Apenas o fim

25 11 2009

Nesta segunda assisti o filme Apenas o Fim, exibido na ECA em uma aula do curso de Audiovisual, sobre análise crítica de filmes contemporâneos. O debate entre os alunos e o diretor do longa, com intervenções do professor Rubens Machado foi bastante produtivo (muito mais que aqueles debates entre diretor e fãs, com perguntas-comentários).

O filme é um retrato geracional feito por alguem de dentro: é a história sobre o fim do relacionamento de dois universitários, começa com uma moça (Erika Mader) que diz a seu namorado Antônio (Gregório Duvivier) que está indo embora e ele tem uma hora para se despedir dela. O filme retrata esta conversa final, mesclanda com cenas da vida do casal no quarto de Antônio (nada de sexo, apenas conversar triviais).

Apenas o Fim é uma produção universitária feita com R$8 mil, dirigido por Matheus Sousa, baixinho e nerd com seus 21 anos,  que agora está no 7º semestre do curso de cinema da PUC-Rio (estava no 5º quando o filme ficou pronto). O filme foi rodado todo dentro da PUC: filmado durante as férias, foi usada uma única camera, da faculdade, que não podia deixar o campus. Metade da verba veio da PUC, a outra metade foi angariada entre amigos, parentes e atráves da rifa de um uísque (!).

O destaque é o personagem de Gregório Duvivier, um típico nerd da geração nascida no final dos anos 80, que viveu a infância nos 90 e cresceu vendo a internet se desenvolver e hoje trás várias referências pops. Na conversa, Matheus Sousa contou que conheceu o casal protagonista em uma oficina de atores e que Duvivier participa de peça de inprovisação, o que garantiu bastante naturalidade ao personagem.

No final dos trailers (tanto o oficial, quanto um feito para a exibição do filme no Festival do Rio e na Mostra de Cinema de São Paulo de 2008), a protagonista pergunta a Antônio: “vc não vai insistir?” Durante o filme, há algumas vezes em que ela parece desejar que ele a impeça de ir embora, mas ele nada faz, apenas aceita o final, às vezes tentanto falar de bons momentos, perguntanto motivos, mas nenhuma tentativa radical que evitasse sua fuga da vida.

Como nós

Para os ditos ‘nerds’ em seus 20-25 anos, Apenas o Fim rende boas risadas. Além de fazer referências à tudo: Woody Allen, Godard, Cavaleiros do Zodíaco, McDonald’s, Ursinhos Carinhosos e muito mais.

Há uma passagem em que Antônio provoca a namorada, metida a intelectual e que exagera nas frases de efeito, dizendo que “Transformers é melhor que todos os filmes do Godard juntos”, ela discorda, bem como o diretor Matheus Sousa: “é claro que eu não acho isso, mas também não concordo com esses sites de cinema que só falam mal de alguns filmes e não veem se tem algum lado bom.”

Feito de forma simples, o filme é um divertido retrato dos nossos 20 anos. Mostra as (des)ilusões da juventude de forma bem humorada, embora seja triste o fim e haja sempre a torcida pela final feliz. É um filme a mais para aqueles que já pensam suas vidas querendo romances e finais felizes de cinema, por mais clichês que digamos serem as comédias românticas.





5 na 25

24 10 2009

Ao sair da 25, o mineiro valadarense @andreeler diz “Adoro São Paulo!”. Era sua primeira vez ali.

Mas Carol, Olinda e eu, que já haviamos estado neste que é o maior núcleo de comércio popular paulistano outras vezes, também saímos de lá sorridentes: a 25 é um desses lugares que sempre tem boas histórias para contar e que costuma surpreender, apesar de ser aparentemente previsível.

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Instigados por um trabalho da disciplina de Projetos em Televisão, do curso de jornalismo da ECA/USP, fomos à Rua 25 de março filmar o que se passa por lá para depois contar uma história em 5 min, sem entrevistas, apenas com as imagens e o som ambiente.

