Dia do Escritor: oficinas valorizam a escrita consciente

Neste Dia do Escritor, ao invés de apenas homenagear os grandes nomes, é importante lembrar que, até a fama, há um longo caminho a percorrer. Um receio na hora de escrever é muito comum, mesmo para os mais jovens, acostumados a expor e ler intimidades em blogs pessoais. Com o intuito de difundir a escrita como prática cidadã, Karen Kipnis criou o Projeto Escrevivendo, que oferece oficinas de escrita e leitura para o cotidiano, em parceria com a Casa da Rosas, em São Paulo, e a organização social de cultura Poiesis.

O ensino formal, para Karen, desestimula a criatividade literária. “As escolas usam práticas questinonadas há décadas, a redaçào serve apenas como ‘prestação de contas’ da aula de gramática, não há discussão sobre o que o aluno estaria motivado a escrever ou como se expresar, a nota é supervalorizada, os problemas são vários”, diz.

Acreditando no poder de transformação social da cultura, Karen estruturou o Escrevivendo de forma a “colocar em prática modelos mais democráticos de desenvolvimento do discurso escrito em espaços públicos de memória, educação e cultura.”

Gratuitas e sempre realizadas em espaços culturais abertos ao público – como a Casa das Rosas, o Museu da Língua Portuguesa e Biblioteca de São Paulo -, as oficinas atraem todo tipo de público, de “escritores assumidos” à engenheiros ou donas de casa. “A oficina favorece o diálogo dentro dessa diversidade, facilitando a construção de um contexto e discurso no qual os “escreviventes” comentarão os textos produzidos uns dos outros”, comenta Karen.

Outro problema comum aos iniciantes é a vergonha de mostrar seus textos. Os ‘escreviventes’, conta Karen, são incentivados a mostras seus textos uns aos outros e trocar opiniões. “Motivamos a criação e a circulação de ideias para que [os participantes] percebam, ainda que oralmente, que têm algo a comunicar e expressar.”

O começo
A ideia de criar um projeto amplo de oficinas literárias surgiu em 2005, quando Karen fez um estágio na licenciatura da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, no qual trabalhou com oficinas semelhantes. Karen conta que, no mesmo ano, reencontrou o poeta e amigo Frederico Barbosa, então diretor da Casa das Rosas e atual diretor da Casa das Rosas e da Poiesis.

“Naquela época”, lembra Karen, “não havia curso ou oficina na Casa das Rosas aos sábados pela manhã e o Fred nos cedeu um espaço para o desenvolvimento do minicurso Textando. Eu e ele ficamos surpresos com a procura e o interesse das mais diversas pessoas por este tipo de atividade em espaços públicos e resolvemos suprir esta carência, levando em frente o Projeto, agora Escrevivendo. Em 2008, ele passou a ter uma interface para blogagem, graças ao encontro com o grupo Intersemioses da UNESP de Marília.”

A filosofia do projeto, afirma Karen, é que, “ao escrever melhor e ao ler mais atentamente, a cidadania e a autoestima dos participantes são reforçadas, permitindo que atuem mais ativamente na sociedade.”

Escrevivente
O paulistano André Braga, que acaba de lançar seu primeiro livro, ‘Poemas Errados (dias intranquilos)’, conta que as oficinas literárias das quais participou foram muito importantes para o seu amadurecimento como escritor. “Todas me estimularam a escrever mais, pois me deram segurança e ajudaram a aprimorar meu senso crítico.”

Braga, que escreve regularmente em seu blog, calcula que já fez no mínimo 10 oficinas, entre conto, prosa, crônica e poesia, “todas na Casa das Rosas”, destaca. A diversidade de público, para ele, é uma das vantagens dos grupos do Escrevivendo: “você conhece outras pessoas com o mesmo interesse, troca experiências e lê muita coisa boa. A escrita não é um ato muito difundido na sociedade e às vezes é vista como algo que se faz quando não se tem nada melhor para fazer, então é muito interessante participar de um ambiente que estimula esse exercício. Só se tem a ganhar quando se participa de uma oficina”, defende.

Feliz com o lançamento do livro, Braga conta que não pretende fazer do ofício uma profissão. “Foi muito bom, é uma satisfação muito grande. Acho que umas 300 pessoas foram ao lançamento, vendi uns 120 [exemplares]. Foi uma tarde única na minha vida.” Agora, ele espera que as pessoas gostem de seus poemas, que o livro “caminhe sozinho”, afinal, completa Braga, “as pessoas lendo, para mim, já está ótimo!”

Matéria escrita e publicada hoje no Portal da RedeTV.

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