‘Bartô’ e a burocracia pública

Selecionado para a Mostra Competitiva de Curtas-Metragens da 12ª edição do Festival do Rio, que vai até dia 7, o curta ‘Bartô’ discute, em seus 17 minutos, as dificuldades enfrentadas por um funcionário público que acaba se tornando vítima da burocracia. Vindos da publicidade, os diretores Gunter Sarfert e Onon fazem sua estreia no cinema, contando com a ajuda e participação de amigos, como o escritor e desenhista Lourenço Mutarelli, que faz uma ponta no filme.

Os vencedores das mostras competitivas do Festival do Rio serão divulgados na noite desta terça-feira (5), em uma cerimônia fechada na capital carioca. O RedeTVi conversou com Gunter Sarfert na pré-estreia do filme em São Paulo e ele contou como foi o processo de criação de seu primeiro curta de ficção.

Baseado no conto ‘Bartleby, o Escrivão’, de Herman Melville (autor de ‘Moby Dick’), ‘Bartô’ conta a história de Bartolomeu, um exemplar e simpático funcionário público que, ao ser transferido para um novo departamento, se depara com um ambiente hostil e altamente desmotivador. O entusiasmo inicial de Bartô, como pede para ser chamado, vai diminuindo ao longo dos dias, à medida em que o personagem vai se “enturmando” com seus colegas de desânimo.

Sarfert conta que o protagonista Alê Abiatti foi o último ator a ser escalado: “ele foi um achado! A produtora de elenco teve um trabalho muito grande de buscar pelos tipos que queríamos no filme.” Muitos atores são amigos dos diretores ou dos produtores, já que ‘Bartô’ foi produzido com poucos recursos.

A participação de Lourenço Mutarelli como um dos colegas da jurisdição de Bartô é responsável por um dos melhores momentos do curta: ainda animado, Bartô repara que os troféus de honra ao mérito que ostenta em sua mesa sumiram. Questionado, o apático personagem de Mutarelli responde apenas que “eles estavam desmotivando a equipe”.

A apatia é a grande marca do curta, que coloca uma questão na cabeça do espectador: há saída para tal situação? Sarfert diz que ele e Ozon, seu colega de direção, quiseram trabalhar com o conto de Melville justamente por estes questionamentos. “Eu amei o livro, ele fala da burocracia, lidando com o absurdo. Buscamos trazer esse aspecto para o público, mas fizemos uma adaptação deturpada, trazendo as situações do conto para o Brasil.”

Matéria escrita e publicada terça-feira (05) no Portal da RedeTV.

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