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A Morte de Ivan Ilitch

Ao final da leitura, sobra uma estranha sensação de fragilidade. O perigo é bater em algum elemento banal e acabar morrendo disso, sendo também banal sua vida, como a de Ivan Ilitch, o personagem com o qual Tolstói perturba sua vida em 90 pequenas páginas nesta novela.

A morte é dada no título e logo no primeiro capítulo. Mas é em cada fonema agoniado que cresce o desconforto. Do personagem e do leitor. É da vida miserável de Ivan Ilitch que queremos fugir. Não por ter sido penosa, mas por sua banalidade.

O professor de Estudos Literários recomendou a leitura para uma sala composta em sua maioria por jovens de 17/18 anos. Talvez em alguns anos esquecem do que leram e venham a ser como o personagem, vivendo no limite do socialmente aceitável e – em último caso – morrendo disso.

Não sou muito mais velha que meus colegas de sala, mas fechei o livro pensando em tanta gente que conheço, com uma tristeza que me fez querer escrever este post e recomendar a leitura da novela. São poucas páginas nas quais Ivan é cada um que se deixa morrer aos poucos. E dá medo de ser como ele.

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Quem sou

Minha vida tem mudado rapidamente nos últimos anos/meses. Hoje, sou uma soma das alegrias dos primeiros anos de faculdade com as amarguras e boas pautas que restaram de empregos passados.

As tardes passadas na prainha da ECA/USP não tem nem cinco anos, mas já parecem psicologicamente tão distantes… Os perrengues vividos no mercado de trabalho depois delas somaram-se à tendência que tenho de ter uma visão um tanto quanto amarga da vida, embora procure me manter otimista.

Mas, voltando ao principal desta página, o ‘Quem sou’, acho válida a descrição que mantenho no twitter (@brunabuzzo): Paulistana, ecana e jornalista. Irritadiça por natureza e frequentemente verborrágica, encontro nos filmes e livros os melhores calmantes.

Há também o suco de maracujá, que não está no twitter, mas sempre ajuda. A descrição que fiz de mim mesma no site Vereda Estreita, do qual sou colaboradora, também é válida:

“Viciada em cinema e fotos. Irritadiça por natureza. Dorminhoca e frequentemente verborrágica. Paulistana incorrigível. Fotógrafa amadora nas horas vagas e em momentos de tédio. Encontra na noite a luz ideal. Não há cenário melhor que o urbano para ver e registrar histórias, seja em imagens ou textos. Sem ter tido idéias melhores para seu futuro, em 2007 foi estudar jornalismo na ECA/USP, conheceu um mundo mágico na faculdade e acabou gostando da profissão, que cresce a cada dia em seu interior e lhe fez abrir os olhos para o mundo. Entre uma viagem e outra pela cidade de São Paulo, os livros são companhias sempre fiéis. O cinema está sempre presente e se mostrou necessário, foi o jeito saudável que encontrou de lidar com a vida. Enquanto não pode conhecer o mundo, vai descobrindo um pouco de cada cultura atráves dos filmes e livros. Assistia muito telejornal quando criança e descobriu muito cedo que o mundo real jamais será uma comédia romântica.”

Em resumo, então, sou uma mistura da cidade em que vivo com a profissão que escolhi e a faculdade em que estudo. Juntando-se a tudo isso uma pitada de amargura e um grande interesse por produtos culturais. Ou eu poderia escrever simplesmente:

Quem sou: Jornalista paulistana prestes a se formar pela ECA/USP. Amante de livros e filmes.

Seria mais simples, mas, como eu já havia dito, sou tagarela.

Escrevi este texto no dia 17/07 e o mantive por algum tempo na página “Quem Sou”. Depois de editá-la, publico-o aqui, na data que seria um dia após o texto ter sido escrito (18/07).

Quem sou

Atualmente, sou uma quase ex-ecana surtando com seu TCC.

(E me sinto um tanto desconfortável com os olhares estranhos que recebo dos bixos quando vou à ECA conversar com minha orientadora sobre o andamento do trabalho.)

Do mais, preciso rever esta página. É um dos tantos projetos que tenho para quando a faculdade foi apenas saudade.

No dia 23/05, foi assim que me descrevi aqui no blog. Deixei o texto acima por algum tempo na página “Quem sou”, misturado com outras descrições anteriores, como a do dia 25/07/2010 e a do dia 10/03/2011, daí se entende o comentário “preciso rever esta página”. Republico esta descrição aqui para mantê-la como registro. [16/06/2011]

Formatura

Fases pelas quais passei como ECAna (comuns à muitos colegas):

– Alegria por passar;

– Revolta achando que sua faculdade não presta ao mesmo tempo em que cresce o apego pelo local, seu clima e pessoas;

– Sensação de tempo perdido, aulas perdidas, mas bons amigos e momentos conquistados;

– Saudade antecipada pelo fim, sentimento de perda do local amado;

– Percepção de que a faculdade foi boa afinal, talvez não tanto pelas aulas, mas pelas reflexões, pelo ambiente [da USP como um todo]; pelo pensamento estimulado, pelas pessoas que você conheceu, com as quais foi conversando e trocando ideias;

– Estranhamento misturado com saudade e lembranças no retorno ao local amigo, já distante de você – mesmo que eu ainda não tenha me formado;

Fico imaginando como será visitar a ECA em 10 ou 20 anos. Espero que não mudem os departamentos para outro prédio. Seria como perder o lugar para o qual voltar.

A enchente não lavou o Carnaval

Matéria minha e da Carol sobre São Luiz do Paraitinga escrita em julho para a Revista Babel (ECA/USP – 1º semestre de 2010)
(Orgulho meu está primeira foto!)