A ideia do vídeo “5 na 25″ surgiu em uma reunião de pauta improvisada na qual pensávamos em ideias, após termos nossas filmagens canceladas devido à chuva no dia de um evento ao ar livre que pretendíamos filmar. Creio que saímos no lucro com aquela chuva que naufragou as filmagens.

Filmaríamos algumas performances artistas ao ar livre, parte de um evento de body art (a Frrrkcon), organizado pelo entrevistado do primeiro vídeo (que deveria deveria narrar a história de alguém através de seu depoimento), Luciano Iritsu, body artist que tem um estúdio de piercing e tatuagem na Rua Cardeal Arcoverde, aqui em São Paulo.

Foi interessante tomar contato com um mundo completamente diferente daquele no qual vivemos, mas para o segundo vídeo achei legal que o tema tenha mudado. Uma das coisas que mais me encanta no jornalismo é essa possibilidade de conhecer e descobrir situações novas.

A mesma rua, um outro olhar
Foi a primeira vez que fui à 25 de março depois de entrar na faculdade. Me lembro de ter comprado brinquinhos coloridos da última vez – devia ter uns 14 anos – era um sábado de sol e as ruas estavam extremamente lotadas. Faz tempo. Não havia ambulantes anunciando pendrives (ainda não era a era dos pendrives!): esta me pareceu a única mudança.

Desta vez, a manhã ensolarada de sexta-feira convidava ao comércio popular. Estavam todos lá: sacoleiros, camêlos, pechinchas e vendedores que tentam empurrar produtos nos consumidores. Tudo igual.

Mas desta vez eu não era uma menina querendo comprar bujigangas. Fui ali como jornalista, atenta às pessoas e não aos produtos, e mais do que apenas me divertir com os gritos das propagandas, parei para olhar e fazer perguntas. E a lotação da rua não me aborreceu, diferente do que ocorre quando você é um consumidor: aí sim, lotação é igual a chateação. Neste caso, a lotação rendeu bons momentos para a filmagem!

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Bons momentos
Logo na esquina da Porto Geral com a 25 de março, ainda no começo de nossa filmagem, vimos uma equipe de tv filmando um camelô que gritava “Coca-cola um real, coca-cola um real”. Fomos filmá-los. Estavam fazendo a propaganda de uma nova embalagem de Coca-Cola e logo que nos viram também quiseram nos filmar. Entrevistaram o Olinda que, fanático por Coca, respondeu mecanicamente àquelas perguntas toscas de entrevistadores publicitários, mas se propôs a comprar a nova embalagem por uma real.

Entregou uma nota de 2 por duas embalagens. Filmada a transação, o sucesso do vendedor que prova no vídeo que seu produto é uma boa opção, o dinheiro foi devolvido, e a Coca obtida. Divulgação. Aí quiseram nos filmar bebendo o refrigerante. Aceitamos, mas não gostaríamos de aparecer no vídeo depois. Quase pedi pra cortarem na edição!

A parte divertida, no entanto, veio a seguir. André perguntou ao entrevistador se ele fizerá jornalismo, ele disse que começou na PUC-MG, mas desistiu, jornalismo não dá dinheiro, diz, mas nos incentiva a continuar no curso: “é legal, terminem!”. Ele mudou para publicidade e tem talento para tal. No final da conversa, brinca, antes de se despedir: “Jornalismo não dá dinheiro, por isso precisa Coca-cola um real!”, um dos membros de sua equipe ri: “Cara, você é um merchan ambulante!” Rimos todos. E seguimos animados pela rua.

Mais adiante filmaríamos ainda a vergonhosa cena do André tentando aprender a tocar um apito que, tocado pelo vendedor, diz “ai, ai, ai”, num tom lastimoso. Coisinha vagabunda, brinquedo de criança. 3 reais e um barulhinho que depois de um tempo fica irritante. André e Olinda levaram 2 por 4 reais, no melhor estilo 25 de ser. O Olinda pegou a do apito mais rápido e depois quem ficou se lamentando fomos Carol e eu. Brinquedo nova na mão de criança boba. Como a câmera. Diversão garantida.





