Tag Archive | Jornalismo Júnior

Fim dos tempos: “Presságio”

Posted on 10/abril/2009 by Cinéfilos [Link atualizado]

Presságio é mais um daqueles inúmeros filmes de fim do mundo. Uma mistura e colagem de vários filmes do gênero. Não se pode dizer que o filme foi mal feito ou que não tem bons efeitos especiais, o filme que custou US$50 milhões e a produção foi cuidadosa.

O problema de Presságio é que seu começo lembra A Profecia, com uma menina perturbada, tal qual o menino demônio do clássico suspense de 1976, e um toque de 23, como números malignos. E seu meio e final misturam de Guerra dos Mundos e Impacto Profundo a Ensaio sobre a Cegueira, tudo isso com um toque meio bíblico, que pode ser um pouco absurdo ou inacreditável.

A aparência não saudável da menina do começo nos faz crer que os números que escreve freneticamente em um papel onde deveria estar fazendo um desenho são ‘do mal’ e ela também. A idéia era fazer desenhos que seriam enterrados em uma cápsula do tempo, a ser aberta 50 anos mais tarde pelos alunos da escola onde Lucíola escreve seus números em 1959.

Passados os 50 anos, os números caminham até as mãos de Caleb, filho de John Koestler, professor de astrofísica do MIT, o herói Nicolas Cage. Como não poderia deixar de ser, John se debruça sobre tais números, encontrando padrões e seqüências que o levam aos principais desastres dos últimos 50 anos, previstos pela menina que dizia ouvir vozes e que haviam se conservado enterrados.

O desenrolar da trama acompanha John tentando prevenir os desastres, até chegar ao último da lista, o derradeiro e inevitável. No final, a catástrofe, que fora prevista pelo professor tempos antes, é anunciada pelo governo, causando pânico na população, a la Ensaio sobre a Cegueira, com corridas por comida e multidões pelas ruas. Não é um filme de todo ruim, mas é inevitável não pensar que faltam ideias aos estúdios ou que os roteiristas quiseram salvar a terra com a religião e elementos externos a nós.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Obs.: Link atualizado em ago/2016. Os links para meus textos escritos por lá por ser encontrados pela busca ou AQUI.

Anúncios

Um outro olhar: “Perturbados”

Posted on 25/março/2009 by Cinéfilos

O documentário Perturbados (Mental), de Kazuhiro Soda, em exibição no Festival É Tudo Verdade de São Paulo, aborda a questão da deficiência mental através de um olhar oriental: o diretor, com a calma peculiar aos japoneses, cria um filme em que vários pacientes da clínica japonesa Chorale Okayama ganham voz e nos contam suas histórias. A clínica trata pacientes de esquizofrenia, distúrbio polar, síndrome do pânico e de outras doenças mentais.

As histórias contadas por estas pessoas sofridas renderam ao filme o prêmio de melhor documentário no festival de Dubai em 2008. O longa é composto por tristes sagas, como a da mulher que perdeu a família e chegou a matar um filho bebê devido a seus distúrbios: a moça ouvia vozes que a incentivavam a cometer atos como este ou abandonar sua casa, fato este que se vê no filme.

A relação destas pessoas com os que as cercam mais intimamente, a clínica, os médicos e a própria sociedade são o tema deste filme que cria tristes personagens. Filmadas de maneira simples, o que vemos são vidas reais que parecem saídas de um conto ou filme de ficção.

O problema deste filme é que seus 135 min parecem um pouco exagerados: é muito tempo para os poucos personagens. Cada personagem fala várias vezes e por muito tempo, tornando-se cansativo em alguns momentos. Mais ágil que filmes de ficção japoneses, este documentário tem a grande vantagem de nos mostrar um outro olhar sobre o tratamento de doenças mentais e a vida destas pessoas, perseguidas e perturbadas por disturbios que jamais poderão controlar.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Cantet defende um fazer educacional apaixonado

Posted on 18/março/2009 by Cinéfilos

Após a exibição de seu novo filme em uma pré-estreia na Reserva Cultural, em São Paulo, Laurent Cantet abriu o debate com o público afirmando (e avisando) que seu Entre os Muros da Escola (Entre les Murs), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2008, não é um filme sobre educação feito para educadores, “não sou um educador”, mas sim um filme que pretende questionar as questões ligadas à educação na França, facilmente estendíveis ao resto do mundo. Sempre com a ajuda da intérprete, o diretor disse não gostar de filmes que propõem respostas, “acho importante questionar”.

