Outras considerações sobre a FLIP 2011

Ontem, escrevi algumas impressões sobre a FLIP 2011 para o Vereda Estreita. O texto era maior e talvez estivesse um pouco confuso. Cortei e reorganizei os parágrafos, deixando algumas considerações de fora. As que sobraram e me pareceram interessantes, mantive e publico por aqui.

Eu não assisti todas as mesas da FLIP 2011, mas, ao final da festa, gostei da seleção de eventos culturais dos quais participei nos cinco dias que passei em Paraty. Nunca tinha ouvido Antonio Candido falar, tampouco tinha visto uma peça do Teatro Oficina. Comecei a FLIP fascinada com as sábias palavras de nosso maior crítico literário e terminei um pouco assustada, após receber dois convites de belas atrizes para tirar a roupa em frente das cerca de 2 mil pessoas que aguentaram as quase 4 horas da Macumba Antropófaga de Zé Celso.

Antonio Candido por Alexandre Benoit. "Um grande escritor só vai ser lido e reconhecido trinta anos depois de sua morte." (do blog da FLIP)

Na mesa de abertura da 9ª Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, Antonio Candido contou histórias de sua convivência com Oswald de Andrade, o homenageado desta edição, que era 30 anos mais velho que ele. Falando de alguma briga do poeta com críticos literários da época ou narrando o desentendimento de Oswald com o amigo Mário de Andrade, Candido finalizava as frases com um saudoso “isso era muito dele”. Na mesma mesa, o compositor e também professor da USP José Miguel Wisnik apresentou uma visão mais distanciada do poeta modernista, como ele é visto pela academia hoje e quais as influências de Oswald de Andrade em sua própria formação.

Ainda na programação principal, as mesas com Andrés Neuman, valter hugo mãe, Joe Sacco e João Ubaldo Ribeiro foram as que mais me agradaram – além de terem agradado ao público em geral, que lotou as filas de autógrafos (na FLIP, o melhor modo de medir a popularidade dos autores após as mesas das quais participam).

Os 500 exemplares que a Livraria da Vila levou para Paraty de “a máquina de fazer espanhóis”, novo romance de valter hugo mãe (que não usa maiúsculas nem em seu nome), se esgotaram ainda no sábado, um dia após a mesa do escritor. mãe passou quase 4 horas autografando livros após cativar a platéia com sua fala, onde a escrita parece natural, e com um texto lido ao final da mesa sobre sua relação com o Brasil (vídeo no post abaixo, texto AQUI). A escritora argentina Pola Oloixarac, que prometia ser a musa desta FLIP, foi ofuscada pelo carisma de valter hugo mãe, escritor português nascido em Angola (ele mora desde muito novo em Portutal).

Tive a impressão de que a programação paralela cresceu e foi mais prestigiada pelo público este ano. Na Casa de Cultura, as peças “O Outro”, com Lourenço Mutarelli, e “Tarsila”, com texto de Maria Adelaide Amaral, estavam lotadas. “Tarsila” teve tanta procura que foi até transferida para a Tenda dos Autores. Sendo que “Tarsila”, na verdade, foi uma leitura dramática da peça realizada por Eliane Giardini, José Rubens, Beth Golfman e Pascoal da Conceição, os mesmos atores que interpretaram, respectivamente, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Anita Malfatti e Mário de Andrade na minissérie “Um só coração”, também de autoria de Maria Adelaide Amaral. [Aqui, insiro um parêntesis para dizer que, para mim, Pascoal da Conceição será sempre o Dr. Abobrinha.]

Eu também prestigiei o bate-papo entre Leandro SarmatzCarlos de Brito e Mello, na Casa de Cultura. A conversa entre os dois autores recebeu o nome de “Máscaras e fantasmas”. As máscaras seriam do primeiro e os fantasmas do segundo. Não há fantasmas em Mello e há apenas algumas metáforas com máscaras em Sarmatz, mas a ligação entre as obras dos dois autores vai além do título um tanto quanto forçado. Os dois falam de abandono, de solidão, de morte. Aspectos intrínsecos à vida social que são abordados com certa melancolia (melancolia esta que é mais clara em “Uma Fome”, de Sarmatz, mas está latente em “A Passagem Tensa dos Corpos”, de Mello).

O show ou o encerramento desta FLIP renderiam textos a parte. Não conhecia as composições de José Miguel Wisnik e achei-as lindas. Sobre a peça, acho que ainda não tenho palavras suficientes para comentá-la. Foi uma experiência estranha sobre a qual precisaria elaborar melhor.

Alguns link interessantes:

Entrevista do Estadão como valter hugo mãe: AQUI, em vídeo.

A Folha fez uma Sabatina com Joe Sacco que rendou uma história em quadrinhos. O Gui Dearo fez uma entrevista com ele.

Textos sobre as mesas de Péter Esterházy com Emmanuel CarrèreContardo Calligaris com Ignácio de Loyola Brandão.

Uma crônica muito simpática do Antônio Prata sobre groupies literárias: AQUI, o oficial para assinantes Folha/UOL, e AQUI, republicada por alguém.

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