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A Morte de Ivan Ilitch

Ao final da leitura, sobra uma estranha sensação de fragilidade. O perigo é bater em algum elemento banal e acabar morrendo disso, sendo também banal sua vida, como a de Ivan Ilitch, o personagem com o qual Tolstói perturba sua vida em 90 pequenas páginas nesta novela.

A morte é dada no título e logo no primeiro capítulo. Mas é em cada fonema agoniado que cresce o desconforto. Do personagem e do leitor. É da vida miserável de Ivan Ilitch que queremos fugir. Não por ter sido penosa, mas por sua banalidade.

O professor de Estudos Literários recomendou a leitura para uma sala composta em sua maioria por jovens de 17/18 anos. Talvez em alguns anos esquecem do que leram e venham a ser como o personagem, vivendo no limite do socialmente aceitável e – em último caso – morrendo disso.

Não sou muito mais velha que meus colegas de sala, mas fechei o livro pensando em tanta gente que conheço, com uma tristeza que me fez querer escrever este post e recomendar a leitura da novela. São poucas páginas nas quais Ivan é cada um que se deixa morrer aos poucos. E dá medo de ser como ele.

a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe

Eu gostei tanto de “a máquina de fazer espanhóis”, do escritor português (nascido em Angola) valter hugo mãe, que ele praticamente atropelou o livro que li depois. Fato é que já terminei o tal livro, comecei um terceiro e ainda tive vontade de escrever alguma coisa sobre o romance português.

A trama de “a máquina de fazer espanhóis” me pegou logo de cara. Li o primeiro capítulo online (AQUI) e quis comprar o livro. A princípio, é um pouco estranho ler sem maiúsculas (que o autor não usou em seus 4 últimos romances), mas nos acostumamos e os personagens são tão bem elaborados e suas ideias tão boas que eu não quis me despedir do livro.

Meu pai tem uma teoria [com a qual concordo] de que o bom livro é aquele que você não quer terminar. Comigo e “a máquina de fazer espanhóis” foi assim. Passei cerca de um mês lendo o romance não porque ele fosse difícil ou chato, mas porque me dei ao direito de saborear a trama [depois de meses de livros lidos a toque de caixa]. E, ao final, chorei. Chorei como poucos livros ou filmes me fizeram chorar.

A narrativa se passa em torno do senhor antónio silva, o narrador-protagonista, que conhecemos já idoso e prestes a se tornar viúvo. Ele mescla episódios de sua vida com histórias do asilo para o qual se mudou após perder a esposa, fazendo com que vários outros senhores ganhem voz na trama – são a família que silva encontrou depois de velho. Assim, ao final, senti como se tivesse perdido vários avós queridos em umas poucas páginas, tamanha a intimidade que os personagens me criaram.

O escritor causou grande comoção na FLIP deste ano com esta [linda!] carta (o vídeo com a leitura está linkado neste post) e entrevistas com ele daquela época não faltam.

Alguns links interessantes:

– Resenha do Joca Reiners Terron sobre “a máquina de fazer espanhóis”: http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?p=8710;
– Segundo capítulo do livro disponível para leitura online: http://editora.cosacnaify.com.br/ObraSinopse/11598/a-m%C3%A1quina-de-fazer-espanh%C3%B3is.aspx;
– Entrevista do autor ao caderno Prosa & Verso, d’O Globo: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2011/01/22/entrevista-com-valter-hugo-mae-convidado-da-flip-2011-358043.asp;
– Entrevista à TV Estadão: http://tv.estadao.com.br/videos,valter-hugo-mae-e-a-velhice-inspirada-pelo-pai,142206,253,0.htm;
– Resenha publicada no blog Meia Palavra: http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/28/a-maquina-de-fazer-espanhois-valter-hugo-mae/;
– Texto publicado no Estadão sobre “a máquina de fazer espanhóis”: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-caminho-salgado-de-um-pais-a-deriva,745587,0.htm;
– Entrevista em vídeo com Lourenço Mutarelli, que fez a imagem da capa e o texto de orelha da edição brasileira: http://editora.cosacnaify.com.br/ObraEntrevista/11598/93/a-m%C3%A1quina-de-fazer-espanh%C3%B3is.aspx.

