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Peça ‘O Falecido’

A peça ‘O Falecido’, em cartaz no Teatro N.Ex.T, prorrogou sua temporada em São Paulo até o final de outubro. Junção de duas peças menores, a comédia uniu os textos de ‘Amor à vista’ e ‘O Falecido’ propriamente dito, respectivamente, com 20 e 40 minutos cada.

A primeira peça fala de um casamento e a segunda de um velório, “é um espetáculo sobre rituais muito marcados em nossa cultura. Uma peça não tem relação direta com a outra, mas as duas juntas se completam”, diz Antonio Rocco, diretor e autor de ambos os textos.

Rocco comemora o sucesso da peça: “Escrevi o texto há 10 anos, montamos em 2002 e ficou um ano em cartaz!” Ele diz ainda que o estetáculo tem um humor direto, sem apelações: “É um humor na surpresa, porque a única coisa que o teatro não pode ser é chato. [Na peça] Há surpresas o tempo todo e um jogo de palavras que é a principal base da comicidade da peça.”

O autor acredita que a missão de sua peça é “fazer rir”. Em relação à primeira versão da peça [de 2002], mudou o elenco, mas o texto “continua basicamente o mesmo, tirando por algumas intervenções que acontecem no processo de criação artística do palco”, diz Rocco, que convida o público: “Pode vir sem susto que você vai se divertir”.

Serviço:
Onde:
Teatro Next. Rua Regos Freitas, 454, Vila Buarque, São Paulo-SP. Informações: (11) 3259 -9636
Quando: Até 31 de outubro, sextas e sábados às 21h30 e domingos às 19h30
Quanto: R$30 (R$15 a meia)

Matéria escrita e publicada quarta-feira (25) no Portal da RedeTV.

Peça ‘De Malas Prontas’ usa linguagem circense para divertir o público

Sem diálogos, a peça ‘De Malas Prontas’ assume a missão de fazer rir com o uso da linguagem corporal e de números circences. O espetáculo, na estrada desde 2003, estreia nesta sexta-feira (26) em São Paulo e conta a história de duas mulheres que se desentendem enquanto disputam o banco de um aeroporto.

“É uma comédia sem palavras”, explica o espanhol Pepe Nuñez, que assina a direção da peça: “Ela parte de uma situação bem simples: duas mulheres que têm que compartilhar o banco na sala de espera de um aeroporto. Usamos intenções corporais através das quais o público vai fazendo sua leitura [do que se passa].”

O diretor explica que a briga entre as protagonistas, interpretadas por Vanderléia Will e Andréa Padilha, vai crescendo no decorrer da ação. “É uma comédia que fala de um assunto sério, que é a dificuldade de compartilhar e dialogar”, diz.

Em seus sete anos e meio de existência, a peça já rodou por todo o Brasil, além de passagens no exterior, em mais de 300 apresentações, segundo a assessoria de imprensa do grupo. Nuñez acredita que o sucesso se deve ao fato do espetáculo ter uma linguagem universal, que mistura gestos e números típicos do circo: “Ele pode viajar para qualquer lugar que o público vai entender!”

Nuñez conta que a peça foi surgindo enquanto o grupo já estava trabalhando: “As falas, por exemplo, sumiram depois de sete meses de trabalho. Não começamos os ensaios com a ideia fixa do que queríamos, fomos criando, improvisando, foi uma descoberta da própria peça.”

Aos longo dos anos, afirma Nuñez, o espetáculo foi se tornando mais elaborado. “A peça começou com 55 minutos e hoje tem 65, ganhou uma pequena cena nova, que é um sapateado espanhol. As atrizes também já ganharam experiência e agora trabalham com o tempo mais elaborado, atuam mais calmas.”

A reação do público também interfere nas cenas e as vezes algo inusitado é incorporado, conta Nuñez. [A peça] “É como um vinho que vai ganhando novos tons com o tempo”, diz o diretor, que planeja fazer de ‘De Malas Prontas’ um espetáculo para toda a vida, como fazem as trupes circenses.

Serviço:
De Malas Prontas
Onde: CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111 – Grande Salão
Quando: de 27 de agosto a 05 de setembro, sexta e sábados às 19h e domingo às 18h
Quanto: grátis (retirar ingressos com uma hora de antecedência)

Matéria escrita e publicada ontem no Portal da RedeTV.

Maria Alice Vergueiro e ‘As Três Velhas’

A atriz veterana Maria Alice Vergueiro, que reapareceu para o público jovem com o sucesso que o curta ‘Tapa na Pantera’ teve na web, volta aos palcos com a peça ‘As Três Velhas’, após três anos de dedicação ao projeto. Em cena com Pascoal da Conceição e Luciano Chirolli, Maria Alice também dirige o espetáculo, em cartaz em São Paulo, levando o texto do chileno Alejandro Jodorowsky aos palcos pela primeira vez.

A peça conta a história de três senhoras que vivem isoladas em uma mansão decadente, com um clima fantástico. “É um gênero misto de tragicômico, romântico e patético. O Jodorowsky tem uma narrativa em tom de fábula. A partir da história dessas velhas ele tece um estudo sobre a sociedade aristocrática em decadência. É um enredo comum, mas quando você assiste, você como espectador edita o que está acontecendo, e a peça tem jogos de maravilhas, de sedução. Não dá pra contar assim como é a peça,  só vendo, vai ver!”, convida Maria Alice.

Inédita nos teatros, Maria Alice diz que é bom encenar um texto que nunca foi montado. “Você pode inventar melhor, não tem referências.” Ela conta ainda que gostaria que Jodorowsky assistisse a peça: “o teatro só se revela na montagem, a leitura nem sempre revela o que é a peça.” Sendo também diretor de cinema e estando ocupado com filmagens, Maria Alice lamenta que o autor do texto talvez não consiga visitar São Paulo para ver a peça.

Sobre os motivos que a levaram a querer fazer ‘As Três Velhas’, Maria Alice revela que conheceu Jodorowsky em uma sessão do próprio Centro Cultural Banco do Brasil, onde a peça agora está em cartaz, quando ele veio veio falar de seus filmes. “Ele também é tarólogo e me tirou um tarô, aí fiquei curiosa para conhecer melhor o trabalho dele. E foi assim que tomei contato com a peça. Tudo o que ele escreve é muito poético e seus textos não são fechados, eles deixam espaço para o trabalho do diretor e ator.”

Esta não foi a primeira experiência de Maria Alice na direção e, para ela, o mais interessante nesse processo de dirigir e atuar ao mesmo tempo é a possibilidade de interagir com o elenco e criar a peça em conjunto. “Eu não dirijo sozinha, o elenco dá muito palpite e isso faz com que o jogo lúdico entre nós também seja uma forma de dirigir. Você pode combinar muitas coisas, mas na hora [do espetáculo] é que a ação se resolve.”

Longe dos teatros desde 2007, quando fez a peça ‘ Hilda Hilst’, a atriz, de 75 anos, revela que está cuidando de sua saúde. “A gente fica nervosa, né? Porque o teatro exige de você uma postura diária, você tem que estar inteiro, com toda a energia. Eu estou tentando cuidar da voz, falar menos e dormir bem”, diz. Ao final, ela convida: “Em vez de falarmos sobre a peça, o público [que assistir] é que vai dizer.”

‘As Três Velhas’
Onde:
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – São Paulo-SP. Informações: (11) 3113-3651/2
Quando: até 30 de outubro, sexta e sábado, 19h30. Domingo, 18h.
Quanto: R$ 15,00 (R$ 7,00 meia)

Matéria escrita e publicada terça-feira (24) no Portal da RedeTV.

 

Obs.: “As Três Velhas” reestreou dia 28/07/2011 e deve ficar em cartaz até dia 11/09 deste ano. [14/08/11]

Peça em homenagem a Machado de Assis chega a São Paulo

A peça ‘Contando Machado de Assis’, dirigida por Antônio Gilberto e com atuação de José Mauro Brant, chega nesta quinta-feira (12) à São Paulo, após dois anos em viagens pelo Brasil e uma breve passagem por Lisboa. Contruído em forma de monólogo, Brant interpreta dois contos de Machado: o célebre ‘Missa do Galo’ e ‘Mariana’, que não é tão conhecido, mas, segundo o diretor Antônio Gilberto, “é uma obra prima”.

Montado em homenagem ao centenário da morte de Machado de Assis (1839-1908) e aos seus 170 anos de nascimento (em 2009), a peça estreou no Rio de Janeiro em 2008 e, no mesmo ano, foi o representante do teatro no Colóquio Machado de Assis, promovido pela Fundação Calouste Gulberkian, em Lisboa (Portugal), além de passar por várias capitais brasileiras (como Brasília e Porto Alegre). Agora o monólogo faz sua estreia nos palcos paulistanos, com uma curta temporada na Caixa Cultural Sé neste final de semana, com entrada gratuita.

O diretor Antônio Gilberto explica que a peça reúne os contos ‘Missa do Galo’ e ‘Mariana’, mesclando-os com trechos do romance ‘Dom Casmurro’, que faz a ligação entre os contos, evitando a perda do ritmo narrativo. “O ator entre dizendo que “a vida é uma ópera”, que está em uma passagem de ‘Dom Casmurro’ e partindo disso ele vai se lembrando dos episódios contados nos contos”, esclarece.

Após costurar um discurso imaginário para o poeta espanhol Federico García Lorca na peça ‘Federico García Lorca – Pequeno Poema Infinito’, também protagonizada por José Mauro Brant, Gilberto se diz muito feliz
com a possibilidade de levar a obra de Machado de Assis ao teatro. “Nós não adaptamos o texto dele, usamos os contos como estão no livro, apenas os transportamos para a linguagem teatral.”

Gilberto conta ainda que a peça trabalha os lados narrativo e dramático presentes no texto de Machado. “A plateia assume o papel do leitor e o ator passa a ser o narrador ou os personagens”, diz.

A grande estrela da peça, no entanto, é o texto de Machado de Assis, como Gilberto faz questão de destacar: “o público tem saídos das sessões querendo ler mais coisas dele. As pessoas me dizem que perceberam pela peça que machado é legal. E é uma grande alegria ouvir isso.”

Matéria escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.