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Programação 1º sem 2015 – Casa do Saber

Chegou a brochura com a programação do semestre aqui na Casa do Saber. Muito orgulho participar da curadoria de cursos e grata pela oportunidade.

brochura cds

O que a Virada Cultural não aprendeu em 6 anos

Virada Cultural 2011, a 7ª edição, começou com um belo show de Rita Lee, que não poupou palavrões às autoridades municipais e estaduais – sem o menor pudor por estar recebendo cachê da Prefeitura de São Paulo. “Moro em São Paulo há 65 anos, entra e sai prefeito e governador e eles não fazem p… nenhuma”, foi uma das tiradas que a cantora soltou enquanto cantava “Ovelha Negra”. As cerca de 20 mil pessoas presentes no palco da Praça Júlio Prestes (segundo estimativa da Polícia Militar) aplaudiram freneticamente.


Diluído
A estratégia da organização da Virada este ano foi concentrar a programação que atrai mais público no domingo. Percebeu-se que havia uma queda no número de pessoas do primeiro para o segundo dia e – após seis anos – resolveram tentar algo novo. De certa forma deu certo, pois a Virada realmente pareceu mais equilibrada – ou um pouco mais vazia em cada um dos dias.

Bebidas
A medida polêmica do prefeito Gilberto Kassab, que proibia a venda de bebidas alcoólicas durante os dois dias, foi aprovada por uns e condenada por outros. Claro que na prática não funcionou quase nada. Era possível ver vendedores ambulantes despreocupados, trabalhando com os artigos proibidos sem o menor pudor, com a tranqüilidade da falta de fiscalização a seu lado. Assim, na madrugada, a incômoda e inapropriada embriaguez da grande maioria dos “virantes” aconteceu novamente.

Problemas de som
A organização tem de entender de uma vez por todas que há certas apresentações que não encaixam bem em Viradas – seja por exigirem um primor técnico que requeira melhores condições para apreciar, seja por falta de estrutura ou pela falta de preparo do próprio público.


O show de Paulinho da Viola com a Orquestra e Cordas de Curitiba foi um exemplo derradeiro. Parte da plateia teve dificuldades para apreciar tamanha sensibilidade e minimalismo: o som estava baixo ao fundo e nas laterais do palco montado na Praça da República e, em ao menos três momentos, foi possível ouvir pedidos para que se aumentasse o som. (Uma falha no som já havia feito com que o músico – sempre exigente com a acústica de seus shows – demorasse mais de meia hora para entrar no palco, enquanto testavam equipamento e buscavam corrigir os problemas – não com total sucesso, infelizmente).

Pancadaria
Mais uma vez a Virada foi palco de pancadaria. Depois do traumatizante quebra-quebra ocorrido no show do Racionais MC’s em 2007, em 2011, apesar de todos os esforços para evitar, houve problema. No show da banda de punk horror Misfits, um carro da polícia resolveu passar no meio da multidão, e foi o estopim para que a violência e a falta de controle se instalassem. Muito nervosismo e despreparo das autoridades ficaram claros para quem estava assistindo ao show.

Fab4
Um ponto alto da Virada 2011 foi o palco dos já lendários Beatles 4Ever. Em 24 horas, os músicos tocaram, emocionaram e levantaram o público com todos os álbuns lançados pelos ingleses de Liverpool, sendo uma ótima alternativa pra qualquer intervalo de programações.

Integração
Apesar de todos os problemas e questões que ano após anos precisam ser revistas, a Virada Cultural sempre se apresenta como um evento democrático. Há apresentações para todos os gostos, só não vai quem não gosta de multidões. Mesmo assim, a multidão ali é diferente, em geral bem humorada (ao menos um pouco mais do que no dia-a-dia paulistano) e aberta a novas possibilidades – seja parando em um palco aleatório para ouvir uma música diferente, seja conversando sobre seu artista preferido com um desconhecido na multidão.

Um centro para a cidade
A Virada é também uma chance de conhecer o centro de São Paulo, em geral abandonado. Durante um dia comercial, há um grande movimento de lojas e escritórios. À noite, assusta. Aos domingos, lembra histórias de cidades fantasma, com prédios e pessoas abandonadas. Para onde vão essas pessoas durante este que se apresenta como um dos maiores eventos culturais da cidade de São Paulo?