O debate foi mediado pelo crítico de cinema Sérgio Rizzo e também contou com a presença da diretora Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade) e dos educadores Julio Groppa Aquino, docente da Faculdade de Educação da USP, e José Ernesto Bologna, consultor em Psicologia do Desenvolvimento aplicada à Administração e Educação.

Em seus primeiros comentários sobre Entre os Muros, os convidados para o debate elogiaram o diretor francês pelo ótimo trabalho realizado. Laís afirmou-se emocionada com o filme, Bolonha disse a Cantet que “gostaria que os educadores falassem de cinema como ele fala de educação”, uma vez que a escola é a primeira amarra do indivíduo para com a sociedade e o educador deve respeitar a identidade e as diferenças de cada aluno, fato este que é a todo instante retratado no longa.

Concordando com os demais, Aquino afirmou ser este um filme pioneiro, “em geral, os filmes trazem uma visão idealizada da educação. Entre os Muros é honesto, e não moralista; ele coloca o “fazer docente” em discussão, este fazer cotidiano sem grandes metanarrativas.”

O filme por seu diretor
Cantet achou importante colocar a ideia da escola como um ambiente democrático em cena: diferentes tipos convivem em um mesmo ambiente e retratar diferentes atritos que podem surgir desta convivência.

O diretor propõe no filme que se procure e incentive um lado que há muito as escolas vem deixando de lado: a criação de senso crítico nos alunos. “Vejo duas funções essenciais na escola: a primeira é ensinar noções básicas de matemática, biologia, física etc, a segunda é dar ferramentas para que o aluno possa enfrentar a sociedade em que vive, é transmitir senso crítico.”

Como pai, Cantet vê que a escola hoje não quer mais correr o risco dessa segunda função, transferindo-a exclusivamente para os pais. O que lhe agradou no livro de François Bégaudeau foi o fato de o professor tentar dar aos alunos algum senso crítico, humanizá-los ao invés de tratá-los como animais.

A discussão do amor que François coloca no que faz também é um ponto importante para o diretor. “Muitos professores e pedagogos criticam uma relação afetiva com os alunos, mas eu, que não tenho formação de pedagogo, sinto que sedução e ternura são indispensáveis para se conseguir trazer o aluno para o assunto tratado em aula.”

É preciso exercer a profissão com paixão, para que os segredos que surgem todos os dias entre os muros de uma escola não deixem o professor louco. Esta paixão, esta percepção de que mudanças são necessárias no sistema educacional moderno foi o que Laurent Cantet encontrou na história real do jovem professor François Bégaudeau, uma história sem idealizações, com erros e tropeços, palpável.

Leia mais sobre Entre os Muros da Escola AQUI.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Um donut em apuros: “Sexdrive – Rumo ao Sexo”

Posted on 18/março/2009 by Cinéfilos

Entre um donut vendido e outro, o simpático protagonista de Sexdrive – Rumo ao Sexo tenta levar sua vida tranquila em Chicago e esquecer-se de que, aos 18 anos, ainda é virgem. Ian (Josh Zuckerman) já não aguenta mais as brincadeiras ofensivas de seu irmão mais velho Rex (James Marsden), um típico pós-adolescentes chato a la Stifler (American Pie); isso sem falar nas gozações que escuta de seu melhor amigo Lance (Clark Duke).

Esta é a triste história de Ian: seu grande problema nada mais é do que psicológico. Com um amor reprimido, o menino se refugia em uma garota que conhece pela internet, para quem diz ser um forte e atlético jogador de futebol americano com um belo carro (enquanto é apenas um garoto magro, não muito alto e que usou uma foto do carro do irmão Rex). Incentivado pela ausência de sua família durante um final de semana e por seu amigo Lance, Ian pega o carro de seu irmão e parte rumo a distante cidade de Knoxville, Tennessee.

Por um acidente, a melhor amiga Felicia (Amanda Crew) acaba indo junto com os dois amigos, junto ao que pretende ser a última viagem do garoto enquanto um “menino virgem”. Como esperado em uma comédia adolescente, tudo dá errado para o protagonista que se veste de donut para ganhar alguns trocados de tarde ou defender seus amigos.

