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Até logo, amigo!

Nesta quinta-feira (17), a nata da filmografia se reuniu em São Paulo. Fellini, Eric Rohmer, Marlon Brando, Marcelo Mastroiani, Luchino Visconti, Rodolfo Valentino e os Irmãos Marx se encontraram no Cine Belas Artes e – tristes – marcaram presença nas sessões em que o cinema se despediu da esquina da Consolação com a Paulista.

Cinéfilos e repórteres alvoroçados acompanharam em peso a homenagem. Um “até logo” esperançoso. O medo de que o “adeus” seja inevitável.

Texto escrito e publicado dia 18 no Vereda Estreita.

Um suspiro aliviado

Por hora, parece que [nós, cinéfilos] podemos respirar aliviados!

Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) votou hoje pela abertura do processo de tombamento do Cine Belas Artes!

Depois de meses de preocupação, e da tristeza causada pela reportagem da Folha que anunciava o fim do cinema, fiquei muito aliviada ao ver o seguinte texto divulgado pela assessoria de imprensa do Belas Artes:

“Conpresp abre processo de tombamento do Belas Artes

Em reunião ordinária realizada hoje, dia 18 de janeiro, o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) decidiu pela abertura do processo de tombamento do Cine Belas Artes. Estudos técnicos para decisão quanto ao tombamento definitivo serão realizados nos próximos três meses.

“Estou muito feliz com a decisão do Conpresp hoje. A mobilização espontânea da sociedade foi incrível e inédita. Não lembro de mobilização por tema relacionado à cultura antes na cidade com tal dimensão. E a resposta da prefeitura foi imediata tomando a única decisão que daria tempo de manter a esperança do Belas Artes continuar existindo: a abertura do estudo de tombamento. Agradeço o apoio de todos e estamos otimistas que todo esse esforço será bem sucedido. O Belas Artes é um patrimônio cultural e afetivo da cidade e de seus moradores”, afirma André Sturm, proprietário do Belas Artes.”

Concordo com tudo o que diz a nota acima – e por isso a transcrevo para vocês. Agora é torcer para que o tombamento saia mesmo do papel – ou que, com isso, o dono do espaço ao menos desista de desalojar o cinema e, assim, este espaço tão querido aos cinéfilos paulistanos continue aberto!

 

OBS.: Em tempo: A direção do Belas Artes anunciou que o cinema deve ficar aberto, pelo menos, até o final de fevereiro, enquanto eles trabalham para permanecer no imóvel. André Sturm, dono do cinema, disse que quer “ter tempo de negociar com o proprietário a renovação do contrato de locação”. [Bruna, 21/01]

Texto adaptado e publicado hoje no Vereda Estreita.

“A força da grana que ergue e destrói coisas belas”

Há uma semana, escrevi um texto com um título otimista sobre dois ótimos filmes (Para começar o ano bem). No entanto, este ano não começa bem para os cinéfilos da capital paulista. Previsto há algum tempo, mas não esperado, o final do Cine Belas Artes foi anunciado no último dia 6 em reportagem de capa do caderno Ilustrada, da Folha.

No final do ano passado, depois de já ter escrito reportagens sobre a situação do cinema, em uma cabine de imprensa realizada no Belas Artes, a assessora de imprensa do local disse aos jornalistas presentes que já havia um patrocínio quase certo. Era a salvação e, apesar do filme ser triste (“A Árvore”, que estreou essa semana e sobre o qual pretendia escrever antes de ter a ideia para este texto), fiquei aliviada.

Infelizmente, São Paulo é uma cidade que não respeita seu patrimônio cultural e artístico – e o proprietário do imóvel prefere ter uma loja no lugar do cinema. O Belas Artes não é o último cinema de rua da cidade, mas talvez seja o mais antigo. Evito usar “era” e “fosse” porque, em seu último suspiro (que vai até dia 27 de janeiro), André Sturm, dono do cinema, e sua equipe prepararam uma retrospectiva especial para “prestigiar seus fiéis e entusiastas frequentadores”, como anuncia o release da programação.

De 14 a 27 de janeiro, filmes que fizeram sucesso no Belas Artes serão exibidos às 18h30, e filmes clássicos do cinema às 21h. Os ingressos destas sessões custarão R$10,00 (R$5 a meia).

