Relembre a vida de Frida Kahlo, que faria 103 anos hoje

Há 103 anos, no dia 6 de julho de 1907, nascia Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, que anos depois se tornaria simplesmente Frida Kahlo, um dos grandes nomes da pintura mexicana. A pintora nasceu e viveu durante toda sua vida na casa que foi de seus pais, a famosa “Casa Azul”, que hoje abriga o Museu Frida Kahlo, em Coyoacán, uma pequena cidade nos arredores da Cidade do México.

Em 1913, então com 6 anos, Frida foi vítima de poliomielite (paralisia infantil). Ela tentou durante toda sua vida, sempre de forma inovadora, esconder as lesões que a doença deixou em sua perna esquerda, primeiro com calças e depois com as longas e exóticas saias que se tornaram uma de suas características típicas.

Marcada por seus problemas de saúde, Frida frequentou a Escuela Nacional Preparatoria, em 1922, pensando em cursar medicina na universidade. Ela era uma das 35 mulheres em uma turma com 2 mil alunos. Foi nesta escola que Frida teve seu primeiro contato com o muralista Diego Rivera, seu futuro marido, quando ele expôs o painel ‘A Criação’ no local.

Manca e apelidada de perna de pau quando criança, Frida teve uma infância difícil, encerrada com um trágico acidente que, ironicamente, traria a arte para sua vida. Em setembro de 1925, aos 18 anos, o bonde em que estava colidiu com um caminhão: o parachoque de um dos veículos perfurou suas costas, atravessou sua pélvis e saiu por sua vagina.

A pintora passou vários meses de cama e foi aí que começou a pintar, com um cavalete adaptado. Frida teve que usar vários coletes ortopédicos de diferentes materiais, chegando inclusive a pintar alguns deles (por exemplo o colete de gesso na tela ‘A Coluna Partida’). A dor causada pelos problemas de saúde foi uma marca sempre presente em suas obras, muitas das quais retratam situações do emocional de Frida.

A Revolução Mexicana, encerrada em 1920, mas que deixou um governo autoritário no poder até 1934, também teve grande influência sobre o trabalho de Frida nesta fase inicial, apresentando-lhe a arte nativa indígena, antes menosprezada. O estilo propositalmente infantil presente em muitas obras da artista vem dessa busca por uma retomada do que seria uma autêntica arte mexicana.

Em 1927, recuperada do acidente, a pintora visitou Rivera na Secretaria de Educação Pública, onde ele estava pintando um mural, para pedir-lhe que avaliasse sua obra. O muralista percebeu o talento da moça e  a incentivou a seguir o caminho artístico.

Depois disso, os dois se aproximaram e acabaram se casando em 21 de agosto de 1929. Frida e Diego protagonizaram um dos mais conturbados casamentos do mundo artístico, marcado por casos extraconjugais, traições, bissexualismos (por parte da pintora), um divórcio e a retomada do casamento, além de diversas brigas.

Kahlo e Rivera iam juntos às reuniões do partido comunista mexicano, nos anos 30, e viajaram juntos pelos Estados Unidos enquanto ele pintava murais. Quando voltaram ao México em 1934, após a queda da ditadura vigente até então, pediram ao então presidente Lazaro Cárdenas que desse asilo ao líder soviético Leon Trotsky – que morou com o casal entre 1937 a 1939 e (especula-se) teria tido um caso com a pintora.

O ano de 1935 foi conturbado para o casal, Kahlo descobriu o caso de Rivera com sua irmã e os dois se separaram. O fato foi retratado em várias telas da pintora, nas quais ela se mostra triste e pensativa. No mesmo ano, porém, eles reataram o casamento, separando-se novamente em 1939 e retomando a relação mais uma vez em 1940. A vida pessoal do casal esteve sempre retratada nos quadros de Frida.

A amizade com Trotsky rendeu bons frutos à artista. Ele a apresentou ao surrealista francês Andre Breton, que, encantado com seu estilo, facilitou sua exposição em Nova York, a primeira fora do México. A exibição foi um sucesso e mais da metade das obras foram vendidas, o que deu a Frida liberdade financeira para não depender do marido. Em 1939, ela foi convidada para ir a Paris e, com a ajuda de Marcel Duchamp, montou sua segunda exposição.

Em 1942, além de ser eleito membro do Seminário de Cultura Mexicana, instituição criada para promover a cultura do país, Frida foi contratada pela Escola de Pintura e Escultura, onde passou a lecionar. Sua saúde, porém, começou a declinar, ainda refletindo o acidente de bonde. As dores nas costas e no corpo a obrigam a ficar em casa e a usar um colete de aço.

Nos anos 50, mesmo passando por uma série de operações, sua saúde a obrigou a ficar em uma cadeira de rodas e, por fim, limitada à sua cama. Entre seus últimos trabalhos estão ‘Autorretrato com Retrato do Dr. Farill’ (o médico que a operou) e ‘Autorretrato com Stalin’.

Em 13 de julho de 1954, depois de contrair pneumonia, Frida Kahlo faleceu na casa onde nasceu. Atendendo a um pedido seu, o corpo foi cremado e as cinzas ainda se encontram na “Casa Azul”. O museu que o local abriga hoje foi inaugurado em 1958, de acordo com os desejos de Diego Rivera, que morrera em 1957.

Além de influenciar vários livros, a história de Frida foi adaptada para o cinema em 2002, pela diretora Julie Taylor, com Salma Hayek no papel principal e Alfred Molina como Diego Rivera. O filme mostra um colorido que faz juz à obra da pintora, e conta os escândalos da vida pessoal do casal com uma bela fotografia e ótimas atuações.

Matéria escrita e publicada no Portal da RedeTV.

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