Algumas impressões sobre a FLIP 2011

Oswald de Andrade esteve na FLIP 2011 como dificilmente outro escritor homenageado pela festa estará. Das três edições da FLIP que acompanhei, esta foi aquela em que a homenagem melhor se enraizou na programação. Oswald não foi debatido apenas na mesa de abertura ou em algumas mesas menos prestigiadas pelo público ao longo da festa. Ele esteve nas palavras de Antonio Candido na conferência inicial, mas também nas canções do show de abertura, em que José Miguel Wisnik (que também falou na primeira mesa), Celso Sim e Elza Soares cantaram adaptações feitas a partir de poemas do modernista, e também na “Macumba Antropófaga” com que Zé Celso e sua equipe do Teatro Oficina encerraram a festa.

Imagem do começo da Macumba Antropófaga que encerrou a FLIP 2011

Imagem do começo da “Macumba Antropófaga”, que encerrou a FLIP 2011.

Na programação principal, João Ubaldo Ribeiro e o escritor português nascido em Angola valter hugo mãe (que não usa maiúsculas nem em seu nome) foram os autores que mais cativaram o público. Ubaldo por suas divertidas histórias e mãe por uma fala onde a escrita parece natural (além de um texto sobre sua relação com o Brasil lido ao final da mesa, que levou boa parte do público às lágrimas). Miguel NicolelisAndrés Neuman e Joe Sacco também chamaram bastante atenção.

Ao longo desta 9ª edição da FLIP, a impressão geral do público foi de que havia menos gente em Paraty este ano. No entanto, a estimativa é de que entre 20 e 25 mil pessoas estavam por lá durante o evento, a mesma estimativa da edição de 2009. Ano passado, o público estimado foi de 15 a 20 mil pessoas (a edição 2010 aconteceu em agosto, devido à Copa do Mundo). Acredito, então, que esta impressão se deva ao fato de que o número de eventos paralelos cresceu. Se o número de pessoas que assistiam as mesas literárias do lado de fora da tenda do telão diminuiu, a Casa de Cultura estava sempre mais ou menos cheia, muitos eventos da Casa Folha e da Casa SESC lotaram.

Outro fator que pode ter contribuído para a impressão de que a cidade estava mais vazia ou de que este ano estava mais fácil atravessar a ponte do rio que cruza a cidade foi a mudança de lugar na Tenda do Telão. Em 2011, a organização da FLIP reuniu todas as suas tendas do mesmo lado do rio em que nas edições anteriores ficava apenas a Tenda dos Autores. Em um único corredor, aproveitando o passeio reformado pela prefeitura, estavam reunidas as tendas dos autores, dos autógrafos, a livraria, a loja da FLIP, os estandes dos patrocinadores e, ao final de tudo, já na praia, a tenda do telão.


A leitura feita por valter hugo mãe ao final da mesa 6 da FLIP 2011. Vídeo: Divulgação/FLIP

Foi uma FLIP com bons autores, bons mediadores (das mesas que vi, nenhum mediador estragou as conversas, como às vezes acontece), com alguma polêmica (especialmente entre o curador e o cineasta e escritor judeu Claude Lanzmann) e com algum debate. Nas mesas literárias, é difícil que os escritores convidados efetivamente dialoguem entre si, para além de algumas semelhanças propostas pelos mediadores. Neste ponto, destaco a mesa entre os escritores colombianos Laura Restrepo e Hector Abad, que não só leram as obras um do outro como trocaram impressões a respeito.

Texto escrito e publicado hoje no Vereda Estreita.

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