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O Brasil está com tudo

Em menos de 15 dias, Ricardo Darín e Francis Ford Coppola passaram pelo Brasil. Os dois estiveram em São Paulo: Darín foi homenageado pela 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul e participou da pré-estreia de seu novo filme como protagonista, ‘Abutres‘, que estreou nesta sexta (03) no circuito comercial. Coppola também apresentou seu trabalho mais recente por aqui, o diretor veio exclusivamente para divulgar ‘Tetro‘.

Na última quarta-feira (01), Coppola conversou com a imprensa à tarde e participou da pré-estreia de ‘Tetro’ de noite, para a alegria dos paparazzi, que não deixaram o diretor em paz, afastando até os fãs que desejavam tietar. Era igualmente incomodado pelos flashes quando iniciou a coletiva de imprensa. Felizmente, os jornalistas presentes pareciam agradar com seus questionamentos. Em sua maioria, com um ar de idolatria, muitos de nós pensando que não sabiam sequer por onde começar suas perguntas ao diretor. E, na dúvida, optavam pelo silêncio.

As perguntas foram poucas, mas Coppola falou como um verdadeiro mestre, ensinando lições de cinema, ainda que breve, aos jovens ali presente. Em sua fala, sempre humilde, o cineasta falou de sua paixão pela literatura latino-americana, que o levou a escolher Buenos Aires como cenário. Revelou também que quis fazer um filme “como se fosse um estudante” e disse que agora só quer fazer filmes “para aprender, não pelo dinheiro ou pelo sucesso.” Ele já não precisa.

E não somos só nós que sabemos disso, ele mesmo fala que já não se importa mais com a crítica ou com o sucesso de seus filmes. Está velho demais para isso, parece dizer, com sua barba branca e os cabelos levemente desgrenhados, enquanto nós ficamos pensando “o senhor já está famoso demais para isso”. Senhor, sim, porque é até difícil imaginar tratar o poderoso chefão em pessoa de outra forma.

Apesar disso, e apesar também de não disfarçar o mal-estar que os fotógrafos lhe causam, Coppola é simpático com os repórteres. Na coletiva, não exitou em desautorizar a assessora de imprensa, que queria encerrar a festa dos jornalistas. “Mas já? Eu mal comecei!”, brincou Coppola, perguntando quem ainda tinha perguntas a lhe fazer. Eram quatro e ele se propos a responder todas elas. Na pré-estreia, desta vez assediado por repórteres de televisão, também foi simpático em seus comentários, elogiando o cineasta Walter Salles e o cinema brasileiro. Coppola será o produtor de ‘On the Road‘, road movie que o Salles está filmando com Kristen Stewart.

Já Ricardo Darín, possivelmente o maior ator argentino da atualidade, foi tão protegido por sua assessoria de imprensa que os fotógrafos mal tiveram tempo de assediá-lo. (Mas quando nos deixaram fotografá-lo, ele foi simpático e receptivo, um gentleman). No último dia 19, mesmo dia da abertura da 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul em São Paulo, o ator participou de uma coletiva de imprensa na Cinemateca Brasileira. Modesto, ele disse que não se julga merecedor de homenagens e discordou do repórter que lhe perguntou se ele era o ator mais famoso de seu país.

Depois do sucesso de ‘O Segredo dos Seus Olhos‘, que levou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2009, Darín volta às telas com ‘Abutres’, de Pablo Trapero (‘Leonera‘), em que interpreta um advogado que perdeu sua licença e foi trabalhar em uma Fundação que explora os acidentados em vias públicas, ajudando-os a obterem dinheiro de suas seguradoras de vida, mas retendo boa parte da indenização. São os apelidados “abutres”.

Em um ambiente hostil, como o próprio ator define (o filme se passa na região periférica de Buenos Aires), seu personagem Sosa conhece Luján (Martina Gusmán), uma paramédica que atende os acidentados. O amor dos dois motiva o protagonista a querer sair de seu emprego, mas, em um negócio escuso, nada é tão simples.

O filme é triste, com uma violência seca. Retratando uma situação difícil sem meias palavras e mostrando até que ponto as pessoas chegam por dinheiro. ‘Abutres’ guarda alguma semelhança com ‘Tetro’ em seus retratos das relações humanas. Ambos os filmes são memoráveis, bem como a passagem de seus realizadores pelo Brasil.