Confira a programação:

14/01
18:30h. “As Bicicletas de Belleville” (França, 2003; de Sylvain Chomet)
21:00h. “Amores Expressos” (China, 1994; de Wong Kar-wai)

15/01
18:30h. “Morte em Veneza” (Itália, 1971; de Luchino Visconti)
21:00h. “O Encouraçado Potemkin” (Rússia, 1925; de Serguei Eisenstein)

16/01
18:30h. “Paixão Selvagem” (França, 1976; de Serge Gainsbourg)
21:00h. “A Regra do Jogo” (França, 1939; de Jean Renoir)

17/01
18:30h. “Meu Tio” (França, 1958; de Jacques Tati)
21:00h. “Segunda-Feira ao Sol” (Espanha, 2002; de Fernando León de Aranoa)

18/01
18:30h. “O Ilusionista” (EUA/República Tcheca, 1976; de Neil Burger)
21:00h. “Música e Fantasia” (Itália, 1976; de Bruno Bozzetto)

19/01
18:30h. “Noites de Cabíria” (Itália, 1957; Federico Fellini)
21:00h. “Lúcia e o Sexo” (Espanha, 2001; de Julio Medem)

20/01
18:30h. “ Cría Cuervos” (Espanha, 1976; de Carlos Saura)
21:00h. “O Balão Vermelho” (França, 1956; de Albert Lamorisse)

21/01
18:30h. “As Bicicletas de Belleville” (França, 2003; de Sylvain Chomet)
21:00h. “A Lei do Desejo” (Espanha, 1987; de Pedro Almodóvar)

22/01
18:30h. “Pai Patrão” (Itália, 1977; de Paolo e Vittorio Taviani)
21:00h. “Apocalypse Now” (EUA, 1979; de Francis Ford Coppola)

23/01
18:30h. “Gritos e Sussurros” (Suécia, 1972; de Ingmar Bergman)
21:00h. “O Passageiro – Profissão: Repórter” (Itália, 1975; de Michelangelo Antonioni)

24/01
18:30h. “Z” (França, 1969; de Costa-Gravas)
21:00h. “Quanto Mais Quente Melhor” (EUA, 1959; de Billy Wilder)

25/01
16:00h. “A Guerra dos Botões” (França, 1962; de Yves Robert)
18:30h. “ Crônica do Amor Louco” (Itália, 1981; de Marco Ferreri)
21:00h. “A Guerra dos Botões” (França, 1962; de Yves Robert)

26/01
18:30h. “Johnny Vai á Guerra” (EUA, 1971; de Dalton Trumbo)
21:00h. “Vestida Para Matar” (EUA, 1980; de Brian de Palma)

27/01
18:30h. “Possessão” (Alemanha/França, 1981; de Andrzej Zulawski)
21:00h. “A Malvada” (EUA, 1950; de Joseph L. Mankiewicz)

Cine Belas Artes: Rua Consolação, 2423 – Consolação. São Paulo-SP. Informações: (11) 3258-4092

Aproveite enquanto há tempo, a esquina da Paulista com a Consolação ficará mais triste.

Texto escrito e publicado dia 8 no Vereda Estreita.

Cine Belas Artes pode fechar até o final de outubro

O Cine Belas Artes, tradicional reduto dos cinéfilos paulistanos, perdeu seu patrocínio em março deste ano. Sozinho, o cinema não consegue se manter e, se não conseguir um patrocínio até o meio deste mês, o Belas Artes pode fechar no final de outubro.

Leia mais:
Cine Belas Artes luta para não fechar as portas

No mês de julho, o RedeTVi produziu uma reportagem sobre a situação do cinema. Na ocasião, um grupo de restaurantes estava organizando uma campanha para ajudar o cineclube a se manter. Encerrada em setembro, a campanha ‘Tudo pode dar certo’ arrecadou cerca de R$45 mil, que ainda estão ajudando o Belas Artes a lidar com seu deficit.

A equipe do Cine Belas Artes informou que ainda não há nenhuma proposta de patrocínio concreta e que “recursos acumulados anteriormente que estão servindo para cobrir o deficit mensal”.

O medo dos frequentadores é que o cinema se deteriore e vá fechando aos poucos, semelhante ao que aconteceu com o Gemini (tradicional cinema de rua de São Paulo que fechou recentemente). Mas os administradores garantem [embora não console]: “fecharemos o cinema antes”.

O risco de fechar está cada vez mais próximo. Segundo o Belas Artes, “o cinema fechará no final de outubro impreterivelmente caso não surja algo concreto até a metade desse mês.”

Matéria escrita e publicada quinta-feira (07) no Portal da RedeTV.