Relacionamentos: evolução histórica

É fácil perceber que hoje os relacionamentos estão mais voláteis: o número de divórcios aumentou, cada vez mais casais se juntam ao invés de oficializar um casamento, e o número de pessoas com quem uma mulher jovem se relaciona (mesmo que brevemente) é, sem dúvida, muito maior que nos tempos de sua avó.

Ivone Toledo Cruz é casada há 48 anos e acha que falta aos jovens um pouco de perseverança. “Casamento é uma questão de diálogo e respeito, de procurar resolver os problemas a dois. Os jovens já casam pensando que não vai dar certo e não se esforçam, não fazem todo o possível. Já casam com o espírito de que se não der certo é só eles se separarem.” O professor de psicologia Sandro Caramaschi, da Universidade Estadual de São Paulo, concorda: “as pessoas hoje talvez não sejam tão persistentes”.

Mas a questão também não se resume a persistência, lembra Caramaschi: “Todo mundo quer se apaixonar e viver muitos anos ao lado de alguém que goste, mas nem sempre é possível. Pessoas que antes não se suportavam e ficavam juntas, hoje tem mais liberdade pra sair de relacionamentos insatisfatórios.”

Para Dona Ivone, a união matrimonial religiosa sempre foi muito importante, pois demonstra o amor do casal para si mesmos e diante de Deus. Quando Dona Ivone se casou, o casamento religioso era praticamente a única opção. Os jovens hoje tendem a não ver diferença entre uma união consensual (quando o casal apenas mora junto), um casamento apenas no civil e um religioso. “Acho que dá na mesma, desde que o casal tenha um compromisso sério”, acredita o estudante de filosofia Yuri Ribeiro, de 22 anos.

Com o desenvolvimento do capitalismo, aponta a psicóloga Lidia Weber, professora de relacionamentos amorosos da Universidade Federal do Paraná, nosso mundo foi ficando cada vez mais “descartável e efêmero”, o que também prejudicou as relações amorosas. “Dessa maneira, as novas gerações aprendem que quase tudo é descartável e substituível e não investem muito nas relações interpessoais.”

As mudanças sociais e religiosas pelas quais passou nossa sociedade desde o começo do século, em especial com o Movimento Feminista e o surgimento da pílula anti-concepcional nos anos 60, também tiveram importante papel na transformação dos relacionamentos. A pílula trouxe uma maior liberdade sexual para os casais terem relações mais íntimas sem se envolverem de modo permanente, diz Caramaschi: “como era difícil usar anti-concepcionais, as pessoas tinham relacionamentos mais confiáveis e duradouros.”

Lidia lembra que a entrada da mulher no mercado de trabalho também foi um fator importante para essa mudança, pois gerou uma menor dependência financeira. “A mulher já não precisava mais “aturar” um relacionamento conflituoso ou insatisfatório porque não mais dependia do marido.”

Esta matéria continua AQUI: Relacionamentos: como é hoje.

Texto escrito entre fevereiro e maio de 2010 para o Portal Vital, da Unilever. A versão editada está disponível no site, cujo acesso é restrito a usuários cadastrados. Atribui uma data aleatória para a publicação do texto aqui no blog, apenas para mantê-lo como registro.

Anúncios

Tags:, , , , , , , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: