As múltiplas faces de Frida Kahlo

Muito se fala do lado feminino e intímo da obra de Frida Kahlo, mas também é importante lembrar que a pintora mexicana, nascida há exatos 103 anos, teve uma forte influência da cultura indígena local.

Eduardo Cañizal, professor da Universidade de São Paulo e autor do livro ‘A visualidade sonora em um autorretrato de Frida Kahlo’, lembra que há dois pontos na obra da artistas: “há dois pontos de vista sobre ela: um é o da arte sofrida, muito ligada à feminilidade e à vida pessoal, e outro é a sua ligação com a cultura indígena mexicana.”

O professor destaca que essa segunda visão é sempre desprezada, mas Kahlo tem uma forte ligação com as correntes de pensamento indigenistas que estavam em alta no México durante a juventude de Frida, nos anos 1920 e 30.

“Em um de seus autorretratos”, lembra Cañizal, “a pintora escreve o nome de Coaticlue, a deusa asteca do amor e da poesia, em forma de flor. É uma flor que envolve Frida, que tem um rosto triste no retrato. Pode-se dizer que é apenas o retrato de uma mulher triste, mas você também pode pensar que ela esta querendo dizer que ela é uma deusa  do amor tal qual Coaticlue.”

Na opinião do professor, a obra de Frida é uma mistura de tudo isso e muito mais. “Muito se fala sobre a intimidade de Frida, mas ela também tem essa relação com a cultura indígena e teve uma participação importante na luta feminista e de liberação da mulher.”

Frida teve uma vida muito libertária e, mesmo em sua obra, contribuiu para quebrar tabus sobre a participação feminina na sociedade. “Sua pintura é muito singular, muito diferente da pintura feita por mulheres antes dela. As pintoras que existiam pintavam fantasia e Frida apresenta em suas obras um imaginário fantástico misturado com o mundo feminino e a arte indígena, essa fusão é um traço de estilo muito particular dela”, disse Cañizal.

Quando se enquadra Frida Kahlo em uma escola de pintura, ela é considerada surrealista. Mas Cañizal destaca a importância de ver sua obra como algo maior do que estilos fechados, uma vez que a pintora agrega várias referências e cria um conjunto com um colorido novo e único, que tem influenciado a maior parte dos novos artistas latino-americanos.

Matéria escrita e publicada ontem no Portal da RedeTV.

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