Tag Archive | Festival de Cannes

Cada um com seu cinema

Gostei bastante dos curtas que compõe o filme “Cada um com seu cinema” (Chacun son cinéma/2007), realizado por ocasião dos 60 anos do Festival de Cannes. Achei interessante como alguns diretores deixam suas marcas claras, enquanto outros surpreendem fugindo delas. As reflexões podem ser superficiais, mas é um belo filme – e é divertido tentar imaginar de quem são os curtas.

Posto aqui alguns dos que estão no Youtube e tem legendas (ou estão em inglês).

Trois Minutes

Dans L’Obscurite

Não encontrei nenhuma versão do curta de Wong Kar Wai (I traveled 9000 km to give it to you) com legendas. Uma pena, foi um dos que eu mais gostei (e o texto está em chinês, então…).

Outros curtas online:
– “At the Suicide of the Last Jew in the World in the Last Cinema in the World” (em inglês);
– “War In Peace“;
– “Miguel Pereira em Cannes“;
– “World Cinema“;
– “The Electric Princess House“.

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Cantet defende um fazer educacional apaixonado

Posted on 18/março/2009 by Cinéfilos

Após a exibição de seu novo filme em uma pré-estreia na Reserva Cultural, em São Paulo, Laurent Cantet abriu o debate com o público afirmando (e avisando) que seu Entre os Muros da Escola (Entre les Murs), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2008, não é um filme sobre educação feito para educadores, “não sou um educador”, mas sim um filme que pretende questionar as questões ligadas à educação na França, facilmente estendíveis ao resto do mundo. Sempre com a ajuda da intérprete, o diretor disse não gostar de filmes que propõem respostas, “acho importante questionar”.

O debate foi mediado pelo crítico de cinema Sérgio Rizzo e também contou com a presença da diretora Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade) e dos educadores Julio Groppa Aquino, docente da Faculdade de Educação da USP, e José Ernesto Bologna, consultor em Psicologia do Desenvolvimento aplicada à Administração e Educação.

Em seus primeiros comentários sobre Entre os Muros, os convidados para o debate elogiaram o diretor francês pelo ótimo trabalho realizado. Laís afirmou-se emocionada com o filme, Bolonha disse a Cantet que “gostaria que os educadores falassem de cinema como ele fala de educação”, uma vez que a escola é a primeira amarra do indivíduo para com a sociedade e o educador deve respeitar a identidade e as diferenças de cada aluno, fato este que é a todo instante retratado no longa.

Concordando com os demais, Aquino afirmou ser este um filme pioneiro, “em geral, os filmes trazem uma visão idealizada da educação. Entre os Muros é honesto, e não moralista; ele coloca o “fazer docente” em discussão, este fazer cotidiano sem grandes metanarrativas.”

O filme por seu diretor
Cantet achou importante colocar a ideia da escola como um ambiente democrático em cena: diferentes tipos convivem em um mesmo ambiente e retratar diferentes atritos que podem surgir desta convivência.

O diretor propõe no filme que se procure e incentive um lado que há muito as escolas vem deixando de lado: a criação de senso crítico nos alunos. “Vejo duas funções essenciais na escola: a primeira é ensinar noções básicas de matemática, biologia, física etc, a segunda é dar ferramentas para que o aluno possa enfrentar a sociedade em que vive, é transmitir senso crítico.”

Como pai, Cantet vê que a escola hoje não quer mais correr o risco dessa segunda função, transferindo-a exclusivamente para os pais. O que lhe agradou no livro de François Bégaudeau foi o fato de o professor tentar dar aos alunos algum senso crítico, humanizá-los ao invés de tratá-los como animais.

A discussão do amor que François coloca no que faz também é um ponto importante para o diretor. “Muitos professores e pedagogos criticam uma relação afetiva com os alunos, mas eu, que não tenho formação de pedagogo, sinto que sedução e ternura são indispensáveis para se conseguir trazer o aluno para o assunto tratado em aula.”

É preciso exercer a profissão com paixão, para que os segredos que surgem todos os dias entre os muros de uma escola não deixem o professor louco. Esta paixão, esta percepção de que mudanças são necessárias no sistema educacional moderno foi o que Laurent Cantet encontrou na história real do jovem professor François Bégaudeau, uma história sem idealizações, com erros e tropeços, palpável.

