóis”: http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?p=8710;
– Segundo capítulo do livro disponível para leitura online: http://editora.cosacnaify.com.br/ObraSinopse/11598/a-m%C3%A1quina-de-fazer-espanh%C3%B3is.aspx;
– Entrevista do autor ao caderno Prosa & Verso, d’O Globo: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2011/01/22/entrevista-com-valter-hugo-mae-convidado-da-flip-2011-358043.asp;
– Entrevista à TV Estadão: http://tv.estadao.com.br/videos,valter-hugo-mae-e-a-velhice-inspirada-pelo-pai,142206,253,0.htm;
– Resenha publicada no blog Meia Palavra: http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/28/a-maquina-de-fazer-espanhois-valter-hugo-mae/;
– Texto publicado no Estadão sobre “a máquina de fazer espanhóis”: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-caminho-salgado-de-um-pais-a-deriva,745587,0.htm;
– Entrevista em vídeo com Lourenço Mutarelli, que fez a imagem da capa e o texto de orelha da edição brasileira: http://editora.cosacnaify.com.br/ObraEntrevista/11598/93/a-m%C3%A1quina-de-fazer-espanh%C3%B3is.aspx.

Livro: Uma Fome, Leandro Sarmatz

Ontem escrevi sobre “A Passagem Tensa dos Corpos”, primeiro romance do mineiro Carlos de Brito e Mello. Durante a FLIP, Mello estará em uma mesa na Casa de Cultura com o escritor gaúcho Leandro Sarmatz, que mora em São Paulo e é o atual editor das obras de Drummond na Companhia das Letras.

Publicado em 2010, “Uma Fome” é o primeiro livro de ficção em prosa de Sarmatz, que já havia publicado uma peça teatral (“Mães & Sogras”, 2000) e o livro de poemas “Logocausto” (2009). “Uma Fome” traz 12 contos e é dividido em suas partes. A primeira, “Atores”, tem contos curtos com personagens com a profissão. A segunda, “Abandonos”, apresenta personagens solitários, tem vários contos com marcas autobiográficas do autor e é onde estão as melhores narrativas.

O conto que dá nome ao livro é o mais marcante. Ele apresenta um escritor solitário e fracassado que conta em primeiro pessoa (e num desabafo de 26 páginas em um mesmo parágrafo) sua obsessão por se tornar um “magro total”:

Sempre tive a ambição da magreza. E magro total. Metafisicamente magro. Literariamente magro. Como Kafka, como Beckett, como Graciliano. Seco, destituído de gordurinhas extras, leve a ponto de desaparecer. Já há algum tempo que venho tentando estabelecer as ligações entre magreza e literatura. 

Também gostei bastante do conto “Schadenfreude”, que é narrado em primeira pessoa por um intelectual que se apaixona pela filha de seu orientador. O narrador oferece um olhar interessante sobre as reviravoltas e brigas provocadas em sua vida pela moça, enquanto cria teorias interessantes sobre aspectos comuns do dia a dia (em certo momento, ele divaga sobre porque tanta gente anda com garrafas d’água pela rua, por exemplo).

O livro como um todo faz várias referências literárias e ao ofício do escritor. A cultura judaica é outra marca forte. Os 12 contos tem personagens solitários e fica uma certa melancolia ao final da leitura.

No final de maio deste ano, “Uma Fome” entrou para a lista dos 50 finalistas do Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2011. (Em setembro, o júri intermediário irá escolher os dez finalistas e os três livros vencedores são eleitos por um júri final em novembro deste ano.)

AQUI há um trecho do primeiro conto disponível para leitura.

Livro: A Passagem Tensa dos Corpos, Carlos de Brito e Mello

Conclui meu TCC, sobre novos escritores brasileiros, e passei algum tempo sem querer voltar no assunto, mas agora que a FLIP se aproxima fiquei com vontade de escrever sobre Carlos de Brito e Mello e Leandro Sarmatz, dois autores que fazem parte do meu trabalho e estarão em uma mesa na Casa de Cultura durante a FLIP 2011 (sábado, dia 9, 15h15).

