Archive | abril 2011

Virada Cultural: Mart’nália e Paulinho da Viola

Ou: dos shows incríveis.

Os shows da Virada tem a vantagem de serem o momento em que os artistas cantam seus grandes sucessos – ou fazem homenagens – e o fazem para que o público cante junto. Você não precisa ter ouvido o disco mais recente, nem ser fã nde carteirinha. Basta gostar um pouco – ou se aventurar. Se for minimamente fã do cantor, vai cantar junto.

Assim, todos vibraram ao ouvir Mart’nália cantando [por exemplo] ‘Cabide’, ‘Tava por aí’ ou ‘Disritmia’ (de autoria de seu pai, Martinho da Vila, que é ótima, todo sambista adora cantar e os fãs de samba sempre cantam junto).

Depois – com um trilha ambiente um pouco estranha para o palco do samba – Paulinho da Viola entrou ovacionado por uma Praça da República lotada e abrindo o show com ‘Coração Leviano’.  O show foi rápido e quem ficou longe do palco teve problemas com o som, mas a performance de Paulinho da Viola foi impecável! Sorridente e emocionado, o cantor transmitia a cada sorriso uma alegria sincera e contagiante. Cantando junto com a Orquestra de Cordas de Curitiba, os músicos tocaram duas belíssimas canções instrumentais e, no final – para alegria de todos – não faltaram ‘Timoneiro’ e ‘Foi um rio que passou em minha vida’. Um dos shows mais emocionantes a que já fui (no puro sentido daquilo do que causa emoção). Sensacional!

Virada Cultural: Rita Lee

“São Paulo é a ovelha negra deste país” foi a deixa para esculachar prefeitos e governadores. Com a prefeitura da cidade pagando o cachê de seu show na Virada Cultural. Grande Rita Lee!

O público, que lotou a Júlio Prestes, não poupou aplausos (merecidos) e saiu satisfeito com a seleção de clássicos (e a língua afiada) da cantora.

Livro: Se eu fechar os olhos agora, Edney Silvestre

No caminho rumo ao diploma, escolhi como tema para o meu TCC os novos nomes da literatura brasileira. Venho anotando autores apontados como promissores (com a ajuda de especialistas) e vou engatando um livro atrás do outro. Sozinha, nunca acho os livros que procuro nas livrarias; as pessoas que me atendem também costumam ter problemas. O novo autor está sempre escondido nas prateleiras – chegar aos leitores é o grande desafio.

Assim, tive vontade de ir escrevendo sobre estes livros. Em 2009, me encantei com “A Chave de Casa”, primeiro romance de Tatiana Salem Levy, sobre o qual escrevi na época, e que desde o começo quis incluir em meu projeto. (Mas que ainda não reli para atualizar o texto, do qual já não gosto.)

A primeira leitura realizada para o TCC, então, foi “Se eu fechar os olhos agora”, de Edney Silvestre, vencedor do Jabuti de melhor romance e do Prêmio SP de Literatura, na categoria melhor autor estreante, ambos em 2010. Silvestre já é conhecido como jornalista, o que deve ter ajudado na divulgação de seu livro – além dos prêmios. O romance tem uma linguagem clara e vai enredando o leitor na trama, que mostra dois garotos e um senhor de idade investigando um crime brutal.

Os diálogos são sempre com travessões e misturam a inocência dos garotos – chocados com a morte – com os traumas deste senhor, obtidos nos porões da ditadura Vargas. A história se passa em 1961, em um Brasil que tinha ilusões de crescimento e democracia, “um outro país”, como enuncia o prólogo (de que faz parte o trecho lido no vídeo acima), em um tom mais poético que o adotado no restante do livro, mais objetivo.

Trecho (diálogo entre o menino Paulo e o Sr. Ubiratan):

“- Cada vez que eu falo uma coisa para você, você me faz pensar em outra, mais na frente.

- Que bom.

- Que bom, por quê? Eu fico com a cabeça cheia de perguntas, só isso.

- Melhor do que ficar com ela cheia de respostas. Boa noite, Paulo.”

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