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Um suspiro aliviado

Por hora, parece que [nós, cinéfilos] podemos respirar aliviados!

Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) votou hoje pela abertura do processo de tombamento do Cine Belas Artes!

Depois de meses de preocupação, e da tristeza causada pela reportagem da Folha que anunciava o fim do cinema, fiquei muito aliviada ao ver o seguinte texto divulgado pela assessoria de imprensa do Belas Artes:

“Conpresp abre processo de tombamento do Belas Artes

Em reunião ordinária realizada hoje, dia 18 de janeiro, o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) decidiu pela abertura do processo de tombamento do Cine Belas Artes. Estudos técnicos para decisão quanto ao tombamento definitivo serão realizados nos próximos três meses.

“Estou muito feliz com a decisão do Conpresp hoje. A mobilização espontânea da sociedade foi incrível e inédita. Não lembro de mobilização por tema relacionado à cultura antes na cidade com tal dimensão. E a resposta da prefeitura foi imediata tomando a única decisão que daria tempo de manter a esperança do Belas Artes continuar existindo: a abertura do estudo de tombamento. Agradeço o apoio de todos e estamos otimistas que todo esse esforço será bem sucedido. O Belas Artes é um patrimônio cultural e afetivo da cidade e de seus moradores”, afirma André Sturm, proprietário do Belas Artes.”

Concordo com tudo o que diz a nota acima – e por isso a transcrevo para vocês. Agora é torcer para que o tombamento saia mesmo do papel – ou que, com isso, o dono do espaço ao menos desista de desalojar o cinema e, assim, este espaço tão querido aos cinéfilos paulistanos continue aberto!

 

OBS.: Em tempo: A direção do Belas Artes anunciou que o cinema deve ficar aberto, pelo menos, até o final de fevereiro, enquanto eles trabalham para permanecer no imóvel. André Sturm, dono do cinema, disse que quer “ter tempo de negociar com o proprietário a renovação do contrato de locação”. [Bruna, 21/01]

Texto adaptado e publicado hoje no Vereda Estreita.

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“A força da grana que ergue e destrói coisas belas”

Há uma semana, escrevi um texto com um título otimista sobre dois ótimos filmes (Para começar o ano bem). No entanto, este ano não começa bem para os cinéfilos da capital paulista. Previsto há algum tempo, mas não esperado, o final do Cine Belas Artes foi anunciado no último dia 6 em reportagem de capa do caderno Ilustrada, da Folha.

No final do ano passado, depois de já ter escrito reportagens sobre a situação do cinema, em uma cabine de imprensa realizada no Belas Artes, a assessora de imprensa do local disse aos jornalistas presentes que já havia um patrocínio quase certo. Era a salvação e, apesar do filme ser triste (“A Árvore”, que estreou essa semana e sobre o qual pretendia escrever antes de ter a ideia para este texto), fiquei aliviada.

Infelizmente, São Paulo é uma cidade que não respeita seu patrimônio cultural e artístico – e o proprietário do imóvel prefere ter uma loja no lugar do cinema. O Belas Artes não é o último cinema de rua da cidade, mas talvez seja o mais antigo. Evito usar “era” e “fosse” porque, em seu último suspiro (que vai até dia 27 de janeiro), André Sturm, dono do cinema, e sua equipe prepararam uma retrospectiva especial para “prestigiar seus fiéis e entusiastas frequentadores”, como anuncia o release da programação.

De 14 a 27 de janeiro, filmes que fizeram sucesso no Belas Artes serão exibidos às 18h30, e filmes clássicos do cinema às 21h. Os ingressos destas sessões custarão R$10,00 (R$5 a meia).

Confira a programação:

14/01
18:30h. “As Bicicletas de Belleville” (França, 2003; de Sylvain Chomet)
21:00h. “Amores Expressos” (China, 1994; de Wong Kar-wai)

15/01
18:30h. “Morte em Veneza” (Itália, 1971; de Luchino Visconti)
21:00h. “O Encouraçado Potemkin” (Rússia, 1925; de Serguei Eisenstein)

16/01
18:30h. “Paixão Selvagem” (França, 1976; de Serge Gainsbourg)
21:00h. “A Regra do Jogo” (França, 1939; de Jean Renoir)

17/01
18:30h. “Meu Tio” (França, 1958; de Jacques Tati)
21:00h. “Segunda-Feira ao Sol” (Espanha, 2002; de Fernando León de Aranoa)