Boas surpresas

16 10 2009

No começo de julho voltei da FLIP querendo ler tudo e mais um pouco. Foram tantos autores, tantas mesas e livros que me pareceram incríveis que não sabia por onde começar.

a chave de casaComecei por Tatiana Salem Levy, cuja mesa lamento imensamente ter perdido. Carla e Camila foram, amaram a moça e disseram que o livro devia ser incrível. Na volta, a Cá logo conseguiu um exemplar de A Chave de Casa, leu, adorou, emprestou para a Carol, que igualmente fez minha vontade de lê-lo crescer. Depois Camila me presenteou com outro exemplar deste mesmo livro, e a leitura foi incrível, a jovem escritora é fantástica, e isso não é um exagero. Ela merece todos os elogios literários! O meu exemplar depois de algum tempo foi emprestado à Carla, e a roda de leitoras da FLIP 2009 se fechou com sucesso absoluto para Tatiana Salem Levy, que tem um estilo nada convencional, um jeito diferente e cativante de contar sua história.

Depois fui procurar outras coisas de Atiq Rahimi, escritor afegão que vive na França e que além de muito talentoso revelou-se incrívelmente charmoso; deste lamento ter perdido a coletiva de imprensa. Antes da FLIP ganhei do Renato Pompeu, crítico literário da Caros Amigos, onde estava estava “>estava “>trabalhando na época, um exemplar do livro que Rahimi estava lançando na FLIP, Syngué Sabour – Pedra-de-paciência, um livro diferente das leituras às quais estamos acostumados, mistura de prosa com a poesia persa que Rahimi carrega dentro de si, um livro primoroso!

terra-e-cinzasSeu primeiro livro, que se autodenomina ‘um conto afegão’ e foi escrito em persa, Terra e Cinzas, não é tão impressionante quanto este último, mais recente e escrito em francês, mas ambos carregam muitas características em comum, especialmente para quem lê as traduções em português. De Rahimi ainda não li As mil casas do sonho e do terror, que está na estante aguardando sua hora e vez. Mas é bom perceber que entre o primeiro e o terceiro e mais recente livro o escritor progrediu e se aperfeiçoou!

A partir de agora, espero bons frutos da produção literária de Atiq Rahimi e Tatiana Salem Levy. É bom encontrar em um autor uma leitura amiga e agradável, mesmo que as narrativas sejam tão tristes, como me pareceram as histórias contadas por estes dois autores. E em especial, é bom ler um livro de um autor desconhecido, do qual nada se espera. Daqui pra frente sei que eles estaram revestidos de espectativas devido à boa impressão que já me causaram, o que pode prejudicar a leitura de seus futuros romances. Mas aguardo ansiosamente!





Aproveitar o tempo

21 09 2009

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Há cerca de duas semanas comecei a andar com a câmera na mochila, apesar dos problemas que isso pode(ria) me trazer. A escolha tem trazidos bons resultados, que tento postar com alguma frequência no flickr, conforme a correria permite.

Como resultado evidente, a maioria das fotos que tirei atualmente foram tiradas dentro de ônibus ou enquanto espero por eles. É incrível a quantidade de tempo que perdemos com transporte público nesta cidade caótica que é São Paulo. Uma lástima. Creio que até hoje as únicas vantagens que já encontrei nestas demoras foram conseguir dedicar algum tempo à leitura e, mais recentemente, favorecer meu ócio fotográfico-criativo naqueles momentos em que não consigo ler, em uma avenida esburacada ou com algum tagarela no banco da frente.

Mas este é meu lado otimista falando, aquele que tende a ver o lado bom de tudo. O lado crítico pensa na cidade do caos, onde se locomover é difícil e demorado. Onde sair de casa na sexta-feira não é apenas diversão, é sinônimo de trânsito, filas, ausência de transporte coletivo na madrugada ou dificuldade de encontrar uma vaga para estacionar seu carro, caso você tenha a sorte de ter um. E sequer o metrô funciona 24h por dia. E junto com as promessas de novas linhas de metrô vem a ideia já usual da lata de sardinha. E isso me lembra um pequeno texto sobre tristes realidades, fictício, ainda bem, mas e se fosse verdade?