Texto escrito e publicado hoje no Vereda Estreita.

Ricardo Darín diz que não se julga merecedor de homenagens

Um dos grandes nomes do cinema argentino atual, o ator Ricardo Darín, protagonista de filmes como ‘O Segredo dos Seus Olhos’ e ‘O Filho da Noiva’, veio ao Brasil prestigiar a homenagem que recebe da 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul, que começa nesta sexta-feira (19) em São Paulo. O ator conversou com os jornalistas e disse que não se julga merecedor de homenagens: “Aceitei esta devido à importância do festival, de se discutir o tema dos direitos humanos, mas não me julgo muito merecedor de homenagens.”

Realizado em 20 capitais, a Mostra segue até dia 19 de dezembro, passando cerca de uma semana em cada cidade. O mais recente filme protagonizado por Darín, ‘Abutres’, é um dos destaques da Mostra. Dirigido por Pablo Trapero (‘Leonera’), o filme é a aposta da Argentina em uma possível disputa por mais um Oscar. Darín contou que trabalhar com Trapero foi uma experiência nova: “é bom conhecer novos pontos de vista na direção, ele é alguém que se envolve com o que faz, não fica só no escritório.”

Darín revelou que este novo filme conta a história de amor entre duas pessoas que se envolvem em um ambiente hostil: “Foi isso o que me atraiu no roteiro”. Ele disse também que gosta de filmar histórias envolventes: “Tenho bastante critério para escolher meus personagens, gosto de histórias que me envolvem. [Protagonizar] Boas histórias foi abrindo caminho para mim [aos olhos do público e da crítica internacionais]. Me comove que meus filmes tenham tido boa aceitação.”

Sempre simpático, Darín abriu um sorriso ao falar do cinema brasileiro. Ele comentou que está envolvido em um projeto com o diretor Walter Salles – os dois vão filmar ‘Terra’, um road movie que terá Ricardo Darín e Gael Garcia Bernal no elenco. Darín também se disse fã de ‘Cidade de Deus’ e de ‘Pixote – A Lei do mais fraco’.

Ele também discordou de sua fama de galã: “Com esse nariz e esses dentes, você não faria essa pergunta se eu não tivesse esses olhos”, disse à jornalista que o comparou com o astro Humphrey Bogart por sua “beleza rude”.

Matéria escrita e publicada ontem no Portal da RedeTV (a foto eu tirei na pré-estreia do filme, à noite).

Veja quais longas podem disputar o Oscar de filme estrangeiro

65 países disputam uma vaga para concorrer ao Oscar de filme estrangeiro em 2011. A lista, divulgada hoje, inclui países que nunca tentaram a vaga, como Etiópia e Groenlândia.

Este ano, o Brasil tenta chegar ao Oscar com o filme ‘Lula, o Filho do Brasil’, dirigido por Fábio Barreto e que conta a tragetória do presidente e sua mãe enquanto Lula era criança e até se tornar metalúrgico.

No dia 25 de janeiro de 2011 serão divulgados os cinco candidatos que vão concorrer ao Oscar de filme estrangeiro e a cerimônia de entrega acontece no dia 27 de fevereiro.

Entre os favoritos estão o tailandês ‘Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives’ (Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas, em tradução livre), de Apichatpong Weerasethakul, que venceu a Palma de Ouro de Cannes este ano; o argentino ‘Abutres’, de Pablo Trapero (de ‘Leonera’), e o mexicano ‘Biutiful’, de Alejandro Gonzalez Inarritu (de ‘Babel’ e ’21 gramas’).