Assim, dedico um primeiro post ao livro “A Passagem Tensa dos Corpos”, de Carlos de Brito e Mello (foto), que foi possivelmente a leitura que mais me impressionou dentre os 10 livros de novos autores (1º livro de contos ou romance do escritor) que li até aqui (9 deles especialmente para o TCC). Não digo que seja meu preferido, porque seria uma escolha injusta, ao menos 5 dos 10 livros são incríveis.

Mas “A Passagem Tensa dos Corpos” tem um cuidado linguístico que impressiona positivamente. E conversando com o autor percebi que tudo fazia sentido na narrativa. Explico: o romance tem um narrador que é uma língua, nem vivo, nem morto, meio invisível, mas não onipresente, um personagem intrigante que vai se explicando ao longo da trama:

“Corro porque enuncio que corro. (…) Sou aquilo que anuncio ser, conquanto me falte consistência e certeza. Se tenho dúvida ou se me equivoco é porque a dúvida e o equívoco são também acontecimentos da linguagem.” (pág. 117)

A partir desse narrador se constroem frases quebradas, que acabam de modo estranho e outras que começam sem maiúsculas no parágrafo seguinte. Como neste caso:

“Toda palavra proferida ao redor da morte comporta, pelo menos, um fonema enlutado, e as perturbações de fala são formas pelas quais
morrer obseda a língua.” (pág. 12)

Os capítulos são curtos e, à narrativa principal, de uma família cujo pai, morto, é mantido insepulto na sala de jantar, alternam-se pequenos relatos de mortes em Minas Gerais. A “profissão” do narrador é contar falecimentos com breves detalhes pelas cidades que percorre, todas no estado de Minas Gerais, onde Carlos de Brito e Mello nasceu e vive até hoje.

Assim, quando conversei com o autor, percebi que tudo tem uma explicação: as frases quebradas, as cidades serem em Minas, ser um pai morto em uma sala de jantar…

Fora isso, que não fica claro em uma primeira leitura, o romance tem ritmo, mantem a curiosidade e, como o narrador, nós, leitores, também vamos ficando intrigados com os motivos que levam aquela mãe e filha a manterem o pai morto preso em uma cadeira na sala, dando comida para ele e ignorando sua morte. Ou o que leva o filho do casal a nunca sair de seu quarto. Não fosse estranho o suficiente, a filha ainda planeja um casamento sem noivo – e a mãe acha tudo normal.

Os primeiros capítulos do livro, em PDF, estão disponíveis AQUI.

AQUI, algumas informações reunidas sobre a programação da FLIP 2011.

Programação FLIP 2011

A FLIP 2011 divulgou no último dia 19 a programação completa de sua 9ª edição. E também da flipinhaflipzona e da Casa de Cultura.

A mesa de abertura terá a participação do crítico literário Antonio Candido. Dentre as mesas previstas, me chamaram mais atenção os nomes de Joe Sacco, Claude Lanzmann, valter hugo mãe (que não usa maiúsculas nem em seu nome), Péter Esterházy, Ignácio Loyola Brandão e João Ubaldo Ribeiro. O jornalista Edney Silvestre, que estreou na ficção em 2010 com “Se eu fechar os olhos agora”, também estará em uma das mesas (a 12, sáb 15h).

Quase no mesmo horário (15h15), Carlos de Brito e Mello e Leandro Sarmatz, autores incríveis que li e entrevistei para meu TCC, estarão em um bate-papo na Casa de Cultura.

AQUI matéria do Sabático sobre a 9ª edição e AQUI entrevista da rádio Estadão/ESPN com o novo curador da festa, Manuel da Costa Pinto.

A FLIP 2011 acontece de 6 a 10 de julho. Os ingressos para as mesas começam a ser vendidos no dia 6 de junho (Tenda dos Autores: R$40, Tenda do Telão: R$10 – estudantes pagam meia).

