Um toque de arte em meio ao abandono

“Lixo Extraordinário” começa apresentando o artista plástico Vik Muniz, seus trabalhos no ateliê de Nova York e seu projeto de realizar fotografias de lixo no Jardim Gramacho, o maior aterro sanitário da América Latina, localizado na periferia do Rio de Janeiro. Em seguida, Vik e seu colega Fábio pesquisam juntos sobre Gramacho, que, de longe, se parece muito com o imaginário do “inferno na Terra”.

Conforme os artistas (e o filme) vão se aproximando do aterro e das pessoas que compõem aquele cenário, no entanto, o documentário vai ganhando uma dimensão humana que ameniza o horror de todo o lixo concentrado no Jardim Gramacho. Como eles lembram no longa, as pessoas que trabalham ali são tratadas como o lixo (ou pior): esquecidas, abandonadas à própria sorte.

Os depoimentos captados emocionam. No limite, é mais ou menos dessa forma que vive a maior parte da população do nosso país, pessoas que estão ali todos os dias e quase nunca são vistas. Um Brasil muito além das novelas ou dos filmes de favela. No lixão, a situação é bem pior.

A ideia que surge então é a da arte transformadora: Muniz convida um grupo de catadores de material reciclável para trabalhar com ele em sua série “Imagens do Lixo” – que depois fez muito sucesso exposta no MAM-Rio. Mas o próprio artista se questiona sobre qual será o efeito dessa interação na vida dos trabalhadores do Jardim Gramacho: para quem viu na arte uma possibilidade diferente de vida, como será voltar ao aterro?

“Lixo Extraordinário” vai levantando essas e outras reflexões enquanto mostra nuances psicológicas dos personagens fortes que trabalharam com Muniz e sua equipe. Em algumas cenas, é impossível conter a emoção – e as lágrimas derramadas trazem consigo a dor de um país imerso em abandono.

Detalhes:

Título: Lixo Extraordinário / Waste Land (facebook oficial)
País: Brasil, Reino Unido
Diretor: Lucy WalkerKaren HarleyJoão Jardim
Fotografia: Duda Miranda
Trilha Sonora: Moby
Ano: 2010
Estréia: 21 de janeiro de 2011
Salas de exibição

Foto: Marat Sabastião, por Vik Muniz. Divulgação.

P.S.: Em 2010, “Lixo Extraordinário” já conquistou os prêmios do Júri Popular nos festivais de BerlimSundance, além do Prêmio Especial do Júri e de melhor documentário do Júri Popular no Festival de Paulínia. O longa também disputa o Oscar 2011 de melhor documentário!

Texto escrito e publicado hoje no Vereda Estreita.

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