Jorge Drexler apresenta novo disco em turnê pelo Brasil

Sorridente e barbudo: é assim que o cantor uruguaio Jorge Drexler deve se apresentar neste final de semana aqui no Brasil. De volta ao país após pouco menos de um ano, Drexler toca nesta sexta-feira (23) em São Paulo, segue para Porto Alegre (24 e 25) e depois vai a Florianópolis (27).

Formado em medicina, Drexler conta que só se decidiu pela música como profissão aos 30 anos: “sempre fui o último dos meus amigos a tomar decisões”. Hoje com 45 anos e morando na Espanha desde 1994, o uruguaio começou a compor em 1989 e em 1992 lançou seu primeiro disco, ‘La luz que sabe robar’.

Oscar
A fama mundial veio com a música ‘Al otro lado del río’, que ganhou o Oscar de melhor canção em 2005, pelo filme ‘Diários de Motocicleta’, dirigido pelo brasileiro Walter Salles. Ele conta que não mudou após a conquista inesperada: “minha carreira mudou, cresceu muito. Mas eu continuo o mesmo. Eu não esperava, não tinha isso como meta, nunca nem tinha visto uma cerimônia do Oscar ao vivo.”

Drexler diz que, em casos como este, a criação de objetivos é uma grande inimiga: “acho que o pior que pode acontecer com as metas é elas se cumprirem, o vazio que fica depois que a sua meta se cumpriu é insuportável, poucas pessoas conseguem se recuperar de um êxito. É impossível não se dar mal no final, porque ou você consegue e sente aquele vazio interior ou você falha e fica frustrado.”

Amar la trama
Felizmente, frustração é algo que tem passado longe da carreira de Drexler, que só cresceu desde 2005. Este ano, ele lançou seu 12º álbum, ‘Amar la trama’, o primeiro em estúdio gravado na Espanha e que fala de sua relação com o país. “Demorei uns 12, 13 anos para me adaptar, eu era muito dependente do Uruguai. Antes eu escrevia muito sobre a distância, mas agora me achei em Madri e quis tocar meu amor à cidade. Mas o Uruguai sempre estará comigo, é minha origem”, conta.

Com exceção de seu trabalho anterior, ‘Cara B’, que foi gravado ao vivo durante uma semana de apresentações na Cataluña, seus 10 discos anteriores foram gravados no Uruguai, mesmo com o cantor já não residindo mais em seu país natal. “‘Cara B’ foi um disco aberto, teve interferências do público e cada espetáculo era diferente do outro. ‘Amar la trama’ é um CD mais fixo, gravado em estúdio”, diz Drexler.

O uruguaio revela que não gosta muito de compor. “Eu preciso, mas não gosto do momento. Levo 3 ou 4 semanas para compor um disco, é um carrossel bipolar de euforia e desilusão, uma euforia injustificada e uma depressão injustificada quando as coisas não saem. A composição é um ato inconsciente que você regula com a razão. Eu primeiro tenho uma ideia associativa, é como um perfume que chega de algum lugar e você persegue. Aí coloco isso no papel, equalizo, rimo, estrofo, mas o eixo central da canção é inconsciente.”

“Prefiro tocar ao vivo”, revela Drexler, que diz que o palco é uma cura: “você trabalha com a realidade espontânea do momento presente. No palco há um presente impostergável; isso é uma coisa que eu conheci também na porta de emergência de um hospital: você tem que estar com toda a sua atenção naquele momento e isso te conecta com a situação.”

Brasil
Drexler tem uma relação forte com nosso país e fala um português quase fluente, “mesmo sem nunca ter estudado”, brinca. Sua bisavó materna era gaúcha e, em casa, cresceu ouvindo e lendo português. Ele se diz fã de Villa-Lobos, Pixiguinha, João Gilberto, Chico Buarque e Marcelo Camelo e, atualmente, acumula parcerias com artistas brasileiros como Maria Rita, Paulinho Moska, Ivan Lins, Zélia Duncan e Arnaldo Antunes, entre outros.

Os shows do cantor aqui no Brasil são frequentes, ele diz gostar do público por aqui e se mostra empolgado ao falar das apresentações desta semana. “Em São Paulo, há uma mistura da reflexão que a cidade provoca em seus habitantes com a alegria natural do povo brasileiro. Com Porto Alegre e Florianópolis é parecido. O Brasil é um país seguro de si, aqui não há inveja”, elogia, sem esquecer que nosso país “tem outros problemas, mas inveja não!”

Matéria escrita e publicada quinta-feira (22) no Portal da RedeTV.

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Um adendo posterior [16/05/2011]: Na quinta (22), entrevistei Jorge Drexler no hotel em que estava hospedado em São Paulo. Na sexta, fui ao show. Um dos melhores nos quais já estive – pelo clima, por gostar das músicas (embora, na época, conhecesse poucas delas), pelo alto astral que a simples presença de Drexler causa.

Outro dia, baixei a discografia completa do cantor e agora, aos poucos, estou ouvindo-a. Prefiro os discos mais novos e hoje senti curiosidade de saber/lembrar qual foi o setlist deste show ao qual fui. Eis-lo aqui, caso torne a querer vê-lo no futuro:

Setlist (show em São Paulo, dia 23/7)
Todos a Sus Puestos
Uma Canción Me Trajo Hasta Aquí
3000 Millones de Latidos
Cerca Del Mar
Transporte
Se Va, Se Va, Se Fue
La Nieve Em La Bola de Nieve
Guitarra Y Voz
Don de Fluir
Milonga Del M.J
Sampa (cover Caetano Veloso)
Doce Solidão (com Marcelo Camelo)
Las Transeúntes
Disneylândia (cover Titãs)
Toque de Queda
Aquellos Tiempos
Polvo de Estrellas
Frontera
Todo Se Transforma

Bis
Al Otro Lado Del Río
Soledad
La Trama Y El Desenlace
Sea

[23/5/11] No mesmo dia em que eu conversei com Drexler, o Metropólis também estava lá (pressday). Eu entrei logo depois deles para conversar com o cantor. Como não tirei fotos dele, guardo AQUI o link.

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