A noite sem cigarros

20 09 2009

Conversando com o post de mesmo nome da amiga jornalista Camila Martins (por que afirmar (noss)a profissão parece algo quase tão chique quanto citar um amigo pelo nome completo) em seu blog, resolvi escrever aqui minhas sensações após ter ido à uma balada depois que a lei anti-fumo foi aprovada pelo nosso ilustríssimo governador José Serra (caso não tenha ficado claro, isto foi extremamente irônico de minha parte). O texto que se segue é uma mistura do que escrevi como comentário ao texto da Camila com impressões mais recentes.

Quando comentei o texto citado, havia passado apenas algumas poucas horas em bares limpos e a impressão que ficou da nova lei foi positiva. Ontem, após voltar de uma balada openbar, um ambiente naturalmente propenso à sujeira, fiquei muito feliz por, além de meus sapatos sujos, não estar também com os cabelos e a roupa cheirando cigarro. Apesar de bagunçado, meu cabelo ainda cheirava shampoo. E é na ausência de um cheiro ruim que esta lei me agrada mais.

Como não fumante e frequente combatente deste hábito altamente nocivo, achei a lei antifumo ótima! Claro, vale lembrar que os argumentos usados pelo governador para aprová-la são um tanto quanto patéticos, sem contar aqueles contadores instalados em grandes e poluídas avenidas que anunciam o número de dias nos quais São Paulo já respirou melhor com a nova lei. Irônico é ver na mesma Dr. Arnaldo, sempre parada em horário de pico, um contador da lei anti-fumo e um monte de carros barulhentos e poluentes.

A primeira vez em que fui à um bar com a nova lei, só me dei conta do por que deste ter sido melhor quando cheguei em casa e automaticamente cheirei meu cabelo. E então me lembrei da Lei antifumo, e fiquei feliz, por que meu cabelo continuava limpo, meu casaco e minha bolsa não cheiravam cigarro.

Porém, toda e qualquer medida tomada por politícos traz em si contradições e interesses típicos da política. O discurso utilizado pelo Serra é está longe de ser ideal e ao invés de apenas fazer uma lei, gasta-se uma fortuna com publicidade. A propaganda da lei antifumo é ruim, mas isso não faz dela uma lei ruim. A Lei antifumo do Serra e a Cidade Limpa do Kassab são coisas boas, embora sejam ambos deploráveis (aqui preferirei nada comentar sobre Kassab, que faz lei cidade limpa e cortou verbas da limpeza publica, deixando o lixo inundar [mais] SP).

Não acredito que cigarro anime a noite, para mim, ele sempre a destruiu. Como não fumante tenho o direito de viver mais e, sobretudo, melhor, por que morrer mais cedo é o de menos quando se vive em uma cidade como São Paulo. Tenho direito de ir à uma balada e respirar um ar puro, já que provavelmente está será a única coisa razoavelmente limpa do local! É incrível quando a única fumaça que se vê em uma balada provém daquelas (estúpidas e poluidoras) máquinas de gelo seco.

Cigarro mata, fede e ainda trava a circulação sanguínea. Para mim, que além de crica com o cheiro ainda tenho rinite alérgica, fortemente prejudicada pelo fumaça dos cigarros, era impossível sair de uma balada sem pressentir uma crise do sistema respiratório, acompanhada de possível gripe próxima. Ontem tive a grande felicidade de sair de uma balada apenas com a gripe com a qual já estou.

