God protect us

Posted on 22/agosto/2008 by Cinéfilos

Um Crime Americano começa com Sylvia (Ellen Page) nos falando de suas maiores alegrias, das coisas de que mais gosta em sua vida. Conforme os minutos vão passando, o longa nos mostra as alegrias da menina se desmoronarem em um mundo de agonias e desespero. Catherine Keener interpreta Gertrude Baniszewski, uma mulher perturbada e que perturba. Sua personagem causa um profundo sentimento de angústia no espectador e é, em grande parte, o que faz com que possamos classificar este filme como um drama psicológico.

Do começo ao fim, é a agonia das incertezas o que nos faz esperar pelos minutos e torcer pelo sucesso de Sylvia e de sua irmã, Jennie, deixadas pelos pais aos cuidados de alguém que nem sequer conheciam. As meninas são filhas de um casal que monta barracas de comida em um parque de diversões itinerante: eles viajam o tempo todo e, nesta profissão, as filhas são um problema e se tornaram motivo de brigas entre o casal.

Ao conhecer uma senhora que tem sete filhos, o pai das meninas se deixa convencer de que deixá-las aos cuidados de Gertrude é uma boa solução para que o casal continue seus negócios e as filhas possam se estabelecer em uma cidade e fazer amigos.

O abandono se torna o grande tema do filme: abandono das meninas pelos pais, abandono de Gertrude e de seus filhos, abandono social. Pobre e mãe solteira, Gertrude teve seis filhos com o primeiro marido e mais um com seu namorado jovem, que além de não assumir o filho ainda pede o pouco dinheiro que a senhora tem emprestado. Por suas relações familiares e amorosas, Gertrude não é muito bem vista na comunidade em que mora. Seus filhos também são vitimas desta segregação e alguns deles acabaram seguindo o mesmo caminho da mãe: miséria, relações amorosas instáveis e desequilíbrio.

O filme é contado em dois tempos: mescla cenas do julgamento de Gerthude com outras que contam o desenrolar dos fatos que levaram ao crime cometido contra Sylvia, que conta sua historia desde o momento em que vive feliz em um carrossel com os pais até as cenas finais que mostram o destino de cada um dos envolvidos na série de atrocidades que a menina aguentará calada e forte, pelo bem da irmã mais nova.

Neste filme repleto por irresponsáveis e desequilibrados, Ellen Page é quem dá luz à única personagem ajuizada do longe, como diriam os contemporâneos da menina. Sylvia é injustiçada e se cala frente às agressões que sofre, busca proteger a todo custo a irmã mais nova e sofre sozinha pela ausência dos pais e pelo erro em que ela mesma ajudou a se meter.

As diferentes tonalidades das cenas mesclam o colorido do circo e da alegria dos primeiros dias com a escuridão em que se transformará a vida da garota. Um erro, vários culpados. Muitos serão punidos e a pequena Sylvia nos conta, sem ressentimentos, como cada coisa dentro de sua historia faz sentido e se encaixa. Ela nos mostra que cada gesto tem enormes conseqüências e que muitas vezes nem Deus pode nos ajudar.

Republicado neste blog em 14/06/2011 – atribui uma data aleatória apenas para manter o texto aqui como registro, já que este blog ainda não existia na data de publicação do texto acima. O site Cinéfilos, projeto da Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA-USP, agora está hospedado no http://cinefilos.jornalismojunior.com.br/.

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