18/01
18:30h. “O Ilusionista” (EUA/República Tcheca, 1976; de Neil Burger)
21:00h. “Música e Fantasia” (Itália, 1976; de Bruno Bozzetto)

19/01
18:30h. “Noites de Cabíria” (Itália, 1957; Federico Fellini)
21:00h. “Lúcia e o Sexo” (Espanha, 2001; de Julio Medem)

20/01
18:30h. “ Cría Cuervos” (Espanha, 1976; de Carlos Saura)
21:00h. “O Balão Vermelho” (França, 1956; de Albert Lamorisse)

21/01
18:30h. “As Bicicletas de Belleville” (França, 2003; de Sylvain Chomet)
21:00h. “A Lei do Desejo” (Espanha, 1987; de Pedro Almodóvar)

22/01
18:30h. “Pai Patrão” (Itália, 1977; de Paolo e Vittorio Taviani)
21:00h. “Apocalypse Now” (EUA, 1979; de Francis Ford Coppola)

23/01
18:30h. “Gritos e Sussurros” (Suécia, 1972; de Ingmar Bergman)
21:00h. “O Passageiro – Profissão: Repórter” (Itália, 1975; de Michelangelo Antonioni)

24/01
18:30h. “Z” (França, 1969; de Costa-Gravas)
21:00h. “Quanto Mais Quente Melhor” (EUA, 1959; de Billy Wilder)

25/01
16:00h. “A Guerra dos Botões” (França, 1962; de Yves Robert)
18:30h. “ Crônica do Amor Louco” (Itália, 1981; de Marco Ferreri)
21:00h. “A Guerra dos Botões” (França, 1962; de Yves Robert)

26/01
18:30h. “Johnny Vai á Guerra” (EUA, 1971; de Dalton Trumbo)
21:00h. “Vestida Para Matar” (EUA, 1980; de Brian de Palma)

27/01
18:30h. “Possessão” (Alemanha/França, 1981; de Andrzej Zulawski)
21:00h. “A Malvada” (EUA, 1950; de Joseph L. Mankiewicz)

Cine Belas Artes: Rua Consolação, 2423 – Consolação. São Paulo-SP. Informações: (11) 3258-4092

Aproveite enquanto há tempo, a esquina da Paulista com a Consolação ficará mais triste.

Texto escrito e publicado dia 8 no Vereda Estreita.

Cine Belas Artes pode fechar até o final de outubro

O Cine Belas Artes, tradicional reduto dos cinéfilos paulistanos, perdeu seu patrocínio em março deste ano. Sozinho, o cinema não consegue se manter e, se não conseguir um patrocínio até o meio deste mês, o Belas Artes pode fechar no final de outubro.

Leia mais:
Cine Belas Artes luta para não fechar as portas

No mês de julho, o RedeTVi produziu uma reportagem sobre a situação do cinema. Na ocasião, um grupo de restaurantes estava organizando uma campanha para ajudar o cineclube a se manter. Encerrada em setembro, a campanha ‘Tudo pode dar certo’ arrecadou cerca de R$45 mil, que ainda estão ajudando o Belas Artes a lidar com seu deficit.

A equipe do Cine Belas Artes informou que ainda não há nenhuma proposta de patrocínio concreta e que “recursos acumulados anteriormente que estão servindo para cobrir o deficit mensal”.

O medo dos frequentadores é que o cinema se deteriore e vá fechando aos poucos, semelhante ao que aconteceu com o Gemini (tradicional cinema de rua de São Paulo que fechou recentemente). Mas os administradores garantem [embora não console]: “fecharemos o cinema antes”.

O risco de fechar está cada vez mais próximo. Segundo o Belas Artes, “o cinema fechará no final de outubro impreterivelmente caso não surja algo concreto até a metade desse mês.”

Matéria escrita e publicada quinta-feira (07) no Portal da RedeTV.

Cine Belas Artes luta para não fechar as portas

No final de março, o Cine Belas Artes, tradicional cinema de rua paulistano, encerrou sua parceria de 6 anos com um grande banco internacional, que integrava o nome do cinema desde 2004. Sem patrocínio, o cinema corre o risco de fechar antes do final do ano.

Aberto desde 1952, o Belas Artes já teve vários donos, nomes e patrocinadores, mas sempre se destacou por sua programação diferenciada. O atual sócio-proprietário, André Sturm, dono da distribuidora Pandora Filmes, afirma que “não dá para cobrir os gastos só com a bilheteria. As despesas chegam perto de 2 milhões de reais por ano.” E os gastos são muitos: por ser um cinema de rua, aluguel e IPTU são muito maiores que nos cinemas de shopping, além do gasto com os mais de 30 funcionários (um número bem acima da média).