Espero que esta lei não renda votos ao Serra. O ruim dessas leis é que se faz tanta publicidade em cima que as pessoas se esquecem das tantas outras merdas que os dirigentes fizeram. E ai eles são (re)eleitos por UMA boa lei, enquanto deviam ser escorraçados por privatizar hospitais públicos e tantos outros do gênero…





Gigante

6 09 2009

gigante

Na última semana assisti ao filme Gigante, um uruguaio simpático. O protagonista, Horacio Camandulle, deve ter mais de dois metros – me lembrou Augustão, o segunrança das festas da ECA. Não à toa, ele interpreta Jara, segurança noturno em um supermercado. O visual é intimidador: além de gigante, Jara também é metaleiro e só usa roupas escuras, muitas delas com símbolos de bandas de metal (dessas que quem não é do meio só conhece devido às camisetas que vê nas ruas).

O filme mostra como Jara se apaixona por uma das moças da limpeza – interpretada por Leonor Svarcas – que vê nas cameras de segunrança do supermercado. É a paixão de um rapaz por uma moça que não o conhece, o amor nos tempos do Grande Irmão. Neste ambinete, ele sustenta um amor à distância, se tornando uma espécie de anjo da guarda da moça. Sempre atento, mas nunca agressivo.

Este enredo se sustenta na medida em que percebemos que o personagem central é o exato oposto do que sua aparência sugere, ele não é um enorme e raivoso segunrança, como o filme nos leva a imaginar no começo, mas um jovem tímido e sensível. Realidade esta que faz parte da vida de Horacio Camandulle, ator de teatro underground em Montevidéu que ganha a vida como professor primário, dando aula para crianças de 10 anos.

A narrativa gira em torno desta paranóia que Jara desenvolve para com a moça, de quem, no começo, sequer sabe o nome. O filme é curto (90 min) e vale a pena. A trilha sonora é toda composta pelos metais dos quais o protagonista gosta – não me agrada, mas combinou perfeitamente com este longa. A direção de Adrián Biniez é segura: os movimentos de câmera e a edição compõem de forma clara a história que se quer contar.

A junção destes elementos com o bom elenco faz com que muitas vezes os diálogos sejam desnecessários: há mil palavras nos olhos de Horacio Camandulle e Leonor Svarcas. No Festival de Berlim deste ano, o filme levou o Urso de Prata (Grande Prêmio do Júri), o Prêmio de Obra estreante e o Prêmio Alfred Bauer (de inovação cinematográfica). Em Gramado, levou os prêmios da crítica, melhor roteiro (Adrián Biniez) e melhor ator (Horacio Camandule).





Filmes da semana

5 09 2009

Se beber, não case – sábado: Totalmente dispensável. Espere passar na tv a cabo.

(E por que eu assisti no cinema? Coisa que fazemos em nome da amizade. Pena que o ingresso foi tão caro.) E foi o filme mais visto no Brasil semana passada. (Por hora, evitarei a triste reflexão sobre o espectador de cinema atual – e é mais triste ainda pensar que dei meu dinheiro para um filme como este, que contribui para que essa indústria continue – e isso me lembra um amigo jornalista para quem sua editora lhe disse “Indique filmes menos ‘cults’”, ou mais burros, talvez.)

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Luz Silenciosa - domingo: Tão parado quanto a comunidade que retrata. A edição não funcionou para mim. Desculpo porque o diretor teve a intenção de transmititr a sensação de que a vida ali é parada, mas… Acredito que uma edição como esta afasta espectadores.

A Batalha de Argel (revisto) – terça: Parado, tentou ter cara de documentário, mas é claramente ficção. Um bom filme, uma história que vale a pena ser conhecida e contada, mas é preciso ter paciência e ser forte. De preferência, evitar vê-lo em um sofá confortável demais; cama então, nem pensar.

Corações e Mentes – quinta: FODA! Documentário muito bom sobre a Guerra do Vietnã feito por Peter Davis, em 1974.

Provavelmente o melhor dos filmes que vi esta semana, ainda que não tenha agradado tanto quanto A Rainha. Este é sem dúvida mais impactante, mas para quem já sabe bastante sobre a Guerra do Vietnã e o modo americano de ser, agir e acreditar em si mesmo, não há muita novidade. Vale lembrar que Pater Davis é clara influência para documentaristas como Michel Moore, que tentam convencer os americanos de que o que dizem e fazem é um absurdo. O filme Fahrenheit 9-11 parece uma versão atualizada (e piorada, diga-se) deste. Destaque para a boa edição, que corta nos momentos certos de um depoimento para outros, ou para boas imagens. Um filme longo, mas que contou muito bem a história desejada.