28/06/2011

Em tempo: Antonio Tabucchi cancelou sua participação na FLIP. A mesa com o italiano será substituída pelo debate “Ficções da crônica”, com Ignácio Loyola Brandão e Contardo Calligaris. Como nunca li nada sobre o primeiro italiano em questão, mas adoro as colunas do segundo, gostei da mudança!

Livro: Se eu fechar os olhos agora, Edney Silvestre

No caminho rumo ao diploma, escolhi como tema para o meu TCC os novos nomes da literatura brasileira. Venho anotando autores apontados como promissores (com a ajuda de especialistas) e vou engatando um livro atrás do outro. Sozinha, nunca acho os livros que procuro nas livrarias; as pessoas que me atendem também costumam ter problemas. O novo autor está sempre escondido nas prateleiras – chegar aos leitores é o grande desafio.

Assim, tive vontade de ir escrevendo sobre estes livros. Em 2009, me encantei com “A Chave de Casa”, primeiro romance de Tatiana Salem Levy, sobre o qual escrevi na época, e que desde o começo quis incluir em meu projeto. (Mas que ainda não reli para atualizar o texto, do qual já não gosto.)

A primeira leitura realizada para o TCC, então, foi “Se eu fechar os olhos agora”, de Edney Silvestre, vencedor do Jabuti de melhor romance e do Prêmio SP de Literatura, na categoria melhor autor estreante, ambos em 2010. Silvestre já é conhecido como jornalista, o que deve ter ajudado na divulgação de seu livro – além dos prêmios. O romance tem uma linguagem clara e vai enredando o leitor na trama, que mostra dois garotos e um senhor de idade investigando um crime brutal.

Os diálogos são sempre com travessões e misturam a inocência dos garotos – chocados com a morte – com os traumas deste senhor, obtidos nos porões da ditadura Vargas. A história se passa em 1961, em um Brasil que tinha ilusões de crescimento e democracia, “um outro país”, como enuncia o prólogo (de que faz parte o trecho lido no vídeo acima), em um tom mais poético que o adotado no restante do livro, mais objetivo.

Trecho (diálogo entre o menino Paulo e o Sr. Ubiratan):

“- Cada vez que eu falo uma coisa para você, você me faz pensar em outra, mais na frente.

– Que bom.

– Que bom, por quê? Eu fico com a cabeça cheia de perguntas, só isso.

– Melhor do que ficar com ela cheia de respostas. Boa noite, Paulo.”

Livro retrata peripécias amorosas entre rapaz e prostituta

Foi com um estilo rápido e pouco descritivo que Estevão Romane escreveu seu primeiro romance, ‘Eu amei Victoria Blue’. Recém-lançado, o livro é autobiográfico e conta a história do relacionamento que o autor teve com Fernanda, uma garota de programa de codinome Victoria Blue.

Quando se conheceram, Estevão, que no livro se chama Davi, não sabia como Fernanda ganhava a vida. Ambos brasileiros, eles se cruzaram em Nova York e se envolveram em um forte relacionamento, muito marcado pela questão sexual. A grande motivação da trama, no entanto, é o mistério que cerca a moça: “Quando descobri comecei a rir: ela é uma mulher cheia de morais e princípios, achei estranho”, contou Romane ao RedeTVi.

Eles passaram oito meses juntos sem que o jovem conhecesse a profissão de sua namorada. Depois que descobriu, foram mais oito meses para superar o trauma e conseguir externá-lo em palavras. “A ideia de escrever o livro veio logo após a descoberta. Depois de passar vários momento com ela eu quis escrever sobre isso, é uma história muito boa e que precisava ser dividida. Eu comecei a escrever logo que descobri, mas depois travei, passei oito meses sem conseguir escrever”, disse o escritor, que demorou um ano e meio para concluir seu primeiro trabalho.

