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Coppola: “Quis fazer um filme como se fosse estudante”

Francis Ford Coppola veio ao Brasil para divulgar seu novo filme, ‘Tetro’, uma produção independente que ele mesmo financiou. Após adiar sua visita por problemas técnicos com seu avião, o diretor de sucessos como a trilogia ‘O Poderoso Chefão’ e ‘Apocalypse Now’ revelou à imprensa na tarde desta quarta-feira (01) que, desta vez, “quis fazer um filme como se ainda fosse estudante”.

Em ‘Tetro’, Coppola assina direção, roteiro e produção. Foi um trabalho realizado com uma equipe pequena: “Gosto de trabalhar com uma equipe pequena, torna o filme mais pessoal”, revelou, bem-humorado, dizendo que é sempre bom trocar experiências com pessoas de todas as idades: “É bom ter a experiência de velhos colegas e o entusiasmo dos jovens.”

Majoritariamente filmado em preto e branco, com os momentos situados no passado em cor, ‘Tetro’ conta a história de uma família marcada pela rivalidade. O protagonista, interpretado por Vincent Gallo e que dá nome ao filme, é um homem emocionalmente instável, que foi muito afetado pelos problemas envolvendo seu pai, seu irmão e uma ex-namorada.

Coppola disse que, no processo de criação do longa, quando se perguntou sobre o que gostaria de falar, percebeu que era sobre sua família, sobre sua relação com seu irmão: “Fazer um roteiro é obter respostas, quando você faz um filme você aprende muita coisa. Então, quando o assunto é pessoal, o prazer é duplo: além de aprender, você aprende sobre si mesmo. Cada filme é um aprendizado sobre algo. Faço filmes para aprender, não pelo dinheiro ou pelo sucesso.”

Como seu personagem, Gallo é muitas vezes considerado um ator difícil. Mas o diretor revelou que não teve problemas filmando com ele: “Nunca tive problemas com nenhum ator. Qualquer que seja o problema, ele pode ser contornado com compreensão: basta você aceitar o ator, mostra para ele que você tem confiança no trabalho dele.”

Sobre o uso da fotografia em preto e branco, Coppola revelou que sempre quis fazer esse filme em p&b: “O preto e branco é lindo e expressa metaforicamente as cores. Em um filme colorido você pode ser preguiçoso, no p&b não, você tem que usar vários tons de cinza, diferentes luzes… Eu queria fazer um filme em preto e branco, pois [esse recurso] traz uma certa realidade poética.”

Assista o trailer de ‘Tetro’:

Matéria escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.

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Dia Internacional da Animação ganha Mostra gratuita

Dia 28 de outubro é o Dia Internacional da Animação (DIA). Para comemorar a data, será realizada nesta quinta-feira (28) uma mostra simultânea e gratuita em mais de 400 cidades brasileiras.

O DIA 2010 comemora o gênero com a exibição de curtas-metragens nacionais e internacionais. O site oficial do evento convida o espectador: “São centenas de cidades brasileiras unidas, participe você também dessa grande festa!”

A data 28 de outubro foi escolhida por ser o início das animações: foi neste dia que Emile Reynaud realizou a primeira projeção do seu teatro óptico no Museu Grevin, em Paris. Foi a primeira exibição pública de desenhos animados no mundo. Ainda demorariam 3 anos para que o cinematógrafo fosse apresentado pelos irmãos Lumiere.

Realizada desde 2006, a Mostra é uma iniciativa da Associação Internacional do Filme de Animação (ASIFA, na sigla original francesa) que lançou o Dia Internacional da Animação em 2002. A iniciativa tem o apoio de grupos filiados de 51 países.

Para a edição 2010, foram inscritos 73 curtas-metragens em animação de vários estados brasileiros. Destes, 11 foram selecionados para o programa oficial brasileiro que será exibido em todas as cidades participantes no Brasil e nos 51 países membros da ASIFA. Além das exibições da mostra oficial, nacional e internacional, as cidades participantes realizam várias atividades paralelas.

