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FLIP: Moser e Zilly discutem papel da literatura brasileira no exterior

Na última mesa dedicada a discussões da FLIP 2010, americano Benjamin Moser e o alemão Berthold Zilly (foto) debateram o papel da literatura brasileira e sua penetração no exterior. Ambos tem uma relação muito forte com o Brasil, falam um português fluente e acreditam que o Brasil precisa se divulgar melhor.

Moser, biógrafo de Clarisse Lispector, acredita que a melhor forma de fazer com que um estrangeiro se interesse pelo nosso país é trazê-lo para cá. “O Brasil é um país muito fácil de se gostar, tem muita coisa atraente. Quem vem aqui sempre gosta!”, explica o americano que se interessou por nosso país ao ler ‘A Hora da Estrela’ [de Clarisse Lispector].

O encanto para Zilly veio com ‘Os Sertões’ [de Guimarães Rosa], em 1968. Hoje ele leciona no Instituto Latino-Americano da Universidade Livre de Berlim e afirma que a literatura tem um importante papel na construção da imagem de nosso país no exterior. “A literatura não deve ser funcional, mas ela tem condições de desconstruir a imagem negativa que o Brasil tem lá fora.”

Tendo tido acesso a grandes obras de nossa literatura, o mediador Claudiney Ferreira lembra que muitos estrangeiros conhecem apenas nomes como o de Paulo Coelho, muito mal visto por nossa crítica literária. Falando do autor, Moser disse que os brasileiros não precisam ter vergonha por ele ser brasileiro. “Ele é o segundo autor mais lido no mundo, e é lido no exterior como qualquer outro autor de ficção. Se nós [os norte-americanos] tivéssemos vergonha de toda a merda cultural que a gente esporta…”, falou, divertindo a plateia e deixando uma reflexão no ar.

Zilly destacou que a literatura brasileira se distingue pela grande riqueza de culturas: “O Brasil tem em si uma mistura de países, índios, italianos, japoneses… É um país muito rico. A oralidade também é muito presente na literatura brasileira e isso traz uma riqueza fantástica.” Apaixonado pela nossa língua, o alemão comentou que o português é uma língua maravilhosa “porque te dá carinho! É uma língua que te acolhe, ela é gostosa de falar.”

Fechando um dia inspirado nas palestras e mediadores, Moser e Zilly só fizeram elogios à nossa literatura e criticaram a imagem que o nosso país vende de si mesma. “O Brasil não é só futebol, carnaval e belas mulheres”, destacou Zilly.

Matéria escrita e publicada domingo (08) no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

FLIP: Carola Saavedra e Wendy Guerra querem romper com o siêncio do mundo

Foi nervosa que a chilena naturalizada brasileira Carola Saavedra iniciou neste domingo (08) sua participação em uma das últimas mesas da FLIP. Dividindo o palco com a cubana Wendy Guerra, Carola leu um trecho de seu novo livro, ‘Paisagem com dromedário’, e agradeceu a possibilidade de estar em uma cidade que, ao te obrigar a caminhar atentamente pelo calçamento de pedras, te faz pensar e refletir sobre o ambiente que te cerca.
Em uma mesa intitulada ‘Cartas, diários e outras subversões’, Wendy Guerra contou suas experiências com a escrita de diários, prática que sustenta desde os 7 anos. Ela contou que gosta de usar diferentes tipos de material para criar suas histórias, como arquivos sonoros, obras de artes plásticas e outros recursos que, colocados no papel, enriquecem a experiência do leitor.

Carola comentou, ainda falando sobre o uso de materiais diversificados, que acredita que o papel do artista seja justamente o de perceber o que outros não viram e contar essas visões que tem de um mundo que está a mostra para quem quiser vê-lo, mas que muitos não são capazes de enxergar. “O artista deve ser aquele que consegue acessar algo novo no mundo, algo que não está óbvio”, disse.

Falando de sua obra, a brasileira disse que, muitas vezes, “o escritor quer recuperar a verdade de um mundo que já não tem verdade”. O grande tema, para ela, é o amor e sua falta, sua busca, e as razões que levam as pessoas a sempre recomeçarem, apesar das quedas amorosas. “Acredito que a incomunicabilidade presente nas relações afetivas e amorosas é uma das grandes motivações da vida humana.”