Sturm frequenta o Belas Artes desde a infância, quando seus pais o levavam às matines do cinema. Ele conta que, em 2003, durante outra grande crise do local, decidiu “comprar a causa, literalmente”. Nesses 7 anos à frente do Belas Artes, o amor pelo local só cresceu. “A parte mais interessante é fazer a programação, tentando sempre colocar bons filmes em cartaz. Afinal, é principalmente esse detalhe que faz a tradição do lugar”, revela.

O cinema se destaca dos típicos complexos da cidade de São Paulo por exibir filmes alternativos e também sucessos do circuito comercial. Por esse diferencial, muitos fãs se preocuparam ao ver que o cinema corre o risco de fechar – e alguns deles se mexeram pela causa.

Salvem o Belas Artes
Ao ler uma matéria sobre o possível fechamento de seu cinema favorito, a publicitária Elen Posse, de 23 anos, pensou “porquê ninguém faz nada para ajudar?” e resolveu montar um blog, o http://patrocineocinemabelasartes.blogspot.com/, e uma página no Twitter para ajudar o Belas Artes em sua busca por um patrocinador. Em um dia, o perfil @belasartescine somou mais de 1.000 seguidores e, segundo Elen, 10 empresas já entraram em contato com o blog sobre o patrocínio.

A jovem conta que não conhecia ninguém da administração do cinema antes de iniciar a campanha. “Quando vi o ‘boom’ de seguidores [no Twitter], entrei em contato com a Pandora para linkar o blog no site deles. E o André [Sturm] me ligou para agradecer o apoio e mandar a apresentação [que o Belas Artes envia para os interessados em patrocinar o cinema].”

Elen diz que, quando uma empresa entra em contato com o blog, ela imediatamente já repassa o contato para a Pandora. “Eu passo todas as propostas pro Sturm, por isso não sei como andam as negociações, mas há empresas grandes interessadas!”, comemora.

O grande objetivo da campanha é manter o cinema aberto, “conseguir um patrocinador o mais breve possível”, diz Elen. E o que a publicitária ganha com a iniciativa voluntária? “O ganho é poder continuar indo ao Belas Artes toda semana!” Ela começou a frequentar o cinema há 5 anos, quando se mudou para São Paulo. “Eu fui ver ‘Os Sonhadores’ lá e desde então vou sempre, [o preço] é acessível, tem uma boa programação e eu gosto da curadoria. ”

Como Sturm, a preocupação de Elen é com um possível fechamento. “É um cinema que não tem pretenção, mas mostra cultura, traz filmes diferentes. Meu medo é que vire uma loja.”

Tudo pode dar certo
Outra iniciativa de apoio é a campanha “Salve o Belas Artes: Tudo Pode Dar Certo”, idealizada pela restauratrice Marie-France Henry. Desde 05 de julho, e até 05 de setembro, quem colabora com R$ 5,00 em uma dos 17 restaurantes participantes recebe um convite válido para uma sessão de cinema, de segunda a quinta-feira. Na bilheteria, basta carimbá-lo para ganhar uma sobremesa de cortesia em qualquer um dos estabelecimentos que aderiram à campanha.

O arquiteto Rafic Farah também participou da ação e criou o design da campanha (cartazes, material gráfico etc). A produtora O2 Filmes, do cineasta Fernando Meirelles, e que é sócia do Belas Artes, fará um filme sobre a promoção que será exibido nos cinemas.

Marie-France diz que gosta de reunir restaurantes em torno de eventos e cardápios temáticos. “Em relação ao Belas Artes, era necessário reunir muitos restaurantes: primeiro porque o cinema é um ícone da cidade e diz respeito a um coletivo, portanto não teria sentido ter apenas um restaurante envolvido na ação. E também porque quanto mais contribuições em dinheiro conseguirmos, mais proveitosa será a ação”, conta.

A restauratrice afirma que foi fácil reunir os restaurantes em torno da causa: “todos os restaurantes participantes toparam entrar na ação logo que eu sugeri. A campanha está sendo muito bem recebida, tinha muita gente nos restaurantes querendo contribuir antes mesmo do início da ação”, comemora.

