Diretores convidam espectador a mergulhar em ‘Uma Noite em 67’

Depois de filmarem mais de 70 horas com cerca de 30 entrevistados, o publicitário Renato Terra e o jornalista e crítico cinematográfico Ricardo Calil sentaram na ilha de edição e decidiram fazer um filme que fizesse o espectador se sentir convidado a desfrutar ‘Uma Noite em 67’. O documentário, montado de forma simples e inteligente, retrata a final do Festival de Música Brasileira de 1967 e é a estreia de ambos os diretores no cinema.

Prestigiado pelo público e pela crítica em festivais como o É Tudo Verdade e o Paulínia Festival de Cinema, ‘Uma Noite em 67’ estreia na próxima sexta-feira (30) no circuito nacional e deve deixar certa nostalgia nos amantes de MPB. O filme traz seis músicas que fizeram parte da final do Festival de 67 e depoimentos de seus autores, além de jurados e produtores.

A mistura das imagens de arquivo de ‘Ponteio’ (Edu Lobo), ‘Domingo no Parque’ (Gilberto Gil), ‘Roda Viva’ (Chico Buarque), ‘Alegria, Alegria’ (Caetano Veloso), ‘Maria, Carnaval e Cinzas’ (Roberto Carlos) e ‘Beto Bom de Bola’ (Sérgio Ricardo) com as entrevistas foi proposital e muito bem pensada. Ricardo Calil conta que eles queriam “fazer um filme que transmitisse a experiência do que foi aquela noite. Queríamos que quem assitisse o filme nos cinemas se sentisse em 67, no meio da platéia, cantando, vaiando.”

“A final de 67 foi composta por 12 músicas, nós acabamos escolhendo seis, pois percebemos que o essencial do filme estava nessas seis músicas”, complementa Renato Terra.  A seleção musical e de depoimentos foi fruto da escolha de contar como foi aquela noite apenas com depoimentos de quem esteve lá: “não há ninguém que aparece no filme que não estava naquele teatro naquela noite”, destaca Calil. “Quando montamos o filme vimos que alguns depoimentos não serviam, queríamos depoimentos mais pessoais, que falassem da experiência daquelas pessoas naquela noite. Não queríamos colocar as pessoas no filme só porque elas deram entrevista”, reforça Terra.

O clima amigável que se sente nas entrevistas contribui para familiarizar o espectador com aquele ambiente. Os diretores se alegram ao falar da espontaneidade de alguns depoimentos, “eu acho que só vi o Chico Buarque tão a vontade em ‘Vinícius’, que foi dirigido por um amigo dele”, lembra Calil. O mérito, destacam, foi de toda a equipe, sempre muito atenta para deixar os entrevistados à vontade: “todo mundo era muito silencioso e respeitoso”, diz Calil.

O grande conhecimento que Calil e Terra adquiriram sobre o assunto também ajudou. “Nós não conhecíamos nenhum dos cantores, mas tínhamos lido tanta coisa sobre o assunto que às vezes nos diziam ‘você sabe mais sobre isso do que eu que estive lá'”, conta Calil, rindo.

A ideia do filme surgiu em 2003, quando Terra terminava sua monografia sobre a Era dos Festivais, “senti necessidade de documentar isso, na época tinha pouca coisa registrada.” Em 2005, ele convidou o colega para fazer o filme, “dei sorte que ele topou”, brinca Terra. No final daquele ano os dois conseguiram o apoio de João Moreira Salles (‘Entreatos’), por meio da Videofilmes e entraram na fila de espera da produtora para um financiamento. As filmagens começaram no final de 2008 e duraram pouco, “conseguimos agendar várias entrevistas no mesmo mês”, conta Terra. O processo de montagem e edição foi mais demorado e durou cerca de seis ou sete meses.

No final de 2009, ‘Uma Noite em 67’ estava pronto, e nenhum de seus diretores poderia prever a repercussão que teria. “Não tem como esperar algo assim, o filme ganha uma vida própria depois que está pronto”, diz Calil. A recepção do público tem sido como a esperada pelos diretores: “Muitas pessoas se emocionam e nos dizem que se sentiram no teatro, é muito emocionante. Nós fizemos uma aposta que esta rendendo a nosso favor, foi uma escolha bem feliz!”, comemora Calil.

Felizes com os resultados do trabalho, eles contam que não esperavam risadas em algumas partes do longa. “Mas o fato dos espectadores rirem mostra que o filme abriu uma porta de emoção que deixa espaço para as pessoas rirem ou chorarem. Não é um riso banal, mas revela que o filme cria intimidade com o espectador”, afirma Calil, que complementa, sorridente: “Os entrevistados se abiram e as pessoas se abriram para o filme também”.

Matéria escrita e publicada sábado (24) no Portal da RedeTV.

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One response to “Diretores convidam espectador a mergulhar em ‘Uma Noite em 67’”

  1. Babi says :

    Vi “Loki”, dia desses. Quero muito ver “Uma noite em 67”!

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