O mediador da mesa, o também escritor João Paulo Cuenca, lembrou que os livros de Wendy Guerra tem uma grande incomunicabilidade com relação ao povo cubano, que não sabe que ela é escritora, uma vez que suas obras não estão publicadas em Cuba, apenas em outros países. Ela explicou ao público que, para ser publicado em seu país, é preciso esperar uma fila de outros nomes mais conhecidos. Além disso, para a escritora, em Cuba há um muro invisível no mar, já que ninguém pode andar de barco na ilha. Muro este que, com sua arte, Wendy diz que busca romper.

Neste seu último livro, Carola tem uma personagem que vive em uma ilha, buscando se recuperar de perdas amorosas. Wendy brincou com a brasileira dizendo que poderia ser uma se suas personagens: “eu vivo em uma ilha de verdade!”, contou. Carola concordou e disse que sua personagem também é uma artista, que vive em busca da simplicidade da vida, embora precise do mundo artístico.

Matéria escrita e publicada domingo (08) no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

FLIP: Organizadores comemoram acertos da 8ª edição

Na coletiva de encerramento da FLIP 2010, os organizadores destacaram que o evento superou suas expectativas. O curador do evento, Flávio Moura, se mostrou surpreendido com o sucesso da arriscada homenagem à Gilberto Freyre.

Sobre os convidados, Moura comemorou a integração entre autores. “Ninguém sabia se a conversa entre Azar Nafisi e o A. B. Yehoshua daria certo e foi ótimo!” O curador lembrou ainda mesas que debateram entre si, como as de Rushdie e Terry Eagleton.

Sobre a participação de Robert Crumb no evento, Moura acredita que sua participação ficou muito além do esperado. “Conseguimos trazer uma lenda vida para Paraty e ele de fato falou com o público. É algo sensacional que a FLIP pode oferecer, essa integração entre autores e leitores.”

Geralmente realizada em julho, o evento mudou para agosto neste ano devido à Copa do Mundo. O público estimado de 2010 foi de 15 a 20 mil pessoas, incluindo os paratienses que participaram da Festa. Menores que os números do ano passado (estimados entre 20 e 25 mil pessoas), o organizador do evento, Mauro Munhoz, disse que a diminuição é até uma vantagem: “É muita gente para uma cidade tão pequena. Pensamos até em mudar a festa para o final de junho se acharmos que ano que vem viram muitas pessoas.”

A FLIP 2010 teve uma mesa que discutiu o papel da cidade de Paraty na formação autores e no incentivo à cultura. Munhoz ressalta que a cidade tem uma história muito grande de turismo cultural. “Aqui tem muitos artistas, pintores, atêlies. O próprio cinema novo passou por Paraty.” Uma ideia macro da FLIP e de seus parceiros, destaca Munhoz, é transformar Paraty em um pólo do turismo cultural.

Matéria escrita e publicada domingo (08) no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

FLIP: Estudiosos debatem importância da mestiçagem estudada por Freyre

Na última mesa da FLIP a discutir a obra de Gilberto Freyre, o homenageado desta Festa, os estudiosos José de Souza Martins, Peter Burke e Hermano Vianna, mediados pelo escritor Benjamin Moser, conversaram sobre a importância da obra do autor de ‘Casa Grande & Senzala’, que, para eles, permanece atual em seus estudos sobre mestiçagem.
O historiador britânico Peter Burke disse, em um português que agradou ao público, que a obra de Freyre vai muito além do simples estudo da mestiçagem, ele analisa a vida cultural brasileira em detalhes, contando minúcias do cotidiano nacional durante a colonização.

Já o sociólogo brasileiro José de Souza Martins acredita que a grande questão em Freyre é a racial. Para Souza, Freyre teve o mérito de estudar a diferença que existia entre os próprios negros dentro do antigo sistema colonial: os senhores de escravos selecionavam quais negros iriam adentrar à casa grande e quais continuariam na senzala, uma vez que vieram para o Brasil vários tipos de escravos, alguns mais instruídos que seus senhores.

Souza lembrou ainda que o Brasil é baseado em uma diversidade cultural que vai muito além das três raças frequentemente citadas (branco, índio, negro), lembrando que, sem o inhangatu, nós “não estariamos aqui em Paraty, nem iríamos de um bairro a outro de São Paulo”, referindo-se aos nomes indígenas de cidades e bairros.

Falando da rivalidade muitas vezes lembrada entre a USP (Universidade de São Paulo), à qual pertence, e Freyre, Souza falou que tal oposição é muitas vezes forjada. “São estudos diferentes. Freyre incorpora o imaginário na discussão sociológica, a USP é mais sisuda. Freyre coloca suas próprias lembranças na discussão. Ele nasceu 12 anos após a abolição da escravidão, então chegou a conversar com ex-escravos, conviveu com eles. Freyre era um documento vivo!”, brinca.