Outras considerações sobre a FLIP 2011

Ontem, escrevi algumas impressões sobre a FLIP 2011 para o Vereda Estreita. O texto era maior e talvez estivesse um pouco confuso. Cortei e reorganizei os parágrafos, deixando algumas considerações de fora. As que sobraram e me pareceram interessantes, mantive e publico por aqui.

Eu não assisti todas as mesas da FLIP 2011, mas, ao final da festa, gostei da seleção de eventos culturais dos quais participei nos cinco dias que passei em Paraty. Nunca tinha ouvido Antonio Candido falar, tampouco tinha visto uma peça do Teatro Oficina. Comecei a FLIP fascinada com as sábias palavras de nosso maior crítico literário e terminei um pouco assustada, após receber dois convites de belas atrizes para tirar a roupa em frente das cerca de 2 mil pessoas que aguentaram as quase 4 horas da Macumba Antropófaga de Zé Celso.

Antonio Candido por Alexandre Benoit. "Um grande escritor só vai ser lido e reconhecido trinta anos depois de sua morte." (do blog da FLIP)

Na mesa de abertura da 9ª Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, Antonio Candido contou histórias de sua convivência com Oswald de Andrade, o homenageado desta edição, que era 30 anos mais velho que ele. Falando de alguma briga do poeta com críticos literários da época ou narrando o desentendimento de Oswald com o amigo Mário de Andrade, Candido finalizava as frases com um saudoso “isso era muito dele”. Na mesma mesa, o compositor e também professor da USP José Miguel Wisnik apresentou uma visão mais distanciada do poeta modernista, como ele é visto pela academia hoje e quais as influências de Oswald de Andrade em sua própria formação.

Ainda na programação principal, as mesas com Andrés Neuman, valter hugo mãe, Joe Sacco e João Ubaldo Ribeiro foram as que mais me agradaram – além de terem agradado ao público em geral, que lotou as filas de autógrafos (na FLIP, o melhor modo de medir a popularidade dos autores após as mesas das quais participam).

Os 500 exemplares que a Livraria da Vila levou para Paraty de “a máquina de fazer espanhóis”, novo romance de valter hugo mãe (que não usa maiúsculas nem em seu nome), se esgotaram ainda no sábado, um dia após a mesa do escritor. mãe passou quase 4 horas autografando livros após cativar a platéia com sua fala, onde a escrita parece natural, e com um texto lido ao final da mesa sobre sua relação com o Brasil (vídeo no post abaixo, texto AQUI). A escritora argentina Pola Oloixarac, que prometia ser a musa desta FLIP, foi ofuscada pelo carisma de valter hugo mãe, escritor português nascido em Angola (ele mora desde muito novo em Portutal).

Tive a impressão de que a programação paralela cresceu e foi mais prestigiada pelo público este ano. Na Casa de Cultura, as peças “O Outro”, com Lourenço Mutarelli, e “Tarsila”, com texto de Maria Adelaide Amaral, estavam lotadas. “Tarsila” teve tanta procura que foi até transferida para a Tenda dos Autores. Sendo que “Tarsila”, na verdade, foi uma leitura dramática da peça realizada por Eliane Giardini, José Rubens, Beth Golfman e Pascoal da Conceição, os mesmos atores que interpretaram, respectivamente, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Anita Malfatti e Mário de Andrade na minissérie “Um só coração”, também de autoria de Maria Adelaide Amaral. [Aqui, insiro um parêntesis para dizer que, para mim, Pascoal da Conceição será sempre o Dr. Abobrinha.]

Eu também prestigiei o bate-papo entre Leandro SarmatzCarlos de Brito e Mello, na Casa de Cultura. A conversa entre os dois autores recebeu o nome de “Máscaras e fantasmas”. As máscaras seriam do primeiro e os fantasmas do segundo. Não há fantasmas em Mello e há apenas algumas metáforas com máscaras em Sarmatz, mas a ligação entre as obras dos dois autores vai além do título um tanto quanto forçado. Os dois falam de abandono, de solidão, de morte. Aspectos intrínsecos à vida social que são abordados com certa melancolia (melancolia esta que é mais clara em “Uma Fome”, de Sarmatz, mas está latente em “A Passagem Tensa dos Corpos”, de Mello).

O show ou o encerramento desta FLIP renderiam textos a parte. Não conhecia as composições de José Miguel Wisnik e achei-as lindas. Sobre a peça, acho que ainda não tenho palavras suficientes para comentá-la. Foi uma experiência estranha sobre a qual precisaria elaborar melhor.

Alguns link interessantes:

Entrevista do Estadão como valter hugo mãe: AQUI, em vídeo.

A Folha fez uma Sabatina com Joe Sacco que rendou uma história em quadrinhos. O Gui Dearo fez uma entrevista com ele.

Textos sobre as mesas de Péter Esterházy com Emmanuel CarrèreContardo Calligaris com Ignácio de Loyola Brandão.

Uma crônica muito simpática do Antônio Prata sobre groupies literárias: AQUI, o oficial para assinantes Folha/UOL, e AQUI, republicada por alguém.

Algumas impressões sobre a FLIP 2011

Oswald de Andrade esteve na FLIP 2011 como dificilmente outro escritor homenageado pela festa estará. Das três edições da FLIP que acompanhei, esta foi aquela em que a homenagem melhor se enraizou na programação. Oswald não foi debatido apenas na mesa de abertura ou em algumas mesas menos prestigiadas pelo público ao longo da festa. Ele esteve nas palavras de Antonio Candido na conferência inicial, mas também nas canções do show de abertura, em que José Miguel Wisnik (que também falou na primeira mesa), Celso Sim e Elza Soares cantaram adaptações feitas a partir de poemas do modernista, e também na “Macumba Antropófaga” com que Zé Celso e sua equipe do Teatro Oficina encerraram a festa.

Imagem do começo da Macumba Antropófaga que encerrou a FLIP 2011

Imagem do começo da “Macumba Antropófaga”, que encerrou a FLIP 2011.

Na programação principal, João Ubaldo Ribeiro e o escritor português nascido em Angola valter hugo mãe (que não usa maiúsculas nem em seu nome) foram os autores que mais cativaram o público. Ubaldo por suas divertidas histórias e mãe por uma fala onde a escrita parece natural (além de um texto sobre sua relação com o Brasil lido ao final da mesa, que levou boa parte do público às lágrimas). Miguel NicolelisAndrés Neuman e Joe Sacco também chamaram bastante atenção.

Ao longo desta 9ª edição da FLIP, a impressão geral do público foi de que havia menos gente em Paraty este ano. No entanto, a estimativa é de que entre 20 e 25 mil pessoas estavam por lá durante o evento, a mesma estimativa da edição de 2009. Ano passado, o público estimado foi de 15 a 20 mil pessoas (a edição 2010 aconteceu em agosto, devido à Copa do Mundo). Acredito, então, que esta impressão se deva ao fato de que o número de eventos paralelos cresceu. Se o número de pessoas que assistiam as mesas literárias do lado de fora da tenda do telão diminuiu, a Casa de Cultura estava sempre mais ou menos cheia, muitos eventos da Casa Folha e da Casa SESC lotaram.

Outro fator que pode ter contribuído para a impressão de que a cidade estava mais vazia ou de que este ano estava mais fácil atravessar a ponte do rio que cruza a cidade foi a mudança de lugar na Tenda do Telão. Em 2011, a organização da FLIP reuniu todas as suas tendas do mesmo lado do rio em que nas edições anteriores ficava apenas a Tenda dos Autores. Em um único corredor, aproveitando o passeio reformado pela prefeitura, estavam reunidas as tendas dos autores, dos autógrafos, a livraria, a loja da FLIP, os estandes dos patrocinadores e, ao final de tudo, já na praia, a tenda do telão.


A leitura feita por valter hugo mãe ao final da mesa 6 da FLIP 2011. Vídeo: Divulgação/FLIP

Foi uma FLIP com bons autores, bons mediadores (das mesas que vi, nenhum mediador estragou as conversas, como às vezes acontece), com alguma polêmica (especialmente entre o curador e o cineasta e escritor judeu Claude Lanzmann) e com algum debate. Nas mesas literárias, é difícil que os escritores convidados efetivamente dialoguem entre si, para além de algumas semelhanças propostas pelos mediadores. Neste ponto, destaco a mesa entre os escritores colombianos Laura Restrepo e Hector Abad, que não só leram as obras um do outro como trocaram impressões a respeito.

Texto escrito e publicado hoje no Vereda Estreita.

Livro: Uma Fome, Leandro Sarmatz

Ontem escrevi sobre “A Passagem Tensa dos Corpos”, primeiro romance do mineiro Carlos de Brito e Mello. Durante a FLIP, Mello estará em uma mesa na Casa de Cultura com o escritor gaúcho Leandro Sarmatz, que mora em São Paulo e é o atual editor das obras de Drummond na Companhia das Letras.

Publicado em 2010, “Uma Fome” é o primeiro livro de ficção em prosa de Sarmatz, que já havia publicado uma peça teatral (“Mães & Sogras”, 2000) e o livro de poemas “Logocausto” (2009). “Uma Fome” traz 12 contos e é dividido em suas partes. A primeira, “Atores”, tem contos curtos com personagens com a profissão. A segunda, “Abandonos”, apresenta personagens solitários, tem vários contos com marcas autobiográficas do autor e é onde estão as melhores narrativas.

O conto que dá nome ao livro é o mais marcante. Ele apresenta um escritor solitário e fracassado que conta em primeiro pessoa (e num desabafo de 26 páginas em um mesmo parágrafo) sua obsessão por se tornar um “magro total”:

Sempre tive a ambição da magreza. E magro total. Metafisicamente magro. Literariamente magro. Como Kafka, como Beckett, como Graciliano. Seco, destituído de gordurinhas extras, leve a ponto de desaparecer. Já há algum tempo que venho tentando estabelecer as ligações entre magreza e literatura. 

Também gostei bastante do conto “Schadenfreude”, que é narrado em primeira pessoa por um intelectual que se apaixona pela filha de seu orientador. O narrador oferece um olhar interessante sobre as reviravoltas e brigas provocadas em sua vida pela moça, enquanto cria teorias interessantes sobre aspectos comuns do dia a dia (em certo momento, ele divaga sobre porque tanta gente anda com garrafas d’água pela rua, por exemplo).

O livro como um todo faz várias referências literárias e ao ofício do escritor. A cultura judaica é outra marca forte. Os 12 contos tem personagens solitários e fica uma certa melancolia ao final da leitura.

No final de maio deste ano, “Uma Fome” entrou para a lista dos 50 finalistas do Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2011. (Em setembro, o júri intermediário irá escolher os dez finalistas e os três livros vencedores são eleitos por um júri final em novembro deste ano.)

AQUI há um trecho do primeiro conto disponível para leitura.

Livro: A Passagem Tensa dos Corpos, Carlos de Brito e Mello

Conclui meu TCC, sobre novos escritores brasileiros, e passei algum tempo sem querer voltar no assunto, mas agora que a FLIP se aproxima fiquei com vontade de escrever sobre Carlos de Brito e Mello e Leandro Sarmatz, dois autores que fazem parte do meu trabalho e estarão em uma mesa na Casa de Cultura durante a FLIP 2011 (sábado, dia 9, 15h15).

Assim, dedico um primeiro post ao livro “A Passagem Tensa dos Corpos”, de Carlos de Brito e Mello (foto), que foi possivelmente a leitura que mais me impressionou dentre os 10 livros de novos autores (1º livro de contos ou romance do escritor) que li até aqui (9 deles especialmente para o TCC). Não digo que seja meu preferido, porque seria uma escolha injusta, ao menos 5 dos 10 livros são incríveis.

Mas “A Passagem Tensa dos Corpos” tem um cuidado linguístico que impressiona positivamente. E conversando com o autor percebi que tudo fazia sentido na narrativa. Explico: o romance tem um narrador que é uma língua, nem vivo, nem morto, meio invisível, mas não onipresente, um personagem intrigante que vai se explicando ao longo da trama:

“Corro porque enuncio que corro. (…) Sou aquilo que anuncio ser, conquanto me falte consistência e certeza. Se tenho dúvida ou se me equivoco é porque a dúvida e o equívoco são também acontecimentos da linguagem.” (pág. 117)

A partir desse narrador se constroem frases quebradas, que acabam de modo estranho e outras que começam sem maiúsculas no parágrafo seguinte. Como neste caso:

“Toda palavra proferida ao redor da morte comporta, pelo menos, um fonema enlutado, e as perturbações de fala são formas pelas quais
morrer obseda a língua.” (pág. 12)

Os capítulos são curtos e, à narrativa principal, de uma família cujo pai, morto, é mantido insepulto na sala de jantar, alternam-se pequenos relatos de mortes em Minas Gerais. A “profissão” do narrador é contar falecimentos com breves detalhes pelas cidades que percorre, todas no estado de Minas Gerais, onde Carlos de Brito e Mello nasceu e vive até hoje.

