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Amar… Não tem preço

Sinopse: Irene, uma jovem golpista, confunde o garçom do hotel de luxo em que esta hospedada com um rico senhor. O rapaz se envolve emocionalmente com a moça e fará o possível para manter a farsa.

Traje uma bela mulher com lindos vestidos e jóias caríssimas, junte um mocinho pobre e determinado, coloque alguns elementos inesperados: esta feita a típica comédia romântica. A queridinha Audrey Tautou (O Fabuloso Destino de Amelie Poulain) volta no divertido Amar… Não Tem Preço para encher os olhos dos espectadores. E das espectadoras também, por que não?

Audrey é Irene, uma jovem que aplica golpes do baú em senhores “solteirões”. Tudo com muito glamour e no melhor estilo. Em uma palavra: luxo. Luxo que se perde por um equívoco pertinente: a bela moça encontra um jovem empresário no hotel; desacompanhados, ambos dão à noite um final agradável. Aqui, a menina pobre poderia encerrar sua vida de golpes e velhos feios, passando a viver feliz ao lado de alguém jovem, bonito e rico.

Seria muito bom se não fosse a mentira que dá origem aos problemas da protagonista. Jean (Gad Elmaleh), o garçom do hotel, se encanta pela beleza da moça, solitária em seu belo vestido, e decide mentir por um sorriso naquela noite. Mas a mentira sai muito cara para ambos: Irene perde seu acompanhante rico e Jean, uma boa fortuna tentando manter a menina de seus olhos ao seu lado.

Um filme para aproveitar o clima deixado pelo dia dos namorados e desfrutar em uma sessão, à tarde, com seu amado(a). Ele não trás piadas novas, nem inovações dentro das comédias românticas. Recheado por belos vestidos, jóias, smokings e paisagens bucólicas do mundo dos ricos e famosos, o filme tem momentos engraçados e é um alivio em meio a um dia-a-dia tumultuado. Merece um sorriso e uma boa companhia, um beijo no final.

Texto originalmente publicado no site Homem Nerd, em junho de 2008. Publico aqui em uma data aleatória, para mantê-lo como registro.

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A Alegria de Emma

Sinopse: Max leva uma vida sem sentido. Ao descobrir que morrerá em breve, ele acaba sofrendo um acidente que o faz encontrar Emma, uma moça rude que vive sozinha em uma fazenda onde cria porcos.

A Alegria de Emma começa com uma música agradável e mantém essa sensação inicial ao longo do filme. O campo é mostrado ao espectador sempre com um ar mais bonito do que a cidade, que tem ares melancólicos e tons escuros. Os personagens também seguem esta linha que o roteirista parece defender: a vida bucólica, mesmo quando mostrada em sua face mais triste, ainda pode ser muito melhor que a vida urbana.

Os personagens principais são duas criaturas solitárias com problemas que não podem resolver. Aproximadas por um acidente não tão acidental, cada um deles irá rever seus conceitos devido à presença constante de alguém em seu cotidiano. Emma passa a sorrir e tira um belo vestido de renda branco – de sua avó – do armário, como já nos conta o título, e Max tem um lado com o qual não convive muito despertado.

Com uma bela fotografia e uma trilha sonora escolhida a dedo, o filme consegue manter a atenção do espectador mais exigente no enredo simples. Comedia dramática, lida perfeitamente com este gênero ao qual se propõem: mescla cenas engraçadas com momentos de extrema melancolia, mas fará o público sair da sala de cinema com um sorriso no rosto e levando reflexões para casa.

Suave, divertido e um pouco melancólico, este é um filme para se deliciar com a catarse do cinema em seu melhor estilo. É pena que poucas pessoas darão chances a uma comedia alemã sem estrelas conhecidas, mas para o espectador sem preconceitos – ou não tão viciado em grandes nomes do cinemão hollywoodiano – a sensação final valerá até mesmo o mais caro ingresso.

Texto originalmente publicado no site Homem Nerd, no final de abril de 2008. Publico aqui em uma data aleatória, para mantê-lo como registro.