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A Rainha – quinta: Sobre a eleição de Tony Blair (interpretado por Michael Sheen, mesmo ator que posteriormente interpretaria Frost, em Frost/Nixon), a morte da princesa de Diana (que eles não se atreveram a buscar uma atriz para interpretar – mas isso também não é de interesse do filme) e a relação da família real britânica com esta morte. A reação e comoção do povo e os efeitos da morte da princesa do povo sobre o recém-eleito primeiro ministro e a rainha Elizabeth (brilhantemente interpretada por Helen Mirren). Boa edição, mescla imagens gravadas da época com as cenas dos atores, o que torna a história mais verossímil.





Em nome do Pai

30 08 2009

Um filme incrível, excelente performance de Daniel Day Lewis. – assim poderia ser uma aspa creditaria a um grande crítico de cinema em um anúncio deste filme.

Inicialmente postado em 22/08, agora revisado e finalizado. CONTÉM SPOILERS

em nome do paiEm nome do Pai (In the Name of the Father, Irlanda/Grã Bretanha/EUA, 1993) é um filme intrigante, que nos faz questionar a justiça, seus sistemas e truques. Se em seriados como Law and Order sempre vemos os verdadeiros culpados serem presos e condenados (ou quase sempre), na vida real não é bem assim.

O filme é simples: o roteiro, bastante linear, foi baseado na história real dos “quatro de Guildford”, um dos maiores equívocos do sistema de justiça britânico. A fotografia e os enquadramentos são bastante convencionais, ainda que a câmera seja ágil nas cenas em que isso se faz necessário – como nas brigas que vivenciam o protagonista e seu pai na prisão.

Em 1974, durante um dos momentos mais tensos das lutas entre Inglaterra e Irlanda do Norte, uma explosão executada pelo IRA (Exército Republicano Irlandês) matou quatro pessoas em um pub em Guildford, Londres, na noite de 05 de outubro. A polícia britânica tratou de prender e condenar os suspeitos: quatro jovens foram condenados a prisão perpétua pela explosão, considerados membros da alta inteligência do IRA; outras sete pessoas, incluindo dois meninos de 14 e 16 anos, foram condenadas por oferecer ajuda logística com os explosivos. Eram todos inocentes. Quem narra a história é Gerry Conlon, jovem irlandês que foi considerado comandante do crime.

Os cabeças da operação eram três rapazes e uma moça, hippies que viviam em uma casa abandonada, dois deles irlandeses. Os outros sete eram da família de Gerry: parentes próximos de uma tia materna e seu pai, que foi mandado para a mesma penitenciária que o filho.

em nome do pai2Gerry é brilhantemente interpretado por Daniel Day Lewis, com seu impecável sotaque irlandês, que soube marcar no vídeo a forte personalidade de seu personagem. (Fora a aparência: o filme é de 1993, Day Lewis estava com 36 anos, mas no começo do longa o personagem tem apenas 20 anos, e lembra o papel do ator como Tomas, o galã de A Insustentável Leveza do Ser, filme de 1988 baseado no maravilhoso livro de Milan Kundera.)

Após lutar por justiça, perder o pai na cadeira e cumprir 15 anos de uma pena indevida, Gerry foi solto em 1989, assim como seus três amigos que estavam presos sob alegação de terrorismo. Em fevereiro de 2005 o então primeiro ministro Tony Blair pediu desculpas oficiais a todos os 11 envolvidos neste episódio, que foram injustamente condenados. Em um momento de fúria contra os irlandeses e apreensão em todo o país devido a ataques e explosões, 11 inocentes foram condenados a penas que variaram de 7 ou 8 anos (para as crianças) a prisão perpétua, para os quatro amigos.

