Revisão eleva número de pobres paraguaios

Com nova metodologia, governo do Paraguai vê país ficar mais longe do primeiro Objetivo do Milênio, de redução da pobreza pela metade

O governo do Paraguai registrou aumento do número de pobres no país, com a revisão de suas estatísticas sociais para o período entre 1997 e 2008. Um artigo publicado na Revista Latino-americana de Desenvolvimento Humano, do PNUD, mostra que, com a nova metodologia adotada, o número total de pessoas pobres ou em extrema condição de pobreza em 2008 subiu de 33,3% para 37,9% do país. Os novos dados, que passaram a incluir mais 271.583 indivíduos nesse grupo, indicam que a nação sul-americana terá maiores dificuldades em atingir o primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que é reduzir pela metade a pobreza extrema de 1998 até 2015.

Segundo o artigo Paraguai – Impacto do ajuste da metodologia de medição da linha de pobreza na quantidade de pobres e na profundidade da pobreza, os novos critérios indicam que o país tinha 18,8% de sua população em extrema pobreza em 1997, e que o número subiu para 19% em 2008, apontando uma distância de 9,6 pontos percentuais em relação ao Objetivo do Milênio, segundo o qual o território deve atingir a meta de 9,4% em 2015. O artigo mostra que os dados obtidos com a antiga metodologia eram mais favoráveis ao país: indicavam 17,3% de pobreza extrema em 1997 – a ser reduzida para 8,6% até 2015 -, sendo que em 2008 esse número já era de 14,3%.

Os novos métodos usados para medir a evolução da linha de pobreza no Paraguai mostram um crescimento no número de pobres entre 1997 e 2008 maior que o indicado pelos antigos padrões. Apesar de o aumento ser generalizado, o artigo afirma que “a maior mudança estatística indicada pela nova pesquisa ocorreu na área rural, onde o percentual de pobres em 2008 passou de 32,7% para 48,8% [de toda a população que vive no campo]”.

O relatório do PNUD afirma que “o aumento da quantidade de pobres e da severidade da pobreza na área rural, como consequência da nova metodologia, implica para os programas de transferência monetária com corresponsabilidades uma remessa adicional de US$ 82,853 milhões por ano”. “Com a metodologia anterior, US$ 55,556 milhões anuais eram suficientes para atender todas as famílias da área rural e, com a nova, serão necessários US$ 138,409 milhões”, acrescenta.

Os novos dados mostram que o país sul-americano tem novos desafios até 2015 se quiser atingir os Objetivos do Milênio. Segundo o artigo, essa revisão traz importantes impactos à política pública do país, uma vez que implica uma nova análise de planos e metas para o governo federal.

O texto afirma que, “como consequência desses ajustes metodológicos, para além dos recursos financeiros adicionais, e para que estes sejam efetivos e eficientes, é necessário aumentar a oferta de educação e saúde, expandir os programas de geração de renda – sobretudo na área rural e para famílias em extrema pobreza –, fortalecer a capacidade institucional do setor social e manter controlada a inflação de alimentos”.

“A nova metodologia utilizada incorpora mecanismos mais sofisticados, de acordo com os avanços ocorridos no debate internacional” sobre o tema, explica o artigo. O eixo da mudança se concentra na seleção do extrato populacional utilizado para definir o custo das cestas básicas de alimentos e de consumo.

A antiga metodologia dividia o país em quatro regiões e supunha que cada uma delas tinha diferentes linhas de pobreza. Antecipava ainda que o setor rural tem necessidades financeiras inferiores às do setor urbano. Com isso, as necessidades do campo eram subestimadas. A nova fórmula para a obtenção das estatísticas igualou o nível das necessidades em todas as áreas geográficas, corrigindo falhas e fazendo com que a linha de pobreza no campo aumentasse.

Texto publicado hoje no site do PNUD/ONU, pela PrimaPagina.

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