Como eu festejei o fim do mundo

Sinopse: Romênia, final dos anos 80. A ditadura comunista influencia a vida e os relacionamentos das personagens, o que os leva a questionar o regime e fazer planos para derrubá-lo. Nesse contexto, os adolescentes Eva, Alex e Andrei terão o rumo de suas vidas direcionado pela política de seu país.

Co-produção franco-romena, Como Eu Festejei o Fim do Mundo mostra a decadência e o declínio do regime comunista na Romênia. Sob uma ótica diferente dos filmes com essa mesma proposta, aqui a análise parte dos personagens, de seus desgostos e afições pessoais provocadas e oriundas da política nacional.

Eva é uma estudante comum que, por culpa do namorado – e vizinho – Alex, acaba sendo expulsa do colégio em que ambos estudam. O filme começa nos mostrando que o pai de Alex é policial, tem grande influência e não é muito bem visto na vizinhança. Alex quebra um busto do presidente Nicolai Ceausescu no colégio e seu pai, contrariando os pedidos do menino, não isenta Eva de ser punida por algo que apenas assistiu.

Os pais da menina acreditam que ela não deveria desprezar Alex, pois sua relação com ele os ajuda, e condenam a filha quando ela começa a se envolver com Andrei, um novo vizinho e colega na nova escola, que mais poderia ser considerada um reformatório. Andrei é filho de opositores do regime e sua família é mal vista entre os visinhos por ser considerada capitalista e pró-Estados Unidos. O menino incita Eva a fugir da Romênia junto com ele.

A grande atração deste filme, porém, é o irmãozinho de Eva, Lali (assim apelidado pela irmã), que faz planos de derrubar o presidente Ceausescu, sonha com barcos e vive gripado. O menino reflete a indignação crescente da população para com o socialismo e a esperança de mudanças próximas. Por si só, já valeria a pena.

Texto originalmente publicado no site Homem Nerd, no final de abril de 2008. Publico aqui em uma data aleatória, para mantê-lo como registro.

O Orfanato

Sinopse: Ao se mudar para a casa em que cresceu, um antigo orfanato, Laura e sua família enfrentam estranhos problemas quando seu filho se sete anos começa a conversar com estranhos amigos invisíveis.

Se a princípio o nome de Guilhermo Del Toro chama a atenção nos créditos iniciais como produtor, o filme em si trás poucas novidades. Para quem assiste a muitos filmes de terror, a história caiu no lugar comum: uma casa mal assombrada, uma criança que vê e fala com espíritos, o passado que volta para nos assombrar.

No entanto, “O Orfanato” conseguiu não desperdiçar seu suspense, contendo poucos, mas bons sustos. O jogo de movimentação das câmeras se revela grande aliado do diretor, que consegue manter os espectadores envolvidos com algumas cenas aparentemente simples. O mistério que se revela aos poucos vai nos envolvendo na história e mantém o interesse pelo desenrolar dos fatos, mesmo que você não seja muito fã de filmes deste tipo.

A história contada, de Laura, é nada mais que um resgate com seu passado e com suas atitudes presentes. Ela tenta reabrir o orfanato em que cresceu e tranformá-lo em abrigo para crianças com deficiências, mas neste processo irá perceber que mesmo crianças não são tão inocentes quanto pode parecer. Seus antigos amigos de infância voltam à sua vida de maneira não tão agradável e Laura vai reescrevendo e recontando sua história no decorrer do filme. Ela precisa aprender a dar mais ouvidos às pessoas que a cercam e, quem sabe, encarar a vida de uma outra forma.

No dia da inauguração do orfanato sonhado pela protagonista, uma estranha brincadeira levará ao sumiço de seu filho. Soro-positivo, o menino precisa tomar pílulas constantemente. Vários meses após o desaparecimento, Laura ainda esta obcecada por encontrar o corpo da criança, que, por vezes, ela ainda acredita estar viva.

É a partir deste ponto que o suspense se intensifica: o estado psicológico de Laura, as coisas que ela faz em sua busca desesperada e as atitudes e movimentos dos outros personagens nos envolvem e perturbam. A câmera também dá sua contribuição. Por que neste orfanato, nem tudo é apenas uma inocente brincadeira.

