Bienal de Arte de SP começa com clima politizado

A 29ª Bienal de São Paulo abre nesta terça-feira (21) para convidados e no sábado (25) para o público. Com o tema arte e política e sob curadoria de Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos, as mais de 800 obras produzidas pelos 159 artistas convidados buscam incentivar reflexões e discussões sobre o tema.

Neste sentido, visando incentivar o debate público, esta edição do evento criou os “terreiros”, espaços de convivência e interação espalhados pelo labirinto que a arquiteta Marta Bogéa criou para a mostra. A proposta arquitetônica da Bienal é que o visitante se perca pelas ruas, se embaralhe entre as obras de arte e, nos terreiros, possa descansar dos 30 mil metros quadrados do pavilhão do Ibirapuera, se encontrar e “celebrar a política”, como destaca Agnaldo Farias.

Com o título “Há sempre um copo de mar para um homem navegar”, que reproduz o verso do poeta Jorge de Lima, a ideia é que, por menor que seja o espaço oferecido, o homem sempre encontra uma saída. Neste sentido, Moacir do Anjos diz que “toda arte é política, porque ela nos faz repensar o modo como entendemos o mundo”. O evento quer destacar a função da arte como instrumento de contestação e instrumento para pensar mudanças na sociedade.

Polêmicas
Entre as polêmicas, está a série ‘Inimigos’, que o artista pernambucano Gil Vicente criou em 2005. Nos desenhos, ele se autorretrata matando personalidades como o presidente Lula, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a rainha da Inglaterra Elizabeth II e o papa Bento XVI, entre outros. A OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) lançou uma nota pública pedindo que os trabalhos sejam removidos da exposição, por fazerem “apologia à violência e ao crime”.

Farias considera a ação como “tacanha e mesquinha”: “Vindo de uma instituição que preza pela liberdade de expressão, tal pedido é desalentador. Dizer que essa obra propõe a violência é absurdo. Seria como dizer que dizer que [a peça] ‘Édipo Rei’ incentiva o incesto”, disse o curador.

A pichação também volta às discussões nesta 29ª edição. Mas ao contrário do que aconteceu em 2008, quando pixadores invadiram o andar vazio deixado no pavilhão naquele ano, desta vez eles foram convidados. “A pichação está presente através de documentação, oferecer-lhes uma parede não faria sentido. A 28ª edição perdeu a oportunidade de discutir essa questão ao tratá-la apenas como um caso de polícia”, disse o curador Moacir dos Anjos, afirmando que é preciso colocar a pichação em discussão e que, ao propor o tema arte e política, não é possível ignorar esta questão.

Confira a galeria de imagens da Bienal!

Serviço:
29ª Bienal de São Paulo
Quando: a partir do dia 21 para convidados e dia 25 para o público. De 2ª a 4ª feira: das 9 às 19h (entrada até as 18h), 5ª e 6ª feira: das 9 às 22h (entrada até as 21h) e sábados e domingos das 9 às 19h (entrada até as 18h)
Onde: Parque do Ibirapuera, Portão 3, sem numero
Quanto: grátis

Matéria escrita e publicada terça-feira (21) no Portal da RedeTV!.

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