a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe
Eu gostei tanto de “a máquina de fazer espanhóis”, do escritor português (nascido em Angola) valter hugo mãe, que ele praticamente atropelou o livro que li depois. Fato é que já terminei o tal livro, comecei um terceiro e ainda tive vontade de escrever alguma coisa sobre o romance português.
A trama de “a máquina de fazer espanhóis” me pegou logo de cara. Li o primeiro capítulo online (AQUI) e quis comprar o livro. A princípio, é um pouco estranho ler sem maiúsculas (que o autor não usou em seus 4 últimos romances), mas nos acostumamos e os personagens são tão bem elaborados e suas ideias tão boas que eu não quis me despedir do livro.
Meu pai tem uma teoria [com a qual concordo] de que o bom livro é aquele que você não quer terminar. Comigo e ”a máquina de fazer espanhóis” foi assim. Passei cerca de um mês lendo o romance não porque ele fosse difícil ou chato, mas porque me dei ao direito de saborear a trama [depois de meses de livros lidos a toque de caixa]. E, ao final, chorei. Chorei como poucos livros ou filmes me fizeram chorar.
A narrativa se passa em torno do senhor antónio silva, o narrador-protagonista, que conhecemos já idoso e prestes a se tornar viúvo. Ele mescla episódios de sua vida com histórias do asilo para o qual se mudou após perder a esposa, fazendo com que vários outros senhores ganhem voz na trama – são a família que silva encontrou depois de velho. Assim, ao final, senti como se tivesse perdido vários avós queridos em umas poucas páginas, tamanha a intimidade que os personagens me criaram.
O escritor causou grande comoção na FLIP deste ano com esta [linda!] carta (o vídeo com a leitura está linkado neste post) e entrevistas com ele daquela época não faltam.
Alguns links interessantes:
- Resenha do Joca Reiners Terron sobre “a máquina de fazer espanhóis”: http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?p=8710;
- Segundo capítulo do livro disponível para leitura online: http://editora.cosacnaify.com.br/ObraSinopse/11598/a-m%C3%A1quina-de-fazer-espanh%C3%B3is.aspx;
- Entrevista do autor ao caderno Prosa & Verso, d’O Globo: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2011/01/22/entrevista-com-valter-hugo-mae-convidado-da-flip-2011-358043.asp;
- Entrevista à TV Estadão: http://tv.estadao.com.br/videos,valter-hugo-mae-e-a-velhice-inspirada-pelo-pai,142206,253,0.htm;
- Resenha publicada no blog Meia Palavra: http://blog.meiapalavra.com.br/2011/06/28/a-maquina-de-fazer-espanhois-valter-hugo-mae/;
- Texto publicado no Estadão sobre “a máquina de fazer espanhóis”: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-caminho-salgado-de-um-pais-a-deriva,745587,0.htm;
- Entrevista em vídeo com Lourenço Mutarelli, que fez a imagem da capa e o texto de orelha da edição brasileira: http://editora.cosacnaify.com.br/ObraEntrevista/11598/93/a-m%C3%A1quina-de-fazer-espanh%C3%B3is.aspx.
A Árvore da Vida
Eu não entendi muito bem o filme (ou, para ser honesta, não entendi quase nada). Nem sei exatamente quem é o personagem do Sean Penn [o IMDB e todas as críticas dizem que ele é Jack, o filho mais velho da família retratada, mas eu não me lembro disto ter ficado claro - saí do cinema achando que ele pudesse ser o filho do meio].
Se alguém me perguntar, eu também não sei dizer ao certo sobre o que é a história. Mas achei “A Árvore da Vida” (The Tree of Life) um filme lindo.
Ontem fui ler sobre o filme, algo que não fiz antes de vê-lo [pois gosto de ir ao cinema meio às cegas, como já disse por aqui]. Gostei das críticas positivas do Último Segundo e do Zanin (do Estadão), embora me pergunte como eles perceberam algumas coisas.
Das críticas negativas que li, gostei desta frase do texto do Eduardo Escorel: “Quem quiser insistir e continuar assistindo “A árvore da vida” será premiado com a expressão de angústia de Sean Penn (provocada, talvez, por não saber o que está fazendo no filme).” [Mas descordo de todo o resto do texto]
A fotografia do longa é impecável e as relações familiares ali retratadas, tocantes – mesmo que alguns detalhes da trama não sejam claros. Eu nunca tinha gostado de um filme que não tivesse entendido, mas, neste caso, não deu para resistir. Do mais, o ator Laramie Eppler, que interpreta o filho mais novo do casal, parece um Brad Pitt poket.