Alguns destaques são da seleção internacional são ‘Zsa zsa zsu’, de Tromarama (Indonésia); ‘Pássaros’, de Filipe Abranches (Portugal); ‘Hide & Seek’, de Sherif Abbas (Egito) e ‘Kensho’, de Daniel Kang (EUA).

Da seleção nacional, um dos destaques é ‘Bonequinha de Papel’, de Luciana Eguti e Paulo Muppet, um videoclipe retrô-futurista em preto e branco sobre uma bonequinha andróide e seus amigos tecnológicos que foi criado para a música de mesmo nome da banda Pequeno Cidadão (formada por Edgar Scandurra, Arnaldo Antunes e Taciana Barros). E também o curta ‘Como comer um elefante’, de Jansen Raveira, que conta a experiência traumatizante de uma aspirante a Miss que não consegue ler ‘O Pequeno Príncipe’.

Confira no site do evento um mapa com a programação completa de cada cidade. As sessões começam a partir das 19h30 desta quinta e terão uma hora de duração cada, com a exibição de vários curtas.

Serviço:
Dia Internacional da Animação
Onde: diversas cidades
Quando: hoje, 28 de outubro, a partir das 19h30
Quanto: grátis

Nota escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.

Saiba como influenciar na escolha do representante brasileiro no Oscar

Pela primeira vez, o público poderá influenciar no filme que o Brasil enviará para disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2011. O Ministério da Cultura (MinC) abriu uma votação para que os espectadores escolham o filme que gostariam que fosse indicado na disputa da Academia de Cinema de Hollywood. A iniciativa, inédita, busca auxiliar a Comissão de Seleção oficial na escolha do título brasileiro.

Após controvérsias com a indicação de ‘Salve Geral’ para o Oscar 2010, o MinC resolveu ouvir uma opinião diferente da dos membros da Comissão de Seleção, composta por representantes do Governo, da sociedade civil organizada e especialistas no setor.

O MinC, então, lançou a pergunta: “Qual filme brasileiro você gostaria de ver concorrendo ao Oscar 2011?” e convida a todos para votar na enquete.

Os filmes inscritos na votação pública para concorrer a uma indicação como representante do Brasil no Oscar 2011 de Melhor Filme Estrangeiro são: ‘As Melhores Coisas do Mundo’. ‘A Suprema Felicidade’, ‘Antes que o mundo acabe’, ‘Bróder’, ‘Cabeça a Prêmio‘, ‘Carregadoras de Sonhos’, ‘Cinco Vezes Favela, Agora Por Nós Mesmos’, ‘Chico Xavier’, ‘É Proibido Fumar’, ‘Em Teu Nome’, ‘Hotel Atlântico’, ‘Lula, o Filho do Brasil’, ‘Nosso Lar‘, ‘Olhos Azuis’, ‘Ouro Negro’, ‘O Bem Amado’, ‘O Grão’, ‘Os Inquilinos’, ‘Os Famosos e os Duentes da Morte’, ‘Quincas Berro D’água’, ‘Reflexões de um Liquidificador’, ‘Sonhos Roubados’ e ‘Utopia e Barbárie’.

Por enquanto, o longa ‘Nosso Lar’, que estreou na última sexta-feira (03), lidera a votação com 591 votos, 37% do total, seguido de ‘Chico Xavier’, com 9% dos votos. A votação vai até dia 20 e o filme escolhido pela Comissão, que levará a enquete em conta, será divulgado no dia 23 de setembro, em São Paulo. A cerimônia de premiação do Oscar será no dia 27 de fevereiro de 2011.

Nota escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.

Conheça o bem bolado do rock brasileiro

Apesar de ter surgido meio por acidente, o rock brasileiro se destaca por sua originalidade em misturar ritmos e criar algo novo. Esse jeitinho brasileiro de fazer música, que mescla o rock norte-americano com os sons típicos do país, ganhou voz e as paradas de sucesso, criando algo novo, em um processo característico do rock.

O cantor e jornalista Kid Vinil, autor do livro ‘Almanaque do Rock’, diz que o rock surgiu por aqui junto com o rock lá fora, nos anos 50. “Os primeiros artistas de sucesso foram Celly e Tony Campelo, eles impulsionaram o rock no Brasil.” Em 1958, os irmãos lançaram o compacto ‘Forgive Me/Handsome Boy’, que vendeu 38 mil cópias.