Assim, quando conversei com o autor, percebi que tudo tem uma explicação: as frases quebradas, as cidades serem em Minas, ser um pai morto em uma sala de jantar…

Fora isso, que não fica claro em uma primeira leitura, o romance tem ritmo, mantem a curiosidade e, como o narrador, nós, leitores, também vamos ficando intrigados com os motivos que levam aquela mãe e filha a manterem o pai morto preso em uma cadeira na sala, dando comida para ele e ignorando sua morte. Ou o que leva o filho do casal a nunca sair de seu quarto. Não fosse estranho o suficiente, a filha ainda planeja um casamento sem noivo – e a mãe acha tudo normal.

Os primeiros capítulos do livro, em PDF, estão disponíveis AQUI.

AQUI, algumas informações reunidas sobre a programação da FLIP 2011.

Programação FLIP 2011

A FLIP 2011 divulgou no último dia 19 a programação completa de sua 9ª edição. E também da flipinhaflipzona e da Casa de Cultura.

A mesa de abertura terá a participação do crítico literário Antonio Candido. Dentre as mesas previstas, me chamaram mais atenção os nomes de Joe Sacco, Claude Lanzmann, valter hugo mãe (que não usa maiúsculas nem em seu nome), Péter Esterházy, Ignácio Loyola Brandão e João Ubaldo Ribeiro. O jornalista Edney Silvestre, que estreou na ficção em 2010 com “Se eu fechar os olhos agora”, também estará em uma das mesas (a 12, sáb 15h).

Quase no mesmo horário (15h15), Carlos de Brito e Mello e Leandro Sarmatz, autores incríveis que li e entrevistei para meu TCC, estarão em um bate-papo na Casa de Cultura.

AQUI matéria do Sabático sobre a 9ª edição e AQUI entrevista da rádio Estadão/ESPN com o novo curador da festa, Manuel da Costa Pinto.

A FLIP 2011 acontece de 6 a 10 de julho. Os ingressos para as mesas começam a ser vendidos no dia 6 de junho (Tenda dos Autores: R$40, Tenda do Telão: R$10 – estudantes pagam meia).

28/06/2011

Em tempo: Antonio Tabucchi cancelou sua participação na FLIP. A mesa com o italiano será substituída pelo debate “Ficções da crônica”, com Ignácio Loyola Brandão e Contardo Calligaris. Como nunca li nada sobre o primeiro italiano em questão, mas adoro as colunas do segundo, gostei da mudança!

Livro: Se eu fechar os olhos agora, Edney Silvestre

No caminho rumo ao diploma, escolhi como tema para o meu TCC os novos nomes da literatura brasileira. Venho anotando autores apontados como promissores (com a ajuda de especialistas) e vou engatando um livro atrás do outro. Sozinha, nunca acho os livros que procuro nas livrarias; as pessoas que me atendem também costumam ter problemas. O novo autor está sempre escondido nas prateleiras – chegar aos leitores é o grande desafio.

Assim, tive vontade de ir escrevendo sobre estes livros. Em 2009, me encantei com “A Chave de Casa”, primeiro romance de Tatiana Salem Levy, sobre o qual escrevi na época, e que desde o começo quis incluir em meu projeto. (Mas que ainda não reli para atualizar o texto, do qual já não gosto.)

A primeira leitura realizada para o TCC, então, foi “Se eu fechar os olhos agora”, de Edney Silvestre, vencedor do Jabuti de melhor romance e do Prêmio SP de Literatura, na categoria melhor autor estreante, ambos em 2010. Silvestre já é conhecido como jornalista, o que deve ter ajudado na divulgação de seu livro – além dos prêmios. O romance tem uma linguagem clara e vai enredando o leitor na trama, que mostra dois garotos e um senhor de idade investigando um crime brutal.

Os diálogos são sempre com travessões e misturam a inocência dos garotos – chocados com a morte – com os traumas deste senhor, obtidos nos porões da ditadura Vargas. A história se passa em 1961, em um Brasil que tinha ilusões de crescimento e democracia, “um outro país”, como enuncia o prólogo (de que faz parte o trecho lido no vídeo acima), em um tom mais poético que o adotado no restante do livro, mais objetivo.