Apesar de se assumir como autobiográfico, Romane criou para si um alterego: Davi. Pode parecer estranho, mas ele explica que quis dar uma chance aos personagens: “Não queria nos deixar presos ao livro. Os personagens são eternos e imutáveis, mas nós, que vivemos aquela história, não podemos ficar presos ao livro. Tem coisas que eu fiz na época que eu não faria hoje.”

Quando descobriu a farsa de Fernanda, Romane simplesmente acabou o namoro: “Percebi que o caráter dela era muito diferente do que ela havia me dito, ela mentiu para mim em vários aspectos, não só sobre sua profissão. Nunca contei para ela que eu descobri. Não queria destruir o mundo que ela tinha criado para mim, tive medo que ela surtasse.

Depois que voltou para o Brasil, o escritor não teve mais notícias de sua ex-namorada: “Pelo que eu sei ela se casou com um americano e está tirando o green card.” Ele diz que não escreveu o livro pensando na reação que a moça terá quando ler a história dos dois: “Acho que ela vai acabar sabendo do livro, mas sua reação é imprevisível. Uns dois meses antes de descobrir que ela era garota de programa, e isto está no livro, eu falei pra ela que ia escrever um livro sobre ela. Só não imaginava que seria assim.”

Pego de surpresa com o fim dramático de seu relacionamento, Romane construiu sua história de forma pessoal e bastante informal. O livro tem uma narrativa leve, com muitos diálogos e poucas descrições. O começo empolga na saga entre o rapaz (hoje com 23 anos, mas que na época tinha 20) e sua vizinha – um enredo semelhante ao de filmes como ‘Show de Vizinha’ ou ‘O Pecado mora ao lado’, com uma bela moça que se envolve com um jovem um tanto quando desajeitado. A narrativa perde força no final, mas, como Romane diz, “é uma história que vale a pena ser contada.”

Matéria escrita e publicada terça-feira (07) no Portal da RedeTV.

Chico Buarque recebe mais um prêmio por ‘Leite Derramado’

Uma semana após receber o Prêmio Jabuti de livro do ano, o livro ‘Leite Derramado’, escrito por Chico Buarque, recebeu nesta segunda-feira (08) o Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. A esposa de José Saramago, homenageado pelo evento, Pilar Del Rio, entregou o troféu ao cantor e compositor, que também ganhou R$ 100 mil de premiação.

O segundo e o terceiro colocados também receberam prêmios em dinheiro. Rodrigo Lacerda levou R$ 35 mil por seu ‘Outra vida’ e Armando Freitas Filho, que ficou com a terceira colocação, ganhou R$ 15 mil por ‘Lar’.

Saramago, falecido no último mês de junho, também estava entre os finalistas ao Portugal Telecom, com ‘Caim’, mas seu nome foi retirado da competição. A Fundação Saramago e a editora responsável pela publicação de ‘Caim’ no Brasil anunciaram que, após receber o Prêmio Nobel, Saramago desejou não participar de outras premiações.

“Quando José Saramago recebeu o Prêmio Nobel anunciou que não voltaria a aceitar nenhuma outra distinção literária porque são muitos os escritores que merecem prêmios e poucos os prêmios para distingui-los”, divulgou a Fundação em nota oficial. Durante a cerimônia, Pilar Del Rio também recebeu uma homenagem a seu marido.

A lista de finalistas ao prêmio foi divulgada em setembro, com dez títulos, e, além dos quatro já citados, incluia também os braisleiros ‘A passagem tensa dos corpos’ (Carlos de Brito Mello), ‘

Monodrama’ (Carlito Azevedo), ‘O filho da mãe’ (Bernardo Carvalho), ‘Olhos secos’ (Bernardo Ajzemberg) e ‘Pornopopéia’ (Reinaldo Moraes), além de ‘Avó Dezanove e o segredo do soviético’, do angolano Ondjaki.

O júri desta edição era formado por Alcides Villaça, Antonio Carlos Sechin, Benjamin Abdala Jr., Cristovao Tezza, José Castello, Leyla Perrone-Moisés, Lourival Holanda, Manuel da Costa Pinto, Regina Zilberman e Selma Caetano.