Leia mais sobre Entre os Muros da Escola AQUI.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Coragem para enfrentar os próprios muros

Posted on 13/março/2009 by Cinéfilos

A frase acima simboliza bem Entre os Muros da Escola (Entre les Murs), novo longa do diretor Laurent Cantet, vencedor da Palma de Ouro 2008, a maior premiação do Festival de Cannes, dentre outras premiações. O filme é simples e sua simplicidade torna-se comovente.

Baseado na história contada pelo professor François Bégaudeau (protagonista e co-roteirista do filme) em seu livro homônimo, Entre os Muros é um filme quase documental. Sem atores profissionais, o uso de estudantes e professores “de verdade” criou um cenário emocional que nada deve a um colégio atual.

Na tela, vemos François desdobrar-se para lidar com uma turma de alunos da 7ª série de uma escola pública em Paris, cada um com uma origem étnica e influências culturais diferentes. A vida pessoal do professor e dos alunos não esta em cena, o foco da narrativa é a relação que se desenvolve entre alunos, rebeldes e muitas vezes mal-educados e os professores, igualmente humanos, com suas crises nervosas e descontroles emocionais.

O diretor Laurent Cantet conta que “quis usar pessoas que soubessem como é a realidade dentro dos muros de uma escola”, alguém que fizesse parte daquele cenário ao invés de um ator que nada entende do assunto. François interpreta ele próprio; as crianças criaram personagens baseadas em suas vivências dentro das salas de aula.

François representa todos os professores da escola em que trabalha, e também professores de todo o mundo, que todos os dias lidam com situações semelhantes às suas, fazendo o impossível para se manterem sãos e ainda valorizar e ensinar os pequenos que os cercam. Tudo isso controlando os nervos e evitando ataques.

O desafio imposto às crianças é o de superar suas próprias barreiras, conseguir pular os muros que a vida impõem a uma parcela excluída da sociedade. Para ambos, sobreviver é ser o mais humano possível e manter o olhar amoroso que vemos em François.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Sombras da Vida

Posted on 27/fevereiro/2009 by Cinéfilos

Três Macacos (Üç Maymun) é um filme de tristes  sombras, da fotografia aos personagens. As cenas escuras, com poucos focos de luz e fortes contrastes, nos mostram o que veremos ao longo de todo o filme: uma família sofrida, repleta de problemas e segredos, sempre sujeita às manipulações e peças que a vida nos prega.

Como no provérbio japonês e na imagem que comumente os representa (os três macacos sábios que nos dizem que não se deve “ver o mal”, “ouvir o mal”, “falar o mal”), os personagens principais da trama são os três macacos que não desejam se comunicar, que preferem ignorar detalhes de suas vidas, omitir informações e construir uma convivência pacífica baseada em segredos. Algo humanamente impossível. Fracassam. E suas vidas caem por terra, levando convicções e esperanças.

Ao contrário dos três macacos do provérbio, a família que compõe o eixo central deste longa não faz bem ao evitar ver e compartilhar suas aflições. Por dinheiro, Eyüp (Yavuz Bingol, o pai) assume a culpa por um acidente causado por seu chefe, Servet (Ercan Kesal), um político que está tentando se eleger. Hacer (Hatice Aslan), a mãe, e o filho do casal, Ismail (Rifat Sungar), ficam desnorteados com a ausência paterna, e acabam fazendo coisas que Eyüp não aprovaria.

A trama se desenvolve de um modo peculiar que quase se poderia dizer típico dos filmes do “lado B da Europa”. Um país pobre, com uma população arrasada tentando de tudo para sobreviver e melhorar de vida. A direção de Nuri Bilge Ceylan foi premiada no Festival de Cannes 2008.

A fotografia é o grande destaque do filme, linda do começo ao fim, nos envolve na trama. Quanto a mim, digo que gostei mais do filme por que a fotografia escura me mostrou o quão melancólica pode ser a vida. Pela fotografia, é possível solidarizar-se com a pobre família. E desejar que tenham sorte em suas buscas, que saiam da escuridão e sobrevivam às tempestades.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.