Distrito 9

Para fechar o post anterior, resolvi escrever sobre alguns filmes que estavam concorrendo à Oscars, mas que só assisti depois de ter escrito o post anterior. Distrito 9 é fantástico e merecia alguns prêmios. Sandra Bullock está formidável em Um Sonho Possível, mas seu papel é fácil de emocionar e, sem dúvida, fácil de acertar. Educação e O Fantástico Sr. Raposo me pareceram superestimados, deste último falou-se tão bem que esperei algo muito melhor do que encontrei, embora o filme seja divertido e com belas cores. Já Invictus é uma piada de mau gosto. Começarei por Distrito 9, e falo dos outros em um post futuro.

Distrito 9
Montado como se fosse um documentário e dirigido pelo sul-africano Neill Blomkamp, o filme retrata um apartheid de aliens em Johannesburgo, capital da África do Sul. Quando vi o trailler, me lembro de pensar que era apenas mais um filme sobre ETs, invasões à terra e afins. Mas Distrito 9 é muito mais que isso. Ele faz refletir sobre o preconceito para com o diferente e sobre a questão do apartheid, colocando os ETs para pousarem bem ali, onde anos antes eram os negros que eram jogados em favelas e empurrados para os subúrbios.

Após aterrissarem na Terra por problema técnicos em sua espaçonave, sofrendo com a fome e a falta de um lugar para ficar, as autoridades locais acomodam os alienígenas no ‘Distrito 9’, uma enorme favela onde nigerianos traficam armas e latas de comida de gato (o alimento favorito dos aliens), além de comerem os extraterrestres achando que talvez assim consigam usar suas poderosas armas (que só funcionam ao toque do ‘dedo’ alienígena).

Chamados de ‘camarões’ pelos seres humanos, o tratamento dedicado aos alienígenas não é muito diferente da maneira como foram tratados os tútsis em Ruanda, chamados de ‘baratas’ pelo hútus à época da limpeza étnica (800 mil tútsis morreram em Ruanda em 1994 – sobre isso, ver o filme Hotel Ruanda) ou do modo como os sul-africanos vêem os emigrantes zimbabuanos hoje em dia (veja entrevista da Folha com o diretor Neill Blomkamp).

Em Distrito 9, o que sentimos pelo extraterrestres vai da aversão inicial que sua aparência nos causa (são muito feias as criaturas que aparecem no vídeo) à afeição gerada pelo sentimento de que a injustiça que lhes é cometida não é algo certo.

Para aproximar ainda mais o espectador das feias criaturas, Distrito 9 usa o fantástico recurso narrativo de mostrar um ser humano que é contaminado por uma substância que aos poucos o transformará em um extraterrestre. Aqui vemos que, do dia para a noite, tudo o que mais amamos pode se perder. No caso do personagem, é sua humanidade que entra em um jogo cuja vitória ele sabe difícil.

Perseguido e isolado de seus iguais, só lhe resta fazer amizade com os mesmo ‘camarões’ que ele próprio perseguia quando trabalhava para o governo em uma missão que queria tirar os alienígenas do Distrito 9 e transferí-los para o interior do país.

Esquecido entre os indicados os Oscar deste ano, Distrito 9 é um desses filmes que te faz parar um pouco e refletir sobre a vida antes mesmo de desligar a televisão.

Download: http://filmescomlegenda.net/fcl/filmes/distrito-9-district-9-2009/

Texto escrito e publicado no site Vereda Estreita! http://veredaestreita.org/

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