FLIP: Carola Saavedra e Wendy Guerra querem romper com o siêncio do mundo

Foi nervosa que a chilena naturalizada brasileira Carola Saavedra iniciou neste domingo (08) sua participação em uma das últimas mesas da FLIP. Dividindo o palco com a cubana Wendy Guerra, Carola leu um trecho de seu novo livro, ‘Paisagem com dromedário’, e agradeceu a possibilidade de estar em uma cidade que, ao te obrigar a caminhar atentamente pelo calçamento de pedras, te faz pensar e refletir sobre o ambiente que te cerca.
Em uma mesa intitulada ‘Cartas, diários e outras subversões’, Wendy Guerra contou suas experiências com a escrita de diários, prática que sustenta desde os 7 anos. Ela contou que gosta de usar diferentes tipos de material para criar suas histórias, como arquivos sonoros, obras de artes plásticas e outros recursos que, colocados no papel, enriquecem a experiência do leitor.

Carola comentou, ainda falando sobre o uso de materiais diversificados, que acredita que o papel do artista seja justamente o de perceber o que outros não viram e contar essas visões que tem de um mundo que está a mostra para quem quiser vê-lo, mas que muitos não são capazes de enxergar. “O artista deve ser aquele que consegue acessar algo novo no mundo, algo que não está óbvio”, disse.

Falando de sua obra, a brasileira disse que, muitas vezes, “o escritor quer recuperar a verdade de um mundo que já não tem verdade”. O grande tema, para ela, é o amor e sua falta, sua busca, e as razões que levam as pessoas a sempre recomeçarem, apesar das quedas amorosas. “Acredito que a incomunicabilidade presente nas relações afetivas e amorosas é uma das grandes motivações da vida humana.”

O mediador da mesa, o também escritor João Paulo Cuenca, lembrou que os livros de Wendy Guerra tem uma grande incomunicabilidade com relação ao povo cubano, que não sabe que ela é escritora, uma vez que suas obras não estão publicadas em Cuba, apenas em outros países. Ela explicou ao público que, para ser publicado em seu país, é preciso esperar uma fila de outros nomes mais conhecidos. Além disso, para a escritora, em Cuba há um muro invisível no mar, já que ninguém pode andar de barco na ilha. Muro este que, com sua arte, Wendy diz que busca romper.

Neste seu último livro, Carola tem uma personagem que vive em uma ilha, buscando se recuperar de perdas amorosas. Wendy brincou com a brasileira dizendo que poderia ser uma se suas personagens: “eu vivo em uma ilha de verdade!”, contou. Carola concordou e disse que sua personagem também é uma artista, que vive em busca da simplicidade da vida, embora precise do mundo artístico.

Matéria escrita e publicada domingo (08) no Portal da RedeTV durante a cobertura da FLIP 2010.

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