Marie frequenta o cinema há 30 anos e tem certeza de que sua campanha terá um bom resultado, “que não é só financeiro, mas de mobilização popular em torno do problema. E também para mostrar para qualquer eventual patrocinador o quanto o Belas Artes é importante, mobiliza restaurantes, clientes, mídia, opinião pública, etc.”

O ideal é que o cinema não dependa de iniciativas como esta. Marie acredita que a campanha vai gerar uma receita importante, que, ela espera, seja “o suficiente para manter o cinema até que ele encontre um novo patrocinador”.

Marie e Elen lembram da iniciativa uma da outra e reafirmam a importancia de campanhas como as delas. Mas Marie alerta: “não é saudável que qualquer empresa se mantenha a partir de iniciativas como esta. O cinema vai sim conseguir um patrocínio com tanta mobilização.”

Apesar do apoio dos fãs, Sturm conta que a única salvação para o cinema é uma nova parceria. “Definitivamente precisamos de patrocínio ou apoio de empresas.” Segundo ele, ainda não existe nenhuma proposta adiantada, “mas há algumas empresas interessadas.” Ainda bem!

Matéria escrita e publicada no Portal da RedeTV.

Então, isso é a Paulista

Posted on 11/dezembro/2008 by Cinéfilos

Se cada cidade tem seus encantos, a Av. Paulista é um dos encantos de São Paulo. Nada mais paulistano que a correria de ternos e saltos altos pela manhã, no horário de almoço ou a calma com que tais ternos e saltos voltam para suas casas, cansados no final das tardes cinza-alaranjadas. Alguns rostos procuram conforto (e consolo) nos cinemas que se espalham por este que já é um eixo típico (e manjado até, eu diria!) do circuito cultural paulistano.

Avenida PaulistaA Paulista já teve cinemas para todos os gostos, hoje anda mais “cult” (ou pseudo-cult, como diria um amigo meu). Vindo da Consolação, temos logo na esquina com a Paulista o HSBC Belas Artes, um cinema simpático, com uma programação que valoriza o cinema nacional e europeu, voltada principalmente aos avessos ao cinemão norte-americano. Ali é muito comum ver estudantes com roupas peculiares, um jeito esquisito e um rosto que pode ser familiar.

Quem já tiver visto todos os filmes em cartaz por aqui, pode se arriscar no Cine Bombril, pertinho, alguns quarteirões à frente, no Conjunto Nacional, ou no Espaço Unibanco, na R. Augusta. A programação destes três cinemas não difere muito e seu público é praticamente o mesmo, escolhido principalmente pelo bolso. Devido às simpáticas promoções, Belas Artes e Esp. Unibanco atraem muitos estudantes, que freqüentam o primeiro às segundas e quartas, por R$4 (meia), e o segundo às quintas por R$2,5. Os outros cinemas na Paulista são em geral mais caros, com ingressos chegam a R$19 (inteira) no final de semana.

Se o passeio à Paulista em busca de um filme não foi bem sucedido até aqui, não desista! Ainda restam a Reserva Cultural, o Gemini (lembra dele?) e o Shopping Paulista (sim, ele tem um cinema). A Reserva segue a mesma linha dos anteriores, com o agravante de que é o cinema mais caro (e o mais sofisticado) da Paulista, o único que não vende pipoca (sua bomboniere é muito mais refinada do que estas coisinhas barulhentas). No Gemini esta sua chance de ver na telona aquele filme que já saiu em dvd. Sua última chance. Não é a melhor opção, o estado deste que deve ser um dos últimos exemplares do antigos cinemas não é dos melhores nem o ingresso dos mais baratos. O preço é normal (R$12 a R$16), mas para o estado do cinema, abusivo.

Se você não gosta de filmes nerds, cults, odeia cinema europeu e aqueles filmes ditos “de arte”, sua única chance na região esta no Shopping Paulista, que em breve ganhará salas de cinema descentes, da rede Cinemark . Das antigas salas de cinema, atualmente apenas duas estão funcionando (já foram 4). Mesmo quando criança, esta repórter que vos fala nunca gostou de ver desenhos nas telas deste shopping, o som é muito ruim, e fica difícil entender o que os personagens falam. Aguardemos para ver o futuro complexo multiplex.

Todo ano, durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o vão livre do MASP também vira sala de cinema; os barulhos da avenida e as buzinas dos carros incomodam um pouco, mas a vista é impecável. Nosso cartão postal vale dois quilômetros de caminhada, mesmo para um paulistano cansado, que sempre se delicia com as luzes de natal da tão querida avenida.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.