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3 dias, 6 filmes, 1 erro

Nos últimos três dias, assisti seis filmes. Adorei quatro deles, um deles foi simpático, mas nada demais, o outro foi um suplício, mas resisti até o final pelo ingresso pago.

Na quarta, fui à cabine de Não se preocupe, nada vai dar certo, o filme indiferente da lista. Brasileiro, simpático, numa linha tragicômica com um daqueles finais positivos que te fazem sair do cinema com um sorriso. Não é que o filme seja ruim. Não, ele é apenas normal. Ou, como disse acima e no twitter, “simpático” [que é um desses adjetivos que podem ser bem genéricos, embora talvez não devessem]. Dos pontos positivos do filme, a dupla Gregório Duvivier (“Apenas o fim“) – Tarcísio Meira funciona bem. Dos negativos, achei a personagem de Flávia Alessandra forçada (o de Tarcísio Meira também é um pouco). O filme estreia nos cinemas dia 05/08.

Depois, assisti Velvet Goldmine, que havia baixado há tempos. Gosto dos três atores principais – Jonathan Rhys Meyers (The Tudors), Ewan McGregor e Christian Bale – e adorei o filme (não só pelos atores). Os personagens de Meyers e McGregor são roqueiros fictícios do glam rock londrino dos anos 70. Já Bale é Arthur, um jornalista que vai investigar o paradeiro de Brian Slade, o personagem de Meyers. Acho que este é um desses filmes que é melhor ver sem ler sinopses. Sua narrativa é construída ao mesmo tempo em que Arthur vai descobrindo detalhes da vida do cantor por meio de entrevistas com pessoas próximas a ele. O espectador vai junto e também começa a conhecer melhor o próprio jornalista. Além dos personagens e do roteiro, visual e trilha sonora também são incríveis.

Fechei o dia com a animação “Como treinar seu dragão“, que é uma graça!! A história do Viking diferente, que não queria matar dragões, tem traços previsíveis – especialmente no começo, mas depois melhora, ainda que tudo saia como planejado. Mas nada disso estraga o encanto dos personagens. Gerard Butler duplando o Viking chefe da aldeia dá um toque a la “300“.

Aí ontem resolvi me arriscar com um filme do Anima Mundi. Gosto de ver filmes às cegas, mas ontem isso foi um erro. Desrespeitei a regra número 1 do consumo saudável de filmes às cegas: sempre olhar a sinopse por cima. Cai em uma animação japonesa para crianças, com uma dublagem terrível e sem entonação. Chama-se A Luz do Rio e, como não tenho mais 5 anos, achei o filme um tédio interminável. E ele só tinha 1h15. Resisti pelo ingresso pago (pensei em abandonar a sessão pensando que fora um ingresso barato, mas fui forte, me iludindo com possibilidades de melhora). A história é a de uma família de ratos de rio que é expulsa de sua casa na árvore devido à construção de uma hidrelétrica. A partir de então, eles precisam encontrar uma nova casa. O filme tem mensagens ecológicas, de solidariedade e amor familiar. Talvez agrade uma criança, mas a dublagem sem entonação que fizeram em português acabou com toda a poesia da animação japonesa (que tem daquelas frases de efeito orientais que dubladas perdem todo sentido).

Para compensar, hoje vi o francês Minhas tardes com Margueritte, com Gérard Depardieu e Gisèle Casadesus, um filme lindo, bem poético, sobre o poder transformador da literatura – e do amor. Tudo se dá no encontro e nas trocas entre os dois personagens solitários interpretados pelos atores acima. Emociona bastante.

Depois resolvi confundir a cabeça com Amnésia, outro que nunca tinha visto e gostei bastante. Achei interessante a trama ser desvendada de trás para frente e a fotografia ir ficando preto e branco. Ainda estou intrigada com o final, que te faz repensar todas as suas impressões sobre o personagem principal, Leonard (Guy Pearce).

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3 estreias nos cinemas paulistanos

“Reencontrando a Felicidade”

Logo de cara, vale dizer que este título brasileiro não faz o menor sentido. O filme é deprimente (no sentido de ser uma trama triste, não um mal filme) e está muito mais para “toca do coelho” mesmo (o título original é “Rabbit Hole”).

A história é muito boa e Nicole Kidman está sensacional no papel da mãe que precisa aprender a lidar com a perda de seu filho. Por aí você já vê que vai ser difícil ela e o marido ‘reencontrarem a felicidade’. O filme é um soco no estômago (dos mais bem feitos). Mas felicidade passa longe do roteiro.

“Como Arrasar um Coração”

É uma típica comédia romântica francesa: bobo e previsível, mas fofo. As comédias românticas francesas tem um tom narrativo diferente das norte-americanas (os fazedores de comédias românticas por excelência). Elas geralmente tem tramas mais leves – não menos impossíveis que as produzidas nos EUA, mas o tom é diferente. E seus protagonistas não são exatamente um ideal de beleza. Do ponto de vista da mocinha rica, sejamos honestas, porque ela trocaria um sujeito bonito, rico e boa pinta por um magrelinho e com emprego duvidosos?


“Não se Pode Viver sem Amor”

Não gostei do filme e deixo apenas uma dica: passem longe. O elenco teria tudo para fazer o filme dar certo: Simone Spoladore, Fabíula Nascimento, Ângelo Antônio e Cauã Reymond são todos bons atores (e dos quais gosto muito). Mas em algum ponto, a trama não convence. Para mim, foi no personagem de Victor Navega Motta, menino novato que, talvez por isso, não convence no papel de um garoto “sensitivo” (ou talvez por isso). O final derradeiro também não é coerente com a realidade do que vivem “um ano antes”.

Dois nacionais em tempos de Oscar

Colocar um filme nacional em cartaz em tempos de Oscar parece (e imagino que seja) um grande suícidio. O assassinato do filme. Nosso cinema, salvo raras exceções, não costuma ser muito prestigiado em sua própria terra; concorrendo com os grandes destaques cinematográficos do ano então, fica difícil.

Talvez as distribuidoras de “O Samba que mora em mim” e “Malu de Bicicleta” não tenham imaginado que “Cisne Negro” e “O Discurso do Rei” dariam tanto o que falar. Mas deviam.

“O Samba que mora em mim” estreou por aqui nesta sexta, dia 11, mesma data de “O Discurso do rei”Bravura Indômita. O documentário fez sucesso na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, levando o Prêmio Especial do Júri Oficial – Documentários. Em sua estreia no grande circuito, no entanto, foi pouco comentado. O documentário retrata os moradores do Morro da Mangueira, que tem o samba em suas vidas, mas cujos relatos nem sempre falam de samba. É um belo filme, com bons personagens e um bonito trabalho de câmera.

Já o simpático “Malu de Bicicleta” estreou dia 4 de fevereiro, junto com“Cisne Negro”. E, igualmente, não rendeu comentários apesar de ter tido destaque nos Festivais do Rio (2010)Tiradentes (2011) e Paulínia(2010). No longa, Fernanda de Freitas e Marcelo Serrado são um casal inusitado, fruto da persistência de ambos; vítima do ciúme e da inveja. É um filme simples, com um ar de telefilme, mas os personagens e os cenários em que se passa  (uma praia carioca e uma antiga fábrica transformada em balada em São Paulo) têm seu charme.

Se chegassem ao circuito comecial em uma época diferente, acredito que tais longas atrairiam seu público. Há poucas semanas do Oscar – e disputando com os principais indicados da Academia de Hollywood – os longas nacionais perderam sua chance. Nessa hora, fico pensando se foi um erro inocente das distriuidoras ou se elas simplesmente descartaram seus filmes.

Enquanto isso, o Cine Belas Artes anunciou que fechará suas portas no dia 24 de fevereiro. São caminhos tristes estes que o nosso cinema tem trilhado.

Detalhes:

O Samba que Mora em Mim
País: Brasil
Diretora: Georgia Guerra-Peixe
Fotografia: Marcelo Rocha
Trilha Sonora: Dimi Kireeff
Ano: 2010
Estréia: 11 de fevereiro de 2011
Salas de exibição

Malu de Bicicleta
País: Brasil
Diretor: Flávio Ramos Tambellini
Fotografia: Gustavo Hadba
Trilha Sonora: Dado Villa-Lobos
Ano: 2010
Estréia: 04 de fevereiro de 2011
Salas de exibição

Texto escrito e publicado hoje no Vereda Estreita.

Um toque de arte em meio ao abandono

“Lixo Extraordinário” começa apresentando o artista plástico Vik Muniz, seus trabalhos no ateliê de Nova York e seu projeto de realizar fotografias de lixo no Jardim Gramacho, o maior aterro sanitário da América Latina, localizado na periferia do Rio de Janeiro. Em seguida, Vik e seu colega Fábio pesquisam juntos sobre Gramacho, que, de longe, se parece muito com o imaginário do “inferno na Terra”.

Conforme os artistas (e o filme) vão se aproximando do aterro e das pessoas que compõem aquele cenário, no entanto, o documentário vai ganhando uma dimensão humana que ameniza o horror de todo o lixo concentrado no Jardim Gramacho. Como eles lembram no longa, as pessoas que trabalham ali são tratadas como o lixo (ou pior): esquecidas, abandonadas à própria sorte.

Os depoimentos captados emocionam. No limite, é mais ou menos dessa forma que vive a maior parte da população do nosso país, pessoas que estão ali todos os dias e quase nunca são vistas. Um Brasil muito além das novelas ou dos filmes de favela. No lixão, a situação é bem pior.

A ideia que surge então é a da arte transformadora: Muniz convida um grupo de catadores de material reciclável para trabalhar com ele em sua série “Imagens do Lixo” – que depois fez muito sucesso exposta no MAM-Rio. Mas o próprio artista se questiona sobre qual será o efeito dessa interação na vida dos trabalhadores do Jardim Gramacho: para quem viu na arte uma possibilidade diferente de vida, como será voltar ao aterro?

“Lixo Extraordinário” vai levantando essas e outras reflexões enquanto mostra nuances psicológicas dos personagens fortes que trabalharam com Muniz e sua equipe. Em algumas cenas, é impossível conter a emoção – e as lágrimas derramadas trazem consigo a dor de um país imerso em abandono.

Detalhes:

Título: Lixo Extraordinário / Waste Land (facebook oficial)
País: Brasil, Reino Unido
Diretor: Lucy WalkerKaren HarleyJoão Jardim
Fotografia: Duda Miranda
Trilha Sonora: Moby
Ano: 2010
Estréia: 21 de janeiro de 2011
Salas de exibição

Foto: Marat Sabastião, por Vik Muniz. Divulgação.

P.S.: Em 2010, “Lixo Extraordinário” já conquistou os prêmios do Júri Popular nos festivais de BerlimSundance, além do Prêmio Especial do Júri e de melhor documentário do Júri Popular no Festival de Paulínia. O longa também disputa o Oscar 2011 de melhor documentário!

Texto escrito e publicado hoje no Vereda Estreita.

Um brinde ao cinema nacional

Muitos espectadores ainda acreditam que o cinema nacional não tem valor: são os mesmo que valorizam apenas as grandes produção de Hollywood. No entanto, parece que uma boa parte deles se rendeu e foi ao cinema ver ‘Tropa de Elite 2‘.

O filme dirigido por José Padilha atingiu nesta terça-feira (07) a marca de 10.736.995 espectadores, segundo o Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual da Ancine, se tornando o filme mais visto de toda a história do cinema brasileiro. A continuação da saga de Nascimento ultrapassou ‘Dona Flor e seus Dois Maridos‘ (1976) que liderou o ranking por mais de 30 anos com um público de 10.735.524.

‘Tropa de Elite 2′ estreiou nos cinemas em 8 de outubro e ainda está em cartaz com 331 cópias em todo o Brasil. Na próxima semana, que será sua décima em cartaz, aproximadamente 200 salas estarão exibindo o longa.

O Brasil está entrando na rota de divulgação de filmes internacionais e nosso cinema também tem crescido. O segundo Tropa de Elite foi convidado para participar de Sundance (e o primeiro ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2008).

Neste mês acontece também a 11ª Retrospectiva do Cinema Brasileiro, que o Cinesesc promove em São Paulo até dia 30 de dezembro. A mostra exibe 74 títulos nacionais lançados no ano de 2010, entre os quais se destacam ‘Tropa de Elite 2′, ‘ Chico Xavier’, ‘Lula, O Filho do Brasil’, ‘Nosso Lar’, ‘Uma Noite em 67′ e também filmes menos prestigiados pelo público, mas que valem muito a pena como ‘O Sol do Meio Dia’, ‘ Os Famosos e os Duendes da Morte’, ‘ É Proibido Fumar’, ‘Hotel Atlântico’ e ‘Cabeça a Prêmio’, entre outros.

Texto escrito e publicado hoje no Vereda Estreita.

Projeta Brasil exibe filmes nacionais por R$ 2

O XI Projeta Brasil acontece nesta segunda-feira (08) em todas as salas da Rede Cinemark. Durante todo o dia, as 428 salas dos 52 complexos da rede pelo Brasil terão sua programação inteiramente dedicada ao cinema nacional. Foram escolhidos 24 filmes, todos lançadas entre novembro de 2009 e outubro de 2010.

O evento acontece desde 2000 e é o maior do gênero. Segundo os organizadores, o Projeta Brasil já reuniu em suas dez edição passadas cerca de 1,5 milhão de espectadores em todo o país. O evento apresenta filmes de todos os gêneros e para todas as idades.

A renda líquida total arrecadada durante o evento, por parte de distribuidores, produtores e da própria Cinemark, é destinada para projetos diretamente ligados ao cinema nacional, tais como premiação de longas e curtas-metragens, apoio a festivais, restauração de cópias e realização de campanhas, entre outros.

Este ano, Denise Fraga é a estrela da campanha publicitária. A atriz atua em ‘As Melhores Coisas do Mundo’, de Laís Bodanzky, que também será exibido no dia dedicado ao cinema nacional.

Confira a lista de filmes participantes desta edição:

– ‘Tropa de Elite 2’
– ‘Nosso Lar’
– ‘Chico Xavier – O Filme’
– ‘As Melhores Coisas do Mundo’
– ‘Xuxa em O Mistério de Feiurinha’
– ‘O Bem Amado’
– ‘Lula – O Filho do Brasil’
– ‘Quincas Berro d’Água’
– ‘400 contra 1’
– ‘High School Musical – O Desafio’
– ‘Sonhos Roubados’
– ‘Segurança Nacional’
– ‘Embarque Imediato’
– ‘5x Favela – Agora Por Nós Mesmos’
– ‘É Proibido Fumar’
– ‘Cabeça a Prêmio’
– ‘Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos’
– ‘Os Famosos e os Duendes da Morte’
– ‘Antes que o Mundo Acabe’
– ‘Olhos Azuis’
– ‘Eu e Meu Guarda-Chuva’
– ‘A Guerra dos Vizinhos’
– ‘A Casa Verde’
– ‘Feliz Natal’
– ‘Soberano’
– ‘Muita Calma Nessa Hora’

Nota escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.

‘Tropa de Elite 2’ é o filme brasileiro mais visto em 15 anos

‘Tropa de Elite 2’ está há apenas 3 semanas em cartaz e já é o filme brasileiro mais visto dos últimos 15 anos – desde a Retomada do cinema brasileiro, quando tiveram início as leis de incentivo à produção audiovisual brasileira. Segundo dados divulgados hoje, o segundo Tropa de Elite já foi visto por 6,2 milhões de pessoas.

‘Tropa 2’ superou ‘Se eu fosse você 2’ – que até então era o campeão de público, com 6,1 milhões de espectadores. A arrecadação do longa dirigido por José Padilha chegou a R$ 57 milhões neste final de semana – número também superior a ‘Se eu fosse você 2’, que angariou R$ 50 milhões.

Produzido de maneira independente, o orçamento da continuação da saga de Nascimento, agora Coronel, foi de apenas R$ 3 milhões. Desde sua estreia, o longa tem tido uma média de 1,2 mil pessoas por sala. O número de espectadores continua alto, apesar de competir com grandes estreias internacionais, como ‘Atividade Paranormal 2’, que não conseguiu superar ‘Tropa 2’ na liderança das bilheterias neste final de semana.

Nota escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.

Saiba como influenciar na escolha do representante brasileiro no Oscar

Pela primeira vez, o público poderá influenciar no filme que o Brasil enviará para disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2011. O Ministério da Cultura (MinC) abriu uma votação para que os espectadores escolham o filme que gostariam que fosse indicado na disputa da Academia de Cinema de Hollywood. A iniciativa, inédita, busca auxiliar a Comissão de Seleção oficial na escolha do título brasileiro.

Após controvérsias com a indicação de ‘Salve Geral’ para o Oscar 2010, o MinC resolveu ouvir uma opinião diferente da dos membros da Comissão de Seleção, composta por representantes do Governo, da sociedade civil organizada e especialistas no setor.

O MinC, então, lançou a pergunta: “Qual filme brasileiro você gostaria de ver concorrendo ao Oscar 2011?” e convida a todos para votar na enquete.

Os filmes inscritos na votação pública para concorrer a uma indicação como representante do Brasil no Oscar 2011 de Melhor Filme Estrangeiro são: ‘As Melhores Coisas do Mundo’. ‘A Suprema Felicidade’, ‘Antes que o mundo acabe’, ‘Bróder’, ‘Cabeça a Prêmio‘, ‘Carregadoras de Sonhos’, ‘Cinco Vezes Favela, Agora Por Nós Mesmos’, ‘Chico Xavier’, ‘É Proibido Fumar’, ‘Em Teu Nome’, ‘Hotel Atlântico’, ‘Lula, o Filho do Brasil’, ‘Nosso Lar‘, ‘Olhos Azuis’, ‘Ouro Negro’, ‘O Bem Amado’, ‘O Grão’, ‘Os Inquilinos’, ‘Os Famosos e os Duentes da Morte’, ‘Quincas Berro D’água’, ‘Reflexões de um Liquidificador’, ‘Sonhos Roubados’ e ‘Utopia e Barbárie’.

Por enquanto, o longa ‘Nosso Lar’, que estreou na última sexta-feira (03), lidera a votação com 591 votos, 37% do total, seguido de ‘Chico Xavier’, com 9% dos votos. A votação vai até dia 20 e o filme escolhido pela Comissão, que levará a enquete em conta, será divulgado no dia 23 de setembro, em São Paulo. A cerimônia de premiação do Oscar será no dia 27 de fevereiro de 2011.

Nota escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.

A angústia da vida refletida em ‘Cabeça a Prêmio’

O filme começa com um uruguaio em cena, falando um castelhano meio aportuguesado em meio a um grande canavial. É pelos créditos dos patrocinadores que sabemos que a cena provavelmente se passa no Mato Grosso do Sul. E aí você pode pensar que o ator uruguaio Daniel Hendler (‘O Abraço Partido’) é um jovem brasileiro, tentando se comunicar com um paraguaio na fronteira, em um castelhano aportuguesado.