Por que não nos sentimos seguros para frequentar o centro da cidade em outros finais de semana? Por que Paulinho da Viola não pode sorrir na Praça da República com mais frequência? Espalhar a Cracolândia e fechar albergues durante o ano para limpar o centro da cidade por dois dias, como vemos, não tem funcionado. Não foram gratuitos os xingamentos de Rita Lee.

Texto meu e do Victor Gouvea (@blasfemico) publicado dia 27 no Vereda Estreita.

Conheça os homenageados com a Ordem do Mérito Cultural

Acontece nesta quinta-feira (02) em Brasília a cerimônia de entrega da insígnia da 16ª Ordem do Mérito Cultural. Entre os 40 homenageados, divulgados nesta quarta pelo ministro da Cultura Juca Ferreira, destacam-se nomes como Gal Costa, Glória Pires, o grupo Demônios da Garoa e o compositor Hermeto Pascoal. A entrega acontecerá no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

A categoria ‘In Memoriam’ traz homenagens a grandes nomes da cultura brasileira, como Armando Nogueira, Carlos Drummond de Andrade, Cazuza, João Cabral de Melo Neto, Joaquim Aurélio Nabuco de Araújo, Moacir Werneck de Castro, Nelson Rodrigues e Vinicius de Moraes.

“Para receber a Ordem do Mérito Cultural foram escolhidas pessoas que exprimem a nossa tradição, a nossa vanguarda, as diferentes correntes de criação cultural e artística do nosso povo. Muitos dos agraciados não se conhecem entre si e isto é mais uma mostra de que o Brasil é múltiplo, é plural, e que cabe aos brasileiros revelar uns aos outros o país que estão criando em conjunto”, comentou Juca Ferreira em nota divulgada pelo MinC.

Confira a lista de homenageados:

– Andrea Tonacci, cineasta
– Anna Bella Geiger, gravurista e videoartista
– Mestre Alberto da Paz, violeiro e cantador
– Azelene Inácio Kaingáng, socióloga
– Candido Antonio Mendes de Almeida, escritor e professor
– Carlota Albuquerque, coreógrafa e diretora de dança
– Cesaria Evora, cantora
– Conjunto Época de Ouro, grupo de choro
– Coral das Lavadeiras
– Demônios da Garoa
– Denise Stoklos, autora de teatro
– Bispo católico Dom Pedro Casaldáliga Pia
– João Carlos de Souza-Gomes, embaixador
– Escuela Internacional de Cine y Television de San Antonio de los Baños (EICTV), fundada por Gabriel García Márquez
– Gal Costa, cantora
– Glória Pires, atriz
– Companhia de Danças Folclóricas Aruanda
– Hermeto Pascoal, compositor e instrumentista
– Ilo Krugli, diretor, ator, artista plástico e escritor
– Ismael Ivo, bailarino e coreógrafo
– Ítalo Rossi, ator
– Jaguar, caricaturista e ilustrador
– Joênia Wapixana, primeira advogada indígena do Brasil
– Leon Cakoff, crítico cinematográfico e cineasta
– Leonardo Boff, teólogo
– Maracatu Estrela Brilhante de Igarassú
– Mário Gruber Correia, gravador, pintor e desenhista
– Maureen Bisilliat, fotógrafa
– Maurício Segall, museólogo, economista, escritor e dramaturgo
– Rogério Duarte, artista gráfico, músico, compositor, poeta, tradutor e professor
– Sociedade Cultural Orfeica Lira Ceciliana
– Tinoco, cantor

In Memoriam

– Armando Nogueira, jornalista e cronista esportivo
– Carlos Drummond de Andrade, poeta
– Cazuza, cantor
– João Cabral de Melo Neto, poeta e diplomata
– Joaquim Aurélio Nabuco de Araújo, político, historiador, jurista, jornalista e poeta
– Moacir Werneck de Castro, jornalista e escritor
– Nelson Rodrigues, escritor e dramaturgo
– Vinicius de Moraes, poeta, cantor e compositor

Nota escrita e publicada quinta-feira (02) no Portal da RedeTV.