Entrando um pouco tarde na discussão, o antropólogo Hermano Vianna contou que Gilberto Freyre sempre foi “uma grande caixa d’água” para ele, da qual bebeu em diversos momentos diferentes. “Os estudos de Freyre sobre samba me inspiraram a escrever meu doutorado [que deu origem ao livro ‘O mistério do samba’].”

Vianna acredita que o elogio da mestiçagem em Freyre não deve ser usado para justificar os preconceitos presentes na sociedade brasileira. “Ele nunca falou sobre Democracia Racial. Isto foi usado para esconder o racismo existente sob a idéia de mestiçagem. Acho que Freyre é muitas vezes mal interpretado.”

Matéria escrita e publicada domingo (08) no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

FLIP: Crumb e Shelton protagonizam mesa bem humorada

Obrigados pelas esposas a participarem da FLIP, os quadrinistas Robert Crumb e Gilbert Shelton divertiram a plateia que lotou ambas as tendas do evento (autores e telão), com piadas, elogios ao Brasil e expressões estranhas (grunhidos, contorções na cadeira – esquisitices típicas de Crumb, diriam os fãs).

Amigos há 40 anos, Crumb diz que não se lembra bem de quando conheceu Shelton. “Eu devia estar fumando muito”, brincou Crumb, que contou que conhecia o trabalho do colega antes deles se conhecerem, se tornarem amigos e colegas de trabalho. Shelton lembrou que no começo era difícil trabalhar, não favia dinheiro e era sempre muito trabalho. Apesar disso, Crumb, saudosista, soltou um “ah, aqueles eram os dias!”

Ambos os quadrinistas foram amigos de Janis Joplin nos anos 60 e, anti-sociais que são, não gostam muito de falar sobre a cantora. Mas, interrogado pelo mediador Sérgio Dávila, Crumb respondeu rindo que Janes Joplin ainda estaria viva hoje se tivesse largado a música folk.

Felizes com a oportunidade de conhecer o Brasil e aproveitando a liberdade oferecida pela idade, os quadrinistas não pouparam elogios às mulheres brasileiras. “O Brasil é a terra prometida se você gosta de bundas grandes”, disse Crumb, que chamou o amigo de tímido por ele estar calado. Reagindo, Shelton foi mais discreto ao dizer que “as mulheres brasileiras são muito gentis, altas e morenas”.

Sobre sua obra mais conhecida, a versão ilustrada do ‘Gênesis’, Crumb afirmou ter ficado fascinado com as histórias: “Primeiro achei que podia fazer uma sátira, mas as historias são tão estranhas, que eu só as ilustrei”, contou, sempre muito bem humorado.

A certa altura, a esposa de Crumb e também quadrinista Aline Kominsky subiu ao palco, se dizendo feliz com o convite “após ter sido desprezada por 40 anos!”. Embora tenha desviado a conversa para o casal Crumb-Aline e entediado o já calado Gilbert Shelton, a participação mostrou um pouco da dinâmica de trabalho do casal. A quadrinista contou que os fãs de Crumb a odiavam: “ele escreviam cartas para ele me tirar da página”, contou rindo.

Com falhas na mediação, a participação de Aline quebrou o ritmo da mesa e desviou ainda mais a atenção de Shelton que, além de menos conhecido pelo público presente ao evento, é também muito calado e, durante a mesa, apenas citou seus trabalhos ‘Fritz, the Cat’ e os ‘Freak Brothers’.

Matéria escrita e publicada sábado (07) no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

FLIP: Terry Eagleton acredita que Deus voltou à pauta de discussões

Em sua mesa na FLIP neste sábado (07), o crítico cultural britânico Terry Eagleton fez sevéras críticas ao “ateísmo fanático” do biólogo evolucionista Richard Dawkins, que esteve na FLIP 2009, e de quem o estudioso é um opositor intelectual. Eagleton acredita que ainda há espaço para a fé, apesar de sua falta ser um fenômeno “inerente ao capitalismo”.

O crítico dialogou com as ideias de Dawkins e também do jornalista Christopher Hitchens sobre Deus. Eagleton afirmou que o problema em Dawkins é que ele “afirma erradamente que toda fé é cega, mas esquece que todo ser humano tem fé em algo”, o biólogo, continua, não simplesmente desconfia de Deus, ele zomba daqueles que tem fé Nele. A Hitchens, por outro lado, ele poupou críticas e se mostrou bem respeitoso: “Ele é objetivo, ele acha que a religião é uma coisa nojenta, mas respeita quem acredita nela.”

