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Sabor de infância

Minha família foi para o interior e fez bolachinhas de pinga. Eles trouxeram bastante para cá e elas estão deliciosas. Seguem a receita que minha avó costumava fazer quando éramos pequenos. Mas não são iguais. Não são tão gostosas. Algo lhes falta.

Quando observei que o que falta seria o sabor de infância, meu irmão me mandou o conto “Omelete de Amoras”, de Walter Benjamin, que compartilho por aqui, porque – além de fazer todo sentido neste caso e de meu desejo de guardar este link – gosto destas reflexões sobre memória e percepção.

O texto pode ser encontrado na pág. 219 de “Walter Benjamin: Obras Escolhidas II – Rua de mão única” (São Paulo, Editora Brasiliense, 1995). Está na parte “Imagens do Pensamento”. AQUI, uma versão do livro em PDF.

Uma cidade hostil

Nasci e cresci em São Paulo; nunca morei em outro lugar. Desde cedo, minha mãe me ensinou a desconfiar dos carros. “Sempre olhe para os dois lados da rua”, enfatizava. Depois de um tempo, veio a recomendação para sempre andar com a bolsa na parte da frente do corpo, de preferência protegendo-a com a mão.

Eu costumava defender a vida por aqui e os benefícios de uma grande cidade. Cada vez mais, no entanto, me pergunto se efetivamente vale a pena. São Paulo nos ensina a entrar em filas, a achar normal passar uma hora dentro de um ônibus ou carro. Mas, acima de tudo, me parece que São Paulo nos ensina a ter medo (da violência, dos carros… Até do tempo!).

São Paulo é uma cidade hostil e que sufoca. Acho que isso resume a impressão que tem crescido em mim. Hostil em cada rua sem calçada, em cada carro buzinando ou passando no farol vermelho, no caminhar apressado [do qual sou adepta, mas do qual adoro me livrar]. E tudo isso nem sempre é pressa. Às vezes é medo de passar por determinada rua, vazia ou mal iluminada. O sufoco, por sua vez, começa nas filas e, no inverno, deixa de ser metafórico e passa a agredir nosso sistema respiratório com o tempo seco de poluição, as ilhas de calor, a inversão térmica e todas aquelas coisas às quais nos acostumamos.

Após a mesa de David Byrne na FLIP 2011, em que o debate girou em torno dos meios de transporte e de como eles interferem nos conjuntos urbanos, conversávamos entre amigos sobre esta hostilidade de São Paulo, uma cidade que não só não nos convida a passar a pé pelas ruas, como também afasta (e assusta) o pedestre. Não é fácil ser pedestre (ou sequer se locomover) por aqui. A verdade é que não é fácil viver aqui.

Sim, São Paulo tem de tudo. Muitas opções culturais, gastronômicas, tudo o que se pode imaginar, aqui tem. Mas tem também muita gente e pouca organização. Tem fila e caras fechadas para todo lado. Além de tudo, viver em São Paulo custa uma fortuna (viver bem, então…). São cerca de 11 milhões de habitantes morando na cidade (20 se contarmos a região metropolitana). Destes, no entanto, quem efetivamente vive em São Paulo?

Em tempo: na edição deste mês da Revista Piauí, a Vanessa Barbara escreveu um texto incrível sobre os “sem-carro”. Me identifiquei. [01/08]

Quem sou

Minha vida tem mudado rapidamente nos últimos anos/meses. Hoje, sou uma soma das alegrias dos primeiros anos de faculdade com as amarguras e boas pautas que restaram de empregos passados.

As tardes passadas na prainha da ECA/USP não tem nem cinco anos, mas já parecem psicologicamente tão distantes… Os perrengues vividos no mercado de trabalho depois delas somaram-se à tendência que tenho de ter uma visão um tanto quanto amarga da vida, embora procure me manter otimista.

Mas, voltando ao principal desta página, o ‘Quem sou’, acho válida a descrição que mantenho no twitter (@brunabuzzo): Paulistana, ecana e jornalista. Irritadiça por natureza e frequentemente verborrágica, encontro nos filmes e livros os melhores calmantes.

