Nesta segunda assisti o filme Apenas o Fim, exibido na ECA em uma aula do curso de Audiovisual, sobre análise crítica de filmes contemporâneos. O debate entre os alunos e o diretor do longa, com intervenções do professor Rubens Machado foi bastante produtivo (muito mais que aqueles debates entre diretor e fãs, com perguntas-comentários).
O filme é um retrato geracional feito por alguem de dentro: é a história sobre o fim do relacionamento de dois universitários, começa com uma moça (Erika Mader) que diz a seu namorado Antônio (Gregório Duvivier) que está indo embora e ele tem uma hora para se despedir dela. O filme retrata esta conversa final, mesclanda com cenas da vida do casal no quarto de Antônio (nada de sexo, apenas conversar triviais).
Apenas o Fim é uma produção universitária feita com R$8 mil, dirigido por Matheus Sousa, baixinho e nerd com seus 21 anos, que agora está no 7º semestre do curso de cinema da PUC-Rio (estava no 5º quando o filme ficou pronto). O filme foi rodado todo dentro da PUC: filmado durante as férias, foi usada uma única camera, da faculdade, que não podia deixar o campus. Metade da verba veio da PUC, a outra metade foi angariada entre amigos, parentes e atráves da rifa de um uísque (!).
O destaque é o personagem de Gregório Duvivier, um típico nerd da geração nascida no final dos anos 80, que viveu a infância nos 90 e cresceu vendo a internet se desenvolver e hoje trás várias referências pops. Na conversa, Matheus Sousa contou que conheceu o casal protagonista em uma oficina de atores e que Duvivier participa de peça de inprovisação, o que garantiu bastante naturalidade ao personagem.
No final dos trailers (tanto o oficial, quanto um feito para a exibição do filme no Festival do Rio e na Mostra de Cinema de São Paulo de 2008), a protagonista pergunta a Antônio: “vc não vai insistir?” Durante o filme, há algumas vezes em que ela parece desejar que ele a impeça de ir embora, mas ele nada faz, apenas aceita o final, às vezes tentanto falar de bons momentos, perguntanto motivos, mas nenhuma tentativa radical que evitasse sua fuga da vida.
Como nós
Para os ditos ‘nerds’ em seus 20-25 anos, Apenas o Fim rende boas risadas. Além de fazer referências à tudo: Woody Allen, Godard, Cavaleiros do Zodíaco, McDonald’s, Ursinhos Carinhosos e muito mais.
Há uma passagem em que Antônio provoca a namorada, metida a intelectual e que exagera nas frases de efeito, dizendo que “Transformers é melhor que todos os filmes do Godard juntos”, ela discorda, bem como o diretor Matheus Sousa: “é claro que eu não acho isso, mas também não concordo com esses sites de cinema que só falam mal de alguns filmes e não veem se tem algum lado bom.”
Feito de forma simples, o filme é um divertido retrato dos nossos 20 anos. Mostra as (des)ilusões da juventude de forma bem humorada, embora seja triste o fim e haja sempre a torcida pela final feliz. É um filme a mais para aqueles que já pensam suas vidas querendo romances e finais felizes de cinema, por mais clichês que digamos serem as comédias românticas.



Comecei por Tatiana Salem Levy, cuja mesa lamento imensamente ter perdido. Carla e Camila foram, amaram a moça e disseram que o livro devia ser incrível. Na volta, a Cá logo conseguiu um exemplar de
Seu primeiro livro, que se autodenomina ‘um conto afegão’ e foi escrito em persa, Terra e Cinzas, não é tão impressionante quanto este último, mais recente e escrito em francês, mas ambos carregam muitas características em comum, especialmente para quem lê as traduções em português. De Rahimi ainda não li As mil casas do sonho e do terror, que está na estante aguardando sua hora e vez. Mas é bom perceber que entre o primeiro e o terceiro e mais recente livro o escritor progrediu e se aperfeiçoou!



Em nome do Pai (In the Name of the Father, Irlanda/Grã Bretanha/EUA, 1993) é um filme intrigante, que nos faz questionar a justiça, seus sistemas e truques. Se em seriados como Law and Order sempre vemos os verdadeiros culpados serem presos e condenados (ou quase sempre), na vida real não é bem assim.
Gerry é brilhantemente interpretado por Daniel Day Lewis, com seu impecável sotaque irlandês, que soube marcar no vídeo a forte personalidade de seu personagem. (Fora a aparência: o filme é de 1993, Day Lewis estava com 36 anos, mas no começo do longa o personagem tem apenas 20 anos, e lembra o papel do ator como Tomas, o galã de A Insustentável Leveza do Ser, filme de 1988 baseado no maravilhoso livro de Milan Kundera.)



