A noite sem cigarros

Conversando com o post de mesmo nome da amiga jornalista Camila Martins (por que afirmar (noss)a profissão parece algo quase tão chique quanto citar um amigo pelo nome completo) em seu blog, resolvi escrever aqui minhas sensações após ter ido à uma balada depois que a lei anti-fumo foi aprovada pelo nosso ilustríssimo governador José Serra (caso não tenha ficado claro, isto foi extremamente irônico de minha parte). O texto que se segue é uma mistura do que escrevi como comentário ao texto da Camila com impressões mais recentes.

Quando comentei o texto citado, havia passado apenas algumas poucas horas em bares limpos e a impressão que ficou da nova lei foi positiva. Ontem, após voltar de uma balada openbar, um ambiente naturalmente propenso à sujeira, fiquei muito feliz por, além de meus sapatos sujos, não estar também com os cabelos e a roupa cheirando cigarro. Apesar de bagunçado, meu cabelo ainda cheirava shampoo. E é na ausência de um cheiro ruim que esta lei me agrada mais.

Como não fumante e frequente combatente deste hábito altamente nocivo, achei a lei antifumo ótima! Claro, vale lembrar que os argumentos usados pelo governador para aprová-la são um tanto quanto patéticos, sem contar aqueles contadores instalados em grandes e poluídas avenidas que anunciam o número de dias nos quais São Paulo já respirou melhor com a nova lei. Irônico é ver na mesma Dr. Arnaldo, sempre parada em horário de pico, um contador da lei anti-fumo e um monte de carros barulhentos e poluentes.

A primeira vez em que fui à um bar com a nova lei, só me dei conta do por que deste ter sido melhor quando cheguei em casa e automaticamente cheirei meu cabelo. E então me lembrei da Lei antifumo, e fiquei feliz, por que meu cabelo continuava limpo, meu casaco e minha bolsa não cheiravam cigarro.

Porém, toda e qualquer medida tomada por politícos traz em si contradições e interesses típicos da política. O discurso utilizado pelo Serra é está longe de ser ideal e ao invés de apenas fazer uma lei, gasta-se uma fortuna com publicidade. A propaganda da lei antifumo é ruim, mas isso não faz dela uma lei ruim. A Lei antifumo do Serra e a Cidade Limpa do Kassab são coisas boas, embora sejam ambos deploráveis (aqui preferirei nada comentar sobre Kassab, que faz lei cidade limpa e cortou verbas da limpeza publica, deixando o lixo inundar [mais] SP).

Não acredito que cigarro anime a noite, para mim, ele sempre a destruiu. Como não fumante tenho o direito de viver mais e, sobretudo, melhor, por que morrer mais cedo é o de menos quando se vive em uma cidade como São Paulo. Tenho direito de ir à uma balada e respirar um ar puro, já que provavelmente está será a única coisa razoavelmente limpa do local! É incrível quando a única fumaça que se vê em uma balada provém daquelas (estúpidas e poluidoras) máquinas de gelo seco.

Cigarro mata, fede e ainda trava a circulação sanguínea. Para mim, que além de crica com o cheiro ainda tenho rinite alérgica, fortemente prejudicada pelo fumaça dos cigarros, era impossível sair de uma balada sem pressentir uma crise do sistema respiratório, acompanhada de possível gripe próxima. Ontem tive a grande felicidade de sair de uma balada apenas com a gripe com a qual já estou.

Espero que esta lei não renda votos ao Serra. O ruim dessas leis é que se faz tanta publicidade em cima que as pessoas se esquecem das tantas outras merdas que os dirigentes fizeram. E ai eles são (re)eleitos por UMA boa lei, enquanto deviam ser escorraçados por privatizar hospitais públicos e tantos outros do gênero…

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