A enchente não lavou o Carnaval Por Bruna Buzzo e Carolina Rossetti

O canto da negra é de dor. Seu samba, colorido com belas fitas e brancos ornamentos, é  triste. O grupo louva a Deus em tom de ladainha, aquele ritmo solitário das lavadeiras que trabalham à beira dos rios. Tal qual uma bateria de escola de samba, a dança também tem sua rainha, devidamente trajada com um belo vestido, branco e enfeitado como os de noiva. Mas a bela noiva já não tem igreja para casar. Read More

via Revista Babel

Luciano Iritsu – body artist

Depoimento do body artist Luciano Iritsu, realizado por André Eler, Bruna Buzzo, Carolina Rossetti e Marcos Guerra para a disciplina de Projetos em TV, do curso de Jornalismo da ECA/USP.

Fome de estrada

Posted on 16/julho/2008 by Cinéfilos6 comentários

Nada melhor do que acordar pela manhã, escovar os dentes, tomar um banho quentinho e saborear um belo café da manhã em família. Mas como ficam as refeições em tempos de férias? O dinheiro não dura para sempre e sua primeira refeição pode ser também a única. Sair andando pelas paisagens secas do Texas, como Travis Henderson (Harry D. Stanton) em Paris, Texas, pode não ser a idéia mais sensata.

Um café da manhã no melhor estilo norte-americano pode ser uma boa pedida. Reforçado e completo em nutrientes, ajuda a manter os ânimos para os longos dias de viagem tão sonhados de quaisquer férias. Seguindo a dica de Thelma & Louise, procure um ovo com duas gemas, e experimente um bom mexido de ovos.

Ingredientes:

– 1 cebola bem picada
– 2 colheres (sopa) de manteiga
– 3 ovos
– 3 fatias grandes de bacon
– Sal e alho a gosto

Preparo:

Em uma panela separada, frite o bacon com 1 colher de manteiga até dourar. Reserve.

Em outra panela, frite a cebola com a outra colher de manteiga, se quiser acrescente um pouco de alho e frite junto com a cebola. Despeje os ovos e mexa bem até fritar e desgrudar da panela. Desligue o fogo e acrescente o bacon.

Mais molhadinho:

Se preferir ovos mais molhadinhos, coloque dois tomates pequenos bem picadinhos antes de misturar os ovos. Cozinhe-os rapidamente junto com a cebola e em seguida acrescente os ovos.

Ovos, suco, panquecas, torradas, café. Acompanhado dos tradicionais elementos de tantas outras manhãs em filmes norte-americanos, inspire-se no cinema e siga a dica para uma boa alimentação saudável: a primeira refeição do dia deve ser também a mais reforçada. Depois, economize nos restaurantes para o almoço e reserve dinheiro para incrementar suas férias.

Mas tome cuidado com as trilhas! Ter fome em uma estradinha deserta pode ser a catástrofe nas suas lembranças de férias. Tome cuidado para, esfomeado, não entrar na primeira birosca que aparecer em seu caminho e terminar como a lhama-imperador Cuzco, em A Nova Onda do Imperador. Afinal, você não quer terminar seu dia comento caracóis, certo?! Capriche nos ovos e boa viagem!

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Tudo assim tão diferente

Comecei este novo blog pensando em republicar todo o conteúdo de meu antigo blog aqui. Mas como o UOL não tem ferramentas que permitem uma migração automática e devido à preguiça, mudei o direcionamento de minha proposta.

Tentei, de fato, republicar. Cansei nos três primeiros posts. E, relendo este que republico abaixo, me veio à cabeça Cássia Eler

“(…) nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente…”

Foi bom no começo. E agora que o final [da faculdade] se aproxima há aquela apreenção misturada com tristeza por uma nova separação dos amigos e uma sensação de tempo perdido, desperdiçado.

Publicado em 02/04/2007, 11h03:

A divagação inutil é o que há!

Há momentos em que vc cansa do orkut, cansa do computador, mas ñ sai dele, ñ se desconecta…
começa a divagar, pensar besteiras e escrever coisas a toa, dessas que vc escreve para ninguem ler e que ninguem vai ler mesmo.

Estava pensando em um momento desses sobre esse começo de ano e ainda sobre o final do ano passodo, a transição. os amigos fragmentados, cada um no seu canto. Uns foram pra faculdade, outros pro cursinho, em comum: uma historia vivida e muitas risadas futuras.
Deparar-se com um mundo novo [risadas inerentes a ele], a ECA e sua agua que nos faz voltar à primeira infancia, é o que dizem, um mês depois, eu ñ duvido. Crianças na purberdade, risadas a toa, futuros jornalistas ecologicos.
Os novos assuntos que surgem nas conversas com os amigos do colegio, agora são a faculdade, as novas aulas, uma amiga da Poli reclamando da vida. Alguns reclamam do calor do interior, do trem que leva até a zl, ou do onibus que chega até a cidade universitaria. O deserto do relógio e suas mil faces.
Algum dia as coisas mudam, e que venham varios e varios encontros no café da história!

“Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora
Das descobertas que fizemos
Dos sonhos que tivemos
Dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas
Da angústia
Das vésperas dos finais de semana
Dos finais de ano
Enfim… Do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado,
Seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe…
Nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices…
Aí, os dias vão passar, meses… anos…
Até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo….
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
“Quem são aquelas pessoas?”
Diremos…que eram nossos amigos e…… Isso vai doer tanto!
“Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!”
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente……
Quando o nosso grupo estiver incompleto…
Reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida,
Isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo…..
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo:
Não deixes que a vida passe em branco,
E que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades…
Eu poderia suportar, embora não sem dor,
Que tivessem morrido todos os meus amores,
Mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”

Fernando Pessoa

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