O pontapé inicial, no entanto, foi dado pela cantora de bossa nova Nora Ney, que, em outubro de 1955, regravou a música ‘Rock around the Clock’, de Bill Haley & His Comets. Vinil comenta que “as primeiras gravaçoes [de rock] foram feitas por cantores de bossa bova, que não tinham muita noção do que estava acontecendo.”

Os produtores musicais iam aos Estados Unidos e, na volta, apresentavam ideias de regravações e adaptações para os artistas nacionais. “A partir dessa primeira gravação, alguns cantores começaram a ouvir Elvis, Chuck Berry, e a fazer versões não só traduzindo a letra, mas adaptando-as à realidade brasileira. Até a Jovem Guarda era cópia mesmo! Foi na Tropicália que começaram a fazer letras próprias e sons originais”, afirma Vinil.

O cantor comenta que muitos não consideram a Jovem Guarda e algumas músicas da Tropicália como rock por preconceito. “Falta informação, parece que o brasileiro só conhece o ‘heavy metal’, mas foi a Jovem Guarda que popularizou o rock aqui no Brasil. É que todo mundo ficou brega depois e as pessoas esquecem que o Roberto [Carlos] já teve uma fase roqueira.”

Foi no Tropicalismo que o rock nacional começou a ganhar uma cara própria. “Foi o primeiro movimento que adaptou o rock à música brasileira. Os tropicalistas misturaram ritmos e criaram um som que tem tudo a ver com o rock, era uma mistura de MPB com psicodélico. ‘Os Mutantes’ foram a primeira banda que fez um rock legitimamente brasileiro e são os únicos reconhecidos no exterior como clássicos do rock do país; e eles são fruto da tropicália, como [Gilberto] Gil, Caetano [Veloso], que [nos anos 60/70] faziam um rock misturado com outros ritmos”, afirma Vinil.

O grupo ‘Secos & Molhados’ também entra nessa categoria. “Os brasileiros tinham uma cara, não era só cópia! Eles misturavam Vinícius de Moraes com rock, esse é o grande lance da música brasileira, misturar as coisas. Muitas bandas posteriores fizeram isso, de Paralamas [do Sucesso] à Sepultura”, elogia Vinil.

O músico comenta que muitos artistas apenas se inspiram no rock extrangeiro, “mas é mais interessante quando se mistura a raiz da música brasileira com o rock. Uma banda igual aos Rolling Stones, por exemplo, pode até ser legal, mas não tem graça, falta o elemento surpresa. Essas bandas emos de hoje praticamente só copiam o que é feito lá fora, sem nenhuma originalidade.”

Todos os grandes músicos que vieram depois – Raul Seixas nos anos 70, bandas como Legião Urbana, Titãs e Paralamas do Sucesso nos anos 80, Cássia Éler e Skank nos 90 e os contemporâneos do Móveis Coloniais de Acajú – misturam sons e criam novos estilos. Alguns inovaram tanto que às vezes não são considerados rock: foi o caso dos recifenses do movimento Mangue Beat dos anos 90, liderado por Chico Science.

Kid Vinil aposta que os novos hits brasileiros vão surgir do movimento underground: “hoje há um mundo enorme de novidades aparecendo, tem muita coisa boa na internet, mas as pessoas não procuram. O brasileiro é um pouco resistente à cena underground. O rock que a indústria divulga é sempre o arroz-feijão, não tem nenhuma novidade. O novo assusta. As pessoas precisam abrir a cabeça, tem muita coisa boa e nova por aí!”

Matéria escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.

Baú de livros tenta deter evasão escolar

Projeto implantado na zona rural da Bahia e de Sergipe usa incentivo à leitura para estimular continuidade dos estudos de 25 mil crianças

Um projeto na zona rural da Bahia e de Sergipe encontrou um modo diferente de combater a evasão escolar, o trabalho infantil e o analfabetismo: a distribuição de 50 mil livros, que circulam em baús de sisal por escolas de 151 municípios. A ideia é, a partir do estímulo à leitura, da discussão de temas ligados às histórias e do treinamento de professores, incentivar as crianças a permanecer na nos bancos escolares.