Texto originalmente publicado no site Homem Nerd, no começo de abril de 2008. Publico aqui em uma data aleatória, para mantê-lo como registro.

Chega de Saudade

Sinopse: Em um salão de baile à moda antiga, uma única noite altera o rumo de vários personagens. Ao longo do tempo, percebemos os impactos do salão na vida das pessoas, sua importância e influencia.

Com tom saudoso, o filme Chega de Saudade pode comover muitos espectadores mais velhos, correndo o risco, porém, de se tornar atraente só para estes e perder grande parte de seu brilho.

Com cinco núcleos de personagens, nem a diretora do fantástico Bicho de Sete Cabeças, Laís Bodanzky, conseguiu evitar que alguns deles caíssem no lugar comum. Paulinho Vilhena e Maria Flor formam um casal repleto de irritantes clichês. Já a dupla de viúvos, que se conheceram no baile, é comovente, e ninguém melhor que Tônia Carrero e Leonardo Villar para dar brilho a este amor maduro.

A jovem Bel (Maria Flor) é cativante e encanta o espectador com seu sorriso carismático. Parte de um núcleo que pode se tornar muito aborrecedor ao freqüentador acíduo das salas de cinema, a atriz deu um brilho todo especial à sua personagem, cercada por um namorado ciumento e um velho mulherengo.

A trilha sonora merece destaque: o melhor da MPB com Elza Soares no vocal da banda “Luar de Prata”, a atração do salão. É ao som da boa música brasileira e de algumas raridades da música mundial que os personagens vivem seus clichês, incongruências e fatalidades. A vida dentro do salão perde parte do brilho para dar lugar ao glamour.

No lugar onde mulheres não entram de calça, o argentino ganha fama, o antigo campeão dos salões relembra os velhos tempos, o belo dançarino faz a alegria das velhas senhoras por alguns reais, o esquisitão da noite continua sempre sozinho e a senhora rica e elegante sorri, sem nunca olhar pra trás.

Texto originalmente publicado no site Homem Nerd, em março de 2008. Publico aqui em uma data aleatória, para mantê-lo como registro.

A Lei do Desejo

Sinopse: Pablo é um diretor de cinema apaixonado por um rapaz que não corresponde a seus sentimentos. Um envolvimento inesperado com Antônio o fará repensar sua vida, suas relações e seus sentimentos. Aquilo que somos levados a fazer por amor também será questionado.

Almodóvar tem a tendência de explorar o universo do sexo e, em muitos de seus filmes, das mulheres. Neste filme de 1987, ao contrário, ele opta por analisar o universo da sexualidade masculina, misturando homossexualismo, transexualismo e os desafios do amor e da convivência.

No começo do filme, o personagem de Pablo pode nos parecer um tanto quanto frio, como um simples viciado em sexo. Mas o sofrimento pelo qual ele passa ao ser rejeitado por Juan, o homem que verdadeiramente ama, nos contamina, e dói mais ainda perceber que ele faz o mesmo com outros homens que o amam.

O conflito de sentimentos amorosos será o grande direcionador do filme. Antônio, personagem de Antonio Banderas, dedicara no decorrer do filme um amor exagerado pelo diretor, que perturba-se com a intromissão em sua vida.

Pablo é um homem fechado, frio para com seus amantes, dedica, porém, grande ternura e afeto à irmã transexual, personagem brilhantemente interpretada pela atriz Carmen Maura, e à garotinha que vive com ela.

O espectador é tocado pela beleza de cores e pelo jogo peculiar aos filmes do diretor espanhol. A analise profunda e envolvente que cada personagem ganha se revela apenas ao final da narrativa e nos surpreende até o ultimo minuto.

As personagens do filme parecem ser movidas muito mais por seus sentimentos de posse do que por amor. Ou, se é amor, é um amor doentio, um amor manco. O Desejo, com letra maiúscula mesmo, move as atitudes dessas pessoas, vitimas de sua própria cobiça. Por que só se sente falta daquilo que já se teve.

Texto originalmente publicado no site Homem Nerd, no final de dezembro de 2007. Publico aqui em uma data aleatória, para mantê-lo como registro.