Há também o suco de maracujá, que não está no twitter, mas sempre ajuda. A descrição que fiz de mim mesma no site Vereda Estreita, do qual sou colaboradora, também é válida:

“Viciada em cinema e fotos. Irritadiça por natureza. Dorminhoca e frequentemente verborrágica. Paulistana incorrigível. Fotógrafa amadora nas horas vagas e em momentos de tédio. Encontra na noite a luz ideal. Não há cenário melhor que o urbano para ver e registrar histórias, seja em imagens ou textos. Sem ter tido idéias melhores para seu futuro, em 2007 foi estudar jornalismo na ECA/USP, conheceu um mundo mágico na faculdade e acabou gostando da profissão, que cresce a cada dia em seu interior e lhe fez abrir os olhos para o mundo. Entre uma viagem e outra pela cidade de São Paulo, os livros são companhias sempre fiéis. O cinema está sempre presente e se mostrou necessário, foi o jeito saudável que encontrou de lidar com a vida. Enquanto não pode conhecer o mundo, vai descobrindo um pouco de cada cultura atráves dos filmes e livros. Assistia muito telejornal quando criança e descobriu muito cedo que o mundo real jamais será uma comédia romântica.”

Em resumo, então, sou uma mistura da cidade em que vivo com a profissão que escolhi e a faculdade em que estudo. Juntando-se a tudo isso uma pitada de amargura e um grande interesse por produtos culturais. Ou eu poderia escrever simplesmente:

Quem sou: Jornalista paulistana prestes a se formar pela ECA/USP. Amante de livros e filmes.

Seria mais simples, mas, como eu já havia dito, sou tagarela.

Escrevi este texto no dia 17/07 e o mantive por algum tempo na página “Quem Sou”. Depois de editá-la, publico-o aqui, na data que seria um dia após o texto ter sido escrito (18/07).

Quem sou

Atualmente, sou uma quase ex-ecana surtando com seu TCC.

(E me sinto um tanto desconfortável com os olhares estranhos que recebo dos bixos quando vou à ECA conversar com minha orientadora sobre o andamento do trabalho.)

Do mais, preciso rever esta página. É um dos tantos projetos que tenho para quando a faculdade foi apenas saudade.

No dia 23/05, foi assim que me descrevi aqui no blog. Deixei o texto acima por algum tempo na página “Quem sou”, misturado com outras descrições anteriores, como a do dia 25/07/2010 e a do dia 10/03/2011, daí se entende o comentário “preciso rever esta página”. Republico esta descrição aqui para mantê-la como registro. [16/06/2011]

Quem sou

Várias descrições em uma só página. As coisas tem mudado rapidamente nos últimos meses.

Hoje, 10/03/2011, uma quinta-feira pós-Carnaval, comecei a saga do TCC. Em dezembro sai da RedeTV! para me dedicar a ele, adiei um pouco o trabalho com um freela presencial de dois meses na Ofício das Letras, uma assessoria de imprensa com meninas super competentes e que me receberam de braços abertos e dispostas a me ensinar tudo (porque eu nunca tinha trabalhado com AI e não sabia fazer nada!).

Nesse pós-Carnaval, o ano começa de fato para mim. É hora de encarar este que tem sido meu maior medo nos últimos meses. Decidido o tema e escolhida a orientadora, é hora de começar o trabalho. E, até junho, me formar. Enquanto isso quero aproveitar o tempo para continuar postando no Vereda Estreita (ir em cabines de imprensa sempre me faz bem!), tentarei ir mais ao teatro (de que gosto muito, mas quase nunca vou) e em mais exposições (um hábito tão barato e que faz tão bem, mas que cultivo muito pouco).

Enquanto isso, me jogo nas leituras de autores estreantes da literatura brasileira – o tema do meu TCC – e torço para que as conversas com eles sejam boas e rendam bons frutos!

 

No dia 10/03, foi assim que me descrevi aqui no blog. Deixei o texto acima por algum tempo na página “Quem sou”, misturado com outras descrições anteriores, como a do dia 25/07/2010, por isso no começo deste texto digo que há “Várias descrições em uma só página”. Republico esta descrição aqui para mantê-la como registro. [16/06/2011]

Formatura

Fases pelas quais passei como ECAna (comuns à muitos colegas):

– Alegria por passar;

– Revolta achando que sua faculdade não presta ao mesmo tempo em que cresce o apego pelo local, seu clima e pessoas;

– Sensação de tempo perdido, aulas perdidas, mas bons amigos e momentos conquistados;

– Saudade antecipada pelo fim, sentimento de perda do local amado;

– Percepção de que a faculdade foi boa afinal, talvez não tanto pelas aulas, mas pelas reflexões, pelo ambiente [da USP como um todo]; pelo pensamento estimulado, pelas pessoas que você conheceu, com as quais foi conversando e trocando ideias;

– Estranhamento misturado com saudade e lembranças no retorno ao local amigo, já distante de você – mesmo que eu ainda não tenha me formado;

Fico imaginando como será visitar a ECA em 10 ou 20 anos. Espero que não mudem os departamentos para outro prédio. Seria como perder o lugar para o qual voltar.

Paperblog

Valido a inscrição do meu blog ao serviço de Paperblog sob o pseudónimo brunabuzzo.

Tenho dó de vestibulandos

Afinal, se até o MEC diz que eles “dançaram”…

Quem sou

Paulistana, ecana e jornalista. Irritadiça por natureza e frequentemente verborrágica, encontro nos filmes e livros os melhores calmantes, já diria @brunabuzzo.

Em 20/01/2010, me descrevi para o site Vereda Estreita de uma forme leve e feliz:

Bruna Buzzo
Viciada em cinema e fotos. Irritadiça por natureza. Dorminhoca e frequentemente verborrágica. Paulistana incorrigível. Fotógrafa amadora nas horas vagas e em momentos de tédio. Encontra na noite a luz ideal. Não há cenário melhor que o urbano para ver e registrar histórias, seja em imagens ou textos. Sem ter tido idéias melhores para seu futuro, em 2007 foi estudar jornalismo na ECA/USP, conheceu um mundo mágico na faculdade e acabou gostando da profissão, que cresce a cada dia em seu interior e lhe fez abrir os olhos para o mundo. Entre uma viagem e outra pela cidade de São Paulo, os livros são companhias sempre fiéis. O cinema está sempre presente e se mostrou necessário, foi o jeito saudável que encontrou de lidar com a vida. Enquanto não pode conhecer o mundo, vai descobrindo um pouco de cada cultura atráves dos filmes e livros. Assistia muito telejornal quando criança e descobriu muito cedo que o mundo real jamais será uma comédia romântica.

Estava de férias e, na época, entediada. Hoje, passando 9h do meu dia em Osasco, 8 delas dentro da redação do RedeTVi, onde comecei a trabalhar há quase dois meses, e ainda tendo que terminar a graduação, sinto falta de todo o tempo livre que tinha então.

As pautas foram bem esta semana e aproveito a onda de boas entrevistas e matérias publicadas para escrever esta descrição relativamente otimista.

Se pudesse, passaria a vida apenas cobrindo eventos culturais, tendo apenas pequenos e inofensivos contatos com o barulho imperante no meio que escolhi como profissão.

No dia 25/07, foi assim que me descrevi aqui no blog. Deixei o texto acima por algum tempo na página “Quem sou”. Republico-o aqui para manter o registro. [16/06/2011]

Aproveitar o tempo

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Há cerca de duas semanas comecei a andar com a câmera na mochila, apesar dos problemas que isso pode(ria) me trazer. A escolha tem trazidos bons resultados, que tento postar com alguma frequência no flickr, conforme a correria permite.

Como resultado evidente, a maioria das fotos que tirei atualmente foram tiradas dentro de ônibus ou enquanto espero por eles. É incrível a quantidade de tempo que perdemos com transporte público nesta cidade caótica que é São Paulo. Uma lástima. Creio que até hoje as únicas vantagens que já encontrei nestas demoras foram conseguir dedicar algum tempo à leitura e, mais recentemente, favorecer meu ócio fotográfico-criativo naqueles momentos em que não consigo ler, em uma avenida esburacada ou com algum tagarela no banco da frente.

Mas este é meu lado otimista falando, aquele que tende a ver o lado bom de tudo. O lado crítico pensa na cidade do caos, onde se locomover é difícil e demorado. Onde sair de casa na sexta-feira não é apenas diversão, é sinônimo de trânsito, filas, ausência de transporte coletivo na madrugada ou dificuldade de encontrar uma vaga para estacionar seu carro, caso você tenha a sorte de ter um. E sequer o metrô funciona 24h por dia. E junto com as promessas de novas linhas de metrô vem a ideia já usual da lata de sardinha. E isso me lembra um pequeno texto sobre tristes realidades, fictício, ainda bem, mas e se fosse verdade?