O pai de Gerry, que sofria problemas do coração, não sobreviveu à vida e à amargura da prisão. Para honrar seu nome, Gerry empreendeu uma luta que a principio levou à revisão do julgamento dos 11 envolvidos no caso – todos perdoados publicamente, embora muitos deles já houvessem cumprido suas penas e todos já tivessem perdido boa parte de suas vidas e juventudes.

Este é um filme que vale a pena ser visto. Seus 133 min passam sem serem percebidos, a história nos envolve e o destino que os personagens vão tomando nos preocupa. (Obviamente, seria melhor que você, leitor, já tivesse visto o filme, ou ao menos conhecesse está história, pois, caso contrário, creio que estraguei grande parte do envolvimento que tive com o longa. Se foi o caso, peço desculpas! – Mas que fique claro que eu avisei!)

Saber que um filme como este é baseado em um história real, saber que Gerry Conlon realmente existiu e passou por todos os dramas ali retratados (fora aqueles que sequer imaginamos), desperta indignação para com a forma como todo nosso mundo funciona. Se a sociedade de baseia em leis e no sistema de justiça, tudo parece ruir quando nos confrontamos com uma verdade sabida, mas que tentamos sempre ignorar: nosso sistema não funciona. E é triste perceber que não conseguimos achar soluções, é triste perceber que todas as alternativas tentadas fracassaram.





#twitter

18 08 2009

Sou uma pessoa sensível que se esconde por trás de ironias e sarcasmo.





Tudo assim tão diferente

18 08 2009

Comecei este novo blog pensando em republicar todo o conteúdo de meu antigo blog aqui. Mas como o UOL não tem ferramentas que permitem uma migração automática e devido à preguiça, mudei o direcionamento de minah proposta.

Tentei, de fato, republicar. Cansei nos três primeiros posts. E, relendo este que republico abaixo, me veio à cabeça Cássia Eler

“(…) nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente…”

Foi bom no começo. E agora que o final se aproxima há aquela apreenção misturada com tristeza por uma nova separação dos amigos e uma sensação de tempo perdido, desperdiçado.

Publicado em 02/04/2007, 11h03:

A divagação inutil é o que há!

Há momentos em que vc cansa do orkut, cansa do computador, mas ñ sai dele, ñ se desconecta…
começa a divagar, pensar besteiras e escrever coisas a toa, dessas que vc escreve para ninguem ler e que ninguem vai ler mesmo.

Estava pensando em um momento desses sobre esse começo de ano e ainda sobre o final do ano passodo, a transição. os amigos fragmentados, cada um no seu canto. Uns foram pra faculdade, outros pro cursinho, em comum: uma historia vivida e muitas risadas futuras.
Deparar-se com um mundo novo [risadas inerentes a ele], a ECA e sua agua que nos faz voltar à primeira infancia, é o que dizem, um mês depois, eu ñ duvido. Crianças na purberdade, risadas a toa, futuros jornalistas ecologicos.
Os novos assuntos que surgem nas conversas com os amigos do colegio, agora são a faculdade, as novas aulas, uma amiga da Poli reclamando da vida. Alguns reclamam do calor do interior, do trem que leva até a zl, ou do onibus que chega até a cidade universitaria. O deserto do relógio e suas mil faces.
Algum dia as coisas mudam, e que venham varios e varios encontros no café da história!

“Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora
Das descobertas que fizemos
Dos sonhos que tivemos
Dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas
Da angústia
Das vésperas dos finais de semana
Dos finais de ano
Enfim… Do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado,
Seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe…
Nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices…
Aí, os dias vão passar, meses… anos…
Até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo….
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
“Quem são aquelas pessoas?”
Diremos…que eram nossos amigos e…… Isso vai doer tanto!
“Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!”
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente……
Quando o nosso grupo estiver incompleto…
Reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida,
Isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo…..
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo:
Não deixes que a vida passe em branco,
E que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades…
Eu poderia suportar, embora não sem dor,
Que tivessem morrido todos os meus amores,
Mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”

Fernando Pessoa

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