Cinema em SP exibe balé ‘O Quebra-Nozes’ ao vivo direto da Rússia

São Paulo entrou na rota dos grandes musicais e, nos cinemas, o glamour não fica para trás. Depois de exibir a transmissão ao vivo das óperas da temporada 2010/2011 do The Met Opera, de Nova York, o público paulista agora poderá assistir o balé ‘O Quebra-Nozes’ ao vivo direto do teatro de Bolshoi (Moscou), pertencente a uma das melhores companhias de balé e ópera do mundo.

O Grupo Severiano Ribeiro fechou um acordo para transmitir algumas apresentações de ballet diretamente do teatro em Moscou, na Rússia. A primeira exibição programada é do clássico ‘O Quebra-Nozes’, que será exibido em alta definição de som e imagem no dia 19 de dezembro, às 14h, no Kinoplex Itaim e no Kinoplex Vila Olímpia. Os ingresso custam R$ 50 (estudantes e idosos pagam meia) e já estão à venda.

A sessão terá duas horas e quinze minutos, dividida em dois atos, mas sem intervalo. ‘O Quebra-Nozes’ foi um dos três balé compostos por Tchaikovsky em 1892 e narra a história da menina Marie e do mundo encantado a que ela é apresentada às vésperas do Natal, graças a um presente especial que ganha de seu padrinho.

Serviço:
Onde:
Kinoplex Itaim (Rua Joaquim Floriano, 466 – Loja 29) e no Kinoplex Vila Olímpia (Rua Olimpíadas, 360 – Lojas 603/604). São Paulo-SP
Quando: 19 de dezembro
Quanto: R$ 50 (estudantes e idosos pagam meia)

Nota escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.

Bienal de Arte de SP começa com clima politizado

A 29ª Bienal de São Paulo abre nesta terça-feira (21) para convidados e no sábado (25) para o público. Com o tema arte e política e sob curadoria de Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos, as mais de 800 obras produzidas pelos 159 artistas convidados buscam incentivar reflexões e discussões sobre o tema.

Neste sentido, visando incentivar o debate público, esta edição do evento criou os “terreiros”, espaços de convivência e interação espalhados pelo labirinto que a arquiteta Marta Bogéa criou para a mostra. A proposta arquitetônica da Bienal é que o visitante se perca pelas ruas, se embaralhe entre as obras de arte e, nos terreiros, possa descansar dos 30 mil metros quadrados do pavilhão do Ibirapuera, se encontrar e “celebrar a política”, como destaca Agnaldo Farias.

Com o título “Há sempre um copo de mar para um homem navegar”, que reproduz o verso do poeta Jorge de Lima, a ideia é que, por menor que seja o espaço oferecido, o homem sempre encontra uma saída. Neste sentido, Moacir do Anjos diz que “toda arte é política, porque ela nos faz repensar o modo como entendemos o mundo”. O evento quer destacar a função da arte como instrumento de contestação e instrumento para pensar mudanças na sociedade.

Polêmicas
Entre as polêmicas, está a série ‘Inimigos’, que o artista pernambucano Gil Vicente criou em 2005. Nos desenhos, ele se autorretrata matando personalidades como o presidente Lula, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a rainha da Inglaterra Elizabeth II e o papa Bento XVI, entre outros. A OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) lançou uma nota pública pedindo que os trabalhos sejam removidos da exposição, por fazerem “apologia à violência e ao crime”.

Farias considera a ação como “tacanha e mesquinha”: “Vindo de uma instituição que preza pela liberdade de expressão, tal pedido é desalentador. Dizer que essa obra propõe a violência é absurdo. Seria como dizer que dizer que [a peça] ‘Édipo Rei’ incentiva o incesto”, disse o curador.

A pichação também volta às discussões nesta 29ª edição. Mas ao contrário do que aconteceu em 2008, quando pixadores invadiram o andar vazio deixado no pavilhão naquele ano, desta vez eles foram convidados. “A pichação está presente através de documentação, oferecer-lhes uma parede não faria sentido. A 28ª edição perdeu a oportunidade de discutir essa questão ao tratá-la apenas como um caso de polícia”, disse o curador Moacir dos Anjos, afirmando que é preciso colocar a pichação em discussão e que, ao propor o tema arte e política, não é possível ignorar esta questão.

Confira a galeria de imagens da Bienal!