O mediador da conversa, Silio Boccanera, apresentou Eagleton dizendo que ele já foi chamado de punk, rebelde e é comumente rotulado como “uma mistura mortal de católico e marxista”. Ao longo da mesa, o crítico reagiu aos rótulos à altura, afirmando que “antes de dizer que a religião é o ópio do povo, Marx disse que a religião é o coração de um mundo sem coração.”

Em uma das grandes discussões da FLIP 2010, o britânico disse que “os ateus não foram confrontados com uma versão de cristianismo que pudessem aceitar”. Para ele, a religião é uma questão de respeito, que deve fugir e evitar fanatismo e fundamentalismos.

Matéria escrita e publicada sábado (07) no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

FLIP: Salmon Rushdie diz que prefere deuses mortos

Há 21 anos, quando publicou o livro ‘Os Versos Satânicos’, Salmon Rushdie foi acusado de incentivar a desistência do islamismo, foi perseguido e teve até livros queimados. Na noite desta sexta-feira, em uma das mais concorridas mesas da FLIP, o escritor indiano conversou com o público sobre sua obra, sem deixar política e religião de lado.

Lançando ‘Luka e o fogo da vida’ mundialmente em Paraty, Rushdie pediu, logo no começo da mesa, que seu filho, em quem se inspirou para escrever o livro, subisse ao palco e fez um agradecimento público ao menino de 13 anos citando a importância de obras dedicadas a crianças reais, como ‘Alice’ e ‘Peter Pan’.

Falando sobre seus ideais, Rushdie contou que, a certo ponto, percebeu que devia escrever sobre os princípios nos quais acredita, e não sobre aqueles que é contra. Ele afirmou que tem pensado sobre questões como o fundamentalismo há muito tempo, mesmo antes de querer ser escritor. “Se você nasce na Índia, você vive em um ambiente de violência extrema. Eu assisti o crescimento do fundamentalismo, muito antes dele vir na minha direção”, afirmou.

Rushdie acrescentou que, nos Estados Unidos, muitos com quem conversou se surpreenderam quando ele disse que não tinha religião. “Na Europa isso já uma coisa normal, mas nos EUA todos ficaram surpresos.” Para o indiano, os deuses se tornam mais interessantes quando morrer, “porque se transformam em mitos, histórias com narrativas fascinantes”, referindo-se à mitologia grega. Rushdie acredita que o problema dos extremistas de hoje é que “seus deuses ainda estão vivos. Seria bom que esses deuses morressem, para se transformarem em narrativas, e pessoas pararem de morrer em seu nome.”

Apesar dos problemas que teve com os radicais islâmicos, Rushdie evitou críticas excessivas ao Irã, citando a fala de Azar Nafisi na mesa anterior à sua, e disse apenas que “as pessoas no Irã devem mudar o sistema em que vivem”. “Eu não estou aqui para falar de política, mas sim de um livro”, finalizou.

Premiado com a medalha de cavalheiro pela rainha da Inglaterra, Rushdie disse que um escritor precisa “ver tão claro quanto ele puder e dizer as coisas nas quais acredita, mesmo que as pessoas não gostem.” Sobre o país natal, que deixou aos 13 anos, o escritor (que vive na Inglaterra) disse que a Índia é sempre sua inspiração: “minha família está toda lá e o tipo de história que escrevo hoje é resultado das histórias que cresci ouvindo na Índia”, afirmou, acrescentando que seu país ainda precisa lidar com uma grande desigualdade social.

Aproveitando a viagem ao Brasil, o indiano confessou ter roubado ideias de Machado de Assis, de quem disse ser grande fã. Do argentino Jorge Luís Borges, ele contou, rindo, que precisou se controlar para não copiar o estilo da escrita. O indiano revelou que se irrita quando lhe perguntam os motivos pelos quais escreve: “não gosto de ter de estar sempre explicando”.

Matéria escrita e publicada sexta-feira (06) no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

FLIP: Azar Nafisi, Yehoshua e o papel da literatura na sociedade

Na tarde desta sexta-feira (06), a iraniana Azar Nafisi e o israelense A. B. Yehoshua se reuniram para conversar durante mais uma mesa da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Mediada pelo escritor brasileiro Moacyr Scliar, os dois escritores provenientes do Oriente Médio discutiram o papel da escrita nas sociedades modernas, política e fanatismos religiosos.

Mundialmente famosa por ‘Lendo Lolita em Teerã’, Nafisi falou que, com seu novo livro, ‘O que eu não contei’, buscou entender seu país e resgatar as memórias esquecidas após ter se auto-exilado nos Estados Unidos. Para além das simples questões políticas, Nafisi acredita que “o papel da literatura é revelar a verdade, ela subverte a política”.

Em uma mesa marcada ela militância pacifista dos dois autores, Yehoshua disse que a questão da moralidade é algo essencial à toda literatura. “Nos últimos 50 anos, a literatura tem se afastado desse papel de questionar a moral das sociedades. Se você deixa isso de fora, perde-se a chance de analisar a sociedade e repensá-la.”

O clima político e de crítica ao atual governo iraniano predominou durante a mesa. Nafisi foi dura ao condenar as leis radicais que permitem, por exemplo, que mulheres sejam apedrejadas ou que senhores de 80 anos se casem com quantas meninas quiserem. Apesar disso, a escritora se disse esperançosa com o futuro de seu país. “Acredito que o Irã será um modelo de mudança. O Irã é o Leste Europeu de amanhã”, previu.

Yehoshua reforçou as ideias de Nafisi, afirmando que o Irã é um país com uma grande cultura de importância milenar. Ele reforçou a questão da moral nos livros, afirmando que “inserir moral nos livros é a única forma de combater os fundamentalismos [de qualquer tipo, não só os religiosos]”.

Matéria escrita e publicada sexta-feira (06) no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

FLIP: Isabel Allende ofusca lançamento de livro do marido

A Casa de Cultura promoveu nesta sexta-feira (06) o lançamento do novo livro de William Gordon, ‘O Anão’. Tudo seria muito padrão, uma típica conversa entre autor e público seguida de uma fila para autógrafos, não fosse o autor em questão casado com a “dominatrix” Isabel Allende, como ele próprio brinca.

A escritora chilena decidiu acompanhar o marido ao evento e os dois acabaram protagonizando uma divertida troca de declarações de amor em frente a um público que se divertiu com cada elogio trocado entre ambos.

Gordon escreve livros policiais e, neste novo título, decidiu finalmente dar vida a um personagem que tem em mente há muitos anos, desde que escreveu “um péssimo romance”, como o classifica Allende, sempre bem humorada. O anão que protagoniza este livro era, segundo Allende, o personagem mais detestável do romance que Gordon descartou devido à desaprovação da esposa.

O casal fez revelações que divertiram a plateia. Allende disse que seu marido não consegue escrever por mais de 11 minutos. “Na verdade, ele não faz nada por mais de 11 minutos, nem o amor!”, disse. Envergonhado, ele se defendeu dizendo que escreve durante 11 minutos várias vezes por dia, comparando-se às 14 horas que a esposa diz passar escrevendo.

A presença de Allende, anunciada em cima da hora, acabou ofuscando o lançamento do livro de seu marido, sem dúvida menos prestigiado que a chilena. Ele revelou que não seria escritor sem o incentivo dela e, sem dúvida, sua mesa teria menos ibope não fosse pela presença de Isabel Allende.

Matéria escrita e publicada sexta-feira (06) no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

FLIP: Especialistas acreditam que futuro do livro é empolgante

Na segunda mesa da FLIP a discutir a história dos livros, o historiador Robert Darnton, responsável pela digitalização do acervo da biblioteca de Harvard, e John Makinson, CEO da Editora Penguin, pioneira no mercado de livros digitais, falaram sobre o futuro do livro e as adaptações pelas quais deve passar para sobreviver.

Retomando a discussão iniciada ontem com o historiador Peter Burke, Darnton voltou a defender que o livro precisa se adaptar se quisermos preservar a prática da leitura, defendida por todos, para além da plataforma em que se encontre o conteúdo lido.

A mesa anterior buscou discutir o começo do livro, os exemplares raros e as subversões realizada pela sociedade na literatura. Desta vez, a conversa girou em torno das previsões feitas pelos dois especialistas para este item tão precioso ao público da FLIP. Nenhum dos dois acredita no fim do livro como forma de transmissão de conhecimento, mas, da forma como o conhecemos hoje, talvez ele já não exista em alguns anos.

Makinson acredita que com os livros digitais, os chamados e-books, é possível enriquecer o conteúdo oferecido aos leitores. “Em um e-book de história da segunda guerra mundial, por exemplo, é possível inserir trechos de documentários sobre o tema que dão ao leitor uma visão mais ampla do assunto. Coisas que não são possíveis no livro impresso.” Darnton completa o pensamento do colega de mesa: “o futuro da edição empolgante!”

Matéria escrita e publicada sexta-feira (06) no Portal da RedeTV.