Traição oportuna

Posted on 15/novembro/2008 by Cinéfilos

o_traidor2Você provavelmente já foi enganado pelo começo de muitos filmes. O Traidor (Traitor) é mais um para ser colocado nesta lista. No filme, agentes do FBI investigam uma conspiração terrorista islâmica que tem colocado homens-bomba em diversas partes do mundo. Pelas análises da polícia (em especial do agente Roy Clayton, interpretado por Guy Pearce), um ex-militar especializado, Samir Horn (Don Cheadle) é apontado como membro da organização. A sinopse, vista assim, não engana o espectador prevenido: este filme é, sim, mais uma defesa dos ideais norte-americanos em busca de sua suposta soberania e segurança perdidas.

O traidor do título é um homem dividido entre seus lados norte-americano e islâmico: filho de uma moça de Chicago com um senhor do Congo, Samir nasceu nos EUA e viveu a maior parte de sua vida no oriente, onde tomou contato com a religião islâmica que segue com tanto fervor. Devotado à Deus acima de tudo,em muitas cenas não conseguimos entender as ações de Samir, as vezes um pouco confusas. Esta teia narrativa conduz a história por alguns caminhos sem sentido e outros que talvez você preferisse evitar.

o_traidorCom 114 minutos, O Traidor é um pouco arrastado e, talvez, maior do que o desejável. Ainda bem que as músicas foram bem escolhidas! A trilha sonora colabora para criar tensão nas cenas de ação e envolve muito mais os espectadores do que o confuso roteiro. Ainda me pergunto de onde surgiu o agente (da CIA, acho) com quem Samir conversa em algumas cenas. Ele aparece antes? Quando deixa a cena, entendemos quem era?

Deste filme, salvem-se as atuações. Bons atores e algumas reflexões interessantes que podemos pensar a partir dos personagens de Don Cheadle eGuy Pearce. Aos olhos dos agentes comuns do FBI, Samir é o negro, islâmico, religioso fanático, o terrorista. Clayton é um policial branco, loiro, intelectual, filho de um típico pastor norte-americano, estudou árabe na faculdade e terminou no FBI, tem sensibilidade para compreender as ações passionais do grupo radical islâmico. Tem a suavidade de manter-se vivo em meio ao caos.

Lançado aqui no Brasil pouco tempo depois da eleição de Barack Obama, não deixa de ser curioso ver o “mocinho” negro que salvará a pátria mãe. Nos EUA, o filme estreiou no final de agosto e, se pensarmos bem, deve mesmo haver alguma mensagem por trás do roteiro. Ou assim espero, para o bem deste longa.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

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