Trecho (diálogo entre o menino Paulo e o Sr. Ubiratan):

“- Cada vez que eu falo uma coisa para você, você me faz pensar em outra, mais na frente.

– Que bom.

– Que bom, por quê? Eu fico com a cabeça cheia de perguntas, só isso.

– Melhor do que ficar com ela cheia de respostas. Boa noite, Paulo.”

Livro retrata peripécias amorosas entre rapaz e prostituta

Foi com um estilo rápido e pouco descritivo que Estevão Romane escreveu seu primeiro romance, ‘Eu amei Victoria Blue’. Recém-lançado, o livro é autobiográfico e conta a história do relacionamento que o autor teve com Fernanda, uma garota de programa de codinome Victoria Blue.

Quando se conheceram, Estevão, que no livro se chama Davi, não sabia como Fernanda ganhava a vida. Ambos brasileiros, eles se cruzaram em Nova York e se envolveram em um forte relacionamento, muito marcado pela questão sexual. A grande motivação da trama, no entanto, é o mistério que cerca a moça: “Quando descobri comecei a rir: ela é uma mulher cheia de morais e princípios, achei estranho”, contou Romane ao RedeTVi.

Eles passaram oito meses juntos sem que o jovem conhecesse a profissão de sua namorada. Depois que descobriu, foram mais oito meses para superar o trauma e conseguir externá-lo em palavras. “A ideia de escrever o livro veio logo após a descoberta. Depois de passar vários momento com ela eu quis escrever sobre isso, é uma história muito boa e que precisava ser dividida. Eu comecei a escrever logo que descobri, mas depois travei, passei oito meses sem conseguir escrever”, disse o escritor, que demorou um ano e meio para concluir seu primeiro trabalho.

Apesar de se assumir como autobiográfico, Romane criou para si um alterego: Davi. Pode parecer estranho, mas ele explica que quis dar uma chance aos personagens: “Não queria nos deixar presos ao livro. Os personagens são eternos e imutáveis, mas nós, que vivemos aquela história, não podemos ficar presos ao livro. Tem coisas que eu fiz na época que eu não faria hoje.”

Quando descobriu a farsa de Fernanda, Romane simplesmente acabou o namoro: “Percebi que o caráter dela era muito diferente do que ela havia me dito, ela mentiu para mim em vários aspectos, não só sobre sua profissão. Nunca contei para ela que eu descobri. Não queria destruir o mundo que ela tinha criado para mim, tive medo que ela surtasse.

Depois que voltou para o Brasil, o escritor não teve mais notícias de sua ex-namorada: “Pelo que eu sei ela se casou com um americano e está tirando o green card.” Ele diz que não escreveu o livro pensando na reação que a moça terá quando ler a história dos dois: “Acho que ela vai acabar sabendo do livro, mas sua reação é imprevisível. Uns dois meses antes de descobrir que ela era garota de programa, e isto está no livro, eu falei pra ela que ia escrever um livro sobre ela. Só não imaginava que seria assim.”

Pego de surpresa com o fim dramático de seu relacionamento, Romane construiu sua história de forma pessoal e bastante informal. O livro tem uma narrativa leve, com muitos diálogos e poucas descrições. O começo empolga na saga entre o rapaz (hoje com 23 anos, mas que na época tinha 20) e sua vizinha – um enredo semelhante ao de filmes como ‘Show de Vizinha’ ou ‘O Pecado mora ao lado’, com uma bela moça que se envolve com um jovem um tanto quando desajeitado. A narrativa perde força no final, mas, como Romane diz, “é uma história que vale a pena ser contada.”

Matéria escrita e publicada terça-feira (07) no Portal da RedeTV.

FLIP 2011 será entre os dias 6 e 10 de julho

A próxima edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) já tem data marcada. A 9ª edição da FLIP vai acontecer entre os dias 6 e 10 de julho de 2011, com a estreia de Manuel da Costa Pinto na curadoria do evento.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (02) à imprensa, Mauro Munhoz, diretor-presidente da Associação Casa Azul, responsável pela organização do evento, disse que a associação já está trabalhando na FLIP 2011: “Sempre no intuito de manter a qualidade do evento que já conquistou a agenda literária mundial.”

A edição de 2010 aconteceu em agosto devido à Copa do Mundo, mas para o próximo ano já voltará para julho, mês em que tradicionalmente se realiza.

Nota escrita e publicada quinta-feira (02) no Portal da RedeTV.