Nota escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.

Mona Dorf lança livro sobre ‘Autores e Ideias’ da literatura brasileira

A jornalista Mona Dorf lançou nesta segunda-feira (25) o livro ‘Autores e Ideias’, que reúne 35 entrevistas feitas por ela em seu programa ‘Letras e Leituras’, da Rádio Eldorado. No programa, Dorf entrevista celebridades do mundo artístico-cultural e, para o livro, selecionou apenas escritores brasileiros, entre as 500 entrevistas que realizou nos últimos quatro anos.

“No programa, eu converso com escritores, artistas, gente que gosta de ler. São conversas sobre as influências na vida e na carreira deles. No livro só há escritores brasileiros, de várias gerações. A ideia foi mesclar as gerações de forma a propiciar aos leitores uma viagem literária”, contou a escritora ao RedeTVi durante o lançamento.

Entre os autores presentes no livro, há entrevistas com nomes já consagrados de nossa literatura como João Ubaldo Ribeiro, Ignacio de Loyola Brandão, Milton Hatoum, Moacyr Scliar, Ruy Castro, Mário Prata, Cristóvão Tezza e Bernardo Carvalho. Mas ‘Autores e Ideias’ também se propõe a apresentar novos escritores aos seus leitores que, assim, pode se tornar também leitores de nomes como Tatiana Salem Levy, Vanessa Bárbara, Fabrício Corsaletti ou Ivana Arruda Leite, entre outros.

Thales Guaracy, diretor editorial da editora pela qual o livro foi lançado, conta que sempre teve vontade de divulgar melhor a literatura brasileira. “Como editor, tive a ideia de fazer um livro para ajudar os autores brasileiros contemporâneos e a Mona [Dorf] já vinha fazendo esse trabalho de entrevistar os autores na rádio. Usamos esse material como base para elaborar melhor as ideias”, revela Guaracy.

Para Dorf, este livro é “uma forma de conhecer um pouco da literatura brasileira. E você certamente vai descobrir um autor bacana e vai ficar com vontade de ler alguma obra dele”, convida. Guaracy reitera a opinião da autora e complementa: “Acho que os leitores terão uma referência para encontrar autores brasileiros de que eles também gostem muito.”

Texto escrito e publicado hoje no Portal da RedeTV.

FLIP anuncia novo curador para 2011

A FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) anunciou nesta quarta-feira (20) que terá um novo curador para sua edição em 2011. O novo curador será o jornalista Manuel da Costa Pinto, ele substitui o também jornalista Flávio Moura, que esteve à frente da curadoria do evento entre 2008 e 2010.

Manuel da Costa Pinto é mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP) e foi um dos criadores da Revista Cult, além de já ter publicado diversos livros sobre literatura. O jornalista também foi mediador da mesa entre Alessandro Baricco e Contardo Calligaris, realizada na sexta edição da FLIP, em 2008.

Na nota divulgada pela organização do evento, Mauro Munhoz, diretor-presidente da Associação Casa Azul, organização responsável pela FLIP, comenta que Manuel é “um dos jornalistas mais reconhecidos por sua dedicação à literatura e irá desenvolver um belo trabalho à frente da programação da FLIP, inovando e mantendo a excelência dos anos anteriores”.

O antigo curador, Flávio Moura, permanecerá na FLIP, mas agora como responsável pelos projetos especiais do evento, como publicação de livros e DVDs. Moura afirmou, na mesma nota, que “é uma honra” ser sucedido por um profissional que é “referência para quem trabalha com literatura no Brasil”.

A edição da FLIP 2011 ainda não tem data definida, mas o novo curador já anunciou que pretende dar continuidade aos resultados que garantiram às últimas edições um público estimado em mais de 20 mil pessoas. “A FLIP transformou a cena literária brasileira, criando uma nova modalidade de interação entre escritores e leitores”, disse.

Nota escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.