Serviço:
29ª Bienal de São Paulo
Quando: a partir do dia 21 para convidados e dia 25 para o público. De 2ª a 4ª feira: das 9 às 19h (entrada até as 18h), 5ª e 6ª feira: das 9 às 22h (entrada até as 21h) e sábados e domingos das 9 às 19h (entrada até as 18h)
Onde: Parque do Ibirapuera, Portão 3, sem numero
Quanto: grátis

Matéria escrita e publicada terça-feira (21) no Portal da RedeTV!.

Peça ‘O Falecido’

A peça ‘O Falecido’, em cartaz no Teatro N.Ex.T, prorrogou sua temporada em São Paulo até o final de outubro. Junção de duas peças menores, a comédia uniu os textos de ‘Amor à vista’ e ‘O Falecido’ propriamente dito, respectivamente, com 20 e 40 minutos cada.

A primeira peça fala de um casamento e a segunda de um velório, “é um espetáculo sobre rituais muito marcados em nossa cultura. Uma peça não tem relação direta com a outra, mas as duas juntas se completam”, diz Antonio Rocco, diretor e autor de ambos os textos.

Rocco comemora o sucesso da peça: “Escrevi o texto há 10 anos, montamos em 2002 e ficou um ano em cartaz!” Ele diz ainda que o estetáculo tem um humor direto, sem apelações: “É um humor na surpresa, porque a única coisa que o teatro não pode ser é chato. [Na peça] Há surpresas o tempo todo e um jogo de palavras que é a principal base da comicidade da peça.”

O autor acredita que a missão de sua peça é “fazer rir”. Em relação à primeira versão da peça [de 2002], mudou o elenco, mas o texto “continua basicamente o mesmo, tirando por algumas intervenções que acontecem no processo de criação artística do palco”, diz Rocco, que convida o público: “Pode vir sem susto que você vai se divertir”.

Serviço:
Onde:
Teatro Next. Rua Regos Freitas, 454, Vila Buarque, São Paulo-SP. Informações: (11) 3259 -9636
Quando: Até 31 de outubro, sextas e sábados às 21h30 e domingos às 19h30
Quanto: R$30 (R$15 a meia)

Matéria escrita e publicada quarta-feira (25) no Portal da RedeTV.

Peça ‘De Malas Prontas’ usa linguagem circense para divertir o público

Sem diálogos, a peça ‘De Malas Prontas’ assume a missão de fazer rir com o uso da linguagem corporal e de números circences. O espetáculo, na estrada desde 2003, estreia nesta sexta-feira (26) em São Paulo e conta a história de duas mulheres que se desentendem enquanto disputam o banco de um aeroporto.

“É uma comédia sem palavras”, explica o espanhol Pepe Nuñez, que assina a direção da peça: “Ela parte de uma situação bem simples: duas mulheres que têm que compartilhar o banco na sala de espera de um aeroporto. Usamos intenções corporais através das quais o público vai fazendo sua leitura [do que se passa].”

O diretor explica que a briga entre as protagonistas, interpretadas por Vanderléia Will e Andréa Padilha, vai crescendo no decorrer da ação. “É uma comédia que fala de um assunto sério, que é a dificuldade de compartilhar e dialogar”, diz.

Em seus sete anos e meio de existência, a peça já rodou por todo o Brasil, além de passagens no exterior, em mais de 300 apresentações, segundo a assessoria de imprensa do grupo. Nuñez acredita que o sucesso se deve ao fato do espetáculo ter uma linguagem universal, que mistura gestos e números típicos do circo: “Ele pode viajar para qualquer lugar que o público vai entender!”

Nuñez conta que a peça foi surgindo enquanto o grupo já estava trabalhando: “As falas, por exemplo, sumiram depois de sete meses de trabalho. Não começamos os ensaios com a ideia fixa do que queríamos, fomos criando, improvisando, foi uma descoberta da própria peça.”

Aos longo dos anos, afirma Nuñez, o espetáculo foi se tornando mais elaborado. “A peça começou com 55 minutos e hoje tem 65, ganhou uma pequena cena nova, que é um sapateado espanhol. As atrizes também já ganharam experiência e agora trabalham com o tempo mais elaborado, atuam mais calmas.”

A reação do público também interfere nas cenas e as vezes algo inusitado é incorporado, conta Nuñez. [A peça] “É como um vinho que vai ganhando novos tons com o tempo”, diz o diretor, que planeja fazer de ‘De Malas Prontas’ um espetáculo para toda a vida, como fazem as trupes circenses.

Serviço:
De Malas Prontas
Onde: CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111 – Grande Salão
Quando: de 27 de agosto a 05 de setembro, sexta e sábados às 19h e domingo às 18h
Quanto: grátis (retirar ingressos com uma hora de antecedência)

Matéria escrita e publicada ontem no Portal da RedeTV.

Maria Alice Vergueiro e ‘As Três Velhas’

A atriz veterana Maria Alice Vergueiro, que reapareceu para o público jovem com o sucesso que o curta ‘Tapa na Pantera’ teve na web, volta aos palcos com a peça ‘As Três Velhas’, após três anos de dedicação ao projeto. Em cena com Pascoal da Conceição e Luciano Chirolli, Maria Alice também dirige o espetáculo, em cartaz em São Paulo, levando o texto do chileno Alejandro Jodorowsky aos palcos pela primeira vez.

A peça conta a história de três senhoras que vivem isoladas em uma mansão decadente, com um clima fantástico. “É um gênero misto de tragicômico, romântico e patético. O Jodorowsky tem uma narrativa em tom de fábula. A partir da história dessas velhas ele tece um estudo sobre a sociedade aristocrática em decadência. É um enredo comum, mas quando você assiste, você como espectador edita o que está acontecendo, e a peça tem jogos de maravilhas, de sedução. Não dá pra contar assim como é a peça,  só vendo, vai ver!”, convida Maria Alice.

Inédita nos teatros, Maria Alice diz que é bom encenar um texto que nunca foi montado. “Você pode inventar melhor, não tem referências.” Ela conta ainda que gostaria que Jodorowsky assistisse a peça: “o teatro só se revela na montagem, a leitura nem sempre revela o que é a peça.” Sendo também diretor de cinema e estando ocupado com filmagens, Maria Alice lamenta que o autor do texto talvez não consiga visitar São Paulo para ver a peça.

Sobre os motivos que a levaram a querer fazer ‘As Três Velhas’, Maria Alice revela que conheceu Jodorowsky em uma sessão do próprio Centro Cultural Banco do Brasil, onde a peça agora está em cartaz, quando ele veio veio falar de seus filmes. “Ele também é tarólogo e me tirou um tarô, aí fiquei curiosa para conhecer melhor o trabalho dele. E foi assim que tomei contato com a peça. Tudo o que ele escreve é muito poético e seus textos não são fechados, eles deixam espaço para o trabalho do diretor e ator.”

Esta não foi a primeira experiência de Maria Alice na direção e, para ela, o mais interessante nesse processo de dirigir e atuar ao mesmo tempo é a possibilidade de interagir com o elenco e criar a peça em conjunto. “Eu não dirijo sozinha, o elenco dá muito palpite e isso faz com que o jogo lúdico entre nós também seja uma forma de dirigir. Você pode combinar muitas coisas, mas na hora [do espetáculo] é que a ação se resolve.”

Longe dos teatros desde 2007, quando fez a peça ‘ Hilda Hilst’, a atriz, de 75 anos, revela que está cuidando de sua saúde. “A gente fica nervosa, né? Porque o teatro exige de você uma postura diária, você tem que estar inteiro, com toda a energia. Eu estou tentando cuidar da voz, falar menos e dormir bem”, diz. Ao final, ela convida: “Em vez de falarmos sobre a peça, o público [que assistir] é que vai dizer.”

‘As Três Velhas’
Onde:
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – São Paulo-SP. Informações: (11) 3113-3651/2
Quando: até 30 de outubro, sexta e sábado, 19h30. Domingo, 18h.
Quanto: R$ 15,00 (R$ 7,00 meia)

Matéria escrita e publicada terça-feira (24) no Portal da RedeTV.

 

Obs.: “As Três Velhas” reestreou dia 28/07/2011 e deve ficar em cartaz até dia 11/09 deste ano. [14/08/11]

Peça em homenagem a Machado de Assis chega a São Paulo

A peça ‘Contando Machado de Assis’, dirigida por Antônio Gilberto e com atuação de José Mauro Brant, chega nesta quinta-feira (12) à São Paulo, após dois anos em viagens pelo Brasil e uma breve passagem por Lisboa. Contruído em forma de monólogo, Brant interpreta dois contos de Machado: o célebre ‘Missa do Galo’ e ‘Mariana’, que não é tão conhecido, mas, segundo o diretor Antônio Gilberto, “é uma obra prima”.

