Livro: Se eu fechar os olhos agora, Edney Silvestre
No caminho rumo ao diploma, escolhi como tema para o meu TCC os novos nomes da literatura brasileira. Venho anotando autores apontados como promissores (com a ajuda de especialistas) e vou engatando um livro atrás do outro. Sozinha, nunca acho os livros que procuro nas livrarias; as pessoas que me atendem também costumam ter problemas. O novo autor está sempre escondido nas prateleiras – chegar aos leitores é o grande desafio.
Assim, tive vontade de ir escrevendo sobre estes livros. Em 2009, me encantei com “A Chave de Casa”, primeiro romance de Tatiana Salem Levy, sobre o qual escrevi na época, e que desde o começo quis incluir em meu projeto. (Mas que ainda não reli para atualizar o texto, do qual já não gosto.)
A primeira leitura realizada para o TCC, então, foi “Se eu fechar os olhos agora”, de Edney Silvestre, vencedor do Jabuti de melhor romance e do Prêmio SP de Literatura, na categoria melhor autor estreante, ambos em 2010. Silvestre já é conhecido como jornalista, o que deve ter ajudado na divulgação de seu livro – além dos prêmios. O romance tem uma linguagem clara e vai enredando o leitor na trama, que mostra dois garotos e um senhor de idade investigando um crime brutal.
Os diálogos são sempre com travessões e misturam a inocência dos garotos – chocados com a morte – com os traumas deste senhor, obtidos nos porões da ditadura Vargas. A história se passa em 1961, em um Brasil que tinha ilusões de crescimento e democracia, “um outro país”, como enuncia o prólogo (de que faz parte o trecho lido no vídeo acima), em um tom mais poético que o adotado no restante do livro, mais objetivo.
Trecho (diálogo entre o menino Paulo e o Sr. Ubiratan):
“- Cada vez que eu falo uma coisa para você, você me faz pensar em outra, mais na frente.
- Que bom.
- Que bom, por quê? Eu fico com a cabeça cheia de perguntas, só isso.
- Melhor do que ficar com ela cheia de respostas. Boa noite, Paulo.”
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