A iniciativa, que atende 25 mil estudantes de 1.100 classes em mais de 300 escolas municipais, chama-se Baú de Leitura e foi idealizada pelo Movimento de Organização Comunitária, de Feira de Santana (BA). O projeto foi um dos 20 ganhadores do Prêmio ODM Brasil 2009, uma iniciativa do governo federal e do PNUD que destacou as práticas de organizações sociais e prefeituras que ajudam o país a avançar nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O projeto venceu pelos Objetivos 2 (educação básica para todos), 7 (qualidade de vida e respeito ao meio ambiente) e 8 (todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento).

A coordenadora do Baú de Leitura, Vera Carneiro, explica que os baús são caixas de sisal que contêm 45 livros de histórias infanto-juvenis para jovens de 6 a 16 anos. As 1.100 caixas são itinerantes dentro dos 111 municípios da Bahia e dos 40 em Sergipe, de modo que os estudantes possam ler uma maior diversidade de obras.

As histórias lidas pelos estudantes servem de mote para professores e crianças debaterem identidade, meio ambiente e cidadania. “Para o trabalho acontecer nas salas de aula, os professores participam de um processo de formação e sensibilização. O projeto constrói leitores, tanto crianças e adolescentes quanto educadores, através das histórias lidas, contadas e discutidas”, afirma Vera. “Após a leitura, trabalham-se as diversas dimensões artísticas e criativas, proporcionando o desenvolvemos das pessoas, o fortalecimento de sua identidade, o exercício da cidadania e a busca por melhor qualidade de vida. Através do mundo imaginário das histórias infantis, as crianças criam novas possibilidades para suas vidas.”

As escolas rurais foram o foco escolhido pois nessas instituições o acesso a livros e bibliotecas é mais difícil. De qualquer modo, para a escola participar do projeto, diz Vera, é preciso que o professor responsável goste de ler e queira desenvolver o gosto pela leitura nas crianças e adolescentes.

Com apoio das prefeituras, os docentes das escolas rurais são treinados para usar o material e integrar as atividades de leitura, realizadas no horário de aula uma vez por semana, e a comunidade. “A metodologia do Baú de Leitura é participativa, envolve a família e a comunidade. As crianças leem histórias para suas famílias, apresentam as histórias e o que elas produziram a partir das histórias. Ao ler ‘O Homem que Espalhou o Deserto’, por exemplo, elas refletem sobre como está o meio ambiente da comunidade, se há queimadas e desmatamento no preparo da terra”, conta Vera.

Para incentivar as crianças a permanecerem na escola, a estratégia é mostrar-lhes uma melhor perspectiva de vida através da educação. “O projeto contribui para que as crianças não voltem ao trabalho precoce, fazendo com que a escola seja um ambiente mais prazeroso. Através do Baú de Leitura, elas encontram novas formas de viver, formando grupos de teatro, poesia, dança e outras expressões artísticas”, diz a coordenadora. “Buscamos envolver as crianças nesse espírito para que elas percebam que os estudos são mais importantes que a bolsa paga pelo governo ou o pouco rendimento [financeiro] do trabalho precoce.”

Fundado em 1999 por incentivo do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o Baú de Leitura começou em quatro municípios, com cerca de 12 professores. Hoje, as atividades funcionam em parceria com a Secretaria Estadual de Educação e a do Trabalho e Ação Social da Bahia, o UNICEF, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, as prefeituras e a sociedade civil.

Para o futuro, Vera diz que gostaria que o projeto se tonasse uma política pública. “Seria bom universalizar a proposta, para que as secretarias municipais e estatuais assumissem o projeto e o inserissem em seus orçamentos.”

Texto publicado pela PrimaPagina, no site do PNUD. [Link atualizado]

Obs.: O site do PNUD mudou e os links antigos se perderam. Mas as matérias que fiz para lá ainda podem ser encontradas pela busca, AQUI.