Ao mesmo tempo em que torcemos pelo sucesso de Ian, por sua vitória sobre o irmão chato e pelo sucesso de seu romance, nos divertimos com as desgraças enfrentadas pelo grupo nos mais de 860 km que separam Chicago de Knoxville. O núcleo amish merece um destaque a parte, do pequeno Ezekiel (Seth Green), que conserta carros chiques apesar da carruagem e da barba longa à doce Mary (Alice Greczyn), passando por jovens amishs loucos em seus últimas noites de “liberdade” antes de se fecharem para quaisquer influencias do mundo moderno. Sexdrive é um filme engraçado, com cenas hilárias e algumas reviravoltas raras neste tipo de filme, geralmente tão simplista e previsível.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Coragem para enfrentar os próprios muros

Posted on 13/março/2009 by Cinéfilos

A frase acima simboliza bem Entre os Muros da Escola (Entre les Murs), novo longa do diretor Laurent Cantet, vencedor da Palma de Ouro 2008, a maior premiação do Festival de Cannes, dentre outras premiações. O filme é simples e sua simplicidade torna-se comovente.

Baseado na história contada pelo professor François Bégaudeau (protagonista e co-roteirista do filme) em seu livro homônimo, Entre os Muros é um filme quase documental. Sem atores profissionais, o uso de estudantes e professores “de verdade” criou um cenário emocional que nada deve a um colégio atual.

Na tela, vemos François desdobrar-se para lidar com uma turma de alunos da 7ª série de uma escola pública em Paris, cada um com uma origem étnica e influências culturais diferentes. A vida pessoal do professor e dos alunos não esta em cena, o foco da narrativa é a relação que se desenvolve entre alunos, rebeldes e muitas vezes mal-educados e os professores, igualmente humanos, com suas crises nervosas e descontroles emocionais.

O diretor Laurent Cantet conta que “quis usar pessoas que soubessem como é a realidade dentro dos muros de uma escola”, alguém que fizesse parte daquele cenário ao invés de um ator que nada entende do assunto. François interpreta ele próprio; as crianças criaram personagens baseadas em suas vivências dentro das salas de aula.

François representa todos os professores da escola em que trabalha, e também professores de todo o mundo, que todos os dias lidam com situações semelhantes às suas, fazendo o impossível para se manterem sãos e ainda valorizar e ensinar os pequenos que os cercam. Tudo isso controlando os nervos e evitando ataques.

O desafio imposto às crianças é o de superar suas próprias barreiras, conseguir pular os muros que a vida impõem a uma parcela excluída da sociedade. Para ambos, sobreviver é ser o mais humano possível e manter o olhar amoroso que vemos em François.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Destinado à sorte?

Posted on 8/março/2009 by Cinéfilos

Como pode um menino nascido nas favelas da Índia chegar ao prêmio de 10 milhões de rupias no “Show do Milhão” indiano? Trapaça? Sorte? Destino? Jamal (Dev Patel) é o simpático protagonista de Quem quer ser um Milionário? (Slumdog Millionaire), filme vencedor de 8 Oscars neste ano. Ele esta a um passo de ganhar os 20 milhões de rupias (cerca de 1 milhão de reais) do prêmio final, mas não faltará quem duvide da honestidade do rapaz.

O filme dirigido por Danny Boyle levou os tão cobiçados Oscars de Melhor filme, diretor, fotografia, roteiro adaptado, trilha sonora, canção original (Jai ho), mixagem de som e montagem. De todos, o único que não achei merecido foi o de canção original: “Jai Ho” é uma música simpática, mas só aparece nos créditos finais do filme e a música “Down to Earth” da animação vencedora do Oscar Wall-E é mais tocante e merecia mais. De resto, há tempos não via um Oscar de melhor fotografia tão merecido, o filme tem um lindo colorido e ótimos enquadramentos. Um visual que ajuda a compor o toque indiano-festivo, e contrasta com a vida dura de Jamal.

Muitos críticos disseram que há tempos a Academia não premiava um filme tão sem graça. Discordo totalmente. Quem quer ser um Milionário tem elementos que agradam a todos os tipos de espectadores: romance, ação, crítica social, retrato da miséria de um país, bons atores, uma mocinha deslumbrante, uma linda trilha sonora, bom roteiro e desenvolvimento da trama, uma fotografia deslumbrante. Quer mais? O mocinho, apesar de feio, é de uma simpatia que nos faz torcer por ele e pelo sucesso de seu amor com Latika (a bela Freida Pinto).

A história, caso você ainda não tenha lido isto milhões de vezes, é a vida de Jamal contada ao inspetor de polícia que pensa que o rapaz trapaceou para conseguir chegar ao elevado prêmio do programa de tv que nomeia o filme em português. A partir da suspeita de que alguém tenha passado as respostas para ele, Jamal relata episódios de sua vida que justificam por que sabe as respostas para as perguntas, em um programa onde a maioria das pessoas não passa das 10 mil rupias.

O que vemos na tela são as dificuldade de um menino pobre, que ficou órfão muito cedo e que foi traído até pelo irmão mais velho. Suas desventuras como garoto de rua, a perda trágica de sua mãe, seus sucessivos desencontros com Latika, o amor de sua vida desde o primeiro encontro. Em uma cena, Jamal diz ao inspetor que “quisera não saber a resposta para aquela pergunta, talvez minha mãe ainda estivesse viva”. Esta fala pode ser uma boa forma de resumir o filme: se sabe respostas consideradas difíceis, é porque as aprendeu na adversidade, a custo de muita dor e sofrimento.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Sombras da Vida

Posted on 27/fevereiro/2009 by Cinéfilos

Três Macacos (Üç Maymun) é um filme de tristes  sombras, da fotografia aos personagens. As cenas escuras, com poucos focos de luz e fortes contrastes, nos mostram o que veremos ao longo de todo o filme: uma família sofrida, repleta de problemas e segredos, sempre sujeita às manipulações e peças que a vida nos prega.

Como no provérbio japonês e na imagem que comumente os representa (os três macacos sábios que nos dizem que não se deve “ver o mal”, “ouvir o mal”, “falar o mal”), os personagens principais da trama são os três macacos que não desejam se comunicar, que preferem ignorar detalhes de suas vidas, omitir informações e construir uma convivência pacífica baseada em segredos. Algo humanamente impossível. Fracassam. E suas vidas caem por terra, levando convicções e esperanças.

Ao contrário dos três macacos do provérbio, a família que compõe o eixo central deste longa não faz bem ao evitar ver e compartilhar suas aflições. Por dinheiro, Eyüp (Yavuz Bingol, o pai) assume a culpa por um acidente causado por seu chefe, Servet (Ercan Kesal), um político que está tentando se eleger. Hacer (Hatice Aslan), a mãe, e o filho do casal, Ismail (Rifat Sungar), ficam desnorteados com a ausência paterna, e acabam fazendo coisas que Eyüp não aprovaria.

A trama se desenvolve de um modo peculiar que quase se poderia dizer típico dos filmes do “lado B da Europa”. Um país pobre, com uma população arrasada tentando de tudo para sobreviver e melhorar de vida. A direção de Nuri Bilge Ceylan foi premiada no Festival de Cannes 2008.

A fotografia é o grande destaque do filme, linda do começo ao fim, nos envolve na trama. Quanto a mim, digo que gostei mais do filme por que a fotografia escura me mostrou o quão melancólica pode ser a vida. Pela fotografia, é possível solidarizar-se com a pobre família. E desejar que tenham sorte em suas buscas, que saiam da escuridão e sobrevivam às tempestades.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Luz no fim do túnel

Posted on 17/fevereiro/2009 by Cinéfilos

Malu Mader e Mini Kerti foram aos morros cariocas e registraram o sucesso musical de alguns jovens integrantes do Projeto Villa Lobinhos no documentário Contratempo. Na tela, vidas; depoimentos não de músicos ou professores, mas de pessoas com famílias, sentimentos e uma dura realidade para encarar. Para muitos dos jovens, a música foi uma alternativa à violência e às drogas. Uma cura e caminho.

As diretoras conseguiram desenvolver este filme sem cair nos clichês de documentários sobre músicos e projetos musicais de periferia. Aqui, não é a história da criança pobre que vê a música, se encanta e fala bem do projeto no vídeo. Os jovens que se envolveram no Villa Lobinhos e foram retratados por Mallu e Mini realmente se encantaram com a música e fizeram desta sua solução (e até meio) de vida, mas a história que contam não é a do garoto pobre que sai em busca de sucesso.

Os jovens das telas falam de um irmão perdido, da dor, de relações familiares, do ambiente em que vivem. O Morro Santa Marta, casa da maioria dos retratados, é visto como a casa que os músicos gostariam de ajudar. Uma boa mãe. Um deles conta que quando se mudou para um bairro melhor sentiu falta da vizinhança, dos amigos, mas ficou feliz por não mais ouvir tiros durante a noite.

A música é a liberdade para estes jovens, uma porta que se abriu em suas vidas sofridas, a tão sonhada luz no fim do túnel. As diretoras foram sensíveis em seu processo de captação de dados e imagens para o filme: acompanharam a vida dos jovens durante muito tempo e, no final do filme, nos contam o que cada um dos entrevistados faz hoje. Nem todos conseguiram alcançar o sucesso, mas a tentativa parece ter sido compensadora.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Caroline não. Coraline

Posted on 14/fevereiro/2009 by Cinéfilos

Existe algo de doce na pequena Coraline. Algo que me encantou e me fez sorrir ao final do filme. Sai da sala de cinema com um sorriso que há tempos não sentia. Foi um deslumbramento infantil que veio à tona. Coraline despertou em mim a magia da infância, a alegria do mundo mágico, do sucesso do bem sobre o mal, a fantasia de ser criança.

