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A Árvore da Vida

Eu não entendi muito bem o filme (ou, para ser honesta, não entendi quase nada). Nem sei exatamente quem é o personagem do Sean Penn [o IMDB e todas as críticas dizem que ele é Jack, o filho mais velho da família retratada, mas eu não me lembro disto ter ficado claro – saí do cinema achando que ele pudesse ser o filho do meio].

Se alguém me perguntar, eu também não sei dizer ao certo sobre o que é a história. Mas achei “A Árvore da Vida” (The Tree of Life) um filme lindo.

Ontem fui ler sobre o filme, algo que não fiz antes de vê-lo [pois gosto de ir ao cinema meio às cegas, como já disse por aqui]. Gostei das críticas positivas do Último Segundo e do Zanin (do Estadão), embora me pergunte como eles perceberam algumas coisas.

Das críticas negativas que li, gostei desta frase do texto do Eduardo Escorel: “Quem quiser insistir e continuar assistindo “A árvore da vida” será premiado com a expressão de angústia de Sean Penn (provocada, talvez, por não saber o que está fazendo no filme).” [Mas discordo de todo o resto do texto]

A fotografia do longa é impecável e as relações familiares ali retratadas, tocantes – mesmo que alguns detalhes da trama não sejam claros. Eu nunca tinha gostado de um filme que não tivesse entendido, mas, neste caso, não deu para resistir. Do mais, o ator Laramie Eppler, que interpreta o filho mais novo do casal, parece um Brad Pitt poket.

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Veja quais longas podem disputar o Oscar de filme estrangeiro

65 países disputam uma vaga para concorrer ao Oscar de filme estrangeiro em 2011. A lista, divulgada hoje, inclui países que nunca tentaram a vaga, como Etiópia e Groenlândia.

Este ano, o Brasil tenta chegar ao Oscar com o filme ‘Lula, o Filho do Brasil’, dirigido por Fábio Barreto e que conta a tragetória do presidente e sua mãe enquanto Lula era criança e até se tornar metalúrgico.

No dia 25 de janeiro de 2011 serão divulgados os cinco candidatos que vão concorrer ao Oscar de filme estrangeiro e a cerimônia de entrega acontece no dia 27 de fevereiro.

Entre os favoritos estão o tailandês ‘Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives’ (Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas, em tradução livre), de Apichatpong Weerasethakul, que venceu a Palma de Ouro de Cannes este ano; o argentino ‘Abutres’, de Pablo Trapero (de ‘Leonera’), e o mexicano ‘Biutiful’, de Alejandro Gonzalez Inarritu (de ‘Babel’ e ’21 gramas’).

Confira a lista completa:

Albânia
“East, West, East”, de Gjergj Xhuvani

Algéria
“Hors la Loi” (“Outside the Law”), de Rachid Bouchareb

Argentina
“Abutres” (“Carancho”), de Pablo Trapero, estreia no Brasil em 26/11

Áustria
“La Pivellina”, de Tizza Covi e Rainer Frimmel

Azerbaijão
“The Precinct”, de Ilgar Safat

Bangladesh
“Third Person Singular Number”, de Mostofa Sarwar Farooki

Bélgica
“Illegal”, de Olivier Masset-Depasse

Bósnia-Herzegovina
“Circus Columbia”, de Danis Tanovic

Brasil
“Lula, o Filho do Brasil”, de Fábio Barreto

Bulgária
“Eastern Plays”, de Kamen Kalev

Canadá
“Incendies”, de Denis Villeneuve

Chile
“The Life of Fish”, de Matias Bize

China
“Aftershock”, de Feng Xiaogang

Colômbia
“Crab Trap”, de Oscar Ruiz Navia

Costa Rica
“Of Love and Other Demons”, de Hilda Hidalgo

Croácia
“The Blacks”, de Goran Devic e Zvonimir Juric

República Tcheca
“Kawasaki’s Rose”, de Jan Hrebejk

Dinamarca
“In a Better World”, de Susanne Bier

Egito
“Messages from the Sea”, de Daoud Abdel Sayed

Estônia
“The Temptation of St. Tony”, de Veiko Ounpuu

Etiópia
“The Athlete”, de Davey Frankel e Rasselas Lakew

Finlândia
“Steam of Life”, de Joonas Berghall e Mika Hotakainen

França
“Of Gods and Men”, de Xavier Beauvois

Georgia
“Street Days”, de Levan Koguashvili

Alemanha
“When We Leave”, de Feo Aladag

Grécia
“Dogtooth”, de Yorgos Lanthimos

Groenlândia
“Nuummioq”, de Otto Rosing e Torben Bech

Hong Kong
“Echoes of the Rainbow”, de Alex Law

Hungria
“Bibliotheque Pascal”, de Szabolcs Hajdu

Islândia
“Mamma Gogo”, de Fridrik Thor Fridriksson

Índia
“Peepli [Live]”, de Anusha Rizvi

Indonésia
“How Funny (Our Country Is)”, de Deddy Mizwar

Irã
“Farewell Baghdad”, de Mehdi Naderi

Iraque
“Son of Babylon”, de Mohamed Al-Daradji

Israel
“The Human Resources Manager”, de Eran Riklis

Itália
“La Prima Cosa Bella” (“The First Beautiful Thing”), de Paolo Virzi

Japão
“Confessions”, de Tetsuya Nakashima

Cazaquistão
“Strayed”, de Akan Satayev

Coréia
“A Barefoot Dream”, de Tae-kyun Kim

Quirguistão
“The Light Thief”, de Aktan Arym Kubat

Letônia
“Hong Kong Confidential”, de Maris Martinsons

Macedônia
“Mothers”, de Milcho Manchevski

México
“Biutiful”, de Alejandro Gonzalez Inarritu, estreia no Brasil em 28/01

Holanda
“Tirza”, de Rudolf van den Berg

Nicarágua
“La Yuma”, de Florence Jaugey

Noruega
“The Angel”, de Margreth Olin

Perú
“Undertow” (“Contracorriente”), de Javier Fuentes-Leon

Filipinas
“Noy”, de Dondon S. Santos e Rodel Nacianceno

Polônia
“All That I Love”, de Jacek Borcuch

Portugal
“To Die Like a Man”, de Joao Pedro Rodrigues

Porto Rico
“Miente” (“Lie”), de Rafael Mercado

Romênia
“If I Want to Whistle, I Whistle”, de Florin Serban

Rússia
“The Edge”, de Alexey Uchitel

Sérvia
“Besa”, de Srdjan Karanovic

Eslováquia
“Hranica” (“The Border”), de Jaroslav Vojtek

Eslovênia
“9:06”, de Igor Sterk

África do Sul
“Life, above All”, de Oliver Schmitz

Espanha
“Tambien la Lluvia” (“Even the Rain”), de Iciar Bollain

Suécia
“Simple Simon”, de Andreas Ohman

Suíça
“La Petite Chambre”, de Stephanie Chuat e Veronique Reymond

Taiwan
“Monga”, de Chen-zer Niu

Tailândia
“Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives”, de Apichatpong Weerasethakul

Turquia
“Bal” (“Honey”), de Semih Kaplanoglu

Uruguai
“La Vida Util”, de Federico Veiroj

Venezuela
“Hermano”, de Marcel Rasquin

Nota escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.

Cantet defende um fazer educacional apaixonado

Posted on 18/março/2009 by Cinéfilos

Após a exibição de seu novo filme em uma pré-estreia na Reserva Cultural, em São Paulo, Laurent Cantet abriu o debate com o público afirmando (e avisando) que seu Entre os Muros da Escola (Entre les Murs), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2008, não é um filme sobre educação feito para educadores, “não sou um educador”, mas sim um filme que pretende questionar as questões ligadas à educação na França, facilmente estendíveis ao resto do mundo. Sempre com a ajuda da intérprete, o diretor disse não gostar de filmes que propõem respostas, “acho importante questionar”.

O debate foi mediado pelo crítico de cinema Sérgio Rizzo e também contou com a presença da diretora Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade) e dos educadores Julio Groppa Aquino, docente da Faculdade de Educação da USP, e José Ernesto Bologna, consultor em Psicologia do Desenvolvimento aplicada à Administração e Educação.