Confira a lista completa:

Albânia
“East, West, East”, de Gjergj Xhuvani

Algéria
“Hors la Loi” (“Outside the Law”), de Rachid Bouchareb

Argentina
“Abutres” (“Carancho”), de Pablo Trapero, estreia no Brasil em 26/11

Áustria
“La Pivellina”, de Tizza Covi e Rainer Frimmel

Azerbaijão
“The Precinct”, de Ilgar Safat

Bangladesh
“Third Person Singular Number”, de Mostofa Sarwar Farooki

Bélgica
“Illegal”, de Olivier Masset-Depasse

Bósnia-Herzegovina
“Circus Columbia”, de Danis Tanovic

Brasil
“Lula, o Filho do Brasil”, de Fábio Barreto

Bulgária
“Eastern Plays”, de Kamen Kalev

Canadá
“Incendies”, de Denis Villeneuve

Chile
“The Life of Fish”, de Matias Bize

China
“Aftershock”, de Feng Xiaogang

Colômbia
“Crab Trap”, de Oscar Ruiz Navia

Costa Rica
“Of Love and Other Demons”, de Hilda Hidalgo

Croácia
“The Blacks”, de Goran Devic e Zvonimir Juric

República Tcheca
“Kawasaki’s Rose”, de Jan Hrebejk

Dinamarca
“In a Better World”, de Susanne Bier

Egito
“Messages from the Sea”, de Daoud Abdel Sayed

Estônia
“The Temptation of St. Tony”, de Veiko Ounpuu

Etiópia
“The Athlete”, de Davey Frankel e Rasselas Lakew

Finlândia
“Steam of Life”, de Joonas Berghall e Mika Hotakainen

França
“Of Gods and Men”, de Xavier Beauvois

Georgia
“Street Days”, de Levan Koguashvili

Alemanha
“When We Leave”, de Feo Aladag

Grécia
“Dogtooth”, de Yorgos Lanthimos

Groenlândia
“Nuummioq”, de Otto Rosing e Torben Bech

Hong Kong
“Echoes of the Rainbow”, de Alex Law

Hungria
“Bibliotheque Pascal”, de Szabolcs Hajdu

Islândia
“Mamma Gogo”, de Fridrik Thor Fridriksson

Índia
“Peepli [Live]”, de Anusha Rizvi

Indonésia
“How Funny (Our Country Is)”, de Deddy Mizwar

Irã
“Farewell Baghdad”, de Mehdi Naderi

Iraque
“Son of Babylon”, de Mohamed Al-Daradji

Israel
“The Human Resources Manager”, de Eran Riklis

Itália
“La Prima Cosa Bella” (“The First Beautiful Thing”), de Paolo Virzi

Japão
“Confessions”, de Tetsuya Nakashima

Cazaquistão
“Strayed”, de Akan Satayev

Coréia
“A Barefoot Dream”, de Tae-kyun Kim

Quirguistão
“The Light Thief”, de Aktan Arym Kubat

Letônia
“Hong Kong Confidential”, de Maris Martinsons

Macedônia
“Mothers”, de Milcho Manchevski

México
“Biutiful”, de Alejandro Gonzalez Inarritu, estreia no Brasil em 28/01

Holanda
“Tirza”, de Rudolf van den Berg

Nicarágua
“La Yuma”, de Florence Jaugey

Noruega
“The Angel”, de Margreth Olin

Perú
“Undertow” (“Contracorriente”), de Javier Fuentes-Leon

Filipinas
“Noy”, de Dondon S. Santos e Rodel Nacianceno

Polônia
“All That I Love”, de Jacek Borcuch

Portugal
“To Die Like a Man”, de Joao Pedro Rodrigues

Porto Rico
“Miente” (“Lie”), de Rafael Mercado

Romênia
“If I Want to Whistle, I Whistle”, de Florin Serban

Rússia
“The Edge”, de Alexey Uchitel

Sérvia
“Besa”, de Srdjan Karanovic

Eslováquia
“Hranica” (“The Border”), de Jaroslav Vojtek

Eslovênia
“9:06”, de Igor Sterk

África do Sul
“Life, above All”, de Oliver Schmitz

Espanha
“Tambien la Lluvia” (“Even the Rain”), de Iciar Bollain

Suécia
“Simple Simon”, de Andreas Ohman

Suíça
“La Petite Chambre”, de Stephanie Chuat e Veronique Reymond

Taiwan
“Monga”, de Chen-zer Niu

Tailândia
“Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives”, de Apichatpong Weerasethakul

Turquia
“Bal” (“Honey”), de Semih Kaplanoglu

Uruguai
“La Vida Util”, de Federico Veiroj

Venezuela
“Hermano”, de Marcel Rasquin

Nota escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.