Coraline e o Mundo Secreto, adapatação do livro homônimo de Neil Gaiman e levado às telas pelo fantástico diretor Henry Selick (O Estranho Mundo de Jack), é uma mistura de todos aqueles livros e filmes infantis de dar asas à imaginação com fantasias em tom de fábula, de Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz a James e o Pêssego Gigante. E, no entanto, algo neste filme tocou esta repórter que sempre preferiu Sherlock Holmes à Alice. Filmes fantasiosos precisam convencer o espectador com sua magia. Não basta ser bonito e ter uma boa história, é preciso parecer verossímil, legitimar-se e, acima de tudo, encantar.

A história de Coraline é simples. Uma boneca à imagem e semelhança da protagonista a conduz a um mundo mágico onde tudo é muito parecido com sua vida real, só que mais bonito. A realidade da menina não é das mais felizes: seus pais trabalham muito, cozinham mal, não lhe dão muita atenção e para piorar ela ainda acaba de se mudar para um interior desolador, deixando seus amigos na cidade grande. Iludida com a probabilidade de um mundo perfeito, Coraline acabará enfrentando sérios problemas em uma aventura um tanto quanto surreal.

O filme não trás grandes novidades no enredo, mas mistura muito bem elementos de outros filmes: o gato, a aranha, o espelho, o circo, o rato, o mundo mágico dos olhos de botões (que em outros filmes não tem olhos de botões, mas sempre há um mundo mágico para onde se quer fugir). A trilha sonora talvez seja o grande trunfo desta animação: as músicas são doces e suaves, nos envolvem desde a abertura do longa. Nos momentos tensos, o tom sobe um pouco e nos enreda ainda mais na história da pequena de cabelos azuis. Se algum dia você se deixou convencer pela ‘doce’ Alice, eu me convenci com Coraline. E assim será com todos aqueles que gostarem do filme: conquistados pelo encanto.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

Surpresas, só no título

Posted on 23/janeiro/2009 by Cinéfilos1 comentário

Combine filmes de Natal em família, comédias românticas açucaradas, Vince Vaughn e Reese Whiterspoon: eis Surpresas do Amor (Four Christmases), o sucesso do natal norte americano que por lá já faturou mais de US$115 milhões e passou duas semanas na liderança do ranking de bilheteria. Se olharmos para a atual situação dos EUA, fica fácil entender o porquê do sucesso de Surpresas. Em meio à crise, é normal que os norte-americanos queiram ir aos cinemas para ver algo mais leve e se afastar um pouco do quadro cotidiano.

surpresas-do-amorO filme pode ser pensado como uma mistura de Doce Lar (com Reese Whiterspoon) com Separados pelo Casamento (com Vince Vaughn). Juntamos a protagonista que quer fugir de sua família em Doce Lar com os conflitos amorosos de Separados pelo Casamento, e, claro, unimos a mocinha de um com o mocinho do outro. Até aqui, nada de novo.

Neste filme que se formou, Brad (Vince Vaughn) e Kate (Reese Whiterspoon) são um casal de namorados que procurar fugir de suas complicadas e estranhas famílias nas festas de fim de ano. Sempre viajando e inventando desculpas para não visitar os parentes.

Uma neblina que cobre a cidade de São Francisco no Natal será a grande culpada pelas desgraças do casal, que se vê forçado a enfrentar quatro natais (afinal, ambos tem pais divorciados) em um mesmo dia, não sem custos à relação ou às convicções de ambos. A narrativa nos mostra que o casal não se conhece muito bem e muita coisa faltou nas conversas dos namorados, dos pequenos segredos às vergonhas escondidas em antigos álbuns de fotografias.

surpresas-do-amor2Entender por que Brad e Kate fogem de suas famílias é fácil, poucas são as pessoas que nunca se irritaram com interferências e fofocas familiares. No entanto, a grande mensagem que esta comédia romântica passa (por que você já deve ter percebido que comédias românticas sempre passam uma mensagem bonitinha no final) é de que viver e conviver em família pode ser melhor e mais recompensador, apesar de tudo. E neste jogo amoroso, a sinceridade é a melhor tática, sempre lembrando que planos podem ser revistos.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.