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FLIP: Isabel Allende ofusca lançamento de livro do marido

A Casa de Cultura promoveu nesta sexta-feira (06) o lançamento do novo livro de William Gordon, ‘O Anão’. Tudo seria muito padrão, uma típica conversa entre autor e público seguida de uma fila para autógrafos, não fosse o autor em questão casado com a “dominatrix” Isabel Allende, como ele próprio brinca.

A escritora chilena decidiu acompanhar o marido ao evento e os dois acabaram protagonizando uma divertida troca de declarações de amor em frente a um público que se divertiu com cada elogio trocado entre ambos.

Gordon escreve livros policiais e, neste novo título, decidiu finalmente dar vida a um personagem que tem em mente há muitos anos, desde que escreveu “um péssimo romance”, como o classifica Allende, sempre bem humorada. O anão que protagoniza este livro era, segundo Allende, o personagem mais detestável do romance que Gordon descartou devido à desaprovação da esposa.

O casal fez revelações que divertiram a plateia. Allende disse que seu marido não consegue escrever por mais de 11 minutos. “Na verdade, ele não faz nada por mais de 11 minutos, nem o amor!”, disse. Envergonhado, ele se defendeu dizendo que escreve durante 11 minutos várias vezes por dia, comparando-se às 14 horas que a esposa diz passar escrevendo.

A presença de Allende, anunciada em cima da hora, acabou ofuscando o lançamento do livro de seu marido, sem dúvida menos prestigiado que a chilena. Ele revelou que não seria escritor sem o incentivo dela e, sem dúvida, sua mesa teria menos ibope não fosse pela presença de Isabel Allende.

Matéria escrita e publicada sexta-feira (06) no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

FLIP: Quando velha, Isabel Allende espera ser bruxa sábia

No começo da noite desta quinta-feira (05), Isabel Allende disse ao público e ao jornalista Humberto Werneck, mediador da mesa protagonizada pela escritora chilena na FLIP, que não gosta do fato de estar envelhecendo. Mas, já que tal processo é inevitável, ela “queria ser uma bruxa sábia”, e com dentes e cabelos que não sejam postiços, fez questão de deixar claro.

A sabedoria que Allende busca alcançar com a velhice também inclui a continuidade da escrita, ato que para ela é uma prática adquirida, “escreve não é hobby”, disse, revoltada ao lembrar a história de um dentista que certa vez lhe disse que escreveria ao se aposentar. “Quando eu me aposentar, vou arrancar dentes”, ela diz ter respondido ao senhor que, para ela, zombava de seu ofício.

Para a escritora, escrever é como adentrar um mundo mágico. “Nunca é fácil escrever, mas você sempre pode começar a escrever um mal livro e ir melhorando-o ao longo do processo. Nas primeiras semanas você sente que não sabe nada sobre o livro, mas com o tempo você vai descobrindo e o livro se apresenta para você”, diz, direcionando a dica aos novos escritores.

Em um misto de conversa e entrevista, uma muito bem conduzida por Werneck, Isabel revelou detalhes de sua vida com o marido, contando, por exemplo, que eles marcam encontros para poderem ficar sozinhos. “Afinal, nós também temos uma vida sexual”, afirmou rindo, em referência aos seus 68 anos de idade.

Consagrada por ‘A Casa dos Espíritos’ e lançando seu novo romance, ‘A Ilha sob o Mar’, no Brasil, Allende foi categórica ao responder quem gostaria que a interpretasse se fizessem um filme sobre sua vida: Penélope Cruz. Há algum tempo, lembrou Werneck, sua escolhida era Sônia Braga: “ainda não havia Penélope!”, riu.

Aproveitando o clima de descontração, Werneck perguntou a Allende se ela ainda sonha com Antônio Banderas, que participou da adaptação de ‘A Casa dos Espíritos’ para o cinema. A escritora nem precisou pensar muito: “Sim! Mas ele também já está meio velho… Acho que seria bom para um sábado à tarde.”

Matéria escrita e publicada ontem no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

FLIP: Isabel Allende revela que golpe no Chile ainda está presente em sua obra

Na tarde desta quinta-feira (05), a escritora chilena Isabel Allende conversa com o jornalista Humberto Werneck e com os espectadores da FLIP sobre seu novo livro, ‘A Ilha sob o Mar’.
Pela manhã, já se preparando para a mesa das 17h, Allende conversou com os jornalistas e antecipou alguns temas que devem ser tratados na palestra, como suas fontes de inspiração e o ofício da escrita.

Isabel diz que não de onde vem a inspiração para seus livros: “Não sei de onde vem as ideias, vem de vários lugares, das pessoas que observo, de minha vida, de pesquisas históricas.” Autora de vários romances históricos, ela conta que neste gênero as histórias “aparecem”: “Quando você pesquisa sobre o tema você logo encontra uma boa história.”

Foi assim com ‘A Ilha sob o Mar’. Allende queria falar sobre Nova Orleans e, conforme foi lendo a respeito, descobriu histórias de negros que emigraram do Haiti para lá, após a revolução que libertou os escravos no país caribenho. A personagem principal do livro, Zarifé, é justamente uma ex-escrava haitiana.

Apesar de ter nascido no Peru, Isabel Allende é uma chilena (naturalizada) de coração. Distante do país desde 1973, quando um golpe militar tirou seu tio Salvador Allende do poder local, Isabel agora reside nos Estados Unidos, mas visita o Chile com frequência.

Ela revela que o episódio marcou para sempre sua obra: “Eu não seria a escritora que sou hoje se não fosse pelo golpe, que me obrigou a deixar meu país, a vê-lo de fora. Os temas do poder e da justiça estão sempre presentes nos meus livros, de maneiras diferentes, mas estão sempre lá.”

Allende contou ainda que adora escrever: “Me encanta escrever”, disse, abrindo um grande sorriso com a resposta. Mas, completou, “o que me cansa é o que vem depois, viajar, conversar com vocês”, brincou, referindo-se às tantas perguntas feitas na sala cheia de jornalistas.

Quanto à relação com o público, por outro lado, ela só tem elogio, em especial para o povo chileno, que sempre a recebe bem apesar de Allende residir na Califórnia. “Os chilenos são muito carinhosos comigo, me parabenizam, me abraçam.”

Matéria escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.