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A angústia da vida refletida em ‘Cabeça a Prêmio’

O filme começa com um uruguaio em cena, falando um castelhano meio aportuguesado em meio a um grande canavial. É pelos créditos dos patrocinadores que sabemos que a cena provavelmente se passa no Mato Grosso do Sul. E aí você pode pensar que o ator uruguaio Daniel Hendler (‘O Abraço Partido’) é um jovem brasileiro, tentando se comunicar com um paraguaio na fronteira, em um castelhano aportuguesado.

Mas ‘Cabeça a Prêmio’, estreia de Marco Ricca na direção, vai além dos dramas de vida na fronteira, ele cria um drama familiar, mesclado com história de amor, de máfia, de fronteira. São vários gêneros que se misturam criando um clima angustiante em que cada personagem parece se afundar cada vez mais em uma lama grossa e sem saída.

O sorriso de Alice Braga quebra a tensão em alguns momentos, criando respiros de alívio no filme. No entanto, mesmo as roupas chiques da moça, que interpreta a filha de um grande agropecuarista envolvido no narcotráfico, em certo ponto do filme dão lugar a um allstar em ritmo de fuga.

Em cena, grandes nomes como Fúlvio Stefanini, Eduardo Moscovis, Cássio Gabus Mendes, Alice Braga e a participação inusitada do uruguaio Daniel Hendler, que Ricca conta ter tido o prazer de conhecer e conviver por algumas semanas. “São todos meus amigos e eu tive a sorte de aceitarem meu convite. Eu não posso pagar esses loucos. Ou pelo menos não como eles merecem”, disse em coletiva de imprensa.

‘Cabeça a Prêmio’ é uma história de amor e de dor, que se constrói em um ritmo fragmentado, como fragmentada e angustiante é a vida. Com fortes personagens e interpretações, Marco Ricca traspôs o livro homônimo de Marçal Aquino, de quem é um grande fã, para as telas, pensando em grandes amigos seus que ele considera atores fantásticos para interpretarem o roteiro de Felipe Braga.

O filme é uma boa pedida, mas sugiro evitar após um dia tenso!

Texto publicado ontem no site Vereda Estreita.

‘Cabeça a Prêmio’: Marco Ricca estreia na direção com drama familiar

Baseado no livro homônimo de Marçal Aquino, o filme ‘Cabeça a Prêmio’ chega aos cinemas nesta sexta-feira (20) e marca a estreia de Marco Ricca na direção de cinema, após consagrar-se como ator e dirigir peças de teatro. O longa narra um momento de decadência e tensões para os Menezes, uma família de agropecuáriastas do Mato Grosso do Sul.

O elenco de ‘Cabeça a Prêmio’ é todo estrelado. Fúlvio Stefanini dá vida ao patriarca Miro Menezes. O casal de protagonistas é vivido por Alice Braga – que interpreta a filha de Miro, Emília – e pelo ator uruguaio Daniel Hendler (‘O Abraço Partido’), que vive Dênis, piloto dos Menezes. Eduardo Moscovis e Cássio Gabus Mendes são Brito e Albano, capangas da família.

Somando-se ao romance proíbido dos jovens o fato de que Miro e seu irmão Abílio (Otávio Muller) controlam uma pequena rede de negócios ilícitos, que vem sendo pressionada pela polícia, está traçado o caminho para uma trama que vai se revelando aos poucos, em interessantes reviravoltas.

Em coletiva de imprensa, Marco Ricca disse que o mérito pela história é toda de Marçal Aquino, que, segundo ele, já escreveu um livro cinematográfico. O adaptação do roteiro ficou por conta de Felipe Braga e o próprio Aquino ajudou no processo, além de dar seu apoio ao projeto. Sobre o grande elenco, Ricca frisou que seu filme é de grandes atores e “não tem a pretenção de lançar nenhum novo ator, como o cinema nacional faz muitas vezes”.

‘Cabeça a Prêmio’ coloca o público em contato com uma história angustiante, que nos mantém envolvidos ao longo de seus 104 minutos. Neste círculo familiar onde há pouco espaço para mudanças ou expressões de personalidade próprias, cada personagem vive um drama que parece não ter fim e o espectador, como a própria personagem Emília (Alice Braga), a certo ponto se pergunta se há uma saída realmente positiva para a trama.

Confira o vídeo da entrevista coletiva (com imagens minhas) AQUI.

Matéria e vídeo publicados hoje no Portal da RedeTV.

Os Queridinhos da América

Posted on 2/julho/2008 by Cinéfilos3 comentários

Considerados os dois atores brasileiros de maior sucesso no exterior, Rodrigo Santoro e Alice Braga fazem seu primeiro filme juntos. Cinturão Vermelho, escrito e dirigido por David Mamet, estréia por aqui com um grande marketing em torno da imagem dos dois atores.

coletiva cinturão vermelho

Na entrevista coletiva concedida para divulgação do filmes, os dois atores conversaram com a imprensa sobre as principais motivações que os levaram ao set de filmagem de Mamet, como foi a experiência de trabalharem juntos e quais seus projetos e perspectivas para o futuro. O encontro nas telas entre os dois atores brasileiros, ironicamente, só foi acontecer em um filme norte-americano, dirigido por um faixa roxa (uma das mais altas) que pratica jiu-jitsu na academia do mestre brasileiro Renato Magno, em Los Angeles.

Mamet percebeu que a rigidez de princípios morais pregada pelo instrutor serviria bem a um herói cinematográfico e criou o enredo de Cinturão Vermelho, que apresenta confrontos mais morais do que físicos. Para tanto, reuniu uma equipe numerosa, com vários brasileiros que deram ao set de filmagem um clima descontraído. Mamet ofereceu o apoio necessário aos atores, dirigindo-os para que criassem o personagem que ele havia imaginado, uma de suas características como diretor.

Ambos os atores afirmaram que a experiência de trabalho com o diretor norte-americano foi muito positiva, “ele é muito calmo e tranqüilo”, afirma Alice e orienta os profissionais para que, na interpretação, o ator se coloque como veículo do diretor, fique a sua disposição.

A carreira dos dois atores vai muito bem. No Festival de Cannes, Rodrigo estava com dois filmes em competição,Che, de Steven Soderbergh, e o argentino Leonora, de Pablo Trapero. Alice foi para a exibição oficial de Blindness, filme do diretor brasileiro Fernando Meirelles sobre olivro “Ensaio sobre a Cegueira”, do escritor português José Saramago. O clima em Cannes era muito animado, com uma grande presença de brasileiros em competição e um sentimento positivo em relação ao cinema nacional.

Os dois talentos brasileiros mais promissores estão com vários projetos internacionais. Santoro veio a São Paulo para a divulgação de Cinturão e logo voltou à Los Angeles, para concluir uma cena de I Love You Philip Morris, com Jim Carrey e Ewan McGregor. Alice terminou recentemente as filmagens de alguns longas, ainda inéditos aqui no Brasil, nos quais conheceu e atuou com seus ídolos do cinema: em Repossession Mambo atuou com Jude Law e Forest Whitaker, e em Crossing Over, com Harrison Ford e Sean Penn.

Os atores concluíram a entrevista de modo otimista e sempre afirmando que não escolhem seus papéis pela nacionalidade ou por atuar em Hollywood, mas sim pela satisfação artística que estes lhes trarão. Nas palavras de Rodrigo, os Estados Unidos “são uma vitrine para o mundo” e, se esta vitrine oferece boas possibilidades, por que não aproveitá-las?