Mas ‘Cabeça a Prêmio’, estreia de Marco Ricca na direção, vai além dos dramas de vida na fronteira, ele cria um drama familiar, mesclado com história de amor, de máfia, de fronteira. São vários gêneros que se misturam criando um clima angustiante em que cada personagem parece se afundar cada vez mais em uma lama grossa e sem saída.

O sorriso de Alice Braga quebra a tensão em alguns momentos, criando respiros de alívio no filme. No entanto, mesmo as roupas chiques da moça, que interpreta a filha de um grande agropecuarista envolvido no narcotráfico, em certo ponto do filme dão lugar a um allstar em ritmo de fuga.

Em cena, grandes nomes como Fúlvio Stefanini, Eduardo Moscovis, Cássio Gabus Mendes, Alice Braga e a participação inusitada do uruguaio Daniel Hendler, que Ricca conta ter tido o prazer de conhecer e conviver por algumas semanas. “São todos meus amigos e eu tive a sorte de aceitarem meu convite. Eu não posso pagar esses loucos. Ou pelo menos não como eles merecem”, disse em coletiva de imprensa.

‘Cabeça a Prêmio’ é uma história de amor e de dor, que se constrói em um ritmo fragmentado, como fragmentada e angustiante é a vida. Com fortes personagens e interpretações, Marco Ricca traspôs o livro homônimo de Marçal Aquino, de quem é um grande fã, para as telas, pensando em grandes amigos seus que ele considera atores fantásticos para interpretarem o roteiro de Felipe Braga.

O filme é uma boa pedida, mas sugiro evitar após um dia tenso!

Texto publicado ontem no site Vereda Estreita.

‘Cabeça a Prêmio’: Marco Ricca estreia na direção com drama familiar

Baseado no livro homônimo de Marçal Aquino, o filme ‘Cabeça a Prêmio’ chega aos cinemas nesta sexta-feira (20) e marca a estreia de Marco Ricca na direção de cinema, após consagrar-se como ator e dirigir peças de teatro. O longa narra um momento de decadência e tensões para os Menezes, uma família de agropecuáriastas do Mato Grosso do Sul.

O elenco de ‘Cabeça a Prêmio’ é todo estrelado. Fúlvio Stefanini dá vida ao patriarca Miro Menezes. O casal de protagonistas é vivido por Alice Braga – que interpreta a filha de Miro, Emília – e pelo ator uruguaio Daniel Hendler (‘O Abraço Partido’), que vive Dênis, piloto dos Menezes. Eduardo Moscovis e Cássio Gabus Mendes são Brito e Albano, capangas da família.

Somando-se ao romance proíbido dos jovens o fato de que Miro e seu irmão Abílio (Otávio Muller) controlam uma pequena rede de negócios ilícitos, que vem sendo pressionada pela polícia, está traçado o caminho para uma trama que vai se revelando aos poucos, em interessantes reviravoltas.

Em coletiva de imprensa, Marco Ricca disse que o mérito pela história é toda de Marçal Aquino, que, segundo ele, já escreveu um livro cinematográfico. O adaptação do roteiro ficou por conta de Felipe Braga e o próprio Aquino ajudou no processo, além de dar seu apoio ao projeto. Sobre o grande elenco, Ricca frisou que seu filme é de grandes atores e “não tem a pretenção de lançar nenhum novo ator, como o cinema nacional faz muitas vezes”.

‘Cabeça a Prêmio’ coloca o público em contato com uma história angustiante, que nos mantém envolvidos ao longo de seus 104 minutos. Neste círculo familiar onde há pouco espaço para mudanças ou expressões de personalidade próprias, cada personagem vive um drama que parece não ter fim e o espectador, como a própria personagem Emília (Alice Braga), a certo ponto se pergunta se há uma saída realmente positiva para a trama.

Confira o vídeo da entrevista coletiva (com imagens minhas) AQUI.

Matéria e vídeo publicados hoje no Portal da RedeTV.