Montado em homenagem ao centenário da morte de Machado de Assis (1839-1908) e aos seus 170 anos de nascimento (em 2009), a peça estreou no Rio de Janeiro em 2008 e, no mesmo ano, foi o representante do teatro no Colóquio Machado de Assis, promovido pela Fundação Calouste Gulberkian, em Lisboa (Portugal), além de passar por várias capitais brasileiras (como Brasília e Porto Alegre). Agora o monólogo faz sua estreia nos palcos paulistanos, com uma curta temporada na Caixa Cultural Sé neste final de semana, com entrada gratuita.

O diretor Antônio Gilberto explica que a peça reúne os contos ‘Missa do Galo’ e ‘Mariana’, mesclando-os com trechos do romance ‘Dom Casmurro’, que faz a ligação entre os contos, evitando a perda do ritmo narrativo. “O ator entre dizendo que “a vida é uma ópera”, que está em uma passagem de ‘Dom Casmurro’ e partindo disso ele vai se lembrando dos episódios contados nos contos”, esclarece.

Após costurar um discurso imaginário para o poeta espanhol Federico García Lorca na peça ‘Federico García Lorca – Pequeno Poema Infinito’, também protagonizada por José Mauro Brant, Gilberto se diz muito feliz
com a possibilidade de levar a obra de Machado de Assis ao teatro. “Nós não adaptamos o texto dele, usamos os contos como estão no livro, apenas os transportamos para a linguagem teatral.”

Gilberto conta ainda que a peça trabalha os lados narrativo e dramático presentes no texto de Machado. “A plateia assume o papel do leitor e o ator passa a ser o narrador ou os personagens”, diz.

A grande estrela da peça, no entanto, é o texto de Machado de Assis, como Gilberto faz questão de destacar: “o público tem saídos das sessões querendo ler mais coisas dele. As pessoas me dizem que perceberam pela peça que machado é legal. E é uma grande alegria ouvir isso.”

Matéria escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.

Começa o mês islâmico do Ramadã

A partir desta quarta-feira (11), e até o dia nove de setembro, os adeptos do islamismo iniciam um mês de jejum e devoção à Deus: é o início do Ramadã, o nono mês do calendário islâmico (um calendário lunar 11 dias mais curto que o tradicional calendário solar de 365 dias, fato que faz com que a data dos feriados islâmicos varie a cada ano em relação ao calendário solar).
O Sheik Jihad Hassan, presidente do Conselho de Ética da União Nacional das Entidades Islâmicas, explica que, nesse mês, “Deus determinou que os muçulmanos jejuassem, deixassem de comer e beber líquidos e deixassem de ter relações sexuais da alvorada até o pôr do sol.” O jejum, porém, é apenas o sacrifício físico realizado, ele completa, “o Ramadã é um mês de reflexão, de descanso das coisas ruins, ele ensina paciência e prega a transformação física, mental e espiritual.”

Presente no Alcorão como uma das obrigações dos seguidores de Alá, Hassan explica que o Ramadã é um mês celebrado através do jejum: “essa prática é a adoração mais sincera a Deus, porque você pode fazer qualquer coisa apenas para agradar os outros, mas não tem como você mostrar que está de jejum. Ele é secreto, fica entre você e Deus.”

Muito fiéis viajam à Meca durante este mês para orar e, fechando esses 30 dias de devoção, há um feriado e é realizada uma grande cerimônia religiosa em Meca, que é seguida de uma confraternização entre toda a comunidade islâmica.

Quando se fala em jejum, muito imaginam que seja um mês triste, sem almoços em família ou encontros de amigos. No entanto, Hassan conta que “o jejum ensina o não desperdício, mas existe a fartura. No mês do Ramadã as famílias se convidam para jantar, são feitos pratos árabes típicos, como kibe cru, pasta de homus e esfihas. As confraternizações são muito frequentes e fortalecem os laços de amizade e parentesco [entre a comunidade islâmica].”

Matéria escrita e publicada ontem no Portal da RedeTV.