Em seus primeiros comentários sobre Entre os Muros, os convidados para o debate elogiaram o diretor francês pelo ótimo trabalho realizado. Laís afirmou-se emocionada com o filme, Bolonha disse a Cantet que “gostaria que os educadores falassem de cinema como ele fala de educação”, uma vez que a escola é a primeira amarra do indivíduo para com a sociedade e o educador deve respeitar a identidade e as diferenças de cada aluno, fato este que é a todo instante retratado no longa.

Concordando com os demais, Aquino afirmou ser este um filme pioneiro, “em geral, os filmes trazem uma visão idealizada da educação. Entre os Muros é honesto, e não moralista; ele coloca o “fazer docente” em discussão, este fazer cotidiano sem grandes metanarrativas.”

O filme por seu diretor
Cantet achou importante colocar a ideia da escola como um ambiente democrático em cena: diferentes tipos convivem em um mesmo ambiente e retratar diferentes atritos que podem surgir desta convivência.

O diretor propõe no filme que se procure e incentive um lado que há muito as escolas vem deixando de lado: a criação de senso crítico nos alunos. “Vejo duas funções essenciais na escola: a primeira é ensinar noções básicas de matemática, biologia, física etc, a segunda é dar ferramentas para que o aluno possa enfrentar a sociedade em que vive, é transmitir senso crítico.”

Como pai, Cantet vê que a escola hoje não quer mais correr o risco dessa segunda função, transferindo-a exclusivamente para os pais. O que lhe agradou no livro de François Bégaudeau foi o fato de o professor tentar dar aos alunos algum senso crítico, humanizá-los ao invés de tratá-los como animais.

A discussão do amor que François coloca no que faz também é um ponto importante para o diretor. “Muitos professores e pedagogos criticam uma relação afetiva com os alunos, mas eu, que não tenho formação de pedagogo, sinto que sedução e ternura são indispensáveis para se conseguir trazer o aluno para o assunto tratado em aula.”

É preciso exercer a profissão com paixão, para que os segredos que surgem todos os dias entre os muros de uma escola não deixem o professor louco. Esta paixão, esta percepção de que mudanças são necessárias no sistema educacional moderno foi o que Laurent Cantet encontrou na história real do jovem professor François Bégaudeau, uma história sem idealizações, com erros e tropeços, palpável.

Leia mais sobre Entre os Muros da Escola AQUI.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Coragem para enfrentar os próprios muros

Posted on 13/março/2009 by Cinéfilos

A frase acima simboliza bem Entre os Muros da Escola (Entre les Murs), novo longa do diretor Laurent Cantet, vencedor da Palma de Ouro 2008, a maior premiação do Festival de Cannes, dentre outras premiações. O filme é simples e sua simplicidade torna-se comovente.

Baseado na história contada pelo professor François Bégaudeau (protagonista e co-roteirista do filme) em seu livro homônimo, Entre os Muros é um filme quase documental. Sem atores profissionais, o uso de estudantes e professores “de verdade” criou um cenário emocional que nada deve a um colégio atual.

Na tela, vemos François desdobrar-se para lidar com uma turma de alunos da 7ª série de uma escola pública em Paris, cada um com uma origem étnica e influências culturais diferentes. A vida pessoal do professor e dos alunos não esta em cena, o foco da narrativa é a relação que se desenvolve entre alunos, rebeldes e muitas vezes mal-educados e os professores, igualmente humanos, com suas crises nervosas e descontroles emocionais.

O diretor Laurent Cantet conta que “quis usar pessoas que soubessem como é a realidade dentro dos muros de uma escola”, alguém que fizesse parte daquele cenário ao invés de um ator que nada entende do assunto. François interpreta ele próprio; as crianças criaram personagens baseadas em suas vivências dentro das salas de aula.

François representa todos os professores da escola em que trabalha, e também professores de todo o mundo, que todos os dias lidam com situações semelhantes às suas, fazendo o impossível para se manterem sãos e ainda valorizar e ensinar os pequenos que os cercam. Tudo isso controlando os nervos e evitando ataques.

O desafio imposto às crianças é o de superar suas próprias barreiras, conseguir pular os muros que a vida impõem a uma parcela excluída da sociedade. Para ambos, sobreviver é ser o mais humano possível e